A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil deve alcançar 38,42 milhões de toneladas na safra 2026/27, queda de 5% em relação ao ciclo anterior, segundo estimativa da Datagro divulgada nesta segunda-feira (26). A revisão combina os efeitos das chuvas sobre a colheita e a moagem com uma menor participação do açúcar na destinação da cana processada.
A nova projeção fica 2,56 milhões de toneladas abaixo dos 40,98 milhões previstos pela consultoria em maio. Na avaliação apresentada pela Datagro, as precipitações associadas ao El Niño dificultaram o andamento da safra na principal região produtora de açúcar do país.
Produção de açúcar recua apesar de maior volume de cana
A redução esperada na fabricação de açúcar ocorre mesmo com a previsão de crescimento da safra de cana. A Datagro estima 640,5 milhões de toneladas no Centro-Sul, aumento de 4,8% sobre a temporada anterior. Em maio, a expectativa era de 642,2 milhões de toneladas.
Parte da diferença entre os dois produtos está no chamado mix de produção, a proporção da cana destinada a açúcar ou etanol. A parcela direcionada ao açúcar deve diminuir de 50,4% na safra passada para 46,7% em 2026/27. Com isso, uma parcela maior da matéria-prima será utilizada na produção do biocombustível.
As principais estimativas da consultoria para o Centro-Sul são:
- Açúcar: 38,42 milhões de toneladas, com queda anual de 5%.
- Cana-de-açúcar: 640,5 milhões de toneladas, alta de 4,8%.
- Etanol de cana e milho: 37,2 bilhões de litros, avanço de 10,4%.
Chuvas podem estender a moagem até dezembro
Durante a apresentação das projeções, o presidente da Datagro, Plinio Nastari, informou que as chuvas provocaram a perda de 28,6 dias de operação, ante uma média histórica de 13,6 dias. Segundo o consultor, o tempo perdido equivale a cerca de 50 milhões de toneladas de cana que deixaram de ser processadas no período.
Para recuperar parte do atraso, algumas usinas planejam manter a moagem até a segunda quinzena de dezembro. O prolongamento dos trabalhos, porém, não deve eliminar todo o volume remanescente: a consultoria projeta 34 milhões de toneladas de cana bisada em 31 de março de 2027, isto é, matéria-prima que ficará no campo para processamento na temporada seguinte.
Até 1º de outubro, a moagem acumulada no Centro-Sul somava 482,3 milhões de toneladas, recuo de 1,6% na comparação anual. O volume foi apresentado por Nastari com base em dados compilados pelo Ministério da Agricultura.
A Datagro ainda não apresentou uma estimativa para a safra 2027/28. Segundo a consultoria, a definição do cenário dependerá da evolução do clima e dos preços das commodities.
Etanol deve crescer, mas projeção também foi reduzida
A produção total de etanol de cana e milho deve atingir 37,2 bilhões de litros na safra 2026/27, crescimento de 10,4% em relação ao ciclo anterior. A expansão prevista resulta da maior destinação de cana ao biocombustível e do avanço da indústria de etanol de milho.
Apesar da alta anual, a estimativa ficou abaixo dos 38,61 bilhões de litros projetados em maio. A revisão representa uma redução de 1,41 bilhão de litros em relação à expectativa inicial.
No segmento de milho, a Datagro prevê a fabricação de 10,15 bilhões de litros, também com crescimento anual de 10,4%. Segundo Nastari, esse avanço é menor do que o previsto inicialmente.
Mercado mundial pode registrar déficit de açúcar
Além da revisão brasileira, a Datagro projeta um déficit global de açúcar de 3,92 milhões de toneladas, em equivalente de açúcar bruto, no ano mundial 2026/27, que vai de outubro a setembro. O resultado contrasta com o superávit de 730 mil toneladas estimado para o ciclo anterior.
Na União Europeia, a consultoria prevê que a produção de açúcar branco recue cerca de 4 milhões de toneladas, para 12,7 milhões, em razão da redução da área plantada. Nesse cenário, as importações do bloco poderiam alcançar 3 milhões de toneladas.
A China apresenta uma dinâmica diferente. A produção deve superar 13 milhões de toneladas tanto em 2025/26 quanto em 2026/27, ante 11 milhões em 2024/25. Com maior oferta doméstica, as importações chinesas devem cair para 2,7 milhões de toneladas em 2026/27, metade do volume registrado em 2021/22.
A consultoria também aponta estagnação do consumo mundial e enfraquecimento dos embarques brasileiros. Assim, a expectativa de déficit global convive com uma demanda importadora menor em mercados relevantes, como o chinês.
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