Os nematoides são um grande problema no campo. Causando prejuízos que somam bilhões de reais, esses parasitas de raízes têm desafiado agricultores safra após safra. Nesse contexto, os nematicidas biológicos surgem como uma ferramenta estratégica, alinhando eficácia ao equilíbrio ecológico.

Os bionematicidas vêm revolucionando o manejo de nematoides ao integrar processos biológicos complexos para fortalecer e proteger as raízes das plantas.

Este conteúdo explora o papel dos nematicidas na agricultura e desvenda os principais mecanismos de ação dos bionematicidas. Além disso, aborda estratégias para integrá-los ao manejo sustentável de nematoides. Leia mais a seguir!

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O que são os nematicidas e qual o seu papel na agricultura?

Os nematicidas são insumos utilizados na agricultura para o controle de nematoides, parasitas microscópicos que colonizam as raízes das plantas. Eles protegem as culturas nos estádios mais vulneráveis, especialmente durante a germinação e o estabelecimento inicial das lavouras. 

A aplicação de nematicidas permite que as raízes jovens estejam protegidas desde o primeiro contato com o solo infectado. Essa abordagem mitiga perdas de produtividade, desuniformidade nos estandes e custos com replantio em áreas infestadas.

O que é muito importante, já que os nematoides causam perdas anuais que chegam a R$ 27,7 bilhões, somente para a cultura da soja. E seu impacto vai além da redução de produtividade: as lesões causadas pelos nematoides nas raízes das plantas atuam como “portas de entrada” para fitopatógenos, agravando os danos.

Infográfico evidenciando as  características, prejuízos e boas práticas do manejo integrado de nematoides.

No Brasil, podem ser encontradas diferentes espécies de nematoides. Dentre as principais, podemos destacar:

Cada uma delas provoca sintomas específicos nas plantas, que auxiliam na sua identificação, etapa essencial para a escolha do tipo de nematicida a ser aplicado na lavoura.

Quais são os tipos de nematicidas?

Os nematicidas dividem-se em dois tipos de produtos biológicos principais, os químicos e os biológicos.

1. Nematicidas químicos

Os nematicidas químicos são produtos que atuam principalmente no metabolismo dos nematoides, agindo, por exemplo, por neurotoxicidade, paralisia ou inibição metabólica. Sua aplicação é comum via tratamento de sementes ou sulco e exige atenção quanto à escolha dos produtos e princípios ativos, a fim de estabelecer um manejo antirresistência para o controle de nematoides.

2. Nematicidas biológicos

Já os nematicidas biológicos, também conhecidos como bionematicidas, operam em harmonia com o agroecossistema. Por se valerem de mecanismos de ação naturais, derivados de agentes biológicos, os nematicidas biológicos são, em sua maioria, multifuncionais

Essa característica faz com que eles sejam uma importante ferramenta a ser incluída no manejo integrado de nematoides.

Apesar de existirem diferentes microrganismos que possam ser empregados no controle de nematoides, as bactérias do gênero Bacillus spp. são as mais utilizadas em formulações de produtos biológicos, incluindo bionematicidas.

Além disso, extratos vegetais, semioquímicos (feromônios), e bioquímicos (hormônios reguladores de crescimento) também podem fazer parte da formulação dos nematicidas biológicos.

Como funcionam os nematicidas biológicos?

Os bionematicidas representam uma revolução no manejo sustentável de nematoides, alinhando-se às demandas por uma agricultura mais sustentável. Esses insumos biológicos atuam por meio de interações ecológicas complexas, mobilizando microrganismos benéficos para proteger as raízes das plantas. 

Seu funcionamento não se baseia em simples eliminação. Cada mecanismo de ação opera como uma barreira inteligente, reduzindo a penetração dos nematoides e minimizando danos radiculares sem desequilibrar o ecossistema do solo.

Neste contexto, entender os mecanismos de ação dos nematicidas biológicos é essencial para posicioná-los de forma adequada.

Mecanismo 1: formação de biofilme protetor

Uma das estratégias mais fascinantes dos nematicidas biológicos é a criação de um “escudo vivoao redor das raízes, que é conhecido como biofilme. Quando os microrganismos colonizam a superfície radicular eles formam um biofilme, uma estrutura complexa de polímeros extracelulares que atua como barreira física e química que encapsula os tecidos das raízes.

Esse biofilme bloqueia a penetração e a fixação de nematoides juvenis e, ao mesmo tempo, protege as raízes de patógenos do solo.

Mecanismo 2: produção de metabólitos tóxicos e enzimas líticas

Imagine um arsenal bioquímico invisível, capaz de paralisar e eliminar nematoides ainda em estágios iniciais de desenvolvimento. É exatamente isso que microrganismos como Bacillus spp. fazem ao produzir metabólitos secundários tóxicos e enzimas líticas.

O processo é tão sofisticado quanto letal. Ao colonizarem a rizosfera, esses microrganismos secretam toxinas que penetram nos ovos e nos estágios juvenis, inibindo a eclosão e a mobilidade dos nematoides. 

Além disso, enzimas, como quitinases e proteases, degradam ativamente a quitina – componente estrutural dos ovos e da cutícula dos nematoides –, interrompendo o ciclo reprodutivo dos nematoides.

Mecanismo 3: alteração de sinais químicos 

Nematoides localizam raízes seguindo gradientes químicos de exsudatos, como açúcares e aminoácidos. Nematicidas biológicos conseguem sabotar essa comunicação, alterando a composição desses exsudatos liberados pelas plantas. 

Alguns agentes biológicos conseguem modificar o perfil bioquímico da rizosfera, tornando as raízes “invisíveis” aos nematoides. Quando colonizam o sistema radicular, os agentes biológicos liberam compostos que desorientam os nematoides, induzindo comportamentos erráticos e reduzindo sua capacidade de penetração.

Esse é o caso das bactérias do gênero Bacillus, amplamente utilizadas em nematicidas biológicos. Elas sintetizam compostos, como fengicina e plantazolicina, que alteram a química dos exsudatos radiculares e atuam como repelentes naturais, confundindo a localização das raízes pelos nematoides juvenis e induzindo sua morte por inanição.

Como os nematoides juvenis têm reservas energéticas limitadas para encontrar novos hospedeiros, eles morrem de exaustão antes de completar a infestação.

Mecanismo 4: parasitismo direto e predação

Outros agentes de biocontrole adotam táticas mais diretas. Fungos nematófagos, como os gêneros Arthrobotrys e Pochonia, capturam ativamente nematoides por meio de estruturas especializadas. Hifas modificadas em forma de redes adesivas ou anéis constritores que imobilizam os nematoides móveis no solo. 

Uma vez presos, os fungos penetram a cutícula dos nematoides e colonizam os tecidos internos, levando-os à morte.

Bactérias parasitoides, como Pasteuria spp., operam de forma ainda mais estratégica. Elas se aderem à cutícula dos nematoides e, ao penetrarem em seu corpo, multiplicam-se no interior das fêmeas, criando um efeito supressivo em ciclos posteriores.

Mecanismo 5: indução de resistência sistêmica

O último mecanismo transforma a própria planta em agente de sua defesa. Nematicidas biológicos à base de Bacillus spp. ativam os sistemas imunes vegetais por meio da indução de resistência sistêmica (ISR).

A ISR opera de forma preventiva e sistêmica. Diferentemente de respostas locais a químicos, ela prepara toda a planta para responder a invasões. Estudos com Bacillus velezensis mostram que plantas tratadas exibem maior expressão de genes de defesa mesmo antes do ataque de nematoides. 

Ao colonizarem a rizosfera, essas bactérias estimulam a produção de fitoalexinas, enzimas de defesa (como quitinases e glucanases) e compostos fenólicos que fortalecem as paredes celulares das raízes. Isso cria uma barreira bioquímica que dificulta a alimentação e a reprodução dos nematoides.

Esses cinco mecanismos de ação revelam como nematicidas biológicos transformam interações ecológicas em estratégias de defesa precisas. Para a Syngenta, esses mecanismos de ação dos bionematicidas são os pilares do manejo integrado de nematoides com biológicos. 

Produtos, como CERTANO® e ARVATICO®, oferecem energia e proteção para a lavoura,  protegendo as culturas por mais tempo desde a germinação contra nematoides e doenças

Como incluir os bionematicidas no manejo de nematoides?

A inclusão dos bionematicidas no manejo de nematoides exige uma visão sistêmica, alinhando agentes biológicos a estratégias do manejo integrado para controle sustentável de nematoides.

Nematicidas, como CERTANO® e ARVATICO®, desenvolvidos pela Syngenta, são peças-chave nessa estratégia, oferecendo uma proteção contra nematoides e doenças de solo.

Banner do bionematicida ARVATICO®, mostrando a evolução do crescimento de uma planta desde a semente até a fase adulta.

Por serem compatíveis com insumos químicos e biológicos, CERTANO® e ARVATICO® podem ser facilmente integrados a programas de manejo de nematoides já existentes via Tratamento de Sementes Industrial (TSI) ou aplicação direta no sulco de plantio.

Quando utilizados em conjunto a outras práticas, como a rotação com culturas não hospedeiras e uso de cultivares resistentes, CERTANO® e ARVATICO® promovem um desenvolvimento saudável da planta.

Eles controlam os principais nematoides, como o nematoide-de-cisto-da-soja, o nematoide-das-galhas e o nematoide-das-lesões, além dos principais patógenos do solo, incluindo os causadores das doenças fusariose, tombamento e podridão-cinzenta do caule.

Tanto CERTANO® quanto ARVATICO® são formulados com Bacillus velezensis, um microrganismo reconhecido pelo seu efeito nematicida. Além disso, CERTANO® e ARVATICO® se destacam pelo seu efeito biofungicida e promotor de crescimento, protegendo e fortalecendo as raízes das plantas de forma duradoura.

A formulação de CERTANO® ainda oferece um período de armazenamento prolongado, por até 2 anos, sem a necessidade de refrigeração, proporcionando conveniência e praticidade aos produtores.

Banner do bionematicida CERTANO®, com frutas e hortaliças frescas organizadas em caixas de madeira formando o número 10.

Juntos, CERTANO® e ARVATICO® fecham o ciclo do manejo sustentável de nematoides no campo.

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.

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