Nos últimos anos, um inseto de poucos milímetros tem tirado o sono dos produtores de milho em todo o Brasil: a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis). Pequena no tamanho, mas devastadora no impacto, essa praga transformou-se na principal ameaça fitossanitária da cultura, responsável por transmitir doenças como os enfezamentos e o vírus do raiado fino, capazes de comprometer até 90% da produtividade da lavoura. E o mais alarmante: sua pressão tem aumentado a cada safra, exigindo novas abordagens de manejo.
É nesse cenário desafiador que o inseticida biológico para controle da cigarrinha-do-milho surge como uma resposta promissora. Os bioinseticidas apresentam modos de ação inovadores, seletividade e potencial para integrar estratégias de manejo mais sustentáveis. Hoje, já existem tecnologias biológicas específicas para o controle da cigarrinha, com efeito rápido e duradouro, compatíveis com defensivos químicos e aplicáveis ao longo de todo o ciclo da cultura.
Neste guia completo, você vai entender por que a cigarrinha-do-milho se tornou uma praga tão preocupante, quais são os impactos reais nas safras recentes, como os bioinseticidas à base de microrganismos atuam no controle da praga e como esse tipo de solução está redefinindo o padrão de controle no campo.
Se você busca uma forma mais eficiente, estratégica e sustentável de proteger sua lavoura, siga a leitura e descubra tudo sobre o uso do inseticida biológico no controle da cigarrinha-do-milho.
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Cigarrinha-do-milho e seus impactos nas safras recentes
Nos últimos ciclos produtivos, a cigarrinha-do-milho despontou como a principal vilã das lavouras de milho no Brasil. Até poucos anos atrás, esse pequeno inseto sugador era considerado uma praga secundária, mas sua capacidade de transmitir fitopatógenos (molicutes e vírus) que causam o complexo de enfezamentos fez os estragos dispararem desde 2015.
Nas últimas safras de milho, a incidência da cigarrinha-do-milho aumentou de forma preocupante em várias regiões brasileiras (inclusive no Sul) e nos países vizinhos. Em condições de alta infestação, os prejuízos podem ser devastadores: esse inseto consegue comprometer 70% ou mais da produtividade, podendo até inviabilizar completamente a lavoura se não for controlado.
O dano da cigarrinha-do-milho decorre não só da sucção de seiva, mas principalmente da transmissão de patógenos. Ao se alimentar, a cigarrinha inocula na planta bactérias fitoplasmáticas e espiroplasmas (mollicutes) que colonizam o floema, desencadeando sintomas de enfezamento vermelho ou pálido, doenças sistêmicas que provocam nanismo, encurtamento de entrenós, emborrachamento e secamento das plantas.

Em genótipos suscetíveis, o enfezamento pode derrubar até 90% da produção. Além disso, a cigarrinha também pode transmitir viroses que reduzem a formação de grãos em até 30%, e o mosaico estriado, que causa perdas de 50% e espigas deformadas.
Para agravar, em altas populações, a cigarrinha excreta honeydew nas folhas do milho, facilitando o crescimento de fumagina, que atrapalha a fotossíntese.
Com grande capacidade de reprodução (cada fêmea põe até 600 ovos em média) e ciclos rápidos favorecidos por clima quente, esse inseto se tornou o desafio fitossanitário número um na cultura do milho atualmente.
Benefícios do controle biológico no manejo de pragas do milho
Produtores rurais têm aprendido a combinar defensivos químicos e biológicos, explorando o melhor de cada tecnologia para elevar a produtividade com menor impacto ambiental. Essa abordagem integrada resultou em ganhos de produtividade e maior sustentabilidade nas lavouras brasileiras.
Não por acaso, os bioinseticidas foram o segmento de bioinsumos de maior destaque recente: a taxa de adoção média desses produtos passou de 26% para 30% em apenas uma safra, indicando que quase um terço das áreas cultivadas já utiliza controle biológico de insetos de alguma forma.
Entre as vantagens reconhecidas do controle biológico, estão:
- potencialização do manejo químico;
- preservação da biodiversidade (pois poupa inimigos naturais benéficos);
- rotação de mecanismos de ação;
- em muitos casos, maior rentabilidade para o produtor.
Ao manter as pragas em nível de equilíbrio, o agricultor pode economizar em insumos e evitar perdas, resultando em melhor produtividade.
Outra importante contribuição do controle biológico no milho é retardar a evolução da resistência de pragas aos defensivos químicos. Como os bioinseticidas costumam atuar por modos de ação múltiplos, diferentes dos mecanismos convencionais, seu uso em rotação ou em conjunto com pesticidas sintéticos dificulta que as populações de insetos desenvolvam resistência generalizada.
Além disso, muitos agentes biológicos têm efeito residual no ambiente e podem atingir fases das pragas que escapam aos químicos, proporcionando um controle mais completo.
Por fim, vale destacar mais um efeito positivo do controle biológico na lavoura: ao preservar inimigos naturais e equilibrar o ecossistema agrícola, cria-se um ambiente menos favorável a surtos de pragas secundárias.
Em suma, o manejo biológico de pragas do milho não só contém os insetos nocivos, mas também fortalece a resiliência do agroecossistema, o que reflete em ganhos de produtividade, qualidade e sustentabilidade a médio e longo prazo.
Inseticida biológico no controle da cigarrinha-do-milho
A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), por sua capacidade de causar danos indiretos gravíssimos (enfezamentos e viroses), é uma praga que demanda estratégias de manejo multifacetadas. No contexto do controle biológico, felizmente, há opções promissoras que vêm sendo exploradas e adotadas pelos produtores para combater esse inseto.

Além dos microrganismos patogênicos já conhecidos, como os fungos, outra linha de controle biológico da cigarrinha vem se destacando e envolve agentes de controle indireto, como bactérias que estimulam as defesas da planta ou produzem compostos repelentes.
Essas estratégias visam reduzir a atratividade do milho à cigarrinha ou aumentar a resistência das plantas à infecção. Por exemplo, algumas bactérias benéficas podem induzir respostas de defesa no milho que dificultam a aquisição e a transmissão dos fitopatógenos pela cigarrinha.
A entrada de bioinseticidas nas aplicações ajuda a manter a população baixa sem sobrecarregar o ambiente. Esse esquema integrado é atualmente o mais recomendado por instituições de pesquisa para enfrentar a cigarrinha-do-milho.
Em resumo, o controle biológico da cigarrinha-do-milho já é uma realidade e tende a se fortalecer com novas tecnologias biológicas que estão surgindo, como veremos a seguir, com destaque para o uso inovador de bactérias Pseudomonas no combate à cigarrinha.
Pseudomonas chlororaphis e P. fluorescens: uma inovação em inseticida biológico no controle da cigarrinha-do-milho
Quando se pensa em controle microbiano de insetos, logo vêm à mente bactérias, como Bacillus thuringiensis (famosa por seus bioinseticidas contra lagartas) ou os fungos. No entanto, pesquisas recentes têm explorado outras bactérias benéficas do solo como agentes de controle de pragas.
É o caso de determinadas cepas do gênero Pseudomonas, conhecidas por produzirem metabolitos bioativos. Em especial, duas espécies de Pseudomonas – P. chlororaphis e P. fluorescens – vêm chamando atenção pela capacidade de atuar contra insetos sugadores, incluindo a cigarrinha-do-milho.
A inovação aqui está no modo de ação multifatorial dessas bactérias. As Pseudomonas benéficas produzem um coquetel de substâncias com efeitos diversos sobre as pragas.
Pseudomonas chlororaphis
Estudos mostraram que certas cepas de P. chlororaphis sintetizam metabólitos inseticidas potentes, como o ácido cianídrico (HCN) e compostos terpênicos voláteis. O HCN é um gás tóxico de ação respiratória, capaz de intoxicar insetos por contato ou proximidade.
Já os terpenos voláteis atuam como repelentes naturais, funcionando como uma “fumigação” no campo: ao serem liberados pelas bactérias nas plantas, criam uma barreira olfativa que afasta os insetos. Isso é particularmente útil contra pragas migratórias como a cigarrinha, reduzindo a colonização da lavoura.
Além desses compostos, P. chlororaphis também produz proteínas inseticidas chamadas FitD e FitE. Essas proteínas têm ação tóxica quando ingeridas pelos insetos: elas atacam o sistema nervoso, causando paralisia muscular, e também prejudicam o trato digestivo das pragas sugadoras.
Em essência, funcionam de maneira análoga às toxinas Bt, mas com estrutura diferente. Assim, se uma cigarrinha se alimentar de uma planta tratada com essas bactérias ou seus extratos, ela ingere as proteínas FitD/FitE e outros metabólitos, sofrendo paralisia e interrupção da alimentação, o que leva à sua morte em pouco tempo.
Pseudomonas fluorescens
Por sua vez, a Pseudomonas fluorescens contribui com outro conjunto de armas: essa bactéria é conhecida por produzir quitinases, enzimas que degradam quitina, o principal componente do exoesqueleto de insetos. Ao romper a barreira de quitina, as quitinases tornam os insetos mais vulneráveis, facilitando a penetração de patógenos ou ampliando os danos intestinais (já que muitos tecidos internos dos insetos contêm quitina).
P. fluorescens também libera sideróforos, moléculas quelantes de ferro que, embora visem principalmente promover o crescimento vegetal (ajudando a planta a absorver ferro), podem indiretamente afetar pragas ao estimular a planta a reforçar suas defesas.
Em resumo, essa combinação de P. chlororaphis + P. fluorescens oferece uma abordagem integrada: ataca diretamente a praga por contato e ingestão, repelindo novos indivíduos, e simultaneamente fortalece a planta hospedeira.
NETURE™: inseticida biológico no controle da cigarrinha-do-milho e outras pragas sugadoras
Os resultados de campo com essas bactérias no controle da cigarrinha-do-milho são animadores. Ensaios indicam redução significativa nas populações de Dalbulus maidis quando o produto biológico à base de Pseudomonas é aplicado preventivamente nas folhas do milho.
Desenvolvido pela Syngenta Biologicals, NETURE™ é um inseticida microbiológico de alta performance formulado a partir das bactérias Pseudomonas chlororaphis e Pseudomonas fluorescens, atuando de forma sinérgica. Seu foco é o controle eficiente de pragas sugadoras de difícil manejo, com destaque para a cigarrinha-do-milho.
Um dos grandes diferenciais de NETURE™ é a rapidez de ação. Graças aos metabólitos inseticidas produzidos pelas Pseudomonas (como HCN e compostos nicotínicos), o produto já começa a afetar as pragas imediatamente após a aplicação.
Os resultados de laboratório e campo indicam mortalidade rápida de ninfas e adultos da cigarrinha, bem como redução na oviposição e na eclosão de ovos, isto é, NETURE™ consegue quebrar o ciclo da praga, atuando inclusive nas fases jovens que antes não eram bem controladas por outros métodos.
A versatilidade e a conveniência operacional de NETURE™ também merecem destaque. Diferentemente de alguns bioinseticidas que exigem logística refrigerada, NETURE™ não requer armazenamento sob refrigeração – pode ser estocado na fazenda como um defensivo comum. Além disso, testes de compatibilidade mostraram que ele pode ser misturado aos principais agroquímicos (inseticidas, fungicidas, etc.) sem perda de viabilidade, permitindo aplicações em conjunto.
Isso significa que um produtor pode inserir NETURE™ em seu programa de pulverizações sem precisar fazer passadas extras, otimizando tempo e custos. Tal flexibilidade de aplicação ao longo de todo o ciclo da cultura facilita muito a adoção da tecnologia no manejo integrado.
Como age um inseticida biológico no controle da cigarrinha-do-milho?
Do ponto de vista do modo de ação, NETURE™ se destaca por combinar múltiplas frentes de ataque: contato direto (as bactérias e seus compostos em contato com o inseto causam mortalidade), ação por ingestão (as toxinas e proteínas, como FitD/FitE, atuam no intestino e sistema nervoso da praga) e efeito repelente/fumigante (devido aos terpenos voláteis produzidos, que afastam os insetos da área tratada).
Adicionalmente, há um efeito benéfico sobre a planta: as Pseudomonas de NETURE™ promovem o crescimento radicular e induzem tolerância a estresses, o que leva a culturas mais vigorosas e resilientes. Em resumo, além de proteger, o produto ajuda a planta a se desenvolver melhor, um bônus agronômico interessante que agrega valor à solução.
Resultados práticos demonstram que NETURE™ é eficiente desde a primeira aplicação, alcançando níveis de controle comparáveis aos padrões químicos logo de início. Produtores que testaram o produto relataram controle efetivo de cigarrinha e percevejos, com lavouras visivelmente mais sadias em comparação a áreas sem o biológico.
Com NETURE™, os produtores de milho ganham uma opção inédita para lidar com pragas que vinham escapando do controle. Em suma, NETURE™ inaugura novos horizontes no controle de pragas, unindo o melhor da biologia e da química em prol da produtividade.
E a Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.
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