mercado do trigo apresenta comportamentos distintos entre o ambiente internacional e o Brasil. Enquanto os contratos negociados em Chicago passaram por uma segunda semana consecutiva de queda, os preços físicos brasileiros seguem sustentados pela menor oferta interna e pela continuidade da demanda. 

A análise semanal da TF Agroeconômica indica que o cenário pode ser de correção baixista no curto prazo no mercado externo, mas ainda mantém viés positivo no médio prazo. 

Mercado do trigo recua em Chicago, mas mantém suporte no médio prazo 

A queda em Chicago foi influenciada principalmente pela realização de lucros dos fundos, pelo ritmo mais fraco das vendas externas dos Estados Unidos e pela expectativa de oferta elevada na região do Mar Negro. 

As vendas semanais norte-americanas de trigo somaram 194,2 mil toneladas, abaixo das 313,5 mil toneladas registradas na semana anterior. O desempenho reforçou a percepção de uma demanda externa menos aquecida pelo produto dos Estados Unidos. 

Outro fator de pressão veio do Canadá. Os estoques canadenses alcançaram 6,65 milhões de toneladas, alta de 57% na comparação anual, ampliando a expectativa de disponibilidade global. 

Apesar da pressão no curto prazo, o mercado continua exposto a riscos que podem limitar novas quedas: 

  • Ataques entre Rússia e Ucrânia afetam portos e rotas logísticas; 
  • Incertezas sobre um eventual acordo de paz mantêm riscos para os embarques no Mar Negro; 
  • Mudanças no fluxo de compras favorecem fornecedores europeus; 
  • Problemas logísticos podem alterar a disponibilidade regional do cereal. 

Europa ganha espaço nas exportações globais 

Com os riscos concentrados no Mar Negro e a menor competitividade relativa dos Estados Unidos, parte da demanda internacional vem se deslocando para a Europa. 

A previsão de exportações de trigo soft da União Europeia foi elevada para 29,5 milhões de toneladas. O aumento reforça a posição do bloco no comércio global e mostra como os compradores buscam alternativas diante das incertezas nos principais corredores de exportação. 

Esse movimento pode influenciar a formação dos preços internacionais nas próximas semanas, especialmente se a oferta europeia continuar disponível e os embarques pelo Mar Negro permanecerem sujeitos a interrupções. 

Chicago tem resistência próxima de US$ 7,90 por bushel 

O contrato de trigo com vencimento em dezembro chegou próximo de US$ 7,90 por bushel antes de recuar para a faixa de US$ 7,25. 

Na leitura técnica apresentada pela TF Agroeconômica: 

  • A região entre US$ 7,80 e US$ 7,90 por bushel representa a principal resistência; 
  • O nível de US$ 7,20 aparece como primeiro suporte; 
  • A movimentação atual é considerada uma correção baixista; 
  • A estrutura de médio prazo ainda permanece positiva. 

Na prática, o comportamento dos preços dependerá da combinação entre demanda externa, ritmo das exportações norte-americanas, disponibilidade no Canadá e condições logísticas na região do Mar Negro. 

Preços do trigo seguem firmes no mercado brasileiro 

No Brasil, a menor disponibilidade de trigo continua dando sustentação aos preços. A demanda interna permanece ativa, enquanto a oferta mais restrita limita o espaço para quedas significativas nas cotações. 

No Paraná, os preços romperam a resistência de R$ 1.475 por tonelada e se aproximaram de R$ 1.490 por tonelada. O movimento mantém a tendência de alta no estado. 

No Rio Grande do Sul, o mercado apresenta comportamento mais estável, com os preços consolidados entre R$ 1.355 e R$ 1.360 por tonelada. 

As diferenças entre os dois estados refletem, entre outros fatores, as condições regionais de oferta, a demanda dos moinhos e a necessidade de reposição dos estoques. 

Estratégia deve considerar compras e vendas escalonadas 

Diante de um cenário marcado por oferta doméstica limitada e riscos no mercado externo, a recomendação da análise é evitar posições concentradas. 

Para o produtor, a comercialização escalonada pode reduzir a exposição a oscilações bruscas de preço. Para moinhos e compradores, a divisão das aquisições ao longo do tempo ajuda a diminuir o risco de concentrar toda a reposição em um único momento do mercado. 

A estratégia exige acompanhamento de fatores como: 

  • Evolução dos preços em Chicago; 
  • Ritmo das exportações dos Estados Unidos e da União Europeia; 
  • Condições de embarque no Mar Negro; 
  • Disponibilidade regional no Brasil; 
  • Comportamento da demanda dos moinhos. 

O mercado do trigo, portanto, combina pressão externa no curto prazo com sustentação dos preços físicos no Brasil. Enquanto Chicago passa por uma correção, a oferta doméstica mais restrita mantém as cotações brasileiras firmes, deixando o mercado sensível a novas mudanças na demanda e na logística internacional. 

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