A citricultura brasileira vive sob constante pressão. Pragas, doenças e plantas daninhas fazem parte dos desafios diários do citricultor. Porém, nesse cenário, um desafio se destaca frente aos demais: o greening.
Seu avanço implacável, que já compromete quase metade do cinturão citrícola brasileiro, transformou o manejo da doença e do seu principal inseto-vetor, o psilídeo, em uma prioridade máxima.
Para entender as estratégias que estão funcionando no campo, acompanhe uma visita técnica com Luiz Uliana, DTM da Syngenta, e Luiz Gustavo, responsável técnico da Fundação Coopercitrus.
Eles vão mostrar, na prática, como esses e outros desafios têm sido superados com soluções inovadoras. Continue a leitura!
Greening: entendendo o impacto da doença mais desafiadora dos citros
Considerado o maior desafio da citricultura mundial, o greening (HLB) é uma doença tão devastadora que sua chegada a um pomar pode significar o fim de anos de investimento.
Incurável e de rápida disseminação, o greening força os produtores a tomarem decisões drásticas para tentar conter seu avanço. Uma dessas decisões é a erradicação das plantas doentes, como relata Luiz Gustavo.
Em sua visita a um dos pomares da região, ele aponta para uma área vazia e explica a consequência final da doença: “Ao meu lado esquerdo aqui, o pomar que foi erradicado. Um pomar que já estava com 10 anos”.
Essa decisão é imposta pela biologia do greening. Causada pela bactéria Candidatus Liberibacter spp., a doença não possui tratamento. Uma vez que a bactéria coloniza os tecidos da planta, ela se espalha rapidamente, atingindo raízes, tronco, ramos e folhas.
O resultado são perdas severas na produção e na qualidade dos frutos, que se tornam deformados e assimétricos, dando origem a um suco mais ácido e amargo.
Por isso, identificar o greening precocemente e adotar medidas preventivas do controle do seu principal vetor, o psilídeo-dos-citros, é essencial para protege outras áreas do pomar ainda saudáveis.
Sintomas do greening: como identificar a doença no pomar?
A identificação precoce do greening é essencial em regiões com histórico da doença. Apesar dos sintomas dessa doença, em alguns casos, demorarem meses para aparecer, é possível identificar a presença do greening através de alguns sintomas característicos.
Dentre eles, podemos destacar:
- Nas folhas: o sintoma mais característico é o mosqueado, com manchas irregulares em tons de verde e amarelo que não são simétricas entre as duas metades da folha. Pode ocorrer também o engrossamento e o clareamento das nervuras, seguido da desfolha intensa e seca e morte dos ponteiros.


- Nos frutos: a maturação ocorre de forma irregular, com a casca apresentando manchas verdes e amareladas. Internamente, os frutos podem ter a columela (eixo central) espessa e deslocada, com filetes alaranjados e sementes necrosadas.

Uma vez identificadas as árvores doentes, elas devem ser eliminadas completamente, evitando deixar resquícios de plantas infectadas que possam servir como fonte de inóculo para novas infecções.
O manejo do greening: como um pomar se tornou uma vitrine de sucesso?
Apesar do cenário desafiador, a erradicação das árvores não é o único destino possível. Luiz Gustavo apresenta com orgulho outro pomar cuja história tem sido diferente:
“Ao meu lado direito, eu tenho um pomar recém-plantado, aí há um ano, já bem conduzido, com parceria junto com a Syngenta”.
Ele explica que esse pomar, com plantas de lima ácida Tahiti e laranja Pera Rio, exibe um vigor impressionante e, mais importante, está livre de greening.
Esse caso de sucesso só foi possível graças a um manejo robusto, como define Luiz Uliana, que se apoia em pilares fundamentais do controle do greening: o uso de mudas sadias e certificadas, a erradicação rigorosa de plantas doentes e o controle eficaz do principal vetor da doença, o psilídeo-dos-citros.
Construindo a defesa do pomar: os pilares do manejo do greening
Proteger o pomar contra o greening não é uma tarefa fácil e exige do citricultor a construção de uma estratégia robusta, construída sobre três pilares essenciais que formam a base para a sanidade do pomar.
O primeiro passo para a defesa contra o greening é impedir a chegada da doença no pomar. A aquisição de mudas de viveiros certificados é uma prática fundamental nesse sentido, já que ela impede que a doença chegue até o pomar.
Outra medida, que pode ser considerada o principal pilar do manejo do greening, é o controle do principal vetor da doença: o psilídeo-dos-citros.
Psilídeo-dos-citros: conhecendo o principal vetor do greening
O psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri) é um pequeno inseto de origem asiática que se estabeleceu como o principal vetor do greening na citricultura mundial.

Presente nos pomares durante todo o ano, sua população atinge picos em estações chuvosas e com altas temperaturas.
Além disso, o seu grande perigo reside em seu hábito alimentar: ao sugar a seiva de uma planta contaminada com a bactéria Candidatus Liberibacter spp., o psilídeo a adquire e passa a transmití-la para plantas sadias, tornando-se o principal vetor do greening.
Estudos recentes revelaram um fato ainda mais alarmante: a bactéria do greening altera o comportamento do vetor, fazendo com que psilídeos infectados produzam 40% mais ovos, alimentem-se com 30% mais frequência e realizem voos de dispersão até 45% mais longos.
Esse ciclo vicioso acelera exponencialmente a contaminação do pomar, exigindo um manejo fitossanitário rigoroso para quebrar o ciclo de vida da praga e a disseminação do greening.
Como as soluções da Syngenta tem revolucionado o controle do psilídeo?
O controle do psilídeo é complexo devido ao seu comportamento. O inseto costuma se abrigar em locais de difícil acesso, como o interior da copa das árvores, o que o protege de pulverizações convencionais.
Além disso, ele é fortemente atraído pelas brotações novas, onde suas ninfas se desenvolvem.
Esses e outros aspectos dificultam o manejo do psilídeo nos pomares. Porém, o especialista da Syngenta mostra que é possível superar esses desafios com as soluções inovadoras, projetadas para atuar em diferentes frentes e viabilizar um manejo eficaz dessa praga.
Luiz Gustavo detalha as ferramentas da Syngenta que fazem a diferença no manejo e protegem o pomar de forma completa.
ELESTAL® Neo: o controle que nunca para com a tecnologia de ambimobilidade
ELESTAL® Neo é um inseticida da Syngenta que apresenta um modo de ação inédito para o manejo do psilídeo. Fundamentado na inovadora TINIVION® technology, ELESTAL® Neo introduz um conceito novo no controle de pragas: a ambimobilidade.
Quando aplicado, o produto se move por toda a planta, tanto para cima quanto para baixo, protegendo-a por inteiro e por mais tempo.
Esse movimento único permite que o produto alcance até as partes menos expostas da planta, como o interior da copa, local onde o psilídeo e suas ninfas se abrigam.
MINECTO® Pro: dupla ação para um manejo eficaz
Outra peça-chave no controle do psilídeo é MINECTO® Pro, um inseticida de amplo espectro da Syngenta que combina dois ingredientes ativos sinérgicos: o ciantraniliprole e a abamectina.
Enquanto o primeiro ativo causa a contração muscular descontrolada do inseto, o segundo bloqueia seus sinais nervosos, resultando em paralisia e rápida parada da alimentação.
Além disso, essa sinergia entre os dois modos de ação é uma ferramenta essencial para o manejo não apenas o psilídeo, mas também de outras importantes pragas dos citros, como o ácaro-da-falsa-ferrugem.
DURIVO®: proteção sistêmica via drench para fortalecer a saúde do pomar
Além das aplicações foliares, o portfólio da Syngenta conta com outras soluções para o manejo do psilídeo. Esse é o caso de DURIVO®, um inseticida sistêmico aplicado via drench.
“O drench, nós fazemos a aplicação a cada 60 dias para aumentar a proteção na planta num todo”, detalha Luiz Gustavo.
Além disso, DURIVO®, conta com dois princípios ativos, tiametoxam e clorantraniliprole, que contribuem para o máximo vigor das plantas.
Além do greening: o controle integrado de outras ameaças
Embora o controle do psilídeo e do greening seja a prioridade máxima, os especialistas da Syngenta reforçam que é muito importante que a atenção do citricultor também se estenda a outras pragas e desafios que podem comprometer a produtividade, a qualidade dos frutos e a longevidade do pomar.
O ácaro-da-leprose: um vetor de perdas expressivas
Outra praga dos citros que merece a atenção é o ácaro-da-leprose (Brevipalpus phoenicis). Esse ácaro não só causa danos diretos ao se alimentar, mas é o vetor do vírus da leprose dos citros (CiLV), uma doença agressiva que pode levar a perdas de produção de 30% a 100%.
A doença se manifesta com lesões necróticas em folhas, ramos e frutos, o que causa a desfolha da planta, a queda prematura dos frutos e a desvalorização comercial do que resta.
Pragas dos frutos: o ataque da mosca-das-frutas e do bicho-furão
Além das folhas, os frutos também estão sob ameaça constante de pragas. Duas das mais importantes são:
- Mosca-das-frutas: esse inseto deposita seus ovos no interior dos frutos. Ao eclodirem, as larvas se alimentam da polpa, destruindo o fruto internamente, acelerando sua maturação e causando a queda precoce.

- Bicho-furão: esse inseto deposita um ovo na superfície da casca. A lagarta, ao nascer, perfura o fruto para se alimentar da polpa, o que pode causar seu apodrecimento e queda, tornando-o inviável para o consumo.

Juntas, essas duas pragas foram responsáveis pela perda de 12 milhões de caixas de frutos na safra 2024/25.
A competição silenciosa: o impacto das plantas daninhas
Além das pragas dos citros, outro desafio que merece atenção são as daninhas. Plantas como a corda-de-viola, o capim-colonião e a braquiária, competem diretamente com as plantas de citros por recursos vitais, como água, luz e nutrientes.
Essa competição, se não for controlada, resulta em menor desenvolvimento vegetativo, menor produtividade e frutos de baixa qualidade, principalmente quando essa competição se dá nos anos iniciais do desenvolvimento do pomar.
No pomar visitado, o controle eficaz dessa competição foi um ponto-chave para o sucesso do pomar.
“Simplesmente ele agregou economia”, diz Luiz Gustavo sobre o uso de herbicidas como CALARIS®, que controla o avanço das daninhas e permite que as plantas de citros se desenvolvam com máximo potencial.
Uma parceria pelo futuro da citricultura
Diante de um cenário complexo, marcado pelo avanço do greening, pela dificuldade em controlar o psilídeo, pela ameaça constante do ácaro-da-leprose, mosca-das-frutas e do bicho-furão e pela competição com plantas daninhas, a busca por soluções eficazes na citricultura é urgente.
A resposta a essa urgência, como demonstrado na prática, não está em uma única ferramenta, mas em uma filosofia de manejo completa, integrada e consciente.
Essa estratégia, que une ciência e inovação, é o que transforma a defesa do pomar em um resultado visível e sustentável.
“É uma nova citricultura. Se eu contar para vocês a quantidade de visitas que nós já tivemos aqui… gente do exterior, muitos pesquisadores… está sendo uma área de referência”, celebra Luiz Gustavo.
“Pode contar sempre com a Fundação Coopercitrus Credicitrus, nós estamos de braços abertos para receber todo o apoio de vocês e também dar o apoio para vocês”, conclui, reforçando a importância da colaboração.
Essa união de forças é um recado para todo o setor: com um manejo consciente, é possível construir um futuro mais seguro e produtivo na citricultura brasileira.
A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.
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