Os biodefensivos consolidaram um novo patamar de mercado no Brasil na safra 2025/26. Segundo levantamento da consultoria Kynetec apresentado no III Fórum Bioinsumos no Agro, realizado em São Paulo, o segmento movimentou cerca de R$ 5,3 bilhões no período, com 107 milhões de hectares tratados com esse tipo de tecnologia em todo o país. 

Área tratada cresce muito mais rápido que a lavoura brasileira 

O dado que mais chama atenção no levantamento é o ritmo de expansão da adoção de biológicos em relação ao crescimento da própria área agrícola. Enquanto a área plantada no Brasil avançou entre 3% e 4% ao ano nas últimas cinco safras, a área tratada com defensivos convencionais cresceu 11% no mesmo período — e a área tratada com produtos biológicos superou a marca de 30% de expansão, um ritmo consideravelmente mais acelerado do que o do restante do mercado de defesa vegetal. 

Esse descompasso mostra que o produtor brasileiro não está apenas plantando mais, mas também incorporando os biológicos com mais intensidade nas lavouras já existentes, muitas vezes como complemento aos manejos convencionais. 

Soja segue como principal porta de entrada dos biodefensivos 

Entre as culturas, a soja continua sendo a principal responsável pela adoção de biodefensivos no país. De acordo com os dados apresentados no Fórum, a oleaginosa concentra cerca de metade do mercado considerado pela Kynetec, com mais da metade de sua área total já recebendo algum tipo de tratamento biológico — o equivalente a mais de 58 milhões de hectares. 

Esse protagonismo da soja reforça um movimento observado há alguns anos no setor: a cultura funciona como uma espécie de porta de entrada para os biológicos, servindo de base para a expansão posterior da tecnologia para outras culturas, como milho e algodão. 

Biodefensivos ainda ocupam fatia pequena da defesa vegetal 

Apesar do crescimento expressivo, os biodefensivos seguem representando uma parcela reduzida do total gasto pelos produtores brasileiros com defensivos e inoculantes. Segundo o levantamento, o segmento ocupa hoje algo em torno de 6% desses gastos no país, o que reforça a leitura apresentada durante o Fórum: o mercado brasileiro de bioinsumos já é considerado o maior do mundo em volume de área tratada, mas ainda tem espaço relevante para crescer em participação dentro do mercado total de proteção de cultivos. 

Debate vai além do mercado e chega à regulação 

O crescimento acelerado dos biodefensivos também trouxe à pauta do Fórum discussões que ultrapassam os números de vendas e área tratada. Entre os temas debatidos no encontro estiveram: 

  • Segurança produtiva associada ao uso crescente de biológicos; 
  • Questões geopolíticas ligadas à cadeia de insumos biológicos; 
  • Modelos de distribuição desses produtos no mercado brasileiro; 
  • Propriedade intelectual e regulação do setor. 

A combinação entre expansão acelerada da área tratada e discussões regulatórias ainda em maturação indica que o mercado de biodefensivos deve seguir como um dos temas centrais da agenda de bioinsumos no Brasil nos próximos ciclos. 

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