As chuvas registradas nos últimos dias no Sul do Brasil chegaram em momento decisivo para a safra de trigo 2026, com efeitos distintos entre os dois principais estados produtores. No Paraná, os volumes ajudaram a repor a umidade do solo em regiões que enfrentavam calor e falta de água, enquanto no Rio Grande do Sul, onde as precipitações foram mais intensas, o cenário é de preocupação com possíveis danos às lavouras.
Os acompanhamentos oficiais de meteorologia apontam que boa parte do território gaúcho recebeu mais de 100 milímetros de chuva na semana, cerca de 70 mm acima da média histórica para o período. No Paraná, os acumulados também superaram a média, com registros próximos de 70 mm no sul do estado e entre 20 e 40 mm na região norte. A previsão indica que a próxima semana ainda deve trazer novos episódios de chuvas intensas para a região.
Paraná: alívio hídrico para lavouras em desenvolvimento
O trigo paranaense atravessa fase de desenvolvimento vegetativo, com colheita ainda distante, o que reduz o risco de perdas por umidade em grãos formados. A avaliação de técnicos agrícolas do estado é de que as chuvas tiveram, no geral, efeito positivo, especialmente no norte, onde o tempo seco vinha gerando temores de déficit hídrico.
Nas regiões sudoeste e oeste, os volumes mais elevados podem trazer complicações pontuais para o manejo fitossanitário, sobretudo no controle de doenças fúngicas. Ainda assim, especialistas avaliam que:
- O quadro tende a se normalizar caso as chuvas cessem nos próximos dias.
- Não há, até o momento, prejuízos relevantes à condução das lavouras.
- A janela atual de desenvolvimento comporta bem a umidade adicional.
Rio Grande do Sul: chuva e vento em fase sensível
O estado gaúcho ainda finaliza o plantio do cereal, e a maior parte das áreas está em germinação ou início de desenvolvimento. Nesse contexto, o volume elevado de chuvas e a incidência de ventos fortes acenderam sinal amarelo entre os produtores, com receio de danos físicos às lavouras recém-implantadas.
Na região noroeste, especialmente no entorno de Santa Rosa, os efeitos foram mistos. Em parte das áreas, a chuva favoreceu a aplicação da adubação nitrogenada em cobertura. Em outras propriedades, os trabalhos precisaram ser postergados até que as condições de solo e clima permitam a retomada do manejo.
Uma safra menor pela frente
O Brasil deve produzir cerca de 6 milhões de toneladas de trigo em 2026, segundo projeções da Conab, o que representa retração de aproximadamente 25% frente ao ciclo anterior. A queda é explicada principalmente pela redução da área plantada e por uma expectativa de produtividade mais baixa em ano de El Niño, fenômeno que historicamente traz desafios climáticos ao cereal.
Rio Grande do Sul e Paraná seguem como polos concentradores da produção nacional, com estimativas de:
- Rio Grande do Sul: 2,57 milhões de toneladas
- Paraná: 2,14 milhões de toneladas
Juntos, os dois estados devem responder por quase 80% do volume brasileiro na temporada.
Milho: colheita da segunda safra avança em ritmo mais lento
O tema climático também influencia o milho segunda safra no Paraná, segundo maior produtor nacional do grão. Até o início desta semana, apenas 29% das áreas haviam sido colhidas no estado, percentual bem abaixo dos 40% observados em meados de julho de 2025 e dos 67% registrados no mesmo período de 2024.
O ritmo mais contido, no entanto, tem explicação estrutural: o plantio foi realizado, em média, um pouco mais tarde nesta temporada, o que naturalmente desloca a janela de colheita. A expectativa é que agosto concentre a maior parte dos trabalhos, sem comprometer o cronograma da safra de verão que vem na sequência.
Apesar da intensidade das chuvas recentes, a leitura predominante é de que ainda não há impacto relevante para o milho no estado, uma vez que a previsão aponta para tempo mais firme nos próximos dias no Paraná, permitindo retomada plena das colheitadeiras no campo.
Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo.


Deixe um comentário