Brachiaria decumbens é planta daninha invasora que pode causar prejuízos; entender suas características facilita o manejo e a proteção das lavouras.

O capim-braquiária (Brachiaria decumbens), também conhecido pelo nome popular capim-braquiária ou braquiária-decumbens, é uma das plantas daninhas mais agressivas e disseminadas nas regiões tropicais do Brasil, com destaque para o Cerrado.  

Embora reconhecida por suas qualidades como forrageira e excelente cobertura vegetal, sua capacidade de adaptação a solos de baixa fertilidade e sua agressividade a tornam um desafio fitossanitário imponente para a maioria das culturas anuais e perenes. 

Neste guia, confira as características do capim-braquiária, seu ciclo de vida, as culturas mais afetadas, os danos que causa e as melhores técnicas de manejo para controle do capim-braquiária. 

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Características do capim-braquiária (Brachiaria decumbens) 

A Brachiaria decumbens é uma gramínea originária da África que se disseminou amplamente pelas regiões tropicais do mundo.  

Sua notável capacidade de adaptação a solos de baixa fertilidade e acidez, o fácil estabelecimento e a considerável produção de biomassa a tornaram uma forrageira de grande valia, especialmente para pastagens degradadas e sistemas de integração lavoura-pecuária. Contudo, essa mesma robustez e agressividade a transformam em uma das mais desafiadoras plantas daninhas no cerrado e em outras regiões do Brasil. 

Trata-se de uma gramínea perene estolonífera, que pode apresentar rizomas curtos, formando densas touceiras/tapetes. A altura usual fica em torno de 60–100 cm. É muito adaptada a solos ácidos e de menor fertilidade. 

As folhas, geralmente curtas e eretas com bordas planas, diferenciam-se visualmente de outras espécies do mesmo gênero, como a Brachiaria brizantha, que possui folhas mais largas e mais pubescentes.  

A alta vigorosidade vegetativa do capim-braquiária permite que ele compita muito bem com outras plantas, demonstrando boa tolerância a curtos períodos de estresse hídrico. embora requeira cerca de 800 mm de água anualmente para um desenvolvimento ótimo. Não é tolerante a solos encharcados, preferindo locais com boa drenagem. 

Diferença entre Brachiaria decumbens e Brachiaria brizantha 

 Embora ambas sejam excelentes forrageiras e potenciais plantas daninhas, a diferença entre Brachiaria decumbens e Brachiaria brizantha reside em algumas características importantes: 

  • Brachiaria decumbens: hábito de crescimento mais prostrado, folhas mais curtas e eretas, menor teor de proteína bruta e maior tolerância a solos de baixa fertilidade e ácidos. Sua maior produção é nas “águas”, com menor residual na “seca”. 
  • Brachiaria brizantha: hábito de crescimento mais ereto, folhas mais largas, maior teor de proteína bruta e adaptação a solos de média a alta fertilidade. Possui melhor desempenho na seca, sendo mais resistente ao pastejo intensivo. 

Ciclo de vida do capim-braquiária 

O ciclo de vida do capim-braquiária é marcado por sua perenidade e por eficientes estratégias de propagação que garantem sua persistência e proliferação no campo. 

Reprodução por sementes

A Brachiaria decumbens possui florescimento precoce e produz uma grande quantidade de sementes viáveis. Uma característica crucial é a dormência das sementes, que pode durar até 12 meses, ou até mais em condições específicas do solo.  

Essa dormência dificulta o controle do banco de sementes no solo e a eventual erradicação da espécie, pois as sementes podem germinar em diferentes fluxos ao longo do tempo, reinfestando a área continuamente.  

A dispersão das sementes ocorre principalmente pelo vento, água, animais e, de forma muito eficiente, pelo trânsito de máquinas agrícolas. 

Reprodução vegetativa

Além das sementes, o capim-braquiária se propaga vigorosamente através de seus estolões e rizomas. Os estolões rastejam sobre a superfície do solo, enraízam nos nós e formam novas plantas, criando densos tapetes. Os rizomas, por sua vez, são caules subterrâneos que armazenam reservas e permitem a rebrota da planta mesmo após a eliminação da parte aérea.  

Essa capacidade de rebrota torna o controle mecânico superficial ineficaz e exige herbicidas sistêmicos para um controle duradouro. 

Em conjunto, essas estratégias de reprodução garantem que o solo contaminado por braquiária mantenha um potencial de infestação por longos períodos, exigindo um planejamento de manejo de longo prazo e integrado. 

Principais culturas afetadas pelo Brachiaria decumbens 

A Brachiaria decumbens é uma planta daninha de ampla ocorrência e alta capacidade competitiva, estabelecendo-se em uma vasta gama de sistemas de produção agrícola em todas as regiões tropicais do Brasil. Sua agressividade é particularmente sentida em culturas, como: 

  • Soja; 
  • Milho; 
  • Algodão; 
  • Feijão; 
  • Arroz; 
  • Citros (laranja, limão, tangerina); 
  • Café; 
  • Caju; 
  • Cacau; 
  • Banana; 
  • Goiaba; 
  • Maçã; 
  • Uva. 

Danos causados pelo capim-braquiária 

Os danos causados pelo Brachiaria decumbens vão muito além da simples competição. Sua presença nas lavouras interfere direta e indiretamente no desenvolvimento das culturas, resultando em perdas significativas de produtividade e aumento dos custos de produção. 

1. Competição intensa por recursos vitalícios

O principal dano é a competição agressiva por água, luz e nutrientes. 

  • Água e nutrientes: as raízes das culturas, especialmente as anuais, concentram-se nos primeiros 30 cm de superfície do solo. É nessa mesma camada que o capim-braquiária se desenvolve rapidamente, com seu sistema radicular fibroso e vigoroso, absorvendo eficientemente a água e os nutrientes. Isso priva as plantas cultivadas do que precisam para um desenvolvimento ideal. 
  • Luz: o hábito de crescimento prostrado e a densidade das touceiras da braquiária promovem um sombreamento intenso da cultura, especialmente nas fases iniciais, reduzindo drasticamente a fotossíntese e o acúmulo de biomassa pelas plantas cultivadas. 
  • Aleopatia: a Brachiaria decumbens é conhecida por exercer alelopatia, ou seja, liberar substâncias químicas no solo que inibem a germinação e o desenvolvimento de outras plantas ao seu redor. Este mecanismo natural de “guerra química” intensifica ainda mais sua vantagem competitiva sobre as culturas. 

2. Hospedeira de pragas, doenças e nematoides

Indiretamente, a planta daninha braquiária pode agravar problemas fitossanitários no campo. Ela atua como hospedeira alternativa para diversas pragas (como cigarrinhas e percevejos), doenças (como ferrugem) e nematoides (como Pratylenchus e Meloidogyne).  

Isso significa que, mesmo na ausência da cultura principal, a braquiária mantém esses patógenos e pragas na área, aumentando o inóculo e a pressão de infestação para a próxima safra e elevando os custos de controle. 

3. Dificuldade de operações agrícolas e perdas na colheita

A presença de densas touceiras da planta daninha braquiária interfere nas operações agrícolas: 

  • Dificulta a semeadura, a distribuição uniforme de sementes e o estabelecimento do estande da cultura; 
  • Atrapalha a aplicação de defensivos e fertilizantes, reduzindo a eficiência e aumentando o tempo e custo das operações; 
  • A massa vegetal da braquiária pode causar embuchamento das máquinas, aumentando o desgaste dos equipamentos, o consumo de combustível e, principalmente, as perdas de grãos na colheita, reduzindo o rendimento final. 

4. Redução da qualidade do produto e aumento dos custos

Além das perdas de produtividade, a competição com a braquiária pode reduzir a qualidade do produto colhido. 

Para o produtor, o solo contaminado por braquiária significa um aumento nos custos de produção devido à necessidade de mais herbicidas, mão de obra e eventuais perdas de colheita.  

A natureza agressiva da Brachiaria decumbens exige um manejo com herbicidas e outras estratégias proativo e bem planejado para mitigar seus severos impactos econômicos e agronômicos. 

Técnicas de manejo para controle do capim-braquiária 

O controle do capim-braquiária eficaz e sustentável requer a implementação de um Manejo Integrado de Plantas Daninhas, combinando diferentes estratégias para suprimir a praga, evitar a reinfestação e gerenciar a resistência a herbicidas, um problema crescente para essa espécie. 

As medidas preventivas são a primeira linha de defesa. Elas incluem a limpeza de máquinas e implementos, e a utilização de sementes certificadas. 

A rotação de culturas com espécies que permitem o uso de herbicidas com diferentes mecanismos de ação e épocas de aplicação distintas é crucial para quebrar o ciclo da planta daninha braquiária e reduzir a pressão de seleção por resistência. 

O plantio direto, quando bem manejado, é uma base essencial. A formação de uma massa de cobertura sobre o solo com palhada (ex: milheto, aveia) inibe a emergência de sementes de braquiária que necessitam de luz para germinar, além de melhorar a estrutura e fertilidade do solo. 

Em pequenas áreas, a solarização do solo (com uso de cobertura plástica transparente para elevar a temperatura do solo) pode ser eficaz para matar sementes e plântulas da planta daninha rizomatosa. A umidade do solo e o tempo de permanência da cobertura são fatores que influenciam o sucesso. 

A integração dessas abordagens permite um controle do capim-braquiária mais sustentável, econômico e eficiente, minimizando o impacto ambiental e garantindo a sanidade e a produtividade da lavoura. 

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