A traça-da-batata representa hoje um dos maiores desafios fitossanitários para os produtores de batata de Minas Gerais, Paraná e São Paulo, estados que concentram mais da metade da produção nacional.
Essa praga, muitas vezes subestimada no início do ciclo da cultura, possui um potencial destrutivo capaz de comprometer a capacidade fotossintética da lavoura e reduzir drasticamente a qualidade dos tubérculos colhidos, com perdas que podem ultrapassar 70% em situações de manejo inadequado.
Neste conteúdo, detalharemos os desafios dessa praga para a cultura da batata e quais os principais métodos de controle empregados para um manejo da traça-da-batata efetivo. Continue a leitura!
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Traça-da-batata (Phthorimaea operculella): conhecendo a história da praga ameaça à cultura da batata
A traça-da-batata consolidou-se como uma praga de grande importância econômica nas últimas safras. Conhecida por atacar uma grande variedade de plantas, incluindo solanáceas silvestres e plantas daninhas, essa praga afeta principalmente a cultura batata, onde sua ação é duplamente prejudicial por atingir tanto a folhagem quanto o órgão de interesse comercial, o tubérculo.
Originária da região andina da América do Sul, centro de origem da própria batata, essa praga demonstra uma notável capacidade de adaptação a sobrevivência. Essa resiliência evolutiva foi determinante para facilitar sua rápida disseminação por diferentes regiões do Brasil e do mundo, permitindo que a traça-da-batata prosperasse sob as mais diversas condições ambientais.
No contexto brasileiro, a praga encontrou um ambiente propício nas zonas de produção de batata, nas quais a disponibilidade contínua de alimento e a sucessão de safras permitem a manutenção de populações elevadas durante todo o ano.

Historicamente, o registro de P. operculella no Brasil remete a décadas de convivência em culturas de solanáceas. Relatos indicam sua presença em tomateiros já na década de 1970 em São Paulo, muitas vezes confundida com outras espécies de microlepidópteros.
Em 2006, houve um marco na identificação da praga no estado paulista, seguido por um relato significativo de infecção na cultura da batata na cultivar Agata, no estado de Goiás, em 2010.
Desde então, sua expansão geográfica e o aumento da pressão de infestação em Minas Gerais e no Paraná têm sido progressivos, consolidando a traça como um dos principais desafios para os produtores que buscam certificação e qualidade de exportação.
Biologia: entendendo o ciclo de vida traça-da-batata
O ciclo de vida da traça-da-batata é holometabólico e altamente dependente das condições térmicas, durando em média entre 35 e 40 dias sob condições favoráveis e podendo ser acelerado em climas quentes.
O entendimento de cada fase é crucial para o posicionamento de medidas de controle:
Fase de ovo
A fêmea da traça-da-batata possui uma alta capacidade reprodutiva, podendo ovipositar entre 262 e 300 ovos durante sua vida adulta.
- Duração: de 3 a 8 dias.
- Identificação: os ovos são pequenos, ovais, de cor branca-amarelada, tornando-se translúcidos antes da eclosão, o que dificulta muito a visualização direta pelo produtor sem o auxílio de lentes de aumento.
- Comportamento: a fêmea prefere depositar seus ovos na face inferior dos folíolos, em fendas do caule ou, de maneira crítica, diretamente nos tubérculos expostos através de rachaduras no solo.
Fase de larva (lagarta)
Esta é a fase em que a praga causa os danos diretos mais severos à cultura.
- Duração: de 12 a 20 dias.
- Identificação: ao nascerem, as lagartas são muito pequenas e de cor branca-esverdeada. No ínstar final, atingem cerca de 10 a 12 mm de comprimento, adquirindo uma tonalidade branca-amarelada ou rosada com a cabeça castanho-escura.
- Comportamento: as larvas possuem o hábito de minerar o tecido vegetal. Nas folhas, elas criam galerias sinuosas no mesófilo, protegidas pela epiderme foliar. Ao migrarem para os tubérculos, perfuram a casca e cavam túneis profundos, preenchendo as galerias com excrementos pretos que são expelidos para o exterior, servindo como um sinal claro de sua presença.

Fase de pupa
A pupação ocorre após a lagarta abandonar o interior da planta ou do tubérculo.
- Duração: de 8 a 15 dias.
- Identificação: as pupas possuem formato oval e coloração que varia do marrom-claro ao marrom-avermelhado, sendo protegidas por um casulo de seda que muitas vezes agrega partículas de terra para camuflagem.
- Comportamento: no campo, ocorre preferencialmente no solo ou em restos culturais secos. Em ambientes de armazenamento, as pupas são frequentemente encontradas em frestas de caixas de madeira, paredes ou nas costuras de sacarias.
Fase adulta (mariposa)
Os adultos são pequenas mariposas de hábitos predominantemente noturnos, permanecendo escondidos na folhagem durante o dia.
- Duração: de 10 a 20 dias, com os machos apresentando vida ligeiramente mais curta que as fêmeas.
- Identificação: medem de 10 a 15 mm de envergadura. Possuem coloração acinzentada-parda com manchas pretas longitudinais nas asas anteriores, enquanto as asas posteriores apresentam franjas longas de pelos.
- Comportamento: a maior atividade de voo e acasalamento ocorre no crepúsculo e nas primeiras horas da noite, quando as temperaturas estão amenas e a umidade relativa tende a subir.
| Estágio de vida | Duração média (25°C) | Principais ccaracterísticas |
| Ovo | 3 – 6 dias | Depositados em folíolos ou tubérculos expostos |
| Larva | 12 – 20 dias | Formação de galerias (minas) e danos profundos |
| Pupa | 8 – 15 dias | Ocorre no solo, restos culturais ou armazéns |
| Adulto | 10 – 20 dias | Mariposa noturna, envergadura de até 15 mm |
Sintomas da traça-da-batata
Os sintomas da traça-da-batata são progressivos e podem ser divididos entre danos aéreos e danos subterrâneos, sendo estes últimos os de maior impacto econômico direto.
Danos na parte aérea: folhas e caules
As lagartas recém-eclodidas iniciam a alimentação minerando as folhas. Diferente da mosca-minadora, que cria canais muito estreitos, a traça-da-batata tende a formar minas mais largas e irregulares, que podem se transformar em grandes manchas necrosadas.
O consumo do mesófilo foliar cria áreas transparentes que secam rapidamente, conferindo à lavoura um aspecto de “queima”. Além disso, as larvas podem penetrar nos pecíolos e na haste principal, causando a interrupção do fluxo de seiva e, consequentemente, o murchamento e a morte do ponteiro da planta.

Os danos foliares causados pela traça-da-batata limitam a capacidade fotossintética da planta, diminuindo o acúmulo de reservas nos tubérculos, que se tornam menores e de qualidade inferior.
Danos nos tubérculos
Este é o sintoma mais devastador do ataque traça-da-bata, pois ocorre frequentemente no final do ciclo ou durante o armazenamento.
Na parte externa dos tubérculos atacados, é possível observar pequenos orifícios na superfície, muitas vezes localizados nos “olhos” (gemas), cercados por excrementos escuros.
No interior da batata, as larvas constroem túneis sinuosos que escurecem devido à oxidação e ao acúmulo de resíduos. Isso desvaloriza comercialmente o produto e inviabiliza o consumo.
Além disso, as galerias servem de porta de entrada para patógenos oportunistas, como bactérias do gênero Pectobacterium (podridão mole) e fungos de solo, que aceleram a decomposição do tubérculo ainda no campo ou após a colheita.
Principais desafios do controle da traça-da-batata
O manejo da traça-da-batada batata esbarra em obstáculos biológicos e ambientais que exigem do produtor uma estratégia integrada.
O papel do clima
O clima é o principal motor das infestações de traça. Períodos de seca prolongada e altas temperaturas são extremamente favoráveis à praga.
- Rachaduras no solo: a falta de umidade causa a retração do solo, criando fendas que permitem que as mariposas alcancem os tubérculos enterrados para realizar a postura. Este é o principal mecanismo de infestação de tubérculos no campo.
- Aceleração metabólica: o calor reduz o tempo de geração do inseto, permitindo que ocorram mais ciclos dentro de uma mesma safra, dificultando o controle.
Pressão de seleção
O uso intensivo de controle químico sem rotação adequada de ativos contribuiu para a redução da sensibilidade da traça-da-batata a diversos inseticidas convencionais.
Além disso, o uso de produtos pouco seletivos elimina inimigos naturais, como vespas parasitoides, o que pode levar a surtos secundários de outras pragas como mosca-branca e ácaros.
Desafios no armazenamento
A traça-da-batata é uma praga de infestação cruzada, o que significa que o problema que começa no campo pode se agravar exponencialmente durante o período de armazenamento dos tubérculos.
- Multiplicação no escuro: em condições de armazenamento sem controle de temperatura e higiene, uma pequena população inicial pode destruir toneladas de batata em poucas semanas.
- Dificuldade de controle: uma vez que a larva está dentro do tubérculo, o controle com inseticidas de contato torna-se inviável.
Leia também: Desafios do controle das principais pragas em culturas hortifrútis
Manejo integrado da traça-da- batata
Considerando esses desafios, o Manejo Integrado de Pragas (MIP) assume um papel essencial para o controle da traça-da-batata, integrando ferramentas que atuam em diferentes momentos do ciclo de vida da praga.
Dentre os principais métodos recomendados do MIP para a traça-da-batata, pode-se destacar:
- Monitoramento constante: o uso de armadilhas com feromônios bordaduras e no interior da lavoura é essencial.Níveis de captura superiores a 30 traças por armadilha por semana costumam ser um indicativo para o início das medidas de controle químico. Além disso, a inspeção visual de folhas no terço inferior e médio ajuda a identificar as primeiras minas.
- Controle cultural: um solo bem preparado e sem torrões reduz os abrigos para adultos. Retirar batatas que sobraram da colheita anterior e destruir solanáceas daninhas ao redor da área também evita que a praga sobreviva durante a entressafra.
- Controle químico: o uso de produtos seletivos preserva parasitoides e outros inimigos naturais da traça-da-batata. Além disso, ter atenção à tecnologia de aplicação (volume de calda, tamanho de gota e cobertura) e alternar inseticidas com diferentes modos de ação é essencial para preservação das tecnologias.
Sendo assim, o manejo da traça-da-batata depende de uma integração eficaz de todas as ferramentas disponíveis.
Leia também: Como realizar o manejo de pragas do hortifrúti? Prevenção, monitoramento e controle
JOINER®: delete a traça-da-batata e as principais pragas do HF

Para enfrentar a problemática da traça na cultura da batata, a Syngenta desenvolveu JOINER®, um inseticida inovador que oferece um controle sem precedentes das principais pragas do HF.
JOINER® estabelece um novo patamar dentro do manejo integrado de pragas da batata, trazendo + mais controle, + mais espectro e + mais inovação para o deletar as principais pragas do HF.
Leia também: Conte com a solução sem precedentes contra as pragas no HF
+ mais controle
JOINER® age por contato e ingestão, proporcionando a rápida parada da alimentação e interrompendo o ciclo da praga. Assim que a traça-da-batata entra em contato com o produto, o dano foliar cessa quase instantaneamente.
Além disso, a formulação possui alta aderência à cera da folha e resistência à lavagem pela chuva, proporcionando um efeito residual prolongado, essencial para o controle de pragas nos períodos chuvosos.
+ mais espectro
Além de ser a referência no controle da traça-da-batata, JOINER® entrega um controle sem precedentes que abrange outras pragas do HF de difícil controle, incluindo a larva-alfinete (Diabrotica speciosa) e tripes (Thrips tabaci), maximizando a proteção da lavoura.
+ inovação
JOINER® traz a inovadora PLINAZOLIN® technology, que inaugura o Grupo Químico 30 (IRAC), um modo de ação inédito na agricultura brasileira. Essa característica é fundamental para um programa de manejo integrado da traça-da-batata, pois controla com eficácia as pragas que já não respondem aos métodos convencionais.
Além disso, JOINER® apresenta baixa volatilidade e excelente estabilidade UV, ativando seu efeito prolongado mesmo em condições climáticas adversas, como os períodos chuvosos e as altas temperaturas.
Posicionamento técnico de JOINER® para o controle da traça-da- batata
Para extrair o máximo potencial de JOINER® para o controle da traça-da-batata, recomenda-se que o produto seja posicionado da seguinte forma:
- Alvo: traça-da-batata (Phthorimaea operculella);
- Tipo de aplicação: foliar;
- Dose recomendada: 150 a 300 mL/ha ou 37,5 – 75 mL/100 L;
- Momento: iniciar as aplicações quando for observado os primeiros sintomas em folhas da cultura, ou início do aparecimento dos primeiros indivíduos na área;
Aplicações: até duas aplicações por ciclo da cultura, respeitando um intervalo de 5 dias para aplicações foliares. Além disso, o baixo período de carência de JOINER® permite uma comercialização rápida e segura da batata, sem riscos de resíduos ou atrasos na colheita.

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