Os nematoides são um grande problema no campo. Causando prejuízos que somam bilhões de reais, esses parasitas de raízes têm desafiado agricultores safra após safra. Nesse contexto, os nematicidas biológicos surgem como uma ferramenta estratégica, alinhando eficácia ao equilíbrio ecológico. 

Os bionematicidas vêm revolucionando o manejo de nematoides ao integrar processos biológicos complexos para fortalecer e proteger as raízes das plantas.  

Este conteúdo explora o papel dos nematicidas na agricultura, desvenda os principais mecanismos de ação dos bionematicidas e aborda estratégias para integrá-los ao manejo sustentável de nematoides. 

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O que são os nematicidas e qual o seu papel na agricultura?

Os nematicidas são insumos utilizados na agricultura para o controle de nematoides, parasitas microscópicos que colonizam as raízes das plantas. Eles protegem as culturas em  estádios mais vulneráveis, especialmente durante a germinação e o estabelecimento inicial da cultura.  

A aplicação de nematicidas contribui com a proteção das  raízes jovens desde o primeiro contato com o solo, mitigando perdas de produtividade, desuniformidade nos estandes e redução de custos com replantio em áreas infestadas. 

Os nematoides causam perdas anuais que chegam a R$ 27,7 bilhões somente para a cultura da soja. E seu impacto vai além da redução de produtividade: as lesões causadas nas raízes das plantas atuam como “portas de entrada” para fitopatógenos, agravando os danos. 

Infográfico evidenciando as  características, prejuízos e boas práticas do manejo integrado de nematoides.

Quais são as principais espécies de nematoides no Brasil? 

No Brasil, podem ser encontradas diferentes espécies de nematoides, cada uma com sintomas específicos que auxiliam na identificação — etapa essencial para a escolha do tipo de nematicida a ser aplicado na lavoura: 

Espécie Nome popular Sintoma característico 
Meloidogyne incognita Nematoide-das-galhas Formação de galhas nas raízes, deformando o sistema radicular 
Pratylenchus brachyurus Nematoide-das-lesões Lesões necróticas nas raízes, comprometendo a absorção de água e nutrientes 
Rotylenchulus reniformis Nematoide-reniforme Engrossamento e enrolamento das raízes, reduzindo o desenvolvimento da planta 
Heterodera glycines Nematoide-de-cisto-da-soja Formação de cistos visíveis nas raízes, com impacto direto na produtividade da soja 

Veja sobre: Classificação dos produtos biológicos para uso na agricultura 

Quais são os tipos de nematicidas?

Os nematicidas dividem-se em dois tipos de produtos biológicos principais, os químicos e os biológicos.

Nematicidas químicos 

Os nematicidas químicos atuam principalmente no metabolismo dos nematoides, agindo por neurotoxicidade, paralisia ou inibição metabólica. Sua aplicação é comum via tratamento de sementes ou sulco de plantio e exige atenção quanto à escolha dos produtos e princípios ativos, a fim de estabelecer um manejo antirresistência eficiente. 

Nematicidas biológicos 

Os nematicidas biológicos, também conhecidos como bionematicidas, operam em harmonia com o agroecossistema. Por se valerem de mecanismos de ação naturais, derivados de agentes biológicos, são em sua maioria multifuncionais.  

Essa característica os torna uma ferramenta importante a ser incluída no manejo integrado de nematoides. 

Apesar de existirem diferentes microrganismos que podem ser empregados no controle de nematoides, as bactérias do gênero Bacillus spp. são as mais utilizadas em formulações de produtos biológicos, incluindo bionematicidas. Extratos vegetais, semioquímicos (feromônios) e bioquímicos (hormônios reguladores de crescimento) também podem fazer parte da formulação dos nematicidas biológicos. 

Como funcionam os nematicidas biológicos?

Os bionematicidas atuam por meio de interações ecológicas complexas, mobilizando microrganismos benéficos para proteger as raízes das plantas. Seu funcionamento não se baseia em simples eliminação: cada mecanismo de ação opera como uma barreira inteligente, reduzindo a penetração dos nematoides e minimizando danos radiculares sem desequilibrar o ecossistema do solo. 

Entender esses mecanismos é essencial para posicioná-los de forma adequada dentro do programa de manejo. São cinco os principais mecanismos de ação dos bionematicidas: 

  • Formação de biofilme protetor ao redor das raízes 
  • Produção de metabólitos tóxicos e enzimas líticas contra ovos e juvenis 
  • Alteração de sinais químicos que orientam os nematoides até as raízes 
  • Parasitismo direto e predação por fungos e bactérias especializadas 
  • Indução de resistência sistêmica na própria planta 

Confira também: Glossário de alvos: nematoide-das-lesões (Pratylenchus spp.) 

Mecanismo 1: formação de biofilme protetor 

Uma das estratégias mais eficazes dos nematicidas biológicos é a criação de um “escudo vivo” ao redor das raízes, conhecido como biofilme. Quando os microrganismos colonizam a superfície radicular, formam uma estrutura complexa de polímeros extracelulares que atua como barreira física e química, encapsulando os tecidos das raízes. 

Esse biofilme bloqueia a penetração e a fixação de nematoides juvenis e, ao mesmo tempo, protege as raízes de outros patógenos do solo. 

Mecanismo 2: produção de metabólitos tóxicos e enzimas líticas 

Microrganismos como Bacillus spp. produzem metabólitos secundários tóxicos e enzimas líticas capazes de paralisar e eliminar nematoides ainda em estágios iniciais de desenvolvimento. Ao colonizarem a rizosfera, esses microrganismos secretam toxinas que penetram nos ovos e nos estágios juvenis, inibindo a eclosão e a mobilidade dos nematoides. 

Além disso, enzimas como quitinases e proteases degradam ativamente a quitina, componente estrutural dos ovos e da cutícula dos nematoides, interrompendo o ciclo reprodutivo da praga. 

Mecanismo 3: alteração de sinais químicos  

Nematoides localizam raízes seguindo gradientes químicos de exsudatos, como açúcares e aminoácidos. Os nematicidas biológicos conseguem interferir  nessa comunicação, alterando a composição dos  exsudatos liberados pelas plantas e tornando as raízes praticamente “invisíveis” aos nematoides. 

Bactérias do gênero Bacillus sintetizam compostos como fengicina e plantazolicina, que alteram a composição química dos exsudatos radiculares e atuam como repelentes naturais, confundindo a localização das raízes pelos nematoides juvenis e induzindo sua morte por inanição. Como esses juvenis têm reservas energéticas limitadas para encontrar novos hospedeiros, morrem de exaustão antes de completar a infestação. 

Mecanismo 4: parasitismo direto e predação 

Outros agentes de biocontrole adotam táticas mais diretas. Fungos nematófagos, como os gêneros Arthrobotrys e Pochonia, capturam ativamente nematoides por meio de estruturas especializadas: hifas modificadas em forma de redes adesivas ou anéis constritores que imobilizam os nematoides móveis no solo. Uma vez presos, os fungos penetram a cutícula dos nematoides e colonizam os tecidos internos, levando-os à morte. 

Bactérias parasitoides como Pasteuria spp. operam de forma ainda mais estratégica: aderem à cutícula dos nematoides e, ao penetrarem em seu corpo, multiplicam-se no interior das fêmeas, criando um efeito supressivo que se estende por ciclos posteriores. 

Mecanismo 5: indução de resistência sistêmica

O último mecanismo transforma a própria planta em agente de sua defesa. Nematicidas biológicos à base de Bacillus spp. ativam os sistemas imunes vegetais por meio da indução de resistência sistêmica (ISR). 

A ISR atua de forma preventiva e sistêmica. Diferentemente de respostas locais a produtos químicos, ela prepara toda a planta para responder a invasões. Estudos com Bacillus velezensis mostram que plantas tratadas exibem maior expressão de genes de defesa mesmo antes do ataque de nematoides.  

Ao colonizarem a rizosfera, essas bactérias estimulam a produção de fitoalexinas, enzimas de defesa como quitinases e glucanases, e compostos fenólicos que fortalecem as paredes celulares das raízes, criando uma barreira bioquímica que dificulta a alimentação e a reprodução dos nematoides. 

Produtos, como CERTANO® e ARVATICO®, oferecem energia e proteção para a lavoura,  protegendo as culturas por mais tempo desde a germinação contra nematoides e doenças

Resumo: os 5 mecanismos de ação dos bionematicidas 

Mecanismo Agente principal Como protege a planta 
Formação de biofilme Bacillus spp. e outros Cria barreira física e química ao redor das raízes 
Metabólitos tóxicos e enzimas líticas Bacillus spp. Destrói ovos e juvenis; degrada a quitina da cutícula 
Alteração de sinais químicos Bacillus spp. (fengicina, plantazolicina) Confunde e repele nematoides, induzindo morte por inanição 
Parasitismo direto e predação ArthrobotrysPochoniaPasteuria spp. Captura e mata nematoides no solo; efeito supressivo em ciclos futuros 
Indução de resistência sistêmica (ISR) Bacillus velezensis e outros Ativa defesas da planta antes mesmo do ataque 

Como incluir os bionematicidas no manejo de nematoides?

A inclusão dos bionematicidas no manejo de nematoides exige uma visão sistêmica, alinhando agentes biológicos a estratégias do manejo integrado para controle sustentável de nematoides.

Nematicidas, como CERTANO®e ARVATICO®, desenvolvidos pela Syngenta, são peças-chave nessa estratégia, oferecendo uma proteção contra nematoides e doenças de solo.

Banner do bionematicida ARVATICO®, mostrando a evolução do crescimento de uma planta desde a semente até a fase adulta.

Por serem compatíveis com insumos químicos e biológicos, CERTANO® e ARVATICO® podem ser facilmente integrados a programas de manejo de nematoides já existentes via Tratamento de Sementes Industrial (TSI) ou aplicação direta no sulco de plantio.

Quando utilizados em conjunto a outras práticas, como a rotação com culturas não hospedeiras e uso de cultivares resistentes, CERTANO® e ARVATICO® promovem um desenvolvimento saudável da planta.

Eles controlam os principais nematoides, como o nematoide-de-cisto-da-soja, o nematoide-das-galhas e o nematoide-das-lesões, além dos principais patógenos do solo, incluindo os causadores das doenças fusariose, tombamento e podridão-cinzenta do caule.

Tanto CERTANO® quanto ARVATICO® são formulados com Bacillus velezensis, um microrganismo reconhecido pelo seu efeito nematicida. Além disso, CERTANO® e ARVATICO® se destacam pelo seu efeito biofungicida e promotor de crescimento, protegendo e fortalecendo as raízes das plantas de forma duradoura.

A formulação de CERTANO® ainda oferece um período de armazenamento prolongado, por até 2 anos, sem a necessidade de refrigeração, proporcionando conveniência e praticidade aos produtores.

Banner do bionematicida CERTANO®, com frutas e hortaliças frescas organizadas em caixas de madeira formando o número 10.

Juntos, CERTANO® e ARVATICO® fecham o ciclo do manejo sustentável de nematoides no campo.

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.

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