O planejamento da safra 2026-27 precisa ser feito levando em consideração variáveis climáticas, financeiras e de mercado que exigem atenção à realidade de cada região. Esse foi o ponto de partida do webinar “Cenários que movem decisões”, promovido pela Syngenta, que reuniu profissionais de agrometeorologia, mercado e crédito e produtores rurais para discutir riscos, oportunidades e escolhas práticas para a temporada
Entre os clientes OTO presentes no webinar estavam Renato Schneider, executivo do Grupo Wink; Alcides Cavalca, sócio e presidente do conselho do Grupo Cavalca; e Fernando Casado, executivo do Grupo Terra Viva.
Safra 2026/27: clima pede monitoramento regional
Na avaliação apresentada pelo agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antônio dos Santos , o El Niño já influenciava o cenário discutido no webinar, mas sua intensidade final ainda era incerta. Mais do que adotar uma previsão única para o país, o painel ressaltou a importância de acompanhar a distribuição das chuvas e as temperaturas em cada região e etapa da lavoura.
Os participantes chamaram atenção para a possibilidade de precipitações irregulares e períodos de estiagem em áreas do Centro-Oeste, Sudeste e MATOPIBA, ao mesmo tempo que o Sul poderia registrar chuvas mais volumosas. Também foi destacado que temperaturas elevadas, em especial durante a noite, podem aumentar a pressão sobre as plantas. Por isso, o calendário de semeadura, as condições do solo e a atualização das informações meteorológicas foram tratados como elementos importantes do planejamento.
Preço não conta toda a história da rentabilidade
O debate sobre mercado reforçou que uma cotação favorável, por si só, não garante resultado. A rentabilidade depende da relação entre preço, produtividade e custos. Fertilizantes, manutenção e juros foram citados entre os fatores que pressionam a conta da produção, enquanto câmbio, armazenagem e logística acrescentam variáveis ao planejamento.
Jefferson Souza, analista de mercado e insumos da AgroInvest, abordou incertezas de oferta e demanda no Brasil e no exterior. Entre os fatores comentados estavam o tamanho das safras, a demanda por esmagamento e acontecimentos geopolíticos. Nesse ambiente, a conversa tratou de gestão de preços e relações de troca como instrumentos que podem integrar a análise de risco de cada operação — sem substituir uma avaliação individual das condições e necessidades do produtor.
Caixa e governança ajudam a atravessar a incerteza
Para Guilherme Belotti, economista agrícola e superintendente de crédito para o agronegócio do Itaú BBA, liquidez, planejamento financeiro e governança são componentes centrais da resiliência do negócio. O painel discutiu a importância de acompanhar compromissos, fluxo de caixa, custo do crédito e o custo de carregar grãos armazenados. Ter controles e antecipar decisões financeiras pode ampliar a capacidade de resposta caso as condições mudem.
Os produtores também trouxeram preocupações concretas: clima no curto prazo, custo financeiro, gestão de pessoas e preservação de margem. O diálogo conectou a gestão dentro da lavoura à gestão administrativa: conhecer custos, projetar necessidades de caixa e evitar compromissos incompatíveis com a capacidade de pagamento.
Segunda safra: decisão depende da janela e da primeira colheita
Um dos temas recorrentes foi como definir a área da segunda safra antes de haver plena clareza sobre o ritmo de plantio e colheita da soja. A janela varia entre regiões e culturas; por isso, o painel defendeu que decisões sobre área e insumos considerem o calendário local, a logística e o risco de adquirir itens que talvez não sejam utilizados.
Milho, sorgo e algodão apareceram na conversa sob diferentes perspectivas. A expansão de usinas de etanol de milho pode abrir espaço para o sorgo em algumas regiões, seja como matéria-prima, seja em usos na alimentação animal. Já o algodão foi discutido como uma cultura com perspectivas de mercado, mas que exige análise cuidadosa pelo ciclo longo, pelo custo elevado e pela necessidade de planejamento técnico e financeiro.
O que está ao alcance do produtor
Em vez de tentar controlar variáveis externas, os participantes sugeriram concentrar a atenção nas decisões possíveis dentro da propriedade e da empresa rural. Entre os pontos enfatizados no encerramento estiveram:
- Acompanhar previsões e condições de campo com atualização contínua e leitura regional;
- Planejar plantio, área e segunda safra considerando janelas, custos e cenários alternativos;
- Proteger margem e caixa com disciplina, controles e avaliação dos compromissos;
- Buscar apoio de parceiros técnicos e financeiros e evitar assumir riscos que possam ser geridos.
A mensagem do webinar foi de cautela sem paralisia. O cenário descrito traz riscos, mas também pode abrir oportunidades, e a capacidade de responder dependerá da qualidade da informação, do planejamento e da gestão em cada propriedade. Como as análises refletem o contexto do encontro, decisões agronômicas, financeiras e comerciais devem considerar dados atualizados e a realidade local.


Deixe um comentário