Os mercados agrícolas tiveram movimentos distintos na semana encerrada na sexta-feira (23). A soja e o milho recuaram em Chicago, pressionados pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pela liquidação de posições de fundos. A demanda chinesa limitou as perdas da soja, enquanto algodão e arroz ficaram perto da estabilidade. Café, trigo, açúcar e etanol também registraram variações influenciadas por oferta, clima e condições de comercialização. 

Mercados agrícolas: soja e milho sentem pressão da oferta 

O contrato de primeiro vencimento da soja em Chicago caiu 0,4% na semana. O avanço da colheita nos Estados Unidos, o ritmo de plantio acima da média histórica em importantes estados brasileiros e a redução de posições compradas por fundos pesaram sobre as cotações. 

A demanda chinesa por soja norte-americana ofereceu algum suporte. As vendas semanais reportadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) superaram 1 milhão de toneladas, e outras duas vendas avulsas foram anunciadas durante a semana. O movimento, porém, não compensou as perdas acumuladas. No Brasil, a comercialização permaneceu lenta, em meio à pressão sobre os preços internos. 

No milho, a queda em Chicago foi mais acentuada: 3,8% no contrato de primeiro vencimento. A liquidação de posições por fundos e a perspectiva de maior oferta nos Estados Unidos, reforçada pelo avanço da colheita, mantiveram o mercado pressionado. No Brasil, os preços recuaram na B3 e no mercado físico, enquanto a comercialização seguiu lenta. 

Na Argentina, o plantio avança em ritmo acelerado, acima da média dos últimos anos, embora com diferenças entre regiões. Segundo a Bolsa de Cereales de Buenos Aires, as condições das lavouras e a disponibilidade de água sustentam perspectivas positivas para o início da safra. 

Principais movimentos dos grãos na semana

  • Soja: queda de 0,4% em Chicago; demanda chinesa limitou as perdas. 
  • Milho: recuo de 3,8% em Chicago; oferta nos Estados Unidos e liquidação de posições pressionaram as cotações. 

Algodão fica estável; arroz tem baixa liquidez 

O contrato dezembro de 2026 do algodão na ICE encerrou a semana a 80,2 centavos de dólar por libra-peso, praticamente estável. O mercado acompanhou a colheita nos Estados Unidos, que se aproxima da metade da área, e as condições desfavoráveis das lavouras em estados produtores. Esses fatores alimentam a expectativa de revisão da taxa de abandono no próximo relatório do USDA. 

Na China, as importações de algodão somaram 50 mil toneladas em setembro, o menor volume para o mês desde a safra 2015/16. No acumulado de agosto e setembro do ciclo 2026/27, as compras ficaram 24% abaixo das registradas no mesmo período da temporada anterior. Os leilões de estoques da reserva estatal movimentaram mais de 400 mil toneladas. 

No mercado brasileiro de arroz, o Indicador Cepea encerrou a terceira semana de outubro a R$ 81,92 por saca de 50 quilos, queda de 0,2%. A baixa liquidez e a retenção de oferta por produtores gaúchos mantiveram as negociações lentas. Propostas de exportação nos portos, entre R$ 89 e R$ 90 por saca, deram sustentação aos preços, mas a cautela das indústrias e a concorrência do Mercosul limitaram os negócios. 

O ambiente de crédito também afeta as negociações. Segundo a Federarroz, a migração de cédulas rurais de penhor para alienação fiduciária da safra levou indústrias e tradings a exigir certidões de ônus cartoriais, o que pode dificultar a movimentação de estoques no curto prazo. 

Café tem alta do arábica e queda do robusta 

Os contratos de referência de café tiveram direções opostas. O arábica para dezembro de 2026 subiu 0,6%, para 307,45 centavos de dólar por libra-peso. O robusta para janeiro de 2027 recuou 4,8%, a US$ 3.242 por tonelada. 

Os estoques certificados de arábica na ICE de Nova York permanecem reduzidos. Para o robusta, a oferta brasileira disponível para exportação e a proximidade da colheita no Vietnã influenciaram as expectativas de abastecimento. 

No Brasil, o excesso de umidade e as chuvas nas regiões produtoras preocupam cafeicultores. Relatos de campo apontam menor vigor da segunda florada em relação ao esperado, ocorrência acima do normal de frutos mumificados e episódios pontuais de granizo. Esses fatores aumentam as incertezas sobre o potencial da safra 2027/28. 

Na Indonésia, a falta de chuvas antes da florada também está no radar do setor. A continuidade do tempo seco pode afetar o florescimento e a produção futura do país, importante fornecedor global de robusta. 

Trigo cai com ampla oferta global e perda de qualidade no Brasil 

As cotações internacionais do trigo recuaram ao longo da semana, pressionadas pela ampla oferta global, pela liquidação de posições especulativas e pela fraqueza de mercados próximos, como o milho. Nos Estados Unidos, condições climáticas favoráveis às lavouras e indicadores de exportação abaixo das expectativas também contribuíram para as perdas. 

Na América do Sul, a Bolsa de Comércio de Rosário elevou sua estimativa de produção argentina para 23,8 milhões de toneladas. No Brasil, o excesso de chuva durante a maturação e a colheita prejudicou a qualidade industrial dos grãos e reduziu a disponibilidade de trigo com padrão de panificação. Entidades do setor projetam necessidade de importações acima das estimativas vigentes para atender ao abastecimento nacional. 

A queda das cotações internacionais, combinada à valorização do real, pressionou os preços domésticos e reduziu o prêmio local por qualidade. 

Açúcar recua em Nova York; etanol sobe nas usinas paulistas 

O açúcar bruto para março de 2027 encerrou a semana a 20,24 centavos de dólar por libra-peso, queda de 2,9% em relação à semana anterior. O recuo ocorreu após a valorização registrada nas semanas anteriores, em um movimento de realização de lucros. 

No Brasil, usinas aproveitaram a recuperação recente das cotações para antecipar fixações de vendas da safra 2027/28 e reduzir a exposição a possíveis baixas. Na Índia, o governo restringiu o uso de matérias-primas da cana para produção de etanol no ciclo global 2026/27, priorizando o abastecimento interno de açúcar. 

Já os preços do etanol nas usinas paulistas subiram na semana até 23 de outubro. O anidro avançou 10,1%, para R$ 3,39 por litro, e o hidratado teve alta de 1,9%, a R$ 2,74 por litro. As chuvas no Centro-Sul dificultaram a colheita e a moagem da cana, limitando a oferta imediata do biocombustível. 

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