preço do tomate teve queda de 15,85% na média ponderada de junho nas Centrais de Abastecimento (Ceasas) brasileiras, sendo o principal destaque de baixa entre os produtos hortifrutigranjeiros acompanhados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Melancia, laranja, maçã e mamão também recuaram no período, enquanto cebola, alface, batata e banana registraram alta nos entrepostos atacadistas. 

O recuo do fruto reflete a maior disponibilidade nos principais mercados consumidores. Segundo a Conab, a intensificação da safra de inverno ampliou a oferta, mesmo com o efeito das temperaturas mais baixas sobre a maturação, que costuma ser mais lenta nesta época do ano. 

Preço do tomate segue tendência de alta oferta no inverno 

A safra de inverno, concentrada em regiões como o Sul de Minas Gerais, o interior paulista e o Planalto Catarinense, tende a pressionar as cotações para baixo à medida que ganha volume. Com colheita mais escalonada e maturação mais controlada pelo frio, o produtor consegue manter fluxo constante de entrega nos entrepostos, ampliando a competição entre praças fornecedoras. 

Para os próximos meses, o comportamento do preço do tomate deve seguir atrelado a três fatores principais: 

  • Volume de área plantada nas regiões produtoras de inverno 
  • Ocorrência de geadas ou chuvas atípicas nas praças fornecedoras 
  • Ritmo da demanda nos centros consumidores do Sudeste 

Hortaliças: cebola, alface e batata em alta 

Entre as hortaliças, o cenário foi menos uniforme. A cebola voltou a subir em junho, com alta de 8,46% na média ponderada, ainda que em ritmo menos intenso do que nos três meses anteriores. O movimento coincide com o fim da safra do Sul, especialmente da produção catarinense, que responde pela maior parcela do abastecimento nacional. A oferta passou a ser complementada por Minas Gerais e São Paulo. 

Já a alface subiu 11,99% na média, revertendo a tendência de queda dos dois meses anteriores. As temperaturas mais baixas reduzem o ritmo de crescimento da planta e impactam a oferta nas Ceasas. A batata, por sua vez, manteve a trajetória de valorização iniciada em fevereiro, com leve alta de 1,81%. 

Frutas: melancia lidera baixa, banana vai na contramão 

No segmento de frutas, a melancia foi o destaque de queda, com recuo de 24,02% na média. A retração é atribuída à menor demanda nos centros consumidores do Sul e do Sudeste durante o inverno, quando o consumo da fruta naturalmente diminui. 

A laranja teve baixa de 13,20%, reflexo da regularidade dos estoques de suco e da redução da demanda externa em relação a anos anteriores, associada a mudanças no hábito de consumo. A maçã seguiu em desvalorização, com queda de 2,81%, impulsionada pela maior oferta da variedade fuji vinda do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. O mamão recuou 1,56%, influenciado pelo atraso no amadurecimento no norte capixaba e no sul baiano. 

A banana foi a única fruta pesquisada com alta, de 2,10% na média. A oferta menor nos principais estados produtores, sobretudo em Minas Gerais, onde o volume caiu 11%, sustentou a valorização no atacado. 

O que observar nos próximos meses 

Para o setor hortifrutigranjeiro, a leitura de junho reforça a sazonalidade típica do inverno brasileiro: aumento da oferta de hortaliças de fruto como o tomate e retração no consumo de frutas associadas ao calor, como a melancia. Produtores e varejistas devem acompanhar de perto: 

  • A transição de safras entre Sul e Sudeste, especialmente para cebola e batata 
  • O comportamento das temperaturas nas regiões produtoras de banana 
  • A demanda internacional por suco de laranja, que segue pressionada 

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