O caroço de algodão encerrou outubro de 2026 em Mato Grosso com preço médio de R$ 718,40 por tonelada, queda de 23,76% em relação ao mesmo mês do ano passado. Na comparação mensal, a cotação recuou 5,54% ante setembro. Os dados são do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). 

A baixa ocorre mesmo com uma produção menor na safra atual em relação à temporada anterior. Segundo o instituto, o volume reduzido não tem sido suficiente para sustentar os preços diante da demanda enfraquecida no estado e do aumento da disponibilidade do coproduto conforme avança o beneficiamento do algodão. 

Caroço de algodão tem oferta maior com avanço do beneficiamento 

Até a sexta-feira considerada no boletim do Imea, 65,62% da produção da safra 2025/26 já havia passado pelo beneficiamento. Essa etapa separa a fibra dos demais componentes da matéria-prima e disponibiliza o caroço para comercialização. Com uma parcela maior da safra processada, cresce o volume do coproduto que pode chegar ao mercado estadual. 

O avanço do beneficiamento ajuda a explicar a pressão no curto prazo, mas não atua isoladamente. A formação de preço também depende da procura dos compradores. No cenário descrito pelo Imea, a oferta que chega ao mercado não encontra uma demanda forte o bastante para absorvê-la sem pressionar as cotações. 

Indicadores destacados pelo Imea para outubro de 2026: 

  • Preço médio: R$ 718,40 por tonelada. 
  • Variação mensal: queda de 5,54% em relação a setembro. 
  • Variação anual: recuo de 23,76% ante outubro de 2025, quando a média foi de R$ 942,23 por tonelada. 
  • Beneficiamento: 65,62% da produção da safra 2025/26 já havia sido processada até a data de referência do boletim. 

Demanda fraca limita sustentação das cotações 

A comparação entre as safras evidencia um descompasso entre produção e demanda. Embora a temporada atual tenha volume menor que a anterior, a procura pelo caroço em Mato Grosso perdeu força ao longo de 2026. Assim, a redução da oferta total não compensou a menor disposição de compra apontada pelo instituto. 

Esse cenário mostra por que uma safra menor não leva automaticamente a preços mais altos. O efeito depende do equilíbrio entre o produto disponível para venda e o ritmo de aquisição dos compradores. Quando a demanda recua e o beneficiamento segue liberando material, o mercado pode continuar pressionado mesmo com menor produção total. 

A cotação de outubro também ficou R$ 223,83 por tonelada abaixo da média observada no mesmo mês de 2025. Essa diferença ilustra a dimensão da retração anual, enquanto a queda mensal mostra que a pressão persistiu na passagem de setembro para outubro. 

Imea não vê sinais claros de recuperação no curto prazo 

Para os próximos meses, o Imea não identifica sinais claros de retomada da procura e avalia que os preços tendem a permanecer pressionados, sem espaço para valorizações expressivas. O instituto acrescenta que esse comportamento é compatível com o padrão sazonal observado em períodos de condições semelhantes de demanda no estado. 

A referência à sazonalidade ajuda a situar o movimento atual, mas não significa que a trajetória esteja determinada. Uma reação dependeria de mudanças nas condições de compra e venda; o boletim citado, porém, não aponta evidências de que essa virada esteja próxima. 

No acompanhamento do mercado, os próximos dados sobre o ritmo de beneficiamento e a demanda serão importantes para avaliar se a oferta continuará avançando mais rapidamente que as compras. Até que apareçam sinais de maior procura, a leitura do Imea é de continuidade da pressão sobre as cotações do caroço de algodão em Mato Grosso.