Com o encerramento da colheita da segunda safra de milho em várias regiões do país, os produtores já começam a voltar sua atenção para a próxima etapa do calendário agrícola: a safra de milho verão 2025/26.
Clima, custos de produção e oportunidades, todos esses fatores já começam a desenhar a próxima safra de milho verão no Brasil, que é esperada com um misto de otimismo e cautela pelos produtores.
Entenda, neste conteúdo, o que esperar da próxima temporada, para decidir o planejamento da sua safra com decisões mais assertivas e conscientes.
Um panorama da safra de milho verão 2025/26
O agronegócio brasileiro volta sua atenção para a primeira safra de milho 2025/26, com expectativas de crescimento moderado frente ao ciclo anterior. Segundo projeções recentes da consultoria Datagro, a área plantada do milho verão está estimada em 4 milhões de hectares, um aumento de 4% em comparação com a temporada anterior.
A consultoria estima uma produtividade média de 6.855 kg/ha para a safra 2025/26, superior aos 6.646 kg/ha da safra anterior, o que deve resultar em uma produção de 27,4 milhões de toneladas. Isso representa um aumento de 8% em relação à safra anterior.
No panorama internacional, as projeções reforçam um cenário de ampla oferta global. O Conselho Internacional de Grãos (IGC) elevou sua previsão para a produção mundial de milho em 2025/26 para 1,299 bilhão de toneladas. Já a produção brasileira total é estimada pela USDA em 131 milhões de toneladas, um patamar que mantém o país como um dos principais players do abastecimento mundial.
No entanto, a queda de quase 30% no preço do milho entre março e agosto, apontado pelo Indicador Esalq BM&F Ibovespa, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), gera um cenário de incerteza e que pode desestimular uma expansão do plantio em algumas regiões produtoras.

Em Estados como Minas Gerais, o segundo maior produtor de milho no verão, a cotação da saca em patamares baixos tem feito agricultores considerarem a migração para a soja. Além disso, os custos de produção elevados e a alta volatilidade no preço de insumos, devem pressionar as margens do produtor.
Por outro lado, a demanda sólida tanto interna quanto externa do mercado oferecem um horizonte promissor para a próxima temporada. Cenário esse que é reforçado pelas condições climáticas favoráveis previstas para a safra.
Clima para a safra de milho verão segue favorável para plantio
As previsões climáticas para o plantio do milho verão 2025/26 apontam para um cenário de estabilidade, com expectativa de chuvas regulares a partir de setembro, que devem permitir o cumprimento do calendário agrícola ideal.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o início da temporada deve ser marcado por temperaturas acima da média e predomínio de chuvas próximas à média.
Um padrão típico do período que, desta vez, não apresenta grandes interferências de fenômenos climáticos globais devido à neutralidade do Pacífico Equatorial, reduzindo a probabilidade de eventos extremos no curto prazo e oferecendo um ambiente mais controlado para a fase crítica de estabelecimento da cultura.

Esse contexto oferece previsibilidade e uma janela de plantio dentro do calendário agrícola previsto permitindo que os produtores avancem com o plantio. É o que já acontece na região Sul do Brasil, onde a semeadura do milho verão 2025/26 já se iniciou.
A região Sul destaca-se com as projeções mais otimistas, onde se esperam chuvas acima da média em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, conforme dados do INMET. No entanto, mesmo com um cenário positivo, o risco de geadas tardias em áreas de maior altitude exige monitoramento constante.

Já nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, a previsão de tempo seco e quente predomina, o que demanda atenção redobrada com a umidade do solo e o possível adiamento da semeadura em locais mais dependentes de chuvas regulares.
À medida que a safra avança, a expectativa é de uma gradual estabilização do regime de chuvas, criando condições adequadas para o desenvolvimento inicial das lavouras. Porém, esse cenário pode se alterar com o avanço da safra.
Possível retorno da La Niña acende alerta para as culturas de verão
Com o avanço da safra, uma atenção especial volta-se para a possibilidade de retorno do fenômeno La Niña entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, conforme alertam o Centro de Previsão do Clima dos Estados Unidos (CPC) e a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration).
Caso confirmada, essa transição climática poderá alterar os padrões de precipitação e temperatura no Brasil. No entanto, especialistas ressaltam que os efeitos do La Niña geralmente não são imediatos ou extremamente intensos no primeiro ano, sugerindo uma mudança gradual nas condições.
Historicamente, o La Niña tende a aumentar o volume de chuvas nas regiões Norte e Nordeste, enquanto o Sul pode enfrentar estiagem e temperaturas elevadas. Para o milho verão, em fase de desenvolvimento avançado nesse período, o fenômeno poderia intensificar desafios fitossanitários, como também o estresse hídrico e térmico nas lavouras.

Apesar das incertezas, a previsão de retorno do La Niña ainda não é definitiva, mas serve como um alerta para que produtores revisem seus planos de manejo integrado de pragas e doenças (MIPD).
Alta nos preços também são outro desafio na safra de milho verão 2025/26
A elevação dos custos de produção representa outro desafio para a safra de milho verão 2025/26, impactando diretamente a rentabilidade dos produtores. Esse cenário é agravado, principalmente, em razão da pressão cambial e pela instabilidade no cenário internacional.
Insumos essenciais, como defensivos agrícolas, sementes e fertilizantes registraram aumentos significativos nos últimos meses. Porém, a alta generalizada nos custos dos insumos é apenas um lado da equação que preocupa os produtores.
O outro lado revela que os mecanismos de proteção existentes no país ainda são insuficientes para compensar essa pressão financeira do mercado externo.
O aumento dos preços mínimos do milho anunciado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em julho de 2025, embora seja uma medida de apoio para o produtor, ainda não cobre totalmente a escalada de custos operacionais. E, com isso, muitos produtores avaliam a migração para a soja, cultura que pode oferecer melhores perspectivas de retorno financeiro no curto prazo.
A incerteza quanto à evolução dos custos ao longo da safra exige monitoramento constante e flexibilidade no planejamento. Produtores que conseguirem antecipar a compra de insumos, diversificar fontes de financiamento e adotar tecnologias para ganho de eficiência operacional estarão mais bem posicionados para enfrentar esse cenário desafiador.
Demanda interna e externa mantém perspectivas otimistas para safra de milho verão 2025/26
Apesar dos custos de produção elevados, a demanda pelo milho segue sólida tanto no mercado interno quanto no externo, oferecendo suporte aos preços e incentivando a produção.
No plano doméstico, o setor de proteína animal – incluindo avicultura, suinocultura e bovinocultura – mantém consumo em expansão, puxado pela recuperação do poder de compra da população e pelo aumento das exportações de carne.
Além disso, o mercado de etanol de milho continua em crescimento, diversificando as opções de uso do grão e agregando valor à produção.

No mercado externo, as exportações brasileiras de milho devem permanecer robustas. O USDA projeta que as exportações de milho devem totalizar mais de 40 milhões de toneladas, reforçando o papel do Brasil como um dos principais players globais.
A expectativa de recuperação dos preços ao final do segundo semestre de 2026 também sustenta o interesse pela cultura. Essa projeção é respaldada pelo equilíbrio entre oferta e demanda global, com estoques mundiais ainda ajustados e consumo em crescimento, especialmente em países asiáticos.
Para o produtor, a combinação entre demanda aquecida e possibilidade de melhora nas cotações no médio prazo serve como um estímulo para manter o investimento na cultura, apesar dos desafios imediatos de custos.
Resiliência e oportunidades: o caminho para a safra 2025/26
O início da safra de milho verão 2025/26, apesar de exigir estratégia e resiliência para superar os desafios da nova temporada, especialmente daqueles relacionados aos custos de produção, também oferece espaço para crescimento e consolidação de ganhos.
A capacidade de inovação do agricultor brasileiro será, mais uma vez, seu maior trunfo na próxima safra. Produtores que se anteciparem, utilizarem as melhores ferramentas disponíveis e manterem o foco no manejo eficiente estarão não apenas protegendo sua rentabilidade, mas também se fortalecendo para oportunidades em um mercado em constante evolução.
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