O agronegócio vive um momento de pressão e oportunidade. A FAO estima que, até 2050, o mundo precisará produzir cerca de 50% mais alimentos para atender à demanda global. O Brasil é uma potência agrícola, com uma produção anual que ultrapassa 300 milhões de toneladas de grãos. O país já ajuda a alimentar mais de 1 bilhão de pessoas globalmente, de acordo com a Embrapa. 

Isso torna o desafio ainda maior a longo prazo. Porque é preciso aumentar a produtividade sem expandir a área plantada, enfrentando custos elevados, margens apertadas e as mudanças climáticas. Consequentemente, o desafio do agronegócio é conseguir mais eficiência em todas as etapas do manejo.  

Nos tempos modernos, a agricultura de precisão deixou de ser diferencial competitivo para se tornar uma questão de crescimento. Como aumenta a eficiência, ela vai se tornar, cada vez mais, a protagonista das histórias, como mostra um estudo da McKinsey. 

Veja mais na pesquisa: A Mente do Agricultor Brasileiro 

O que dizem os especialistas  

Convidamos neste artigo, dois especialistas da Syngenta Digital que vivem essa transformação no dia a dia. Eles nos ajudam a entender por que a agricultura de precisão se tornou tão fundamental e como ela está evoluindo.  

Giovanni Piva é gerente de produto. Ele atua há anos no desenvolvimento de soluções digitais para o campo, em várias regiões do país.  

Leonardo Viana, analista de novos negócios, trabalha com produtores e equipes técnicas. Ele ajuda a transformar dados e ferramentas digitais em decisões práticas e lucrativas.  

São eles que nos guiam na resposta de uma pergunta essencial: como produzir mais e melhor em um mundo que exige eficiência absoluta?  

O que é agricultura de precisão e por que ela é tão necessária agora? 

Para explicar o conceito, Piva usa uma analogia simples e poderosa:  

“Imagina um chef de cozinha preparando entrada, prato principal e sobremesa. Se ele colocar a mesma quantidade de sal em tudo, vai ser um desastre. Quando o agricultor trata todo o talhão como se fosse igual, acontece a mesma coisa.”  

A agricultura de precisão nasce justamente para corrigir isso. Ela identifica diferenças dentro da área podendo ajudar a aplicar insumos de forma localizada, conforme a necessidade real de cada subárea.  

“A otimização dos insumos é um dos principais benefícios. O produtor gasta menos para produzir o mesmo tanto ou até mais,” reforça Viana.  

Avaliando que os fertilizantes hoje podem representar até 30% do custo de produção, essa eficiência faz toda a diferença.  

Além disso, uma pesquisa recente da KPMG sobre tecnologia no agronegócio reforça essa tendência. Entre as principais oportunidades percebidas pelos produtores, a agricultura de precisão aparece em primeiro lugar, representando um terço das respostas. Em seguida, surge o interesse por novas tecnologias, como eletrificação e maior uso de biocombustíveis nos equipamentos agrícolas, com 27% das menções. Esses dados mostram que o produtor brasileiro já enxerga a agricultura de precisão como o caminho mais claro para ganhar eficiência. 

Fonte: Pesquisa KPMG – Tecnologia no Agronegócio (2024)  

Começar pequeno: o caminho mais seguro para adotar agricultura de precisão. 

Um dos equívocos mais comuns é imaginar que agricultura de precisão exige grandes investimentos iniciais. Piva desmistifica:  

“O primeiro passo é querer ser mais eficiente. O segundo é começar pequeno. Cada safra é uma safra. Se você não comparar, pode achar que não deu certo quando na verdade deu.” 

A recomendação é iniciar pelo básico:  

Análise de solo para entender pH, acidez e nutrientes, criação de zonas de manejo, e aplicação variável de corretivos (como calcário e gesso). Depois, o caminho é avançar para fertilizantes, sementes e aplicações. E, principalmente, usar testemunhas para comparar resultados e ganhar confiança. Essa abordagem gradual reduz riscos e acelera o aprendizado. 

Zonas de manejo: o coração da eficiência  

As zonas de manejo são agrupamentos de áreas com características semelhantes dentro do talhão. Elas são definidas a partir de:  

Análises de solo  

Mapas de colheita  

Imagens de satélite  

Histórico produtivo  

“O talhão não é igual na sua extensão. A zona de manejo permite aplicar a quantidade certa de insumo no lugar certo,” resume Piva.  

Isso evita dois problemas clássicos:  

Excesso de insumo onde não é necessário.  

Falta de insumo onde a planta realmente precisa.  

O resultado é mais produtividade, mais sustentabilidade e menos desperdício.  

Caso real: como a agricultura de precisão gerou mais de R$ 59 mil de economia em dois talhões em uma fazenda do MT.  

Nada ilustra melhor o impacto da agricultura de precisão do que resultados concretos no campo. Um produtor de algodão do Mato Grosso enfrentava um desafio comum. Áreas com crescimento desigual recebiam as mesmas aplicações, mesmo apresentando realidades completamente diferentes dentro do talhão.  

Com o apoio do NDVI na plataforma Cropwise, ele conseguiu enxergar o que antes passava despercebido. As imagens revelaram padrões claros de variabilidade, permitindo contrastar zonas de maior e menor vigor. A partir dessa análise, o produtor criou zonas de manejo personalizadas e gerou uma prescrição em taxa variável para desfolhante e maturador.  

Cada parte da área recebeu exatamente o que precisava, nem mais, nem menos.  

O resultado foi imediato: uma economia superior a R$ 59 mil em apenas dois talhões.  

Menos desperdício, mais eficiência e um manejo muito mais inteligente.  

Esse é o tipo de transformação que a agricultura de precisão possibilita quando dados, tecnologia e decisão agronômica caminham juntos.  

Veja as barreiras que ainda travam muitos produtores. 

Apesar dos benefícios, a adoção ainda encontra obstáculos. Viana destaca dois dos mais comuns:  

  1. Incompatibilidade de arquivos entre sistemas e monitores  

“Tem produtor que quer fazer agricultura de precisão, mas depende de terceiros para coletar dados ou operar máquinas. Isso tira autonomia.”  

2.Falta de mão de obra especializada  

Outro ponto é a percepção de complexidade. Muitos produtores acreditam que agricultura de precisão é “difícil demais”. Viana compara com a transição dos celulares antigos para os smartphones:  

“Parecia complexo, mas depois que você dá o primeiro passo, navega com fluidez.”  

E é justamente essa fluidez que a plataforma Cropwise entrega ao produtor: simplicidade para transformar dados em decisões.  

Uma jornada completa: do pré-plantio à colheita  

A entressafra é, muitas vezes, subestimada. É o período em que o solo descansa, mas o produtor não. É nesse momento que ele toma as decisões estratégicas que vão guiar toda a próxima safra. Entre elas, a correção do solo, planejamento de insumos, definição de estratégias de manejo e análise do histórico produtivo.  

A plataforma Cropwise atua nesse ponto, oferecendo soluções que ajudam o produtor a:  

Entender a variabilidade do talhão com base em dados históricos.  

Planejar correções e fertilizações com mais precisão.  

Definir zonas de manejo com clareza.  

Construir prescrições mais assertivas para cada etapa da operação.  

À medida que a safra avança, a plataforma acompanha o produtor em cada fase:  

No plantio, apoiando decisões de densidade, distribuição e manejo localizado.  

No desenvolvimento da lavoura, permitindo monitoramento contínuo e identificação de anomalias.  

No pós-plantio, oferecendo ferramentas para avaliar a eficiência das operações e comparar resultados com o planejado. 

Além disso, as soluções contam com a Inteligência Artificial para automatizar processos. A coleta de dados é feita e analisada em tempo real, otimizando a rotina no campo.  

Piva resume:  

“Você não precisa começar com tudo ao mesmo tempo. A plataforma permite evoluir etapa por etapa, no seu ritmo.” E Viana resume: “As tecnologias vão empilhando valor ao longo da safra.”  

Conclusão: eficiência é o caminho para alimentar o futuro  

A agricultura de precisão não é apenas uma tendência tecnológica. É uma resposta concreta aos desafios globais de produtividade, sustentabilidade e rentabilidade. Com soluções mais simples e integradas, os dados podem tornar essa transformação mais acessível do que nunca.  

Se o mundo precisa produzir mais e melhor, o caminho passa por decisões mais inteligentes no campo. E essa jornada começa entendendo o solo, respeitando sua variabilidade e aplicando tecnologia onde ela realmente faz diferença. 

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