Os microrganismos promotores de crescimento, conhecidos pela sigla PGPR (Plant Growth-Promoting Rhizobacteria), representam uma das ferramentas biológicas mais relevantes para otimizar o desempenho das culturas. 

Ao colonizar a rizosfera, essas bactérias podem influenciar a nutrição, o desenvolvimento radicular e a proteção das plantas contra estresses. 

Compreender como atuam é fundamental para integrá-las de forma estratégica ao manejo agrícola.

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O que são microrganismos promotores de crescimento (PGPR)

Os PGPR são um grupo diversificado de bactérias que vivem na rizosfera e podem exercer efeitos benéficos diretos ou indiretos sobre o crescimento e o desenvolvimento das plantas. 

Não se trata de uma única espécie, mas de uma gama  de gêneros bacterianos como Azotobacter,Azospirillum, Pseudomonas e Bacillus, que compartilham a capacidade de interagir positivamente com as plantas e otimizar seu desempenho agronômico.

Definição e conceito

Os PGPR são definidos pela habilidade de promover o crescimento das plantas por meio de mecanismos fisiológicos, metabólicos ou de proteção. 

Essas bactérias não atuam como fertilizantes no sentido tradicional, mas como catalisadores biológicos que melhoram a eficiência da planta em acessar e utilizar os recursos do ambiente, ou que a defendem de estresses bióticos e abióticos. 

Sua aplicação visa aprimorar o sistema radicular, otimizar a nutrição e fortalecer a imunidade natural das culturas, resultando em desenvolvimento mais robusto e maior potencial produtivo.

Relação com a rizosfera

A rizosfera, interface dinâmica entre a raiz da planta e o solo, é o palco principal da atuação dos PGPR. Essa região é rica em exsudatos radiculares, como açúcares, aminoácidos e ácidos orgânicos, que servem como fonte de alimento e sinalização para os microrganismos. 

Em troca, os PGPR que colonizam essa área oferecem uma série de benefícios à planta. 

A interação é de mão dupla: as plantas selecionam os microrganismos que as beneficiam, e os PGPR encontram na rizosfera um ambiente propício para seu desenvolvimento, formando uma parceria que favorece ambos os organismos.

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Como os PGPR atuam no desenvolvimento das plantas

Os PGPR utilizam uma variedade de mecanismos para impulsionar o desenvolvimento das plantas, funcionando como bioestimulantes naturais. 

Essas estratégias podem ser diretas, afetando a fisiologia da planta, ou indiretas, protegendo-a de estresses ou otimizando o ambiente radicular. 

A compreensão desses mecanismos é essencial para o uso eficaz dos bioinsumos baseados em PGPR na agricultura.

Produção de fitormônios

Um dos mecanismos diretos mais estudados dos PGPR é a produção de fitormônios. 

As bactérias promotoras de crescimento sintetizam e liberam substâncias como auxinas, giberelinas e citocininas, que são reguladores essenciais do crescimento vegetal. 

As auxinas estimulam o alongamento e a ramificação radicular, aumentando a área de contato da planta com o solo.

As giberelinas e citocininas podem promover a divisão celular, o alongamento do caule e a brotação, contribuindo para o desenvolvimento geral da parte aérea e radicular e gerando maior vigor nas plantas.

Pequenos vasos de plantas com brotos

Estímulo ao crescimento radicular

O impacto dos PGPR no sistema radicular é relevante e multifacetado. Ao produzirem fitormônios, especialmente auxinas, essas bactérias induzem a formação de raízes mais longas, mais ramificadas e com maior número de pelos radiculares. 

Um sistema radicular robusto aumenta significativamente a capacidade da planta de explorar maior volume de solo em busca de água e nutrientes. 

Raízes mais saudáveis e extensas também conferem maior ancoragem e tornam a planta mais resistente a estresses como seca e compactação do solo.

Aumento da absorção de nutrientes

Os PGPR desempenham papel crucial na eficiência da absorção de nutrientes. Muitos desses microrganismos solubilizam nutrientes presentes no solo em formas  indisponíveis às plantas. 

Bactérias dos gêneros Bacillus e Pseudomonas, por exemplo, convertem fosfatos e outros minerais em formas assimiláveis. 

Alguns PGPR também podem fixar nitrogênio atmosférico, transformando-o em amônia utilizável pelas plantas.

Essa bioacessibilidade de nutrientes, somada ao estímulo ao crescimento radicular, resulta em nutrição mais eficiente e reduz a dependência de fertilizantes químicos.

Principais mecanismos de ação dos PGPR e seus efeitos no crescimento vegetal

Mecanismo de Ação PrincipalDescrição DetalhadaEfeitos no Crescimento Vegetal e Produção
Produção de FitormôniosSíntese e liberação de auxinas, giberelinas, citocininas que regulam o desenvolvimento.Aumento do alongamento radicular, ramificação de raízes, desenvolvimento da parte aérea, brotação.
Fixação de Nitrogênio AtmosféricoConversão de N2 atmosférico em formas assimiláveis pela planta (amônia).Redução da dependência de fertilizantes nitrogenados, nutrição contínua da planta.
Solubilização de NutrientesTransformação de nutrientes fixados no solo (P, Fe, Zn) para formas disponíveis.Melhoria da disponibilidade de macro e micronutrientes, aumento da eficiência de absorção pela raiz.
Produção de SideróforosLiberação de compostos que sequestram ferro do ambiente.Competem com microrganismos patogênicos por ferro, indiretamente promovendo a saúde da planta.
Biocontrole de PatógenosAntagonismo direto (antibióticos, enzimas) ou indução de resistência sistêmica.Proteção contra doenças causadas por fungos e bactérias, redução de perdas por estresse biótico.
Modulação do EstresseProdução de enzimas que reduzem o estresse oxidativo, como ACC deaminase.Aumento da tolerância da planta a estresses abióticos (seca, salinidade, metais pesados).

Benefícios dos PGPR para o sistema produtivo

A incorporação de PGPR no manejo agrícola vai além do estímulo ao desenvolvimento individual da planta. 

Ela se traduz em vantagens concretas para todo o sistema produtivo, impactando diretamente a rentabilidade, a sustentabilidade e a resiliência da lavoura.

Maior vigor das plantas

O uso de PGPR confere às plantas maior vigor, tornando-as mais robustas e capazes de suportar adversidades. Esse vigor resulta de um sistema radicular mais desenvolvido, de nutrição mais eficiente e da ativação dos mecanismos de defesa naturais. 

Plantas com maior vigor são mais tolerantes a períodos de seca, a flutuações de temperatura e a estresses bióticos, o que se reflete em menor necessidade de intervenções corretivas e em menor risco de perdas de produtividade, contribuindo para safras mais estáveis.

Melhor eficiência no uso de nutrientes

A capacidade dos PGPR de solubilizar nutrientes e, em alguns casos, fixar nitrogênio leva a melhor eficiência no uso de recursos pelas plantas. As culturas aproveitam de forma mais eficaz os fertilizantes aplicados e os nutrientes já presentes no solo, mas indisponíveis.

A otimização da absorção reduz a lixiviação e o escoamento, minimizando o impacto ambiental e os custos com fertilizantes, alinhando produtividade com práticas de manejo sustentável.

PGPR no contexto dos bioinsumos

Os PGPR ocupam posição central na evolução dos bioinsumos, representando uma categoria fundamental de produtos biológicos que vem transformando a agricultura. 

Sua aplicação se encaixa em um modelo de produção mais sustentável, onde a biotecnologia oferece soluções naturais para desafios complexos do campo.

Relação com biofertilizantes e bioestimulantes

Os PGPR frequentemente se sobrepõem às categorias de biofertilizantes e bioestimulantes. Como biofertilizantes, contribuem diretamente para a nutrição da planta, podendo fixar nitrogênio ou solubilizar fósforo e outros nutrientes.

Como bioestimulantes, promovem o crescimento vegetal e melhoram a tolerância a estresses, principalmente pela produção de fitohormônios e pela modulação da resposta da planta. 

Muitos produtos baseados em PGPR oferecem essas múltiplas funcionalidades, tornando-os ferramentas versáteis para o desempenho das culturas.

Uso no manejo agrícola

A integração dos PGPR no manejo agrícola permite potencializar a performance da lavoura e aumentar a sustentabilidade. 

Podem ser aplicados em diversas fases do ciclo da cultura, desde o tratamento de sementes, favorecendo a  colonização precoce da rizosfera, até aplicações no sulco de plantio e pulverizações foliares. 

O uso de PGPR é compatível e, em muitos casos, sinérgico com outras práticas do manejo integrado, como rotação de culturas e uso de defensivos biológicos, minimizando a dependência de insumos químicos e contribuindo para a saúde do ecossistema agrícola, conforme as diretrizes do Programa Nacional de Bioinsumos do MAPA.

Como utilizar microrganismos promotores de crescimento no manejo da lavoura

A aplicação eficiente de PGPR exige planejamento e atenção a boas práticas que garantam a viabilidade das bactérias e sua interação ideal com o ambiente da planta. 

As principais recomendações para uso na lavoura são:

  • Análise de solo: realize uma análise detalhada das características físicas, químicas e biológicas do solo para selecionar os PGPR mais adequados para as condições específicas da área e da cultura.
  • Escolha da formulação correta: selecione a formulação compatível com o método de aplicação, seja tratamento de sementes, sulco de plantio, pulverização foliar ou fertirrigação.
  • Tratamento de sementes: favorece  a colonização precoce da rizosfera, promovendo o crescimento radicular desde o início e protegendo a plântula de estresses iniciais.
  • Aplicação no sulco de plantio: indicada para culturas em que o contato direto entre as bactérias e o sistema radicular em desenvolvimento é importante  para a eficácia.
  • Condições climáticas favoráveis: realize as aplicações em momentos com temperaturas amenas e umidade relativa elevada, evitando luz solar direta intensa para proteger a viabilidade das bactérias.
  • Compatibilidade: verifique a compatibilidade com defensivos químicos, fertilizantes e outros bioinsumos antes de qualquer mistura em tanque.
  • Armazenamento adequado: siga as instruções do fabricante, armazenando em local fresco, seco e protegido da luz.
  • Monitoramento e avaliação: acompanhe o desenvolvimento da cultura, o sistema radicular e a absorção de nutrientes, comparando com áreas não tratadas para avaliar a eficácia e ajustar o manejo quando necessário.

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