A podridão de colmo do milho reúne doenças capazes de degradar os tecidos de sustentação da planta e aumentar o risco de acamamento e quebra na fase final do ciclo.  

Entre os agentes mais frequentes estão fungos dos gêneros Fusarium, Stenocarpella (causador da diplodia) e Colletotrichum, mas a manifestação no campo depende da interação entre o patógeno, o híbrido, o ambiente e os estresses sofridos pela lavoura. 

O monitoramento antes da colheita é fundamental porque o colmo pode parecer íntegro externamente e já estar frágil por dentro. Ao identificar talhões com a presença da doença, o produtor pode reorganizar a ordem de colheita e reduzir perdas. 

Ficha rápida 

Característica Resumo 
Espécies Fusarium verticillioides, F. graminearum, Stenocarpella maydis, S. macrospora e Colletotrichum graminicola 
Famílias Nectriaceae para Fusarium; Diaporthaceae para Stenocarpella; Glomerellaceae para Colletotrichum 
Ciclo Sobrevivência em sementes, solo e restos culturais, conforme o agente; infecção favorecida por ferimentos, estresses e tecidos debilitados durante o ciclo. 
Danos Desintegração da medula, perda de resistência mecânica, morte prematura da planta, quebra, acamamento, dificuldade de colheita e possível redução do enchimento e da qualidade dos grãos. 
Manejo Híbrido adaptado, população adequada, nutrição equilibrada, manejo de pragas e doenças, rotação, monitoramento e priorização da colheita. 

Principais pontos 

  • A podridão de colmo resulta da interação entre fungos, híbrido, ambiente e estresses da planta, o que leva à perda de integridade dos tecidos. 
  • Lesões externas nem sempre mostram a extensão do problema; abra o colmo longitudinalmente e examine a medula e os feixes vasculares. 
  • A podridão por Fusarium pode deixar a medula rosada a avermelhada, enquanto a diplodia, causada por Stenocarpella, forma picnídios pretos aderidos à casca dos entrenós inferiores. 
  • A antracnose do colmo, causada por C. graminicola, costuma formar lesões negras e brilhantes na casca, em geral após o pendoamento. 
  • Nos testes de compressão e do empurrão, avalie pelo menos 100 plantas distribuídas em 5 pontos; mais de 10% de falhas indicam prioridade de colheita. 
  • Fungicidas foliares podem proteger a área fotossintética quando registrados para os alvoe cultura. 

O que é a podridão de colmo no milho 

Podridão de colmo é o conjunto de doenças que colonizam os tecidos internos do colmo, principalmente a medula, e que avançam sobretudo após o florescimento e durante o enchimento de grãos. 

Impacto no fim do ciclo 

As podridões de colmo reduzem a capacidade de a planta permanecer ereta até a passagem da colhedora. O problema se torna mais visível durante a maturação, quando o colmo perde água e fica mais vulnerável ao vento e chuva.  

Uma lavoura que estava em pé pode apresentar tombamento rápido após ventos fortes ou chuvas intensas. 

O impacto econômico não se limita ao número de plantas doentes. Colmos quebrados deixam espigas abaixo da altura de corte, aumentam as perdas na plataforma e reduzem a velocidade operacional.A situação pode piorar quando a colheita é adiada para reduzir a umidade do grão. 

Estresse e canibalização do colmo 

Durante o enchimento de grãos, a espiga funciona como um forte dreno de fotoassimilados. Se a área foliar não produzir fotoassimilados suficientes, a planta mobiliza reservas acumuladas no colmo.  

Esse processo fisiológico, muitas vezes chamado de canibalização, reduz a densidade e a resistência da medula e favorece sua colonização pelos fungos. 

Seca ou excesso de umidade no solo, calor intenso, nebulosidade prolongada, desfolha por pragas, doenças foliares, danos radiculares, população excessiva e desequilíbrio nutricional podem ampliar essa mobilização, sobretudo após a polinização.  

Os fungos aproveitam tecidos enfraquecidos ou feridos e representam mais um dos componentes do problema.  

Diferenças entre as principais podridões de colmo no milho 

A coloração interna ajuda na triagem, mas deve ser associada aos sinais externos, como picnídios, peritécios e lesões no colmo.   

Os tons variam conforme o híbrido, o estágio de decomposição e a ocorrência de infecções simultâneas. A confirmação pode exigir diagnóstico em laboratório de fitopatologia. 

Doença (agente causal) Coloração interna do colmo Sinais e sintomas no colmo Condições favoráveis 
Fusariose do colmo (F. verticillioides e outras espécies) Esbranquiçada a rosada, salmão ou avermelhada Medula desintegrada, com feixes vasculares aparentes; sem sinal externo característico, o que leva o diagnóstico a ocorrer por exclusão das demais podridões Estresse hídrico ou nutricional, calor e ferimentos causados por insetos e nematoides durante o enchimento de grãos 
Giberela do colmo (F. graminearum) Rosa a avermelhada Medula desintegrada; peritécios pretos, pequenos e arredondados na superfície da casca, próximos aos nós, que se soltam ao raspar com a unha; pode estar associada à podridão de espiga Temperaturas amenas e alta umidade, com maior severidade em plantas estressadas após o pendoamento; importância regional variável 
Diplodia (S. maydis ou S. macrospora) Castanha a marrom Medula desintegrada, restando os feixes vasculares; picnídios pretos imersos na casca dos entrenós inferiores, que não se soltam ao raspar; em tempo úmido, pode surgir micélio branco Restos de milho infectados, monocultura de milho e tempo quente e chuvoso nas semanas seguintes ao florescimento 
Antracnose do colmo (C. graminicola) Marrom-escura a negra Lesões inicialmente encharcadas que evoluem para manchas negras e brilhantes na casca, em geral após o pendoamento; colmo frágil e quebradiço; pode ocorrer morte prematura da porção superior da planta Tempo quente e úmido, restos infectados, monocultura de milho, alta densidade de plantas, híbrido suscetível e ferimentos por insetos 

Fusariose e giberela 

Fusarium verticillioides é frequentemente associado a podridões de colmo e espiga e pode produzir fumonisinas em grãos infectados. F. graminearum, cuja fase sexuada é denominada Gibberella zeae, pode produzir zearalenona e desoxinivalenol em condições favoráveis.  

No campo, a fusariose não apresenta sinal externo característico e costuma ser identificada por exclusão das demais podridões. Na giberela, a medula rosa a avermelhada pode vir acompanhada de peritécios pretos e superficiais próximos aos nós, que se soltam ao raspar. 

Diplodia e antracnose 

Na podridão por Stenocarpella, os picnídios preto concentrados próximos aos nós inferiores, ajudam no reconhecimento: diferentemente dos peritécios da giberela, eles não se soltam quando raspados.  

Colmo de milho cortado ao meio, com tecido interno desfeito e escurecido na região do nó

A doença é favorecida pela permanência de restos de milho infectados, pela monocultura e por tempo quente e chuvoso nas semanas seguintes ao florescimento.  

Na antracnose, as lesões negras e brilhantes são o sintoma característico, mas é preciso diferenciá-las de danos mecânicos e de bolores secundários: as lesões da antracnose estão no tecido da casca e não se removem ao raspar. 

Como monitorar antes da colheita 

Quando começar 

Inicie as avaliações no final do enchimento de grãos e intensifique à medida que a lavoura se aproxima da colheita especialmente em talhões que sofreram seca, calor, granizo, ataque pragas como lagartas e brocas, doenças foliares, deficiência nutricional ou acamamento. Repita a inspeção após ventos e chuvas, pois a capacidade de sustentação pode mudar rapidamente. 

Agrupe as áreas em talhões homogêneos por híbrido, data de plantio, população, ambiente e histórico. O objetivo é identificar áreas que precisam entrar primeiro na colheita. 

Teste da compressão 

Aperte com o polegar e o indicador os dois entrenós inferiores, logo acima das raízes adventícias. Colmos sadios oferecem resistência. Quando o entrenó amassa ou colapsa com facilidade, registre a planta como comprometida.  

Abra longitudinalmente algumas plantas reprovadas para verificar a medula, a coloração e os sinais do patógeno. 

Teste do empurrão 

O teste do empurrão avalia a capacidade de a planta retornar à posição vertical. O método a seguir segue a recomendação da Iowa State University Extension and Outreach. 

Teste do empurrão: método prático das 100 plantas 

  1. Escolha 5 pontos representativos distribuídos pelo talhão e avalie 20 plantas em sequência em cada ponto, totalizando 100 plantas. 
  1. Na altura do ombro, empurre cada planta cerca de 30 graus em relação à vertical. Não force a ponto de quebrar um colmo sadio. 
  1. Considere falha quando o colmo vinca ou quebra, ou quando a planta não retorna à posição vertical. Se mais de 10 plantas falharem nos testes de compressão ou do empurrão, coloque o talhão entre as prioridades de colheita. 

Como interpretar o resultado 

Mais de 10% de plantas que quebram, cedem à compressão ou não retornam à posição vertical indica risco relevante de acamamento. Esse valor orienta a priorização da colheita e não constitui critério para aplicação de defensivos.  

Considere também previsão de vento e chuva, umidade dos grãos, capacidade de secagem, regulagem da colhedora e extensão das reboleiras. 

Se o risco de tombamento for alto, avalie colher mais cedo, mesmo com maior necessidade de secagem. A decisão econômica deve comparar o custo adicional de secagem com o risco de deixar espigas no campo, de aumentar a incidência de grãos ardidos ou perder velocidade e rendimento durante a operação. 

Manejo integrado para prevenção 

Escolha do híbrido e população 

Use híbridos adaptados à região, com resistência às podridões de colmo, boa sanidade foliar, qualidade de colmo e tolerância ao acamamento. Ajuste a população ao potencial do ambiente, à disponibilidade hídrica e à arquitetura do material. Populações acima da capacidade do talhão intensificam a competição por luz, água e nutrientes e podem resultar em colmos mais finos. 

Esse critério vale para os diferentes tipos de milho, como o milho para grãos, o milho-doce e o milho-pipoca. Em todos eles, a escolha do material deve considerar sanidade, qualidade de colmo, qualidade industrial e comportamento no ambiente de produção. 

Nutrição equilibrada 

O equilíbrio entre nitrogênio e potássio merece atenção. Nitrogênio em excesso, sobretudo quando o suprimento de potássio ou de água é insuficiente, pode ampliar o crescimento vegetativo sem que a estrutura do colmo acompanhe esse crescimento. O potássio participa da regulação hídrica e do transporte de fotoassimilados; o baixo suprimento de potássio em relação ao nitrogênio é citado como fator predisponente às podridões de colmo. 

Não use uma relação N/K (nitrogênio/potássio) fixa para todas as áreas. Baseie a adubação em análise de solo, expectativa de produtividade, extração do híbrido, histórico, textura, matéria orgânica e recomendação regional.  

O manejo do solo também deve reduzir compactação e favorecer o crescimento radicular e a absorção de água e nutrientes. 

Proteção da área foliar 

Manter folhas funcionais durante o enchimento de grãos reduz a necessidade de mobilizar reservas do colmo. Isso envolve híbrido adaptado, rotação, monitoramento e manejo integrado de doenças do milho e pragas.  

Fungicidas foliares devem ser usados apenas para alvos registrados, conforme registro no MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária), risco, momento de aplicação, rótulo, bula e orientação agronômica. 

Entretanto, uma aplicação tardia não recompõe medula desintegrada nem elimina fungos já estabelecidos no interior do colmo. 

Rotação e restos culturais 

Restos culturais podem manter inóculo de Stenocarpella, Colletotrichum e outros agentes patogênicos ativos na área. A rotação de culturas reduz o inóculo de patógenos mais associados aos restos culturais de milho, como Stenocarpella spp. e Colletotrichum spp., mas tem efeito limitado sobre espécies de Fusarium, que apresentam ampla gama de hospedeiros. 

No plantio direto, em que os restos permanecem na superfície, a rotação com culturas não hospedeiras se torna ainda mais importante. 

Sementes, pragas e ferimentos 

Use sementes certificadas, de procedência conhecida e com qualidade sanitária e faça o tratamento conforme os alvos e produtos registrados. Controle pragas que lesionam colmo e espiga com base no monitoramento e no nível de ação. Ferimentos por pragas, nematoides, granizo e operações mecânicas podem facilitar a colonização por fungos. 

Micotoxinas e qualidade dos grãos 

As podridões de espiga associadas aos agentes de podridão de colmo aumentam a incidência de grãos ardidos, o que reduz o valor comercial do lote. Além disso, algumas espécies de Fusarium podem produzir micotoxinas nos grãos.  

A ocorrência depende da espécie, do isolado, do ambiente, do teor de água dos grãos e das condições de armazenamento. A infecção dos grãos começa ainda no campo, principalmente durante a maturação. 

Lotes suspeitos devem ser amostrados e analisados em laboratório. Evite retardar a colheita e não colha espigas de plantas acamadas em contato com o solo.  

Checklist para o pré-colheita 

  1. Separar os talhões por híbrido, data de plantio, população, ambiente e histórico de estresse. 
  1. Avaliar no mínimo 100 plantas por talhão, distribuídas em 5 pontos representativos. 
  1. Combinar o teste de compressão, o teste do empurrão e a abertura longitudinal dos colmos. 
  1. Registrar percentuais de falha, reboleiras, presença de picnídios ou peritécios, lesões negras na casca, coloração da medula e acamamento. 
  1. Priorizar a colheita dos talhões com mais de 10% de falhas, sobretudo os de maior risco de vento, chuva ou atraso operacional. 
  1. Repetir as avaliações após ventos fortes ou chuvas intensas. 
  1. Revisar regulagem da plataforma, velocidade, altura de corte e capacidade de secagem. 
  1. Coletar amostras de grãos para análise laboratorial quando houver sinais de podridão de espiga ou suspeita de micotoxinas. 

A publicação técnica Doenças do milho, da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Milho e Sorgo, reúne informações para identificação e manejo de doenças da cultura. Para defensivos, consulte o registro vigente, o rótulo e a bula, além da recomendação de profissional habilitado. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.  

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Perguntas Frequentes 

1. Qual é a principal causa do tombamento próximo da colheita? 

O tombamento geralmente resulta da combinação entre tecidos enfraquecidos por estresse e degradação causada por fungos. Vento, chuva, população elevada e peso da espiga aumentam o risco. 

2. Como fazer o teste do empurrão? 

Avalie 20 plantas em cada um de 5 pontos do talhão, totalizando 100. Na altura do ombro, empurre cada planta cerca de 30 graus em relação à vertical e registre aquelas cujo colmo vinca ou quebra, ou que não retornam à posição vertical. 

3. O excesso de nitrogênio aumenta o risco de podridão de colmo? 

Pode aumentar a predisposição, sobretudo quando o suprimento de potássio é baixo em relação ao de nitrogênio. Deficiência hídrica, baixa luminosidade e população elevada agravam esse quadro. A adubação deve seguir análise de solo e recomendação regional. 

4. Como diferenciar a fusariose da diplodia? 

A fusariose pode deixar a medula esbranquiçada-rosada a avermelhada, sem sinais externos característicos. Na diplodia, causada por Stenocarpella, a medula fica castanha e surgem picnídios pretos aderidos à casca, próximos aos nós inferiores. Casos duvidosos devem ser confirmados em laboratório. 

5. Fungicida foliar previne a podridão de colmo? 

Pode reduzir i o risco ao prevenir doenças foliares para as quais está registrado. 

6. Quando antecipar a colheita? 

Quando mais de 10% das plantas falharem nos testes de compressão ou do empurrão, o talhão deve ganhar prioridade. A decisão final inclui clima, umidade de grãos, secagem e capacidade operacional. 

7. Podridão de colmo indica presença de micotoxinas nos grãos? 

Não necessariamente. Algumas espécies de Fusarium podem produzi-las, mas a confirmação exige amostragem e análise laboratorial dos grãos. 

8. A rotação elimina os fungos do colmo? 

Não. A rotação reduz o inóculo de Stenocarpella e Colletotrichum, mas tem efeito limitado sobre Fusarium, que possui ampla gama de hospedeiros. Deve ser combinada com híbrido adaptado, população adequada, nutrição equilibrada, sanidade foliar e manejo de resíduos.