Estimativa considera redução da primeira safra no Paraná, estoques ajustados e riscos climáticos; valor dependerá da produção, das importações e do comportamento do varejo. 

O preço do feijão pode chegar a R$ 12 por quilo no varejo em fevereiro de 2027, segundo estimativa do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses. A projeção considera uma oferta mais curta, estoques reduzidos e menor intenção de plantio em regiões importantes. 

O valor não é uma previsão garantida para todo o país. Preços ao consumidor variam conforme região, variedade, qualidade, origem, transporte e margem do varejo. A produção das próximas safras também pode alterar o cenário. 

Preço do feijão supera R$ 310 por saca no campo 

Nas últimas semanas, lotes de feijão-carioca foram negociados acima de R$ 310 por saca. O mercado registrou aumentos sucessivos de R$ 10 a R$ 15 em intervalos curtos. 

A valorização reflete uma disponibilidade menor entre o fim da terceira safra e a entrada da produção seguinte. Compradores disputam os lotes de melhor padrão, enquanto os vendedores acompanham a evolução das cotações. 

Qualidade e classificação influenciam diretamente o preço. Cor, umidade, tamanho dos grãos e localização do produto podem gerar diferenças relevantes entre as negociações. 

Estoques menores reduzem a oferta na entressafra 

A terceira safra costuma reforçar o abastecimento entre junho e agosto. Em 2026, porém, parte dos produtores vendeu o produto rapidamente para aproveitar os preços mais altos. 

A estratégia reduziu o volume mantido em armazéns. Guardar feijão envolve custos e risco de perda de qualidade, especialmente quando há variação de umidade ou controle inadequado de pragas. 

Com menos produto disponível em setembro, o mercado iniciou a transição para 2027 com uma reserva menor. Essa condição aumenta a sensibilidade dos preços a qualquer problema de produção. 

Área da primeira safra deve recuar no Paraná 

O Paraná deve reduzir novamente a área da primeira safra de feijão. Projeções do Departamento de Economia Rural indicam um cultivo próximo de 90 mil hectares, abaixo dos cerca de 104 mil hectares do ciclo anterior. 

Se confirmada, será uma das menores áreas estaduais dos últimos anos. A produção final dependerá da produtividade, que pode compensar ou ampliar o efeito da redução do plantio. 

O estado tem peso relevante no abastecimento nacional. Por isso, mudanças na área e no rendimento das lavouras paranaenses influenciam as expectativas de oferta e preço. 

Soja disputa espaço com o feijão no verão 

Mesmo com o feijão valorizado, muitos agricultores preferem plantar soja. A oleaginosa tem mercado mais amplo, maior liquidez e, em várias propriedades, risco comercial considerado menor. 

A comparação não envolve apenas o preço de uma saca. O produtor avalia custo por hectare, produtividade esperada, risco climático, facilidade de venda e possibilidade de contratar a produção antecipadamente. 

O feijão possui ciclo curto e pode gerar receita em menos tempo. Em contrapartida, é sensível à chuva na colheita e apresenta oscilações de preço mais rápidas. 

Por que a cotação alta não garante aumento do plantio 

O preço elevado no momento da decisão não assegura o mesmo valor na colheita. Como o feijão reage rapidamente a mudanças na oferta, uma expansão simultânea da área pode derrubar as cotações quando o produto chegar ao mercado. 

Além disso, problemas climáticos podem reduzir a qualidade e direcionar os lotes para faixas inferiores de preço. A falta de seguro rural adequado amplia a exposição financeira do produtor. 

Entre os fatores avaliados antes do plantio estão: 

  • Custo de produção e necessidade de crédito; 
  • Preço esperado no momento da colheita; 
  • Risco de chuva, calor ou falta de água; 
  • Rentabilidade de soja, milho e outras culturas concorrentes. 

El Niño aumenta risco para a safra 2026/27 

O fortalecimento do El Niño adiciona incerteza ao início do ciclo. As projeções climáticas indicam maior probabilidade de chuva acima da média no Sul e precipitações irregulares em partes do Brasil Central. 

No Paraná, excesso de chuva pode atrasar o plantio e dificultar operações no campo. Durante a colheita, a umidade elevada pode afetar a cor e a qualidade comercial dos grãos. 

Em áreas de sequeiro de outras regiões, calor e períodos sem chuva podem prejudicar germinação, florescimento e formação das vagens. Os efeitos dependerão da distribuição das precipitações ao longo do ciclo. 

Oferta nacional depende de três safras 

O Brasil produz feijão em três épocas do ano. Essa distribuição reduz a dependência de uma única colheita, mas não elimina períodos de oferta apertada entre os ciclos. 

A primeira safra abastece o mercado no começo do ano. A segunda amplia a disponibilidade no primeiro semestre, enquanto a terceira ajuda a formar a oferta durante o inverno e o início da primavera. 

Quando duas etapas apresentam menor área ou perdas de produtividade, os estoques diminuem e os preços ficam mais expostos a altas. A reação do mercado pode ocorrer antes mesmo da colheita seguinte. 

Feijão-preto e caupi têm capacidade limitada de substituição 

A troca do feijão-carioca por outras variedades pode reduzir parte da pressão sobre o orçamento das famílias. Porém, essa substituição depende de hábitos regionais, disponibilidade e preço. 

O feijão-caupi tem produção concentrada no Norte e no Nordeste e oferta menor em outras regiões. Já o feijão-preto também passou por períodos de baixa rentabilidade e redução do interesse pelo plantio. 

As importações, principalmente de países do Mercosul, podem complementar o abastecimento. Entretanto, câmbio, frete, qualidade e disponibilidade externa limitam o efeito dessas compras. 

R$ 12 por quilo é uma estimativa, não um preço definido 

A projeção de R$ 12 por quilo considera um cenário de oferta restrita entre fevereiro e maio de 2027. O valor poderá mudar se a produtividade superar as expectativas ou se houver aumento das importações. 

Também existe diferença entre a cotação recebida pelo produtor e o preço encontrado no varejo. Beneficiamento, embalagem, transporte, perdas, tributos e margens comerciais fazem parte da formação do valor final. 

Por isso, o preço poderá variar entre cidades, marcas, tipos e estabelecimentos. O número deve ser entendido como uma referência de risco para o abastecimento, e não como tabela nacional. 

Próximos levantamentos indicarão o tamanho da oferta 

O mercado acompanhará a confirmação da área plantada, o avanço da semeadura e as condições das lavouras. Esses dados ajudarão a estimar quanto feijão chegará ao mercado no início de 2027. 

A evolução dos estoques e das importações também será determinante. Se a oferta aumentar, a pressão pode diminuir antes do período previsto. Se houver perdas climáticas, as cotações podem permanecer elevadas por mais tempo. 

Até lá, a combinação entre área menor, estoques ajustados e risco climático mantém a atenção sobre o abastecimento e sobre o preço pago pelo consumidor. 

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