Com o avanço das colheitadeiras pelo Brasil, a safra de milho verão 2025/26 entra em sua reta final, consolidando um ciclo marcado por um manejo rigoroso. Mesmo diante dos desafios climáticos e fitossanitários da temporada, o mercado agora segue atento ao fechamento da safra e dos seus resultados.
Entenda, neste conteúdo, as últimas atualizações da temporada para decidir o planejamento da sua próxima safra. Continue a leitura!
Um panorama da safra de milho verão 2025/26
Com o milho verão entrando em fase de maturação, o agronegócio brasileiro volta sua atenção para a cultura, com expectativas de crescimento moderado frente ao ciclo anterior.
Segundo projeções do 5º Levantamento da Conab, de fevereiro de 2026, a produção de milho verão está prevista para 26,7 milhões de toneladas, um incremento de 7,1% sobre a temporada anterior.
Já a área plantada está estimada em um pouco mais de 4 milhões de hectares, um aumento de 7,2% em comparação com a temporada anterior.
Apesar da produção maior, a produtividade média nacional recuou 1,5%, saindo de 4.310 kg/ha para 4.244 kg/ha, em razão de veranicos isolados e janelas de chuvas irregulares em alguns estados.
No entanto, o desenvolvimento das lavouras foi considerado muito positivo em boa parte dos maiores produtores de milho do Brasil, como o Paraná, e a colheita do milho de primeira safra segue avançando.
No cenário de preços, o momento é de reação. Após um período de quedas que levou o Indicador Cepea para a casa dos R$ 65,00 em janeiro, o mercado iniciou fevereiro com maior firmeza.
Em fevereiro de 2026, o indicador fechou acima dos R$ 68 por saca, refletindo a reposição de estoques por parte das indústrias e o mercado interno mais aquecido. E a tendência é de continuidade da alta.

Clima segue favorável para a colheita do milho de primeira safra
O clima em fevereiro de 2026 tem sido decisivo para a colheita do milho verão. De acordo com o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), colheita tem sido favorecida por janelas de estiagem.
No Rio Grande do Sul, a colheita já atingiu quase 50% da área, demonstrando um bom ritmo operacional. Porém o mesmo não se pode dizer das lavouras plantadas mais tardiamente na região.
Essa mesma ausência de chuva que ajuda as máquinas a avançarem com a colheita do milho de primeira safra, as áreas de plantio tardio enfrentam episódios de estiagem e podem ter o teto produtivo limitado.

Já nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, o desafio é térmico. Com temperaturas atingindo a casa dos 40°C, a atenção está focada nas lavouras em estágio de enchimento de grãos.
Embora a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) tenha favorecido a reserva hídrica do solo, o calor excessivo pode levar a perdas de peso nos grãos em Estados como Minas Gerais e Goiás.
Além disso, no Sudeste o desafio foi a falta de janelas de trabalho. As chuvas frequentes, combinadas com o excesso de nebulosidade e a baixa radiação solar em janeiro, dificultaram a entrada das máquinas e podem atrasar a janela de plantio da segunda safra em Minas Gerais e São Paulo.
Já para quem olha para a safrinha na região Centro-Oeste e Sul, o prognóstico é animador. Os níveis de umidade do solo acima de 70% devem garantir um bom estabelecimento inicial das lavouras.

Transição do La Niña acende alerta para o final do ciclo
E para os próximos meses, como fica o clima? O cenário ainda é de mudança. Conforme o boletim de fevereiro de 2026 da NOAA, o La Niña está em fase de enfraquecimento e transição para a neutralidade climática.
Para o milho verão que entra em fase de colheita, a neutralidade traz um ambiente mais controlado, mas exige monitoramento constante para as áreas remanescentes em fase de maturação, principalmente do aspecto fitossanitário.
Historicamente, o La Niña tende a aumentar as chuvas no Norte e Nordeste, enquanto o Sul pode enfrentar estiagem.

Os principais desafios da safra de milho verão na reta final
Com a safra de milho verão caminhando para o seu fechamento, produtores refletem sobre os principais desafios enfrentados e como se preparar para a safrinha.
Preços de insumos
A elevação dos custos de produção impactou diretamente a rentabilidade dos produtores nesta safra, agravada pela pressão cambial. Insumos essenciais, como defensivos agrícolas, sementes e fertilizantes, registraram aumentos nos últimos meses
O aumento dos preços mínimos do milho anunciado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em julho de 2025, foi uma medida importante, mas muitos produtores ainda enfrentam margens apertadas.
A incerteza quanto à evolução dos custos exigiu flexibilidade, e aqueles que conseguiram antecipar a compra de insumos e estão mais bem posicionados.
Manejo de pragas e doenças
O cenário fitossanitário das lavouras de milho na safra 2025/26 apresenta-se, de maneira geral, bastante positivo, com uma pressão de doenças considerada baixa em grande parte do território nacional.
No Centro-Oeste, o destaque fica para o Mato Grosso, no qual as lavouras de segunda safra exibem excelentes condições de desenvolvimento. O estado tem obtido sucesso no manejo da cigarrinha-do-milho, mantendo a integridade produtiva através de um controle eficiente.
Em Goiás, a situação é igualmente favorável, com registros de baixíssima incidência de patógenos até o momento.
Já no Mato Grosso do Sul, o desafio foi predominantemente operacional: embora as chuvas irregulares tenham provocado atrasos em alguns tratos culturais, as aplicações de fungicidas nas áreas mais avançadas seguem o cronograma.

Na região Sul, o monitoramento constante tem sido a principal ferramenta de defesa dos produtores. Em Santa Catarina, apesar da detecção de ocorrências pontuais de pulgões e da presença monitorada da cigarrinha, não há relatos de danos econômicos expressivos ou de doenças com incidência generalizada que fujam à normalidade para o período.
No Paraná, o foco tem sido a manutenção da sanidade nas lavouras, especialmente naquelas que enfrentaram estresse térmico, visando evitar que pragas oportunistas comprometam a fase final de maturação.
Avançando para a região Norte, em estados como Rondônia, o produtor tem mantido a regularidade nas aplicações defensivas e no manejo fitossanitário, o que tem assegurado uma robustez sanitária importante para a garantia da produtividade.
Em suma, a perspectiva revela que, mesmo diante de variações climáticas localizadas, o investimento em tecnologia e o controle preventivo têm sido eficazes em manter as principais pragas e doenças do milho sob controle em todo o país.
Logística e escoamento
A logística de escoamento da safra 2025/26 enfrenta pressão devido ao volume recorde de grãos no país.
O principal gargalo logístico é a disputa por espaço com a soja, que tem produção recorde estimada em 177,98 milhões de toneladas pela Conab. Esse volume de soja, somado ao milho colhido, deve elevar os preços dos fretes rodoviários em fevereiro e março.
Além disso, precipitações frequentes no Norte e Centro dificultam a operacionalidade da retirada dos grãos do campo, impactando o ritmo de chegada aos armazéns.
Especialistas alertam ainda para o déficit de silos e capacidade de armazenagem estática, o que pode forçar vendas imediatas e elevar custos pós-colheita.
Demanda interna e externa mantém perspectivas otimistas para safra de milho verão 2025/26
Apesar dos desafios, a demanda pelo cereal segue sólida. No mercado interno, o setor de proteína animal e a crescente indústria de etanol de milho sustentam um consumo projetado em 94,5 milhões de toneladas.

No mercado externo, as exportações brasileiras de milho devem permanecer robustas ao longo de 2026. O desempenho de janeiro já confirmou essa tendência, com o país embarcando 4,25 milhões de toneladas — volume 18,1% superior ao mesmo mês do ano anterior e 7,8% acima da média das últimas cinco safras.
O Irã consolidou-se como o principal destino do cereal no início do ano, absorvendo quase 29% do total exportado.
Os dados da primeira metade de fevereiro reforçam o ritmo acelerado: a média diária de embarques atingiu 99,26 mil toneladas, um salto de 39,9% em comparação à média de fevereiro de 2025.
Em apenas dez dias úteis, o Brasil já comercializou quase 70% do volume total exportado em todo o mês de fevereiro do ano passado.
O USDA projeta que as exportações de milho devem totalizar mais de 40 milhões de toneladas, reforçando o papel do Brasil como um dos principais players globais.
Para o produtor, a combinação entre essa demanda internacional aquecida e a recente firmeza nas cotações no mercado interno serve como um estímulo estratégico, ajudando a equilibrar as margens diante dos desafios da safra.
Resiliência e oportunidades: o caminho para a safra 2025/26
O fechamento da safra de milho verão 2025/26, apesar de ter exigido estratégia e resiliência para superar os desafios do ciclo, oferece um espaço para a consolidação de ganhos e o fortalecimento do planejamento para a safrinha.
A capacidade de inovação do agricultor brasileiro provou ser, mais uma vez, seu maior trunfo. Produtores que se anteciparam, utilizaram as melhores ferramentas disponíveis e mantiverem o foco no manejo eficiente estão não apenas protegendo sua rentabilidade, mas também se fortalecendo para oportunidades em um mercado em constante evolução.
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