A cultura da soja convive com diferentes desafios fitossanitários ao longo do ciclo, e os tripes têm se tornado mais relevantes r problemáticos l em anos de seca. Pequenos e de difícil identificação nas fases iniciais de infestação, esses insetos podem comprometer o desenvolvimento da planta logo nos primeiros estádios, reduzindo vigor, uniformidade e potencial produtivo da lavoura. 

Neste conteúdo, você vai entender o que são os tripes, porque o problema se intensifica em períodos de estresse hídrico, quais sintomas observar no campo e como o monitoramento e o manejo integrado ajudam a reduzir prejuízos na soja. 

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O que são tripes e por que eles atacam a soja 

Os tripes são pequenos insetos da ordem Thysanoptera, com diferentes espécies de importância agrícola. Em lavouras de soja no Brasil, uma das mais frequentes é Caliothrips brasiliensis (tripes-do-prateamento) embora outras espécies como Frankliniella schultzei, s também possam ocorrer. Esses insetos se alimentam das células epidérmicas das plantas, provocando danos que muitas vezes podem ser confundidos com deficiência nutricional ou ataque de outras pragas sugadoras. 

O ataque dos tripes está relacionado à busca por alimento e às condições favoráveis ao seu desenvolvimento. Plantas jovens e tecidos mais tenros são preferidos porque facilitam a alimentação. Além disso, condições climáticas com temperatura entre 25-30°C e baixa umidade relativa do solo  tendem a favorecer a infestação, especialmente quando combinados com períodos secos intercalados por chuva ou irrigação,  já que essas condições apresentam o ambiente ideal para seu desenvolvimento e reprodução. 

Características do inseto 

Os tripes medem, em geral, de 1 a 2 milímetros de comprimento, têm corpo alongado e coloração que varia do amarelo-pálido ao marrom-escuro, dependendo da espécie e do estádio de desenvolvimento. As asas franjadas são uma característica marcante, embora os insetos sejam difíceis de observar a olho nu. 

Seu aparelho bucal é do tipo raspador-sugador, utilizado para perfurar tecidos vegetais e sugar  o conteúdo celular que extravasa. O ciclo de vida é curto e passa pelas fases de ovo, larva, pré-pupa, pupa e adulto. Em algumas espécies , a fase de pupa ocorre no solo, enquanto outras pupam na própria planta hospedeira, o que pode dificultar o controle. Além disso, algumas espécies podem se reproduzir por partenogênese, acelerando o crescimento populacional. 

Condições climáticas que favorecem a praga 

Temperaturas elevadas acima de 25°C, baixa umidade relativa do ar (<60%) e períodos prolongados de estiagem criam um ambiente favorável para a multiplicação dos tripes na soja, por exemplo, especialmente Caliothrips e Frankliniella. Nessas condições, o ciclo da praga tende a ser mais rápido, permitindo que várias gerações ocorram em pouco tempo. 

Em anos de seca, as plantas de soja também ficam mais vulneráveis. O estresse hídrico reduz o vigor das plantas e aumenta o impacto do ataque, especialmente nos estádios iniciais. Além disso, ventos podem favorecer a dispersão dos adultos entre áreas cultivadas, ampliando o alcance da infestação. 

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Principais danos causados pelos tripes na soja 

Os danos provocados pelos tripes na soja costumam ser subestimados, principalmente porque o inseto é pequeno e os sintomas iniciais podem passar despercebidos. No entanto, quando a infestação ocorre em fases sensíveis da cultura, especialmente nos estádios vegetativos iniciais (V1 a V4), os prejuízos podem comprometer o desenvolvimento vegetativo e reduzir o potencial produtivo. 

Em geral, os tripes causam danos através da raspagem e sucção do conteúdo das  células superficiais das folhas, o que afeta diretamente a fotossíntese e o vigor das plantas. Em infestações mais severas, os impactos podem se refletir em menor crescimento, menor capacidade de recuperação diante de outros estresses e perdas relevantes de produtividade. 

Sintomas nas folhas 

Os sintomas mais comuns aparecem como pontuações prateadas ou esbranquiçadas na superfície das folhas, resultado da raspagem e sucção do conteúdo celular. Com o avanço da infestação, essas marcas podem se unir, formando áreas com aspecto prateado, bronzeado ou ressecado. 

Em situações mais intensas, as folhas podem ficar ásperas, deformadas, com margens crestadas ou enroladas. As folhas jovens geralmente são mais suscetíveis ao ataque, enquanto folhas mais desenvolvidas  podem apresentar  sintomas mais evidentes, devido ao acúmulo de danos ao longo do tempo, o que exige atenção especial no monitoramento durante todas as fases da lavoura.  

mãos segurando um ramo de planta

Impactos no crescimento inicial da planta 

O maior risco do ataque de tripes está no desenvolvimento inicial da soja. Entre a emergência (VC) e os estádios vegetativos iniciais (V2-V3), a planta ainda está expandindo e fortalecendo o  seu sistema radicular e sua área foliar. Nessa fase, qualquer estresse pode comprometer o desempenho ao longo de todo o ciclo. 

Quando o ataque é intenso, a soja pode apresentar crescimento lento, porte reduzido, menor emissão de folhas e menor vigor geral. Em casos severos, também pode haver prejuízo ao estande, à ramificação e ao desenvolvimento radicular, o que limita o potencial produtivo da lavoura. 

Veja: Não deixe as doenças da soja marcarem uma goleada na sua safra  

Como fazer o monitoramento de tripes na lavoura 

O monitoramento é a base para o manejo eficiente dos tripes na soja. Como a praga tem rápida multiplicação e os danos podem se acumular antes de ficarem evidentes, a avaliação frequente da lavoura é essencial para detectar o problema cedo e tomar decisões com mais segurança. 

O ideal é realizar inspeções regulares, de duas a 3 vezes por semana, observando principalmente as folhas do terço superior das plantas, principalmente em períodos de calor (>25°C) e baixa umidade relativa do ar, quando a pressão da praga tende a aumentar. Em áreas com histórico de ocorrência, o acompanhamento deve ser ainda mais atento. 

Fases da soja mais sensíveis 

Em leguminosas como a soja, as fases mais sensíveis ao ataque de tripes são as iniciais, da emergência às primeiras folhas trifolioladas (V2-V3). Nesse período, a planta ainda está formando estruturas essenciais para seu desenvolvimento, e os danos podem ter efeito desproporcional sobre o desempenho futuro. 

Folhas cotiledonares, folhas jovens e brotações novas são os principais alvos. Como essas estruturas concentram tecidos mais tenros, o ataque tende a ser mais intenso e prejudicial. 

Como identificar a presença da praga 

A identificação dos tripes exige atenção aos sintomas e, de preferência, o uso de técnicas simples de inspeção. Uma das mais práticas é o pano de batida ou bandeja de batida, que ajuda a visualizar os insetos desprendidos da planta. O uso de lupa também pode facilitar a observação de adultos e ninfas em folhas novas, brotos e flores. 

Além da presença direta dos insetos, é importante observar os sintomas típicos nas folhas, como prateamento (devido a respagem celular), estrias prateadas longitudinais, bronzeamento, deformação e redução do crescimento. O monitoramento deve ser feito semanalmente ou quinzenalmente, nas primeiras horas da manhã, em diferentes pontos da lavoura, para representar melhor a condição da área. 

Estratégias de manejo para reduzir a população de tripes 

O manejo dos tripes deve estar inserido em uma estratégia mais ampla de manejo integrado de pragas. Isso significa combinar monitoramento constante, controle biológico, controle cultural e controle físico e quando necessário, o controle químico seletivo.  

O objetivo não é apenas eliminar a praga, mas manter sua população abaixo do nível de dano econômico, intervindo quando necessário no nível de controle, preservando a eficiência do sistema produtivo e evitando intervenções desnecessárias. 

Monitoramento frequente 

O monitoramento contínuo é o ponto de partida para qualquer decisão de manejo. A frequência das avaliações deve aumentar em condições favoráveis à praga-alvo, como estiagem e altas temperaturas, especialmente nas fases iniciais da cultura. 

Registrar a intensidade dos sintomas, usando escalas padronizadas e quantificar a presença dos insetos através de amostragem ajuda a acompanhar a evolução da infestação e dá mais segurança para decidir se a área precisa de intervenção. 

Manejo integrado de pragas 

O manejo integrado de pragas combina diferentes estratégias para reduzir a população de pragas como o tripes e diminuir o risco de dano econômico. Entre essas medidas estão o acompanhamento constante da lavoura, a eliminação de hospedeiros alternativos, a manutenção de plantas mais equilibradas nutricionalmente e a adoção de práticas que aumentem a resiliência do sistema como rotação de culturas, preservação de inimigos naturais e diversificação de táticas de controle. 

Essa abordagem também ajuda a reduzir a dependência de controles pontuais e melhora a sustentabilidade do manejo fitossanitário no longo prazo. 

Controle químico quando necessário 

O controle químico deve ser considerado quando o monitoramento indicar que a população da praga atingiu o nível de contorle estabelecido para a cultura. Nesses casos, a escolha do produto e o momento da aplicação precisam estar alinhados às recomendações técnicas e às condições da área. 

O mais importante é evitar aplicações sem critério, já que o uso inadequado pode elevar custos, comprometer o equilíbrio biológico e aumentar a pressão de seleção sobre a população da praga, favorecendo o desenvolvimento de resistência. 

Como o monitoramento correto evita prejuízos causados pelos tripes na soja 

O monitoramento correto permite identificar a presença de tripes antes que os danos se tornem mais severos. Isso aumenta a eficiência das decisões de manejo, reduz o uso desnecessário de defensivos e protege o potencial produtivo da lavoura, especialmente nos anos em que a seca favorece a multiplicação da praga. 

Quando o produtor acompanha de perto a área e entende a dinâmica de infestação, consegue agir no momento certo e com mais precisão. Esse cuidado faz diferença no desenvolvimento inicial da soja e na rentabilidade do sistema produtivo, e é nesse contexto que a Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável. 

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