A intensificação do cultivo de soja e milho em sucessão (sistema soja-milho) gerou um novo desafio fitossanitário: as pragas de sistema. Esse termo se refere a insetos que conseguem sobreviver continuamente de uma cultura para outra ao longo do ano sem ter seu ciclo interrompido, graças à chamada “ponte verde” proporcionada pelas plantas hospedeiras presentes o tempo todo na área.  

Em outras palavras, quando colhemos a soja e logo em seguida plantamos o milho safrinha, criamos condições ideais para que certas pragas passem de uma safra para a outra, mantendo suas populações sempre elevadas. 

Isso se tornou uma ameaça crescente porque, em áreas de cultivo contínuo o ano inteiro, há disponibilidade permanente de plantas hospedeiras, favorecendo a multiplicação exponencial das populações de insetos a cada geração. O resultado? Picos de danos logo no início da safra seguinte, quando as plantas jovens são mais vulneráveis.  

O que fazer nesse cenário? Continue a leitura para entender melhor o que tem acontecido nas lavouras que utilizam o sistema soja-milho e como lidar com essa situação para ter uma lavoura muito mais protegida contra as pragas.  

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Intensificação de safras e a explosão das pragas de sistema: o que está acontecendo nas lavouras? 

Nas últimas décadas, a área de plantio direto e a prática de duas safras por ano (soja seguida de milho safrinha) expandiram-se enormemente no Brasil. Esse avanço agronômico trouxe ganhos econômicos, mas também alterou o ecossistema de pragas nas lavouras.  

Com campos cultivados o ano inteiro, muitas pragas antes sazonais passaram a se perpetuar continuamente, encontrando alimento e abrigo em restos culturais e plantas voluntárias (“tigueras”) presentes entre uma safra e outra. 

Alguns insetos se adaptaram perfeitamente a esse novo contexto e hoje são considerados pragas de sistema, pois persistem ao longo da sucessão de culturas e causam impacto econômico sempre que encontram uma planta suscetível.  

Entre os principais exemplos de pragas de sistema, estão:  

  • lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda); 
  • percevejo-barriga-verde (Dichelops melacanthus);  
  • vaquinha (Diabrotica speciosa).  

Essas espécies vêm se beneficiando do sistema de cultivo intensivo, atingindo densidades populacionais elevadas e exigindo atenção redobrada do produtor. 

Principais pragas do sistema soja-milho 

Como mencionado, essas pragas se destacam por sua ocorrência simultânea em soja e milho e pela capacidade de transitar entre as safras. São elas: 

  • Percevejo-barriga-verde (Dichelops melacanthus) – inseto sugador da família dos pentatomídeos (percevejos), de coloração marrom-esverdeada. Tem sido chamado de “praga-chave do início de ciclo” no milho safrinha, mas também é encontrado na soja e em outras gramíneas. 
  • Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) – lagarta de hábito folívaro (desfolhador) que ataca principalmente gramíneas (milho, sorgo), mas pode se alimentar de folhas de soja e outras culturas, sendo altamente adaptável. 
  • Vaquinha (Diabrotica speciosa) – besouro verde-amarelado da família Chrysomelidae. Suas larvas vivem no solo alimentando-se de raízes, enquanto os adultos mastigam as folhas. É também conhecida como “patriota” devido às cores do adulto (verde com manchas amarelas e detalhes pretos, lembrando a bandeira do Brasil). 

Vamos entender como cada uma dessas pragas se comporta em cada cultura (soja vs. milho) e os danos que podem causar em diferentes fases do desenvolvimento das plantas. 

Percevejo-barriga-verde (Dichelops melacanthus) 

Percevejo-verde adulto da espécie Diceraeus melacanthus

O percevejo-barriga-verde aproveita os restos da cultura da soja e de plantas daninhas hospedeiras para sobreviver após a colheita para que, quando o milho safrinha for semeado logo em seguida, a população de percevejos já presente na área migre em massa para as plântulas de milho.  

Em regiões de plantio direto e duas safras, esse percevejo se tornou uma praga de grande relevância, capaz de causar prejuízos de até 60% na produção do milho, chegando a inviabilizar a lavoura e demandar replantio se não controlado. 

Na soja 

Embora ele não seja o principal percevejo (o percevejo-marrom costuma ser mais prevalente nos estádios reprodutivos), sua presença no fim da safra serve de fonte de infestação para a cultura seguinte. Ou seja, uma população alta de percevejo-barriga–verde na soja pressagia problemas no milho subsequente

Já no milho 

Os danos são severos e rápidos. Assim que as plântulas emergem (fases V1 a V3), os percevejos introduzem seu estilete no colo da planta para sugar a seiva e injetam toxinas que desequilibram o desenvolvimento do milho. Os sintomas típicos incluem: perfilhamento excessivo, folhas jovens retorcidas e enroladas (“encharutamento”), além de lesões necróticas no ponto de inserção.  

Em infestações intensas, as folhas centrais murcham e apodrecem – sintoma conhecido como “coração morto” – levando a planta à morte. Mesmo plantas que sobrevivem ao ataque inicial podem ficar irremediavelmente comprometidas em seu potencial produtivo. 

Além do milho, o percevejo-barriga-verde também pode sobreviver em culturas, como trigo, braquiária e plantas daninhas gramíneas, o que dificulta ainda mais seu manejo em sistemas integrados. Sua alta mobilidade e capacidade de se esconder na palhada tornam essencial a adoção de uma estratégia proativa de controle. 

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) 

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) no milho

Conhecida por devastar milharais, a lagarta-do-cartucho é hoje uma praga cosmopolita e onipresente. No Brasil, com a ampla adoção do sistema soja-milho, essa espécie encontrou ambiente propício para se multiplicar e espalhar-se por praticamente todas as regiões produtoras.  

Nos últimos anos, produtores têm observado uma pressão crescente de Spodoptera em ambas as lavouras, demandando estratégias de manejo mais robustas. 

No milho 

Spodoptera frugiperda é velha conhecida: as mariposas depositam ovos nas plantas jovens e as lagartas, ao eclodirem, dirigem-se para o cartucho (dobras centrais) das folhas. Abrigadas ali, elas raspam e perfuram as folhas novas, causando as típicas lesões rendilhadas e orifícios em “tiro de espingarda” quando as folhas se desenrolam.  

Em ataques intensos, conseguem destruir o meristema apical da planta, resultando em “coração morto” e falhas no desenvolvimento da espiga. Plantas danificadas precocemente podem perfilhar e apresentar espigas menores ou deformadas, com grande impacto na produtividade final. 

Já na soja 

Mesmo não sendo a lagarta desfolhadora mais comum (normalmente a falsa-medideira e a lagarta-da-soja são mais frequentes), a S. frugiperda pode eventualmente se alimentar das folhas da soja, especialmente em lavouras próximas a áreas de milho ou em safrinhas de soja, e tem tido um apetite voraz pelas estruturas reprodutivas da soja.  

O resultado é desfolha considerável, redução da área fotossintética e atraso no crescimento das plantas, podendo consumir vagens em formação, causando perdas diretas de grãos. 

Vaquinha (Diabrotica speciosa) 

Besouro brasileiro da espécie Diabrotica speciosa (vaquinha / patriota / vaquinha-verde-amarela)

vaquinha – também chamada de vaquinha-verde-amarela ou patriota – é uma praga que antes preocupava mais os produtores de feijão e hortaliças, mas que ganhou destaque na soja e no milho com os sistemas intensivos.  

No solo 

As larvas da Diabrotica eclodem dos ovos depositados pelas fêmeas e começam a se alimentar das raízes e sementes germinando. Elas podem destruir raízes finas e roer raízes principais, interferindo na absorção de água e nutrientes pela planta.  

Em plântulas de soja, esse ataque inicial reduz o vigor e pode até matar as plantinhas recém-emergidas, resultando em falhas de estande. No milho, onde as raízes são seu alvo preferencial, o dano é ainda mais evidente: plantas com raízes podadas pelas larvas apresentam sintomas de deficiência nutricional (amarelecimento, crescimento lento) e tendem a tombar ou crescer tortas – o chamado “pescoço de ganso”, em que o colmo entorta próximo à base. 

Enquanto isso, na parte aérea 

Os besouros adultos emergem do solo ao longo do ciclo e atacam as folhas das culturas. Na soja, embora tradicionalmente vista como praga secundária, a vaquinha vem causando cada vez mais problemas em áreas de sucessão soja-milho, especialmente onde a soja é semeada após a safrinha de milho.  

Os besouros mastigam as folhas fazendo orifícios irregulares (lembrando danos de lagartas pequenas) e também podem consumir brotos, flores e até pólen das plantas. Essa desfolha intensa reduz a área fotossintética disponível, atrasando o desenvolvimento e potencialmente diminuindo o número de vagens e grãos formados, caso atinjam os órgãos reprodutivos. 

No milho, os adultos da vaquinha também se alimentam das folhas e inflorescências. Frequentemente encontra-se besouros raspando o limbo foliar do milho (os danos podem lembrar os da lagarta-do-cartucho, com raspagem das folhas superiores).  

Além disso, podem mastigar os pendões florais e as sedas (cabelos) das espigas, atrapalhando a polinização quando em grandes números. Embora os adultos geralmente causem danos foliares menos graves que as larvas nas raízes, sua presença contínua vai debilitando as plantas ao longo do ciclo. 

Resumo comparativo dos danos na soja e no milho 

A tabela a seguir resume os principais prejuízos causados por cada uma dessas pragas de sistema nas duas culturas: 

Praga (espécie) Danos na cultura da soja Danos na cultura do milho 
Percevejo-barriga-verde 
(Dichelops melacanthus
– Suga a seiva de caules e vagens, podendo reduzir a qualidade dos grãos no final do ciclo da soja.  
– Sobrevive na palhada e em plantas tigueras após a colheita, que servem de ponte verde para infestar a cultura seguinte. 
– Ataca plântulas e plantas jovens (estádios V1–V3), inserindo o estilete no colo e injetando toxinas.  
– Causa perfilhamento anormal, lesões necróticas e enrolamento das folhas (“encharutamento”). Em ataques severos, provoca morte do ponteiro (“coração morto”) e até perda de plantas.  
– Pode gerar perdas de produtividade de até 60% em infestações altas, exigindo replantio em casos extremos. 
Lagarta-do-cartucho 
(Spodoptera frugiperda
– Desfolha as plantas de soja: consome folhas, especialmente nas fases vegetativas, reduzindo a área foliar e retardando o crescimento.  
– Em infestações elevadas, pode atacar flores e vagens, prejudicando a formação de grãos e causando queda de flores. 
– Perfura e rasga as folhas no cartucho do milho, deixando orifícios característicos quando as folhas se abrem.  
– Pode destruir o meristema apical em casos de alta pressão, resultando em plantas deformadas, menor desenvolvimento e espigas mal formadas ou com falhas.  
– Compromete seriamente o potencial produtivo se não controlada a tempo, pois ataca a cultura desde o início, podendo causar redução significativa de rendimento. 
Vaquinha 
(Diabrotica speciosa
– Adultos (besouros) mastigam folhas, brotos e flores, causando desfolha intensa e até redução do estande inicial quando atacam plântulas.  
– Larvas podem atacar raízes e hipocótilos de plântulas de soja, debilitando as plantas jovens e reduzindo seu vigor. 
– Larvas subterrâneas alimentam-se das raízes, causando falhas na absorção de água e nutrientes, além de deixarem as plantas instáveis (suscetíveis a tombar, ex: sintoma “pescoço de ganso” no milho).  
– Adultos consomem folhas do milho (raspagens) e podem se alimentar dos pendões e das sedas, reduzindo a folhagem e atrapalhando a polinização quando em altas populações.  
– Ambas as fases reduzem o vigor da planta e podem derrubar a produtividade se o ataque coincidir com estádios críticos de desenvolvimento. 

Como controlar as pragas de sistema no sistema soja-milho?  

Diante do desafio das pragas de sistema, o Manejo Integrado de Pragas (MIP) é indispensável.  

Diferentemente de manejar uma praga pensando apenas na cultura atual, no sistema soja-milho, precisamos pensar além da safra. Ou seja, as ações de controle na soja impactam diretamente a pressão de pragas no milho seguinte, e vice-versa.  

A seguir, listamos os pilares de um manejo eficaz para manter essas pragas sob controle, com dicas práticas para os produtores: 

  • Rotação de culturas e/ou pousio: diversifique a sucessão de plantios. Inserir culturas diferentes ou adotar breves períodos de pousio ajuda a quebrar o ciclo das pragas, eliminando a ponte verde e reduzindo populações iniciais de percevejos, lagartas e vaquinhas. 
  • Eliminação de tigueras e restos culturais: faça dessecação antes da próxima semeadura para eliminar plantas voluntárias e daninhas hospedeiras, que servem de abrigo às pragas. Essa limpeza reduz a infestação inicial na cultura seguinte e evita migrações de percevejos e lagartas remanescentes. 
  • Monitoramento constante: inspecione a lavoura desde o início do ciclo. Use panos-de-batida e armadilhas de feromônio para detectar precocemente percevejos, vaquinhas e mariposas de Spodoptera. O monitoramento permite agir no momento certo, antes que a infestação cause prejuízos. 
  • Tratamento de sementes e manejo inicial: utilize sementes tratadas com inseticidas sistêmicos e, se necessário, aplicações preventivas no sulco de plantio. Essas medidas protegem o estande inicial contra percevejos e larvas de vaquinha, fortalecendo o desenvolvimento das plântulas. 
  • Controle químico criterioso: aplique inseticidas de amplo espectro e ação rápida quando o nível de ação for atingido. Prefira produtos com efeito de contato e ingestão e que combinem choque e residual prolongado. Rotacione modos de ação entre safras para evitar seleção de resistência. 
  • Controle biológico e variedades resistentes: use biotecnologia e inimigos naturais a favor do manejo. Produtos biológicos complementam o controle químico, mantendo as pragas em níveis de equilíbrio. 

VERDAVIS®: controle sem precedentes das pragas do sistema soja-milho 

Mesmo com todas as boas práticas de manejo integrado, é indispensável contar com soluções inseticidas inovadoras para vencer a batalha contra as pragas de sistema. 

Uma dessas soluções estratégicas é VERDAVIS®, tecnologia da Syngenta desenvolvida especialmente para esse cenário. Trata-se de um inseticida-acaricida de amplo espectro, resultado da combinação da molécula inédita PLINAZOLIN® technology com a já consagrada lambda-cialotrina.  

Seus diferenciais técnicos o posicionam como uma ferramenta poderosa no manejo de percevejos, lagartas, besouros e outras pragas difíceis: 

Ação de choque + paralisação imediata (+ mais choque) 

VERDAVIS® apresenta efeito knockdown rápido e paralisa imediatamente a alimentação das pragas, logo após a aplicação. Isso significa que percevejos e lagartas param de causar danos quase que instantaneamente, protegendo a lavoura desde o primeiro momento.  

Além do mais, ele controla todas as fases do inseto – ovos, ninfas/lagartas jovens e adultas –, quebrando o ciclo e evitando reinfestações. Essa característica é crucial no contexto de pragas de sistema, pois ajuda a estancar a multiplicação que ocorreria de uma safra para outra. 

Outro ponto importante é que VERDAVIS® atua por contato e ingestão e possui um novo modo de ação no mercado brasileiro (modulação do receptor GABA no sistema nervoso dos insetos).  

Isso o torna uma arma potente inclusive contra populações de pragas já sem sensibilidade a outros grupos químicos, inaugurando um “controle sem precedentes” no manejo dessas espécies. Produtores que adotaram essa tecnologia em suas lavouras de soja e milho têm relatado uma drástica redução nas pragas iniciais, mantendo as plantas vigorosas e protegidas ao longo de todo o ciclo. 

Amplo espectro de controle (+ mais espectro) 

Uma única aplicação de VERDAVIS® consegue controlar os principais alvos da soja e do milho simultaneamente. Ele é eficaz contra percevejos (sugadores) como o barriga-verde, contra lagartas (desfolhadoras) incluindo a Spodoptera, e até contra outras pragas, como cigarrinhas e tripes, conforme demonstrado em campo.  

Esse + mais espectro proporciona tranquilidade ao produtor, pois cobre as pragas-chave de ambos os cultivos sem necessidade de misturas em tanque, simplificando o manejo. 

Longo residual e resistência climática (+ mais dias de controle) 

Diferente de inseticidas que perdem efeito rapidamente, VERDAVIS® foi formulado para oferecer +mais dias de controle, mesmo sob condições climáticas adversas. Sua molécula apresenta baixa degradação por raios UV e alta resistência à lavagem pela chuva, garantindo um período prolongado de proteção na lavoura.  

Na prática, isso se traduz em controle eficaz por várias semanas, reduzindo o número de reaplicações. Essa persistência é especialmente valiosa em regiões de clima instável ou quando há dificuldade de entrar na área com pulverizador com frequência. 

Sua lavoura muito mais protegida contra as pragas de sistema  

Isso se encaixa perfeitamente nas necessidades do sistema soja-milho, em que são necessárias soluções versáteis e duradouras para proteger duas culturas consecutivas.  

Para saber mais detalhes sobre a tecnologia e as recomendações de uso, acesse as páginas oficiais do produto: VERDAVIS® Soja e VERDAVIS® Milho

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