Microscópicos, invisíveis a olho nu e presentes em boa parte das áreas agrícolas do país, os nematoides seguem entre os principais desafios fitossanitários da soja brasileira. Diferentemente das pragas de parte aérea, que podem ser vistas e contadas no monitoramento, esses parasitas atacam as raízes e agem em silêncio. Quando o dano fica visível, parte do potencial produtivo já foi comprometida.
Por isso, com nematoides, o calendário importa. E, nesta safra, ele está correndo mais rápido que o normal. Segundo a consultoria Pátria AgroNegócios, a semeadura da soja 2026/27 alcançou 19,77% da área prevista no Brasil no levantamento divulgado em 9 de outubro, o ritmo mais acelerado da história para o período. Um ano antes, eram 12,86%; a média de cinco anos é de 11,55%. O motivo é o clima: as chuvas chegaram cedo e em volumes satisfatórios nas principais regiões produtoras. Em Mato Grosso, maior produtor do país, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) registrava 33,28% da área semeada até 9 de outubro.
O cenário, porém, não é uniforme. No Paraná, o excesso de chuva freou os trabalhos, e no noroeste de Mato Grosso parte dos produtores precisou replantar. Com a semeadura tão adiantada, muitas decisões de manejo já foram tomadas no início do ciclo. Em outras áreas, a janela segue aberta. Este artigo mostra:
- O tamanho do prejuízo que os nematoides causam à soja.
- Por que esperar os sintomas compromete a produtividade.
- Como o diagnóstico e o mapeamento por talhão orientam um manejo preventivo.
O tamanho do problema
Quanto os nematoides custam à produção de soja no Brasil?
Os nematoides causam prejuízo estimado em R$ 27,7 bilhões por ano à soja brasileira, segundo levantamento da Syngenta em parceria com a consultoria Agroconsult e a Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN). O valor equivale a perder uma safra inteira de soja a cada dez. Considerando todas as culturas agrícolas, o mesmo estudo estima perdas de R$ 65 bilhões.
Os números ganham ainda mais peso diante do avanço recente da praga no Cerrado. Na safra 2024/25, a Fundação MT registrou aumento de áreas com alta incidência de nematoide de cisto (Heterodera glycines) e de nematoide de galha (Meloidogyne spp.) em Mato Grosso, inclusive em lavouras que não tiveram quebra visível de produtividade. Em Mato Grosso e Goiás, a expansão da soja associada à sucessão de culturas e à intensificação dos sistemas produtivos criou condições favoráveis ao crescimento das populações desses parasitas no solo.
O mercado acompanha o problema. De acordo com o estudo FarmTrak Soja, da Kynetec, a área potencial tratada com nematicidas no Brasil cresceu 40% na safra 2025/26, chegando a 31,46 milhões de hectares, e esses produtos já cobrem 49% das lavouras. Na mesma safra, 31% da área plantada recebeu cultivares com tolerância ou resistência a nematoides. Até a safra 2017/18, segundo a consultoria, o manejo com nematicidas era considerado marginal no país.
Por que o diagnóstico tardio é o maior risco
Os sintomas de nematoides na soja raramente são exclusivos. Reboleiras*, clorose, porte reduzido, murcha nas horas mais quentes do dia e menor desenvolvimento podem ser confundidos com deficiência nutricional, compactação do solo ou estresse hídrico.
* Reboleiras são manchas de plantas menores e amareladas, distribuídas de forma irregular na lavoura.
Além disso, quando esses sinais aparecem na parte aérea, as raízes já estão comprometidas. Os nematoides se alimentam do sistema radicular, reduzem a absorção de água e nutrientes e ainda favorecem a entrada de fungos de solo. Cada gênero deixa marcas diferentes: galhas nas raízes (Meloidogyne spp.), lesões escurecidas (Pratylenchus brachyurus) ou pequenos cistos aderidos às raízes (Heterodera glycines). Identificar corretamente o gênero é essencial, porque cultivares resistentes e plantas de cobertura funcionam de forma específica para cada um.
Há ainda o efeito do crescimento silencioso. Safras com chuvas regulares podem mascarar as perdas enquanto a população de nematoides aumenta no solo, cenário observado pela Fundação MT em 2024/25. O produtor que espera ver o problema para agir costuma decidir com a safra já em andamento, quando as opções de manejo são limitadas. E, como a eliminação completa dos nematoides de uma área infestada é considerada praticamente impossível, o objetivo é manter a população abaixo do nível de dano econômico, um trabalho que se constrói ao longo das safras.
Quando o produtor deve começar o manejo de nematoides na soja?
O manejo de nematoides na soja deve começar antes do plantio, com amostragem de solo e raízes e análise nematológica para identificar quais espécies estão presentes e em que nível populacional. Esperar o aparecimento de reboleiras significa agir quando parte do potencial produtivo já foi perdida e quando decisões-chave, como a escolha da cultivar e do tratamento de sementes, já foram tomadas.
Como o manejo preventivo muda o jogo
O manejo preventivo parte de um princípio simples: não é possível manejar o que não se conhece. O diagnóstico de solo, com coleta de amostras de solo e raízes encaminhadas a um laboratório de nematologia, indica quais gêneros estão presentes e em que densidade. Com essa informação, produtor e agrônomo conseguem combinar as ferramentas disponíveis de forma racional:
- Cultivares resistentes ou tolerantes: escolhidas de acordo com a espécie predominante na área.
- Rotação e sucessão com plantas não hospedeiras ou más hospedeiras: como algumas espécies de crotalária, conforme o nematoide-alvo.
- Tratamento de sementes: com nematicidas químicos ou biológicos.
- Limpeza de máquinas e implementos: para evitar o transporte de solo infestado para áreas livres.
O desafio está na escala. Os nematoides se distribuem de forma desuniforme, em reboleiras, e a população varia de um talhão para outro e dentro do mesmo talhão. Amostrar sem critério pode gerar resultados que não representam a realidade da área. Aplicar a mesma estratégia em toda a fazenda pode significar investir onde não há necessidade e deixar desprotegidas as áreas mais críticas.
É nesse ponto que o mapeamento da população por talhão passa a separar o manejo reativo do manejo preventivo.

O papel do mapeamento por talhão na decisão de manejo
As ferramentas digitais vêm mudando a forma de enfrentar esse inimigo oculto. Apresentado pela Syngenta como a primeira solução digital comercial do mundo para nematoides, o Nema Digital integra a Plataforma Cropwise e usa inteligência artificial e modelagem computacional para analisar imagens de satélite das últimas quatro safras. Assim, ele mapeia e identifica os danos causados por nematoides. O algoritmo apenas avalia, analisa, identifica e direciona onde há maior pressão de nematoides dentro do talhão.
Com esse retrato, a decisão de manejo deixa de ser uniforme e passa a ser direcionada: cultivar, tratamento de sementes e rotação podem ser planejados de acordo com a realidade de cada área. A ferramenta também permite acompanhar a evolução da lavoura ao longo da safra e avaliar os resultados e avaliar os resultados obtidos com a adoção do manejo preventivo, contribuindo para o planejamento e a preparação da área para o ciclo seguinte.
Para entender em detalhes como mapear a população de nematoides antes de definir o manejo, confira o vídeo.

Conclusão: com nematoides, antecipar é a melhor proteção da safra
Com nematoides, não existe correção rápida no meio da safra. O dano começa nas raízes, se acumula de forma silenciosa e só se revela quando boa parte do potencial produtivo já ficou pelo caminho. A diferença entre perder e proteger a produtividade está no momento em que a decisão é tomada.
Conhecer quais nematoides estão presentes, onde estão e em que nível populacional permite escolher a cultivar certa, direcionar o tratamento e planejar a rotação com base em dados. Para as áreas já semeadas, o diagnóstico continua valioso: orienta o acompanhamento desta safra e prepara a próxima.
Veja como o Nema Digital pode apoiar o manejo de nematoides na sua lavoura.



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