Solo equilibrado é fundamental para produtividade e sustentabilidade; práticas que preservam e melhoram a saúde do solo fazem toda a diferença. Saiba como agir.

O solo é um recurso natural essencial para a agricultura, fornecendo os nutrientes que as plantas precisam para crescer. No entanto, a intensificação da produção e as mudanças climáticas têm colocado sua qualidade sob crescente ameaça. 

Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), cerca de 33% dos solos globalmente estão moderada ou altamente degradados. Essa degradação reduz o rendimento das lavouras e a capacidade do solo de armazenar carbono, nutrientes e água.  

Segundo um relatório oficial da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) publicado com participação técnica da Embrapa, a erosão causa perdas anuais estimadas em 7,6 milhões de toneladas na produção de cereais. Além disso, eventos climáticos extremos – inclusive variações associadas a El Niño/La Niña – afetam a produtividade de diversas culturas. 

Diante desse cenário, a boa condição do solo é crucial, ao influenciar diretamente a disponibilidade de água, aeração, infiltração e atividade biológica, impactando a produtividade das culturas.  

A seguir, confira 10 técnicas de manejo e conservação do solo que auxiliam na proteção contra perda de nutrientes, no equilíbrio da microbiota, ao mesmo tempo em que evitam erosão e outros problemas. 

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Estratégias para melhorar a qualidade do solo na agricultura 

Para mitigar os efeitos negativos que afetam a qualidade do solo, diversas práticas podem ser implementadas para manter ou melhorar sua estrutura, maximizando o potencial produtivo da lavoura. A escolha das estratégias mais adequadas deve considerar as características do solo, o clima da região e o sistema de produção adotado. 

As estratégias de preservação do solo são bem conhecidas, mas é sempre importante reforçar sua importância e aplicação correta. Abaixo, detalhamos algumas das principais técnicas, com exemplos práticos e dados relevantes. 

1. Rotação de culturas

A rotação de culturas é uma prática fundamental que consiste em alternar diferentes espécies de plantas em uma mesma área ao longo do tempo. Essa diversificação alivia a pressão sobre o solo, reduzindo a incidência de pragas e doenças, e melhorando a disponibilidade de nutrientes. 

  • Exemplo prático: alternar o cultivo de soja com milho e braquiária. A soja fixa nitrogênio no solo, o milho aproveita esse nutriente e a braquiária melhora a estrutura do solo e controla plantas daninhas. 

2. Irrigação controlada 

A irrigação controlada garante que as plantas recebam a quantidade adequada de água, evitando tanto a falta quanto o excesso, que podem prejudicar a saúde do solo. É essencial utilizar sistemas de irrigação dimensionados e adequados à área e à cultura. 

  • Exemplo prático: utilizar um sistema de irrigação por gotejamento em uma lavoura de tomate. Esse sistema fornece água diretamente na raiz da planta, reduzindo o desperdício e evitando o encharcamento do solo. 

3. Sistema plantio direto 

O Sistema de Plantio Direto (SPD) é uma técnica que consiste em semear diretamente sobre os restos culturais da colheita anterior, sem revolver o solo. Essa prática protege o solo da erosão, aumenta a matéria orgânica e melhora a infiltração da água. 

  • Exemplo prático: semear soja diretamente sobre a palhada do milho. A palhada protege o solo da erosão, reduz a evaporação da água e serve como fonte de nutrientes para a soja. 

4. Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) 

A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é uma estratégia que combina diferentes atividades produtivas em uma mesma área, como agricultura, pecuária e silvicultura. Essa diversificação promove a saúde do solo, aumenta a biodiversidade e melhora a rentabilidade da propriedade. 

  • Exemplo prático: plantar eucalipto em faixas intercaladas com lavoura e pastagem. O eucalipto protege o solo da erosão, fornece sombra para o gado e gera renda com a venda da madeira. 

5. Cobertura de solo com palhada 

Manter o solo coberto com palhada, seja de restos culturais ou de plantas de cobertura, é uma prática essencial para protegê-lo da erosão, reduzir a evaporação da água, controlar plantas daninhas e aumentar a matéria orgânica

  • Exemplo prático: utilizar a braquiária como planta de cobertura no período de entressafra. A braquiária protege o solo da erosão, controla plantas daninhas e aumenta a matéria orgânica. 

6. Plantio em nível 

O plantio em nível consiste em semear as plantas no sentido transversal à declividade do terreno, criando pequenas barreiras que impedem a erosão. Essa prática é especialmente importante em áreas com alta declividade. 

  • Exemplo prático: plantar café em uma área montanhosa. As linhas de plantio em nível criam pequenas barreiras que impedem a erosão e facilitam a infiltração da água. 

7. Terraceamento 

O terraceamento é uma técnica que consiste em construir terraços em áreas com alta declividade, criando superfícies planas que impedem a erosão. Essa prática é especialmente utilizada em culturas como café e cana-de-açúcar. 

  • Exemplo prático: construir terraços em uma lavoura de café em uma área montanhosa. Os terraços criam superfícies planas que impedem a erosão e facilitam o manejo da lavoura. 

8. Conservação da vegetação nativa 

A conservação da vegetação nativa, como matas ciliares e áreas de preservação permanente (APPs), é fundamental para proteger o solo da erosão, manter a biodiversidade e regular o ciclo da água

  • Exemplo prático: preservar a mata ciliar ao longo de um rio que atravessa a propriedade. A mata ciliar protege o solo da erosão, impede o assoreamento do rio e mantém a qualidade da água. 

O Código Florestal Brasileiro estabelece as normas para a conservação da vegetação nativa. 

9. Controle de queimadas 

O controle de queimadas é essencial para evitar a destruição da matéria orgânica do solo, a perda de nutrientes e a emissão de gases de efeito estufa. As queimadas também podem causar erosão e prejudicar a saúde humana. 

  • Exemplo prático: implementar um programa de prevenção e combate a incêndios na propriedade. O programa deve incluir medidas como a construção de aceiros, a capacitação de brigadistas e o monitoramento constante da área. 

No âmbito federal, o Prevfogo/IBAMA coordena prevenção e combate a incêndios florestais (em áreas federais), em articulação com órgãos estaduais. 

10. Planejamento do trânsito de maquinários 

O planejamento do trânsito de maquinários evita a compactação do solo, que dificulta a infiltração da água, o crescimento das raízes e a atividade biológica. É importante definir rotas de tráfego e evitar o uso de máquinas pesadas em solos úmidos. 

  • Exemplo prático: definir rotas de tráfego para as máquinas agrícolas, evitando o pisoteio excessivo em áreas sensíveis. Também é importante utilizar pneus de baixa pressão e evitar o uso de máquinas pesadas em solos úmidos. 

Qual a importância da conservação do solo? 

A preservação do solo vai muito além da simples manutenção da produtividade agrícola. Ela engloba uma série de benefícios ambientais, sociais e econômicos que impactam diretamente a sustentabilidade do agronegócio. Investir na conservação do solo é investir no futuro da produção de alimentos e na saúde do planeta. 

Ao adotar práticas de conservação do solo, é possível extrair todo o potencial da terra, maximizando a produção da lavoura e garantindo a sustentabilidade do sistema produtivo. Um estudo da FAO estima que a adoção de práticas de conservação do solo pode aumentar a produção de alimentos em até 58%. 

Os benefícios da conservação do solo incluem: 

  1. Melhora das condições físico-químicas do solo, aumentando sua fertilidade e capacidade de retenção de água. 
  1. Aumento da produtividade das lavouras, garantindo maior rentabilidade para o produtor. 
  1. Aumento da atividade biológica e da estabilidade da estrutura do solo, promovendo a saúde do ecossistema. 
  1. Maior disponibilidade de água, pela maior infiltração da água das chuvas, reduzindo o risco de secas. 
  1. Prevenção do processo de desgaste e sedimentação, evitando a perda de solo fértil. 
  1. Permissão para a condução de diferentes culturas, diversificando a produção e reduzindo a dependência de um único cultivo. 
  1. Redução da emissão de gases de efeito estufa, contribuindo para o combate às mudanças climáticas. 
  1. Melhora da qualidade da água, reduzindo a contaminação por agrotóxicos e fertilizantes. 
  1. Aumento da resiliência do sistema produtivo, tornando-o mais resistente a eventos climáticos extremos. 

Com essas interações físico-químico-biológicas, é possível alcançar um solo bem estruturado que reflete em altas produtividades agrícolas, mesmo com todos os desafios em campo e as adversidades climáticas, e, ao mesmo tempo, desempenha as suas funções ambientais. 

A qualidade do solo, assim como a sua capacidade de manter o crescimento vegetal, inclui também a avaliação e o monitoramento por parte do produtor para garantir a conservação e recuperação quando necessário. 

Como fazer a análise e correção do solo apropriadamente? 

A análise do solo é o primeiro passo para garantir a saúde e a produtividade da lavoura. Ela permite identificar as deficiências nutricionais e os problemas de acidez ou salinidade, possibilitando a aplicação de corretivos e fertilizantes de forma eficiente e precisa. 

Passo a passo para a análise e correção do solo: 

  1. Amostragem: coletar amostras de solo representativas da área a ser cultivada, seguindo as recomendações técnicas de amostragem. 
  1. Análise laboratorial: enviar as amostras para um laboratório credenciado para a realização das análises físicas, químicas e biológicas. 
  1. Interpretação dos resultados: analisar os resultados das análises laboratoriais com o auxílio de um profissional qualificado, identificando as deficiências nutricionais e os problemas de acidez ou salinidade. 
  1. Recomendação de correção e adubação: com base na interpretação dos resultados, o profissional irá recomendar as práticas de correção e adubação mais adequadas para o solo e para a cultura a ser cultivada. 
  1. Aplicação de corretivos e fertilizantes: aplicar os corretivos e fertilizantes de forma precisa e eficiente, seguindo as recomendações técnicas. 
  1. Monitoramento: monitorar a evolução da fertilidade do solo ao longo do tempo, realizando novas análises e ajustando as práticas de correção e adubação quando necessário. 

Políticas públicas para conservação do solo no Brasil 

O Brasil possui políticas públicas que visam promover a conservação do solo e o uso sustentável dos recursos naturais. Entre as principais, destacam-se: 

Esses programas auxiliam o produtor ao fornecer informações detalhadas e suporte técnico para o manejo sustentável do solo, permitindo o planejamento mais eficiente das culturas, economia no uso de insumos como fertilizantes, maior produtividade e conservação dos recursos naturais. 

Além disso, eles promovem acesso facilitado a financiamentos e conhecimento atualizado, fortalecendo a sustentabilidade e competitividade da agricultura. 

Promover a conservação do solo é um investimento estratégico que ajuda a garantir a produtividade agrícola, a sustentabilidade do agronegócio e a saúde do planeta. 

Ao adotar as práticas adequadas e seguir as recomendações técnicas, o produtor rural pode aumentar a rentabilidade da sua lavoura, proteger o meio ambiente e contribuir para um futuro mais próspero e sustentável. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, com o objetivo de impulsionar o agronegócio brasileiro com qualidade e inovações tecnológicas. 

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