O processamento de soja segue em ritmo forte no Brasil em 2026. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o esmagamento acumulado do grão cresceu 7,7% até junho. Esse avanço da indústria nacional também impulsionou a demanda externa: a projeção para as exportações de farelo de soja foi elevada para 25,3 milhões de toneladas.
Produção de soja segue alinhada às estimativas da Conab
A produção brasileira de soja em grão está estimada em 180,4 milhões de toneladas para 2026, segundo a Abiove. O número acompanha, portanto, o levantamento oficial divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Para as exportações do grão, a expectativa é de 115,4 milhões de toneladas ao longo do ano. Já o volume destinado à indústria interna deve somar 63,3 milhões de toneladas processadas em 2026. As importações, por sua vez, devem ficar em torno de 900 mil toneladas, um patamar considerado marginal diante do tamanho da produção nacional.
Farelo de soja concentra a principal revisão da Abiove
Entre os derivados da soja, o farelo recebeu uma das revisões mais relevantes do levantamento. A produção do subproduto está projetada em 48,7 milhões de toneladas. As exportações, por outro lado, foram ajustadas para 25,3 milhões de toneladas, número que representa alta de 1,6% em relação à estimativa anterior.
Para Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, a revisão reflete o ritmo consistente do processamento nacional e a demanda externa aquecida pelo farelo. Segundo ele, o crescimento do esmagamento acumulado também mostra a capacidade operacional e a competitividade da indústria brasileira no cenário internacional.
Óleo de soja mantém projeção estável
Diferentemente do farelo, o óleo de soja não teve revisão relevante nas estimativas. A Abiove prevê produção de 12,7 milhões de toneladas em 2026. Os embarques ao mercado externo devem somar 1,7 milhão de toneladas, enquanto as importações são estimadas em 125 mil toneladas.
Esse equilíbrio nas projeções do óleo contrasta com o dinamismo observado no farelo. Ainda assim, ambos os subprodutos confirmam o mesmo cenário de fundo: uma indústria de esmagamento em expansão, sustentada pela oferta abundante de soja em grão.
Dados mensais confirmam a trajetória de crescimento
Os números mensais reforçam o avanço do processamento na comparação anual. Em junho de 2026, o Brasil processou 4,95 milhões de toneladas de soja. Na comparação com maio, o resultado ficou 5,3% menor. Já frente a junho de 2025, o volume cresceu 7,3%, considerando o ajuste pelo percentual amostral.
No acumulado do primeiro semestre, o processamento total chegou a 28,30 milhões de toneladas. Esse volume é 7,7% superior ao registrado no mesmo período de 2025, também com o ajuste amostral aplicado pela Abiove. Assim, os dados de janeiro a junho confirmam que a indústria brasileira mantém, até aqui, um dos ritmos mais fortes de esmagamento dos últimos anos.
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