A presença do coró-das-pastagens em áreas de soja pode resultar em perdas significativas de estande e produtividade, especialmente em regiões de integração lavoura-pecuária, onde populações de Phyllophaga spp. acumulam-se ao longo dos anos de pastagem.
O risco é ainda maior em áreas recém-convertidas de pastagem, onde o banco de larvas no solo pode ser elevado. A ausência de monitoramento pré-plantio é um dos principais fatores que levam a perdas inesperadas e difíceis de recuperar após a implantação da lavoura.
Neste artigo, serão abordados o ciclo biológico do coró-das-pastagens, os métodos de monitoramento mais eficazes, os principais impactos na produção e as estratégias de controle integrado.
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Entendendo o coró-das-pastagens: biologia e ciclo de vida
O coró-das-pastagens é o nome comum atribuído às larvas de besouros do gênero Phyllophaga, pertencentes à ordem Coleoptera, família Scarabaeidae. O ciclo biológico é longo, podendo durar até três anos, com a fase larval ocorrendo inteiramente no solo.
O ciclo inicia-se com a emergência dos adultos durante o período chuvoso, que acasalam e depositam ovos no solo. As larvas eclodem e se alimentam de raízes, passando por três ínstares antes de se tornar pupa e, posteriormente, adulto. A dispersão ocorre principalmente por meio do voo dos adultos, mas o movimento de solo e resíduos culturais também pode contribuir.
No Brasil, a incidência é mais expressiva no Cerrado e Centro-Oeste, especialmente em áreas de integração lavoura-pecuária. A temperatura e a umidade do solo influenciam diretamente o desenvolvimento das larvas: períodos chuvosos estimulam a ovipositação e o desenvolvimento larval.
Impactos do coró-das-pastagens na produtividade da soja
As larvas de Phyllophaga spp. alimentam-se das raízes secundárias e, em infestações severas, podem cortar também as raízes principais, levando à morte das plântulas e a falhas no estande. O ataque ocorre principalmente nas fases iniciais da cultura, do estabelecimento até o fechamento das linhas.
Como os danos ocorrem abaixo do solo, os primeiros sintomas visíveis são o amarelamento e a murcha de plantas em manchas irregulares. Em situações graves, a perda de estande pode ser superior a 30%, com impacto direto na produtividade.
Monitoramento: a chave para o manejo assertivo
O monitoramento pré-plantio é fundamental para identificar a presença e o nível populacional do coró-das-pastagens. O método mais recomendado é a abertura de trincheiras de 0,5 x 0,5 x 0,3 metro, em cinco pontos por hectare, entre novembro e dezembro, contando o número de larvas presentes.
O nível de controle recomendado, segundo a Embrapa Soja, é de uma larva por trincheira. Acima desse limiar, o risco de dano econômico justifica a adoção de medidas de controle.
Em áreas de integração lavoura-pecuária, o monitoramento deve ser intensificado, pois o histórico de pastagem favorece a acúmulo de populações mais elevadas. Recomenda-se aumentar o número de trincheiras por hectare nessas áreas.

Estratégias de controle: integrando Seedcare e biológicos
O manejo do coró-das-pastagens deve ser integrado, combinando tratamento de sementes, controle biológico e, quando necessário, inseticidas de solo. As principais ferramentas são:
- Tratamento de sementes (Seedcare): inseticidas à base de imidacloprida, fipronil e thiamethoxam apresentam eficácia comprovada no controle de Phyllophaga spp., com proteção do sistema radicular nas fases iniciais da cultura.
- Controle biológico: a aplicação de Beauveria bassiana no solo é alternativa complementar, especialmente em áreas com histórico de infestação. A eficácia é potencializada em condições de solo úmido e temperatura adequada.
- Inseticidas de solo: em situações de infestação muito elevada, pode ser necessário o uso de inseticidas de solo em aplicação localizada, embora a eficácia seja mais limitada do que o Seedcare.
Resultados de campo e benefícios do manejo integrado
Ensaios conduzidos pela Embrapa Soja demonstram que o uso de Seedcare com inseticidas sistêmicos reduz significativamente a mortalidade de plântulas em áreas com infestação de coró, contribuindo para a manutenção do estande e da produtividade.
A adoção do monitoramento em trincheiras permite a tomada de decisão baseada em dados, otimizando o uso de insumos e evitando aplicações desnecessárias em áreas com baixo nível populacional. Essa prática contribui para a sustentabilidade econômica e ambiental do sistema produtivo.
Práticas recomendadas para o controle eficiente do coró-das-pastagens
As orientações técnicas consolidadas para o manejo do coró-das-pastagens em soja são:
- Realizar o monitoramento pré-plantio por meio de trincheiras (0,5 x 0,5 x 0,3 m) em cinco pontos por hectare, entre novembro e dezembro.
- Adotar o nível de controle de uma larva por trincheira como referência para intervenção.
- Utilizar Seedcare com inseticidas sistêmicos (imidacloprida, fipronil, thiamethoxam) nas doses recomendadas em bula, respeitando o período de carencia.
- Integrar o controle biológico com Beauveria bassiana em áreas de alta infestação.
- Considerar a rotação de culturas e o histórico da área para planejar o manejo ao longo das safras.
Antecipe-se ao problema: monitoramento e manejo são aliados da produtividade
O sucesso no controle do coró-das-pastagens depende do monitoramento criterioso e da adoção de estratégias integradas, com foco na proteção do sistema radicular nas fases mais críticas da cultura. A natureza subterrânea do dano e o ciclo longo da praga tornam o planejamento preventivo a única abordagem verdadeiramente eficaz.
A rotação de culturas, especialmente em sistemas de integração lavoura-pecuária, é a prática de longo prazo mais importante para reduzir progressivamente o banco de larvas no solo. Associada ao Seedcare e ao monitoramento regular, ela compõe o triplo de defesa mais sólido contra o coró em soja.
O investimento no monitoramento pré-plantio é proporcionalmente baixo diante do custo de uma safra comprometida por falha de estande. Produtores que adotam essa prática de forma sistemática reduzem a variabilidade dos resultados e aumentam a previsibilidade do retorno por área.
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