O preço da soja fechou a semana em alta no mercado brasileiro, sustentado pela retomada das compras chinesas nos Estados Unidos e pela valorização dos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT). Nas três principais praças de referência do país, a saca de 60 kg avançou entre R$ 3,50 e R$ 5,00 no acumulado da semana, com o porto de Paranaguá se aproximando de R$ 141,00.
Preço da soja avança nas principais praças produtoras
O movimento foi de alta consistente em Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso ao longo da semana encerrada em 11 de julho. Os avanços observados foram:
- Passo Fundo (RS): de R$ 131,50 para R$ 135,00 por saca
- Cascavel (PR): de R$ 126,50 para R$ 130,00 por saca
- Rondonópolis (MT): de R$ 117,00 para R$ 122,00 por saca
- Paranaguá (PR), porto: R$ 141,00 por saca
O maior ganho absoluto ficou em Rondonópolis, com valorização de R$ 5,00. Paranaguá segue funcionando como referência de exportação e puxando o interior, especialmente em regiões com maior conexão logística ao Sul.
China e petróleo sustentam a alta em Chicago
A reação dos futuros na CBOT teve dois motores principais. O primeiro foi a retomada das compras chinesas de soja norte-americana, movimento que reduz o volume disponível no mercado global e dá suporte às cotações internacionais. O segundo foi a alta do petróleo, que se transmite ao complexo de oleaginosas via óleo de soja, ingrediente do biodiesel e concorrente de derivados fósseis.
Como a formação do preço interno combina cotação em Chicago, prêmio de exportação e câmbio, movimentos altistas no exterior tendem a se refletir rapidamente nas praças brasileiras, o que ficou evidente na semana.
China antecipa 9 milhões de toneladas da safra 2026/27
Além do movimento de curto prazo, um dado estrutural reforçou a leitura positiva: a China já antecipou compra de 9,04 milhões de toneladas da safra 2026/27, e todo esse volume foi originado no Brasil. A antecipação sinaliza a preferência do maior comprador mundial pela oferta brasileira, mesmo em um contexto de retomada pontual das compras nos EUA.
Para o produtor, o número ajuda a compor um horizonte de demanda firme para a próxima safra, ainda que a formação de preço no dia a dia continue dependendo da combinação entre Chicago, câmbio e prêmios portuários.
O que acompanhar nas próximas semanas
Alguns pontos devem ficar no radar de quem gerencia a comercialização da lavoura:
- Ritmo das novas compras chinesas nos EUA, que pode alterar o equilíbrio de curto prazo em Chicago
- Comportamento do petróleo, que segue influenciando o óleo de soja
- Câmbio, com o dólar amplificando ou atenuando movimentos externos
- Andamento do plantio 2026/27 no Brasil e primeiras leituras de produtividade
Analistas apontam ainda que a janela atual, com preços firmes e visibilidade de demanda chinesa, pode ser oportuna para reavaliar operações de barter, especialmente para quem ainda não fechou o pacote de insumos da próxima safra.
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