Janeiro marca o início da colheita de soja da safra 2025/26, desenhando o que pode ser um novo recorde produtivo. Mas, o foco agora se divide: além desse período marcar o início da colheita da soja, é preciso planejar o plantio do milho safrinha.
Preparamos uma análise completa, cruzando os mais recentes relatórios da Conab e do USDA, com um panorama regional e as expectativas para a safrinha de milho de 2026. Continue a leitura!
A safra de grãos 2025/26 em números
O mercado iniciou a segunda quinzena de janeiro com números de peso que trazem, ao mesmo tempo, otimismo produtivo e cautela nos preços.
A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), em seu 4º levantamento, projeta a safra brasileira de grãos em 353,1 milhões de toneladas.
Apesar de um leve ajuste negativo mensal devido ao clima irregular em dezembro, o volume representa um crescimento de 0,3% sobre o ciclo anterior.
No front internacional, o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) trouxe dados que divergiram dos brasileiros, mexendo com a volatilidade das bolsas.
Divergências nas projeções para a soja e o milho
Para a soja, o USDA estima uma produção brasileira de 178 milhões de toneladas, apostando em um cenário mais otimista que a Conab, que projeta 176,1 milhões de toneladas.

Essa diferença de quase 2 milhões de toneladas coloca pressão sobre os prêmios de exportação, já que o mundo espera uma oferta robusta.
No milho, a discrepância é ainda mais acentuada.
Enquanto a Conab prevê uma colheita total de 138,8 milhões de toneladas, o USDA trabalha com um número mais conservador, de 131 milhões de toneladas.

O fator China e EUA
Outro ponto de atenção trazido pelo USDA é a produtividade recorde do milho nos Estados Unidos, que elevou os estoques norte-americanos para 2,227 bilhões de bushels, aproximadamente 62,4 milhões de toneladas de milho.
Somado a isso, a China alcançou uma produção histórica de 301,2 milhões de toneladas de milho.
Para o produtor brasileiro, isso sinaliza um mercado internacional mais abastecido e competitivo, exigindo estratégia na comercialização para defender as margens.
A safra de soja 2025/26 e a realidade nos principais Estados produtores
A safra 2025/26 virou a chave. Com o plantio virtualmente finalizado (98,2%), as atenções se voltam para as colheitadeiras. Nacionalmente, 0,6% da área já foi colhida até o dia 10 de janeiro.
O cenário geral é de otimismo e o calor intenso em algumas regiões acelerou o ciclo das lavouras.
Confira o “farol” da colheita nos principais estados:

Mato Grosso
No Mato Grosso a colheita começou cedo. Cerca de 1,7% da área já foi colhida, com destaque para a região médio-norte.
As produtividades iniciais são boas, validando o pacote tecnológico, apesar de a Conab alertar que o rendimento médio final pode ser ligeiramente menor que o da safra passada devido aos estresses iniciais.
Paraná
Seguindo o Mato Grosso, o Estado paranaense iniciou a colheita da soja em janeiro.
Dezembro trouxe chuvas que recuperaram as reservas hídricas, mas o calor intenso no Oeste e Noroeste (acima de 35°C) acendeu o alerta para o abortamento de vagens.
Ainda assim, a maioria das lavouras segue em boas condições, com alto potencial produtivo.
Bahia
Outro Estado que também iniciou a colheita da soja foi a Bahia. No oeste baiano, a regularização das chuvas permitiu um plantio rápido e uniforme, com a colheita já representando cerca de 1% da área cultivada.
As lavouras estão vigorosas, com expectativa de alta produtividade.
Mato Grosso do Sul
Apesar do cenário heterogêneo, o Mato Grosso do Sul também já ligou as colheitadeiras.
A região dos “chapadões” sofreu com chuvas irregulares, o que deve impactar o teto produtivo do Estado. Na região Oeste, estima-se que 3% da área tenha perdas em razão da seca.
Nas demais regiões, as lavouras estão em excelentes condições e as estimativas são positivas.
Rio Grande do Sul
O estado gaúcho vive um cenário de recuperação. A estiagem entre novembro e dezembro assustou, consolidando perdas leves em lavouras precoces que já floresciam.
Contudo, o retorno das chuvas recentes trouxe alívio, mantendo a estimativa de produtividade média em 3.129 kg/ha.
Goiás
Com a semeadura finalizada, as lavouras goianas foram beneficiadas pela regularização das chuvas.
O quadro sanitário é positivo, sem grandes problemas com pragas. Mas há cautela com a produtividade em solos arenosos que sofreram com o estresse hídrico.
Minas Gerais
A safra mineira teve um início difícil. Veranicos em outubro e novembro forçaram um alto índice de replantio no Noroeste e Triângulo.
Agora, o excesso de chuvas em dezembro dificultou as pulverizações, aumentando a pressão de doenças.
A estimativa é de uma retração de 3,2% na produção em relação ao ciclo anterior.
Tocantins, Maranhão e Piauí
- Tocantins: condições ótimas em dezembro. A maioria das áreas está em fase reprodutiva e a colheita inicia em meados de janeiro.
- Maranhão: plantio segue em andamento, com aumento de 6% na área estimada. A região sul (balsas) está finalizando a semeadura.
- Piauí: plantio avançou rápido em dezembro após paralisações. A área deve crescer 4,6% nesta safra.
Outros Estados
- Pará: chuvas regularizaram nos polos da BR-163, onde a colheita se aproxima.
- Santa Catarina: temperaturas baixas reduziram a estatura das plantas, mas a condição geral é favorável.
- Rondônia: colheita iniciando, com lavouras recuperadas das secas de novembro.
Milho verão e o alerta fitossanitário para a safrinha
O milho primeiro safra (verão) apresenta um aumento de 6,8% na área cultivada, estimada agora em 4 milhões de hectares.
A colheita já começou no Rio Grande do Sul, mas o cenário exige atenção máxima não só pela produção, mas pelo risco sanitário que ele representa para a safrinha.
Situação das lavouras de verão
- Rio Grande do Sul: a estiagem recente causou perdas irreversíveis em lavouras que estavam em polinização. A quebra estimada já chega a 6% do potencial inicial.
- Minas Gerais e Goiás: apesar de atrasos no plantio, as chuvas de dezembro favoreceram a recuperação. Em MG, o clima úmido dificultou o trato e aumentou a incidência de lagarta-do-cartucho.
- Paraná: mais de 90% das lavouras estão em boas condições, beneficiadas por sol e calor na fase vegetativa.
Milho safrinha 2026: corrida contra o tempo e o clima
A safrinha responde por mais de 75% da produção nacional de milho. Para 2026, a Conab estima uma produção de 110,5 milhões de toneladas na segunda safra.
O sucesso deste número depende de dois fatores críticos: a janela de plantio e o clima.
Janela de plantio
O atraso no plantio da soja em outubro, especialmente no Centro-Oeste, empurrou o ciclo para frente.
Isso estreitou a janela ideal para o milho safrinha e desenha cenários diferentes nas regiões:
- Mato Grosso: o plantio já começou aproveitando a colheita acelerada da soja precoce. O ritmo deve ser acelerado para garantir que a fase reprodutiva do milho aconteça antes da saída das chuvas,
- Paraná: o plantio também teve início pontual. Aqui, o risco de plantar tarde é a exposição às geadas de inverno.
Além disso, as chuvas previstas para o final do ciclo da soja, no momento da colheita, podem atrasar as operações e impactar negativamente no plantio da safrinha.
De acordo com o boletim agro do INMET é esperado continuidade de bons volumes de chuva no primeiro trimestre do ano, especialmente em janeiro e fevereiro. Apesar desse cenário beneficiar as culturas de verão, ele pode atrasar a colheita da soja e, consequentemente, o plantio do milho safrinha em algumas regiões.
Confira, a seguir, a situação em cada região:
Região Centro-Oeste
Mato Grosso e Mato Grosso do Sul terão chuvas acima da média. O excesso de chuva em MT pode atrasar a colheita da soja e dificultar o plantio da 2ª safra (milho safrinha).
Goiás segue o caminho oposto, com tendência de volumes abaixo da média.
Região Norte
Volumes acima da média na maior parte do Amazonas, Pará, Amapá e Rondônia.
Roraima e o norte do Amazonas começam janeiro com seca e déficit hídrico, mas a situação melhora progressivamente até março, quando as chuvas se tornam abundantes.
Região Nordeste
Predomínio de chuvas abaixo da média em quase toda a região (Bahia, Piauí, Ceará e interior). Apenas o norte do Maranhão, Piauí e o litoral do Ceará devem registrar chuvas dentro ou acima da média.
Esse o déficit hídrico previsto para a região pode acelerar o ciclo da soja e a falta de chuva subsequente pode prejudicar o plantio do milho safrinha.
Região Sul
Volumes próximos ou acima da média no Paraná e Santa Catarina. A exceção é o extremo sul do Rio Grande do Sul, que pode ter um janeiro ligeiramente mais seco antes da regularização das chuvas.
Assim como no MT, o excesso de chuvas previsto para todas as semanas pode retardar a entrada das colheitadeiras, empurrando o plantio da safrinha para períodos com maior risco climático.
Região Sudeste
Clima mais seco em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, com volumes até 100 mm abaixo da média.
Clima: adeus La Niña?
A boa notícia vem do CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) do INPE.
Há mais de 60% de chance de transição para neutralidade climática até março de 2026.
Isso significa que o La Niña está perdendo força.
A neutralidade tende a reduzir os extremos climáticos, favorecendo chuvas mais regulares durante o desenvolvimento vegetativo da safrinha, vital para quem vai plantar em fevereiro.
Custo e margem para a safrinha de milho 2026
Com preços futuros na B3 orbitando a casa dos R$ 60,00 a R$ 75,00 por saca de milho, a margem do produtor está apertada.
O custo de produção subiu, pressionado por defensivos e sementes.
A estratégia para a safrinha 2026 não permite erros: é preciso alta tecnologia para proteger a produtividade das lavouras, mas com gestão financeira afiada para travar custos.
Expectativas positivas para a safra de soja 2025/26, mas cenário da safrinha exige cautela
A safra 2025/26 desenha-se como um ciclo de volumes gigantescos, mas de margens que exigem gestão profissional.
O produtor que fizer a lição de casa, colhendo a soja com eficiência e protegendo a produtividade do milho safrinha contra pragas e doenças, sairá na frente!
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