A entressafra é um período estratégico para prevenir problemas, recuperar o solo e reduzir riscos na próxima safra. Entenda como o manejo adequado nesse intervalo ajuda a garantir lavouras mais produtivas.

Entre o fim de uma safra e o início de outra, existe um intervalo muitas vezes subestimado, mas que pode definir o sucesso do ciclo seguinte: a entressafra. É nesse período que se pode agir de forma preventiva, controlando pragas e doenças, corrigindo o solo e preparando o terreno para disponibilizar nutrientes de forma mais eficiente.  

Negligenciar essas práticas pode resultar em maiores custos, menor produtividade e mais desafios no futuro.  

A seguir, confira orientações técnicas e práticas recomendadas para o manejo de entressafra. Entenda como decisões inteligentes durante esse intervalo podem gerar ganhos econômicos, fortalecer a saúde do solo e garantir lavouras mais produtivas e resilientes. 

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Principais práticas de manejo na entressafra 

A entressafra representa uma oportunidade singular para intervir no sistema produtivo com o objetivo de reverter degradação, otimizar recursos e mitigar riscos para a próxima safra.  

O período é propício para a realização de um conjunto de práticas que visam não apenas à recuperação do solo e ao controle de agentes bióticos, mas também ao estabelecimento de uma base sólida para o incremento da produtividade.  

O manejo de entressafra deve ser visto como um investimento estratégico, e não um custo adicional, pois os benefícios se refletem diretamente na redução de perdas, na melhoria da qualidade do produto e na sustentabilidade a longo prazo da atividade agrícola. A abordagem integrada e multifacetada é o segredo para transformar a entressafra em uma aliada poderosa da alta performance no campo, sendo uma etapa crucial do planejamento agrícola. 

Técnicas para conservação do solo na entressafra 

As práticas de conservação do solo na entressafra são essenciais para garantir a sustentabilidade da produção agrícola, protegendo o recurso mais valioso da propriedade.  

Após um ciclo de cultivo intenso, o solo pode estar compactado, com baixo teor de matéria orgânica e vulnerável à erosão. O manejo de solo durante a entressafra foca em restaurar a sua saúde e capacidade produtiva, otimizando as propriedades físicas, químicas e biológicas.  

Ações, como plantio direto e drenagem, contribuem diretamente para a redução de custos com fertilizantes e irrigação na próxima safra, além de aumentar a resiliência do sistema frente a eventos climáticos extremos. 

Adubação verde

adubação verde consiste no cultivo de plantas (leguminosas, gramíneas ou misturas) que não são colhidas para fins comerciais, mas sim incorporadas ao solo ou mantidas como cobertura vegetal em superfície.  

Essas plantas têm a capacidade de fixar nitrogênio atmosférico (no caso das leguminosas, como crotalária e mucuna), ciclar nutrientes das camadas mais profundas, e, ao serem decompostas, aumentam significativamente o teor de matéria orgânica do solo e alguns nutrientes essenciais.  

A matéria orgânica melhora a capacidade de retenção de água, e da estrutura do solo, além de servir de alimento para a fauna do solo. 

Coquetel de duas espécies: milheto e trigo-mourisco.
Fonte: Embrapa | Adubação verde e plantas de cobertura no Brasil

Sistema plantio direto 

sistema plantio direto (SPD) é um sistema de manejo de solo durante a entressafra que se estende por todo o ciclo produtivo, mas que tem sua manutenção crucial nesse período. Caracteriza-se por três pilares: ausência ou mínimo de revolvimento do solo, manutenção constante de palhada na superfície e rotação de culturas.  

Na entressafra, a palhada residual da cultura anterior e/ou o cultivo de plantas de cobertura (como na adubação verde) protegem o solo da erosão causada por chuva e vento, reduzem a variação de temperatura e a evaporação da água e aumentam a infiltração.  

Esse sistema favorece o desenvolvimento de uma microfauna benéfica, melhorando a estrutura e a fertilidade do solo a longo prazo. O plantio direto é reconhecido globalmente como uma das práticas mais eficazes para a conservação do solo e a construção de sistemas agrícolas mais sustentáveis. 

Drenagem

A drenagem é uma prática fundamental na entressafra para áreas propensas a encharcamento excessivo, o que prejudica o desenvolvimento radicular das plantas e favorece a proliferação de doenças.  

Durante a entressafra, quando o solo não está ocupado por uma cultura principal, é o momento ideal para realizar ou aprimorar sistemas de drenagem. Isso pode incluir a construção ou a manutenção de canais de escoamento superficial, a instalação de drenos subterrâneos (tubulares ou em espinha de peixe), ou a criação de camalhões (que ocorre durante a construção de terraços para reduzir o escoamento e melhorar a infiltração de água no solo).  

Uma drenagem eficiente garante que o excesso de água seja removido, mantendo o nível ideal de umidade e aeração para as raízes, evitando intoxicação e apodrecimento das raízes. Essa prática é crucial para o manejo de solo durante a entressafra em áreas de várzea ou com solos pesados, aumentando a produtividade e a viabilidade da área cultivada. 

Controle de erosão

O controle de erosão é uma das práticas de entressafra mais importantes para proteger a camada superficial do solo. As ações incluem: 

  • Terraceamento: criação de terraços no terreno para reduzir a velocidade da água e conter a erosão hídrica.
  • Plantio em nível: seguir as curvas de nível do terreno para evitar o escoamento rápido da água.
  • Barreiras vegetais e culturas de cobertura densas: formar uma “barreira viva” contra a força da chuva e do vento.
  • Monitoramento de voçorocas e sulcos erosivos: identificar áreas de erosão existentes e realizar reparos para evitar agravamento do problema. 

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Lavoura com plantas de milho jovens dispostas em fileiras espaçadas sobre solo seco e exposto. 

Técnicas de controle de plantas daninhas na entressafra 

O controle de plantas daninhas na entressafra é uma estratégia preventiva de alto valor para a próxima safra, pois reduz o banco de sementes no solo e minimiza a competição inicial com as culturas. Se as daninhas se desenvolvem livremente nesse período, elas podem esgotar nutrientes e água do solo, além de servirem como hospedeiras para pragas e doenças, criando um ambiente desfavorável para o plantio futuro.  

Um manejo agrícola eficaz na entressafra é crucial para otimizar os custos com herbicidas e mão de obra, promovendo um ambiente mais limpo e produtivo. A combinação de diferentes técnicas é geralmente a mais recomendada para um controle efetivo e duradouro. 

Controle químico

O controle químico é uma das técnicas mais utilizadas no manejo de entressafra para o controle de plantas daninhas. A aplicação de herbicidas nesse período visa eliminar as daninhas que emergiram após a colheita da cultura principal, reduzindo o banco de sementes e prevenindo a formação de resistência a longo prazo.

Máquina agrícola aplicando herbicida em lavoura.

A escolha do herbicida deve ser criteriosa, considerando: 

  • as espécies de daninhas presentes;
  • o histórico da área;
  • o tipo de cultura que será plantada na safra seguinte, para evitar problemas de fitotoxicidade e promover a eficácia.  

A calibração correta dos equipamentos de pulverização e a observância das condições climáticas no momento da aplicação são fundamentais para otimizar os resultados e minimizar o impacto ambiental, integrando-se a um plano de manejo integrado na entressafra. 

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Culturas de cobertura

As culturas de cobertura são uma das mais eficazes e sustentáveis práticas de entressafra para o controle de plantas daninhas. Ao semear determinadas espécies logo após a colheita da cultura principal, cria-se uma camada vegetal densa que suprime o crescimento das daninhas por sombreamento e competição por água e nutrientes. Recomendações incluem: 

  • aveia;
  • azevém; 
  • crotalária; 
  • milheto; 
  • braquiária; 
  • trigo mourisco.  

Além de seu papel na supressão, essas culturas trazem inúmeros benefícios para o solo, como aumento do teor de matéria orgânica, melhoria da estrutura, proteção contra erosão e, no caso das leguminosas, fixação de nitrogênio.  

Quando dessecadas ou manejadas antes do plantio da próxima safra, formam uma palhada que continua a inibir a germinação de novas daninhas, sendo um componente-chave do manejo integrado na entressafra e da importância do manejo de entressafra para a sustentabilidade. 

Técnicas de manejo de pragas e doenças na entressafra

O manejo de pragas e doenças na entressafra é um componente vital para a saúde da lavoura e a redução do uso de defensivos na safra principal. Muitas pragas e patógenos sobrevivem no campo, nos restos culturais, em plantas daninhas ou no próprio solo, esperando a próxima cultura para se proliferar.  

Ações estratégicas nesse período podem quebrar o ciclo de vida desses inimigos da lavoura, diminuindo a pressão inicial e protegendo o potencial produtivo da safra subsequente. 

Rotação de culturas

rotação de culturas é uma das estratégias mais poderosas para o manejo integrado de pragas e doenças na entressafra. Consiste em alternar diferentes espécies vegetais em uma mesma área ao longo do tempo, quebrando o ciclo de vida de pragas e doenças específicas de uma única cultura. 

Por exemplo, se uma área foi cultivada com soja (leguminosa) e teve alta incidência de nematoides, na entressafra e na safra seguinte, pode-se plantar uma gramínea (milho ou sorgo) que não seja hospedeira desses nematoides, reduzindo drasticamente sua população.  

Essa prática também melhora a fertilidade e a estrutura do solo, além de otimizar o uso de nutrientes, sendo uma base sólida para qualquer planejamento agrícola sustentável. 

Rotação de culturas entre soja e milho vista de cima.

Monitoramento de pragas

monitoramento de pragas durante a entressafra, mesmo em um campo aparentemente vazio, é crucial para identificar a presença e a população de insetos-praga que podem sobreviver em restos culturais ou em plantas voluntárias.  

O uso de armadilhas (luminosas, feromônios) e a inspeção visual podem detectar a presença de inimigos, como lagartas, percevejos e até mesmo vetores de doenças. 

Essa vigilância permite que o produtor tome decisões informadas sobre a necessidade de controle antecipado ou sobre a escolha de variedades mais resistentes para a próxima safra.  

Um bom manejo de entressafra inclui o conhecimento da pressão inicial de pragas para evitar surtos na fase de desenvolvimento da cultura principal, sendo uma prática de entressafra fundamental para a prevenção de perdas. 

Remoção de plantas hospedeiras (controle cultural)

A remoção de plantas hospedeiras é uma prática de entressafra direta e eficaz. Muitas pragas e patógenos, como a ferrugem-asiática da soja e a cigarrinha-do-milho, sobrevivem em plantas voluntárias (tigueras) que nascem a partir de sementes da safra anterior, ou em plantas daninhas que servem como hospedeiras alternativas. 

Eliminar essas plantas hospedeiras na entressafra impede a reprodução e a sobrevivência dos inimigos da lavoura, quebrando seu ciclo epidemiológico e reduzindo a pressão de inóculo ou de população inicial para a próxima safra.  

Essa medida é de baixo custo e alta eficiência, e deve ser parte integrante de um manejo agrícola na entressafra focado na sanidade da lavoura. 

Análise nematológica

A análise nematológica na entressafra é uma ferramenta diagnóstica crucial para a saúde do solo. Nematoides são vermes microscópicos que atacam as raízes das plantas, causando perdas significativas de produtividade, muitas vezes sem sintomas claros na parte aérea. 

Imagem de microscopia eletrônica de varredura (MEV) mostrando vários nematoides alongados e cilíndricos sobre uma superfície texturizada.

A coleta de amostras de solo e raízes na entressafra, após a colheita da cultura principal, permite identificar a presença, a espécie e a população de nematoides na área. Com base nesses resultados, o agrônomo pode recomendar estratégias de controle para a próxima safra, como a escolha de variedades resistentes ou tolerantes, o plantio de culturas não hospedeiras (adubos verdes ou rotação) ou, em casos extremos, o uso de nematicidas.  

Essa análise é um investimento que previne perdas futuras, otimizando o planejamento agrícola. 

Planejamento da safra seguinte a partir da entressafra

O planejamento da safra seguinte começa, de fato, na entressafra. As informações coletadas e as intervenções realizadas nesse período são insumos cruciais para a tomada de decisões futuras, garantindo que a próxima temporada seja a mais produtiva e rentável possível.  

A análise dos resultados do manejo de entressafra, como a eficácia do controle de daninhas, a recuperação da fertilidade do solo e a redução da pressão de pragas e doenças, deve guiar a escolha das cultivares, a calibração das doses de fertilizantes e defensivos e a definição do cronograma de plantio.  

Esse processo contínuo de avaliação e ajuste é a essência do planejamento agrícola moderno, permitindo que o produtor construa um sistema de produção cada vez mais robusto, resiliente e eficiente.  

Ignorar o elo entre a entressafra e a próxima safra é negligenciar a oportunidade de aprimorar continuamente o desempenho da lavoura, perdendo a chance de otimizar investimentos e de alcançar patamares superiores de produtividade e sustentabilidade. 

Um manejo agrícola bem executado na entressafra é a garantia de que o solo estará fértil, livre de pragas e doenças e com a estrutura ideal para receber a próxima cultura, expressando todo o seu potencial genético. 

É a inteligência do campo trabalhando a seu favor, transformando o tempo entre uma colheita e outra em um período de construção de valor. Invista na entressafra para colher prosperidade o ano todo. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.  

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