O carrapato-estrela é um parasita externo que se instala em animais e, em algumas espécies, no ser humano, alimentando-se de sangue e podendo transmitir doenças graves durante a picada. 

A principal delas no Brasil é a febre maculosa brasileira. 

Além do risco à saúde, a infestação por carrapatos-estrela reduz o ganho de peso e a produção leiteira do rebanho, gerando prejuízos econômicos estimados em bilhões de dólares por ano na pecuária mundial. 

Este guia explica como identificar o carrapato-estrela no rebanho, seu ciclo de vida, o risco da febre maculosa e como controlar a infestação de forma adequada. 

Ficha rápida: carrapato-estrela 

Espécie de maior risco Carrapato-estrela (Amblyomma sculptum) 
Doença associada Febre maculosa brasileira (Rickettsia rickettsii
Reconhecida no Brasil desde 1929 
Ciclo de vida Ovo, larva, ninfa e adulto, podendo durar de alguns meses a mais de um ano 
Hospedeiro silvestre associado Capivaras, em áreas de risco 
Impacto econômico na pecuária Bilhões de dólares por ano na pecuária brasileira 
Estratégia de manejo Carrapaticida com supervisão veterinária e manejo de pastagem 

Principais pontos 

  • O carrapato-estrela é o principal vetor da febre maculosa brasileira, doença reconhecida no Estado de São Paulo desde 1929. 
  • O ciclo de vida passa por ovo, larva, ninfa e adulto, cada fase podendo se alimentar em um hospedeiro diferente. 
  • A infestação reduz produtividade leiteira e ganho de peso do rebanho. 
  • O prejuízo econômico do carrapato na pecuária mundial é estimado em bilhões de dólares por ano. 
  • A presença de capivaras nas proximidades aumenta o risco de febre maculosa. 
  • O controle deve ser feito com carrapaticida sob supervisão veterinária. 
  • O manejo da vegetação de pastagem é uma estratégia ambiental complementar ao controle direto nos animais. 

Como identificar carrapatos no rebanho e na propriedade? 

A identificação de carrapatos costuma ser direta: basta a visualização do próprio parasita sobre o corpo do animal, sem necessidade de nenhum instrumento. 

Segundo manual da IFMG Bambuí, o carrapato-estrela é a espécie de maior presença em estações de estiagem, em regiões de pasto e onde há animais domésticos e silvestres, especialmente capivaras. 

Qual o ciclo de vida do carrapato-estrela? 

O carrapato-estrela passa por quatro fases, ovo, larva, ninfa e adulto, e, diferente de muitos outros parasitas, necessita de três hospedeiros distintos ao longo da vida para completar o ciclo, o que amplia sua capacidade de disseminação entre diferentes animais. 

Após a eclosão dos ovos depositados no ambiente, a larva sobe em vegetação baixa e aguarda a passagem de um hospedeiro para se fixar e realizar sua primeira alimentação de sangue. 

Após se alimentar, ela cai novamente no solo, muda para a fase de ninfa e repete o processo, buscando um novo hospedeiro, que pode ser o mesmo animal ou outro diferente. 

Esse padrão se repete até a fase adulta, quando o carrapato se alimenta uma última vez, geralmente em hospedeiros de maior porte, antes de cair no ambiente para depositar milhares de ovos. 

Essa dependência de múltiplos hospedeiros ao longo do ciclo é o que torna o carrapato-estrela um vetor tão eficiente da febre maculosa: cada nova alimentação em um hospedeiro diferente é uma oportunidade de contato com o patógeno, seja adquirindo a bactéria de um animal já infectado, seja transmitindo-a para um novo hospedeiro saudável. 

Leia mais: Guia completo da cana-de-açúcar: manejo de pragas, doenças, daninhas e colheita 

Qual o risco do carrapato-estrela e da febre maculosa? 

A febre maculosa brasileira é uma doença bacteriana transmitida pela picada do carrapato-estrela, reconhecida no Estado de São Paulo desde 1929 e ainda hoje considerada um problema de saúde pública. 

Segundo a Embrapa, em animais de produção como bovinos, ovinos e equinos, a febre maculosa pode causar queda na produção de leite, perda de peso, redução na reprodução e, em casos graves, óbito dos animais. 

Risco também para quem trabalha na propriedade 

Além do impacto nos animais de produção, a febre maculosa representa risco direto para trabalhadores rurais e demais pessoas que circulam por áreas de pasto e mata onde o carrapato-estrela está presente. 

Em humanos, a doença pode se manifestar com febre alta, dor de cabeça intensa e manchas na pele, evoluindo para quadros graves se não for identificada e tratada rapidamente, o que reforça a importância de buscar atendimento médico diante de sintomas suspeitos após contato com áreas de risco. 

Carrapato fixado na pele, entre pelos, mostrando o escudo dorsal com padrão claro e escuro

Carrapato-estrela x outras espécies de carrapato 

Embora o carrapato-estrela (Amblyomma sculptum, antes tratado como A. cajennense) seja a espécie de maior relevância para a febre maculosa no Brasil, o rebanho pode ser parasitado por outras espécies, com diferentes hospedeiros preferenciais e níveis de risco associados. 

O carrapato-dos-bovinos (Rhipicephalus microplus), por exemplo, é uma espécie de alta especificidade por bovinos e de grande importância econômica na pecuária, associada à transmissão da tristeza parasitária bovina, causada por protozoários e bactérias que afetam o sangue dos animais. 

Diferente do carrapato-estrela, que precisa de mais de um hospedeiro ao longo da vida, o carrapato-dos-bovinos completa todo o ciclo em um único hospedeiro, o que facilita, em certa medida, o planejamento de estratégias de controle direcionadas especificamente ao rebanho. 

Na prática, é comum que uma mesma propriedade tenha mais de uma espécie de carrapato presente simultaneamente, especialmente em áreas de transição entre pastagem manejada e vegetação nativa, onde hospedeiros domésticos e silvestres convivem. 

Por isso, a identificação da espécie predominante, sempre que possível com apoio veterinário, ajuda a direcionar de forma mais precisa tanto o produto de controle quanto as medidas de manejo ambiental mais adequadas para cada situação. 

Como o carrapato afeta a produtividade do rebanho? 

O carrapato reduz a produtividade leiteira e o ganho de peso do rebanho, além de causar prejuízos que, somados, chegam a cerca a bilhões de dólares por ano. 

A tabela abaixo resume os principais impactos da infestação sobre o desempenho do rebanho. 

Impacto Mecanismo Consequência produtiva 
Perda de peso Espoliação sanguínea contínua pelo parasita Redução no ganho de peso diário e no desempenho zootécnico 
Queda na produção leiteira Estresse fisiológico e desgaste nutricional do animal parasitado Redução direta na receita da atividade leiteira 
Transmissão de doenças Inoculação de patógenos durante a picada (ex.: R. rickettsii, Babesia spp.) Risco sanitário para o rebanho e para trabalhadores rurais 
Prejuízo econômico  Soma de perdas produtivas, sanitárias e custos de controle Estimado em US$ 3,24 bilhões/ano na pecuária brasileira para o carrapato-dos-bovinos (Grisi et al., 2014) 

Como controlar carrapatos em bovinos? 

O controle deve ser feito com carrapaticidas aplicados sob orientação veterinária, combinado ao manejo da pastagem para reduzir a presença do parasita no ambiente. 

Aroçada mecânica de áreas de pasto e a redução do contato do rebanho com capivaras e outros hospedeiros silvestres também ajudam a diminuir o risco de infestação. 

Rotação de mecanismos de ação para evitar resistência 

Assim como ocorre em outras pragas agrícolas, o uso repetido de um único carrapaticida ao longo do tempo pode selecionar populações de carrapato resistentes ao produto, reduzindo seu desempenho. 

A orientação de um médico veterinário para alternar diferentes produtos, conforme protocolo técnico adequado à realidade da propriedade, é uma estratégia importante para manter o controle adequado no longo prazo e reduzir a pressão de seleção sobre a população do parasita. 

Como prevenir novas infestações de carrapato? 

A prevenção combina manejo da pastagem, controle regular do rebanho e atenção à presença de hospedeiros silvestres como capivaras nas proximidades. 

Segundo o Ibram (Instituto Brasília Ambiental) o uso de carrapaticidas diretamente no ambiente não é recomendado para o controle de carrapatos de vida livre, por baixo desempenho e risco de contaminação de água e solo. 

A estratégia ambiental mais indicada é o manejo da vegetação. 

Por que o manejo da vegetação funciona 

Manter a vegetação de pastagens e áreas de circulação do rebanho baixa e bem manejada reduz os pontos onde larvas e ninfas de carrapato se posicionam à espera de um hospedeiro, já que essas fases dependem de vegetação relativamente alta para aumentar as chances de contato com um animal de passagem. 

Áreas de pasto bem manejadas, com rotação de piquetes e controle de daninhas, tendem a apresentar populações de carrapato mais baixas ao longo do tempo. 

A rotação de piquetes também interrompe parte do ciclo do parasita ao retirar temporariamente os hospedeiros de uma área específica, reduzindo as chances de larvas e ninfas recém-emergidas encontrarem um animal disponível dentro do período em que sobrevivem sem se alimentar. 

Combinada à limpeza de cercas e faixas de vegetação nas bordas dos piquetes, essa prática de manejo se soma ao controle direto no animal como parte de uma estratégia integrada e mais sustentável no longo prazo. 

Convivência com capivaras e outros hospedeiros silvestres 

Em propriedades próximas a rios, lagoas ou áreas de mata onde capivaras são comuns, o risco de contato do rebanho com carrapatos-estrela infectados tende a ser maior, já que esses animais silvestres funcionam como importantes hospedeiros e multiplicadores do parasita na natureza. 

Cercar e limitar o acesso do rebanho a áreascom capivaras, quando viável, é uma medida complementar de manejo que pode reduzir a exposição dos animais de produção a populações mais densas de carrapato. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável. 

Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo que está acontecendo no campo. 

Perguntas frequentes 

  1. Como identificar carrapatos no rebanho? 

Por visualização direta sobre o corpo do animal, sem necessidade de instrumento. 

  1. O que é a febre maculosa? 

Doença bacteriana transmitida pelo carrapato-estrela, comum em pastos e áreas com capivaras. 

  1. A febre maculosa afeta animais de produção? 

Sim, pode causar queda na produção de leite, perda de peso e redução na reprodução. 

  1. A febre maculosa é perigosa para humanos? 

Sim, pode causar febre alta, dor de cabeça intensa e manchas na pele, evoluindo para quadros graves sem tratamento rápido. 

  1. Qual o prejuízo econômico do carrapato na pecuária? 

Bilhões de dólares por ano, segundo pesquisa da Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária. 

  1. Como controlar carrapatos em bovinos? 

Com carrapaticidas aplicados com orientação veterinária, alternando mecanismos de ação para evitar resistência. 

  1. Presença de capivaras aumenta o risco? 

Sim, capivaras são hospedeiras importantes do carrapato-estrela. 

  1. Existe vacina contra febre maculosa? 

Não. A prevenção é a principal estratégia.