A eficiência nutricional é um dos indicadores mais relevantes para quem busca produzir mais sem necessariamente aumentar a dose de fertilizante aplicada na lavoura. 

Estimativas indicam que, em média, apenas 50% do nitrogênio aplicado é efetivamente absorvido pelas plantas. Em cereais, esse índice pode cair para algo próximo de 33%. O restante se perde entre processos como volatilização, lixiviação e imobilização microbiana no solo. 

Neste conteúdo, você vai encontrar o que define a NUE e como ela é mensurada, os principais fatores que reduzem o aproveitamento do nitrogênio na lavoura, o papel que soluções biológicas desempenham na melhoria da eficiência no uso de nitrogênio pelas culturas. Continue a leitura! 

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O que é eficiência nutricional e por que esse conceito importa para o produtor 

Eficiência nutricional é a capacidade da planta de absorver e converter os nutrientes disponíveis em biomassa, grãos ou fibras. Ainda que a literatura científica trabalhe com diferentes definições e equações, todas convergem para uma mesma ideia central: quanto do nutriente fornecido ao sistema efetivamente se transforma em mais produção ao final da safra. 

O conceito envolve dois processos complementares. De um lado, a eficiência de absorção, que expressa a capacidade da planta de captar o nutriente disponível no solo. De outro, a eficiência de utilização, que reflete a capacidade da planta de redistribuir e converter o nutriente absorvido em crescimento e produção.  

O resultado final é fruto da interação entre esses dois processos, o que significa que limitações em qualquer um deles comprometem o desempenho da lavoura.  

Para o produtor, esse entendimento tem consequências práticas diretas.  

Se a lavoura apresenta baixa eficiência de absorção, o problema pode estar relacionado a limitações no sistema radicular, à saúde do solo ou a condições que dificultam a disponibilidade do nutriente na solução do solo. 

Já quando a eficiência de utilização é a limitação, a questão pode envolver desde a fisiologia da planta até a ocorrência de estresses que limitam o desenvolvimento e produção das culturas. 

Em ambos os casos, a simples elevação da dose de fertilizante não resolve o problema. E isso acontece em razão da dinâmica dos nutrientes do solo. 

Por que o nitrogênio e outros nutrientes são tão vulneráveis a perdas 

O nitrogênio ocupa uma posição singular entre os macronutrientes. Diferentemente do fósforo e do potássio, que tendem a permanecer relativamente estáveis no perfil do solo, o nitrogênio passa por um ciclo biogeoquímico altamente dinâmico.  

Desde o momento em que o fertilizante é aplicado, o nutriente está sujeito a uma série de transformações que podem desviá-lo da rota planta antes mesmo que as raízes tenham a oportunidade de absorvê-lo. 

Fertilizante aplicado sobre o solo

As três principais vias de perda de nitrogênio são: 

  1. Volatilização: especialmente expressiva quando fontes amoniacais são aplicadas em superfície sem incorporação. Em condições de alta temperatura e baixa umidade, podem se acumular perdas superiores a 30% do nitrogênio aplicado. 
  1. Lixiviação: afeta principalmente as formas nítricas do nutriente, que são altamente solúveis e acompanham o fluxo descendente da água no perfil do solo, podendo atingir o lençol freático e gerar eutrofização de recursos hídricos. 
  1. Desnitrificação: processo conduzido por microrganismos em condições de baixa disponibilidade de oxigênio, que converte o nitrato em gases como o óxido nitroso (N₂O), um dos mais potentes gases de efeito estufa. 

Esses processos não operam isoladamente. A intensidade de cada via de perda depende de fatores como tipo de solo, regime hídrico, temperatura, forma do fertilizante, momento e modo de aplicação, e atividade microbiológica do solo. 

O fósforo é outro macronutriente que tende a ficar indisponível para plantas 

O fósforo, por sua vez, apresenta um desafio diferente, mas igualmente relevante. Sua baixa mobilidade no solo e a forte tendência de reação com óxidos de ferro e alumínio, especialmente em solos tropicais, fazem com que uma parcela expressiva do que é aplicado permaneça em formas indisponíveis para a planta.  

O resultado é um nutriente presente no perfil, mas nutricionalmente inacessível às raízes. 

Os fatores que determinam a eficiência nutricional no campo 

Melhorar a eficiência nutricional na lavoura depende de um conjunto de decisões que, somadas, criam as condições para que a planta absorva mais e converta melhor os nutrientes disponíveis. 

Produtor avaliando as raízes da soja em lavoura.
Produtor avaliando as raízes da soja em lavoura. Fonte: Embrapa

Fatores ligados à planta e ao solo 

O sistema radicular é o ponto de partida. Plantas com maior volume, profundidade e ramificação de raízes exploram um volume de solo proporcionalmente maior, acessando reservas de nitrogênio que raízes menos desenvolvidas simplesmente não alcançam.  

Qualquer fator que limite o desenvolvimento radicular, seja compactação, nematoides, doenças de solo ou déficit hídrico, compromete a NUE antes mesmo que o nutriente entre na rota metabólica da planta. 

A saúde e a atividade biológica do solo são igualmente determinantes. Solos com microbiota diversificada e ativa promovem uma ciclagem de nutrientes mais eficiente e disponibilizam nutrientes em sincronia com a demanda da cultura. 

Essa dimensão biológica do solo, muitas vezes subestimada no planejamento da adubação, é hoje reconhecida como um componente estratégico do aproveitamento de nutrientes pelas culturas. 

Fatores ligados ao manejo da adubação 

O momento da aplicação do fertilizante em relação ao estágio fenológico da cultura influencia diretamente o resultado. Aplicações que coincidem com os picos de demanda da planta reduzem o tempo de exposição do nutriente aos processos de perda, aumentando a proporção efetivamente absorvida.  

Da mesma forma, a forma do fertilizante e a tecnologia de aplicação utilizada podem modular a velocidade com que o nitrogênio se torna disponível na solução do solo. 

Aplicando fertilizante granulado sobre o solo

O pano de fundo edafoclimático 

Fatores como pH do solo, teor de matéria orgânica, textura e disponibilidade hídrica compõem o contexto que condiciona todos os processos anteriores.  

A eficiência nutricional, portanto, é menos uma variável isolada e mais um reflexo da qualidade geral do manejo do sistema produtivo. 

O papel dos biológicos na eficiência nutricional 

É nesse contexto que os produtos biológicos voltados à eficiência nutricional vêm ganhando relevância no campo. 

Diferentemente dos inoculantes tradicionais focados na fixação biológica de nitrogênio (FBN), que já tem seu uso consagrado na agricultura, essas soluções tem como foco melhorar a capacidade da planta de acessar e utilizar os nutrientes que já estáo disponíveis no solo, seja ele proveniente da adubação, da mineralização da matéria orgânica ou do próprio ambiente. 

Duas frentes se destacam nessa categoria: 

Fungos micorrízicos arbusculares (FMA) 

Esses organismos estabelecem uma relação simbiótica com as raízes da planta, estendendo uma rede de hifas que pode aumentar em dezenas de vezes a área de exploração do sistema radicular.  

Fragmento de uma raiz, mostrando as estruturas do fungo micorrízico no seu interior. Fonte: Embrapa

Além de melhorar a absorção de nutrientes com baixa mobilidade no solo, como fósforo, zinco e cobre, as micorrizas também contribuem para a captação de formas de nitrogênio, como o amônio e compostos orgânicos nitrogenados, que seriam menos acessíveis a raízes não colonizadas. 

Bactérias endofíticas 

Microrganismos capazes de colonizar os tecidos internos das plantas. Esses endófitos podem fixar nitrogênio atmosférico diretamente no interior da planta, solubilizar fósforo e mobilizar micronutrientes, complementando a nutrição mesmo em condições de solo com disponibilidade limitada de nutrientes. 

A vantagem dessa abordagem é que a relação planta-microrganismo se estabelece desde as fases iniciais do desenvolvimento, criando um suporte nutricional contínuo ao longo do ciclo. 

O ponto central é que essas soluções potencializam o aproveitamento dos insumos já investidos pelo produtor.  

AVAKITT® e EQIBRE®: o portfólio de eficiência nutricional da Syngenta Biologicals 

Dentro da categoria de NUE, a Syngenta Biologicals conta com duas soluções desenvolvidas para atuar sobre os mecanismos que determinam a eficiência nutricional das lavouras: AVAKITT®e EQIBRE®.  

AVAKITT® 

AVAKITT® é uma solução biológica que combina um bioativador de origem vegetal com endomicorrizas (Glomus intraradices). Essa combinação gera um efeito sinérgico que torna a planta mais receptiva à colonização micorrízica, potencializando a relação simbiótica entre fungo e raiz. 

Na prática, a rede de hifas formada pelas micorrizas amplia significativamente a área de exploração do sistema radicular, permitindo que a planta acesse água e nutrientes em um volume de solo que as raízes, sozinhas, não alcançariam.  

O foco dessa atuação está nos nutrientes com baixa mobilidade no perfil, com destaque para o fósforo, além de zinco e cobre. O resultado é uma nutrição mineral mais eficiente, mesmo em condições variáveis de solo. 

EQIBRE® 

EQIBRE® é uma formulação à base de cepas endofíticas que atuam na absorção e utilização de nutrientes, com destaque para o nitrogênio, fortalecendo a resiliência da cultura em condições de crescimento desafiadoras e com disponibilidade nutricional limitada. 

Os microrganismos endófitos presentes em EQIBRE® colonizam os tecidos internos da planta, desde as raízes até folhas e caules, e contribuem para: 

  • Fixação de nitrogênio atmosférico diretamente no interior da planta; 
  • Solubilização e mobilização de fósforo n soolo, tornando-o mais acessível; 
  • Aumento da disponibilidade e absorção de outros nutrientes-chave, como micronutrientes essenciais para a saúde vegetal. 

A vantagem dessa abordagem é que a relação planta-microrganismo se estabelece desde as fases iniciais do desenvolvimento, criando um suporte nutricional contínuo que acompanha a demanda da cultura ao longo de todo o ciclo. 

Juntas, essas soluções representam a atuação da Syngenta Biologicals na construção de uma categoria que conecta eficiência nutricional, rentabilidade e sustentabilidade.  

Para o produtor que busca transformar o investimento em adubação em resultados mais consistentes, incluir biológicos para eficiência nutricional no manejo é uma decisão estratégica que fortalece o sistema produtivo como um todo. 

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