A colheita do milho safrinha 2026 acelerou no principal estado produtor do Brasil e chegou a 60,04% da área plantada em Mato Grosso, segundo levantamento mais recente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado em 10 de julho. O ritmo foi favorecido pela estabilização das condições climáticas nas últimas semanas, com redução da umidade nos grãos e retorno de janelas operacionais em campo.
O avanço reforça a expectativa de uma safra robusta no país. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção total de 140,2 milhões de toneladas de milho considerando as três safras do cereal no ciclo 2025/2026, o que representaria a segunda maior colheita da série histórica. Apenas na segunda safra, a estimativa é de algo próximo a 110 milhões de toneladas.
Mato Grosso puxa o ritmo e algodão começa a colher
Além do milho, o Imea aponta que a colheita do algodão em Mato Grosso chegou a 4,23% da área, dando início ao trabalho nas lavouras da fibra. A sequência entre as duas culturas é típica do calendário do Cerrado e exige planejamento logístico apertado nas fazendas, especialmente em regiões onde o cultivo simultâneo pressiona colhedoras, secadores e a estrutura de armazenagem.
Entre os pontos que ajudam a explicar o ritmo atual da colheita:
- Redução das chuvas nas principais regiões produtoras nas últimas semanas
- Queda gradual da umidade nos grãos, dentro dos padrões comerciais
- Retomada da operação de máquinas em áreas antes inacessíveis
Paraná retoma os trabalhos após período de chuvas
No Paraná, segundo estado produtor de milho segunda safra, o cenário havia sido de atraso pontual por conta do excesso de chuvas e da alta umidade nos grãos, o que forçou muitos produtores a pausar a colheita para evitar perdas de qualidade e problemas de secagem. Com o retorno do sol e a queda da umidade, as máquinas voltaram a operar e o estado tende a acelerar o recolhimento das lavouras remanescentes nas próximas semanas.
Colheita do milho safrinha 2026 abre janela de decisões estratégicas
Com a colheita entrando em sua fase final em várias praças, o produtor entra em um momento crítico para o próximo ciclo. Três decisões pós-colheita costumam definir o desempenho da safra seguinte:
- Manejo de restos culturais: a palhada do milho é um ativo importante para o sistema, mas também pode se tornar refúgio para pragas se manejada sem critério. A qualidade da cobertura influencia diretamente a umidade do solo e o controle de plantas daninhas na soja seguinte.
- Controle da lagarta do cartucho na sucessão: a Spodoptera frugiperda encontra na entressafra uma ponte biológica entre milho e culturas seguintes. Monitoramento precoce e escolha correta de ingredientes ativos evitam que a pressão de praga se traduza em perdas na soja e no próximo milho.
- Escolha de híbridos e tratamento de sementes para 2026/2027: a definição do portfólio para o próximo ciclo começa agora, com atenção à janela de plantio, ao pacote biotecnológico e à proteção inicial da lavoura via tratamento industrial de sementes.
Cenário nacional favorece o mercado, mas atenção ao próximo ciclo
Uma safra próxima da segunda maior da série histórica tende a manter a oferta interna confortável e sustentar o Brasil como protagonista nas exportações de milho. Para o produtor, no entanto, o momento é menos de comemorar volume e mais de olhar para frente: o desempenho da soja 2026/2027 e da próxima safrinha começa a ser construído no campo agora, com as decisões tomadas logo após a colhedora deixar a lavoura.
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