Nos últimos anos, um inseto de poucos milímetros tem tirado o sono dos produtores de milho em todo o Brasil: a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis). 

Pequena no tamanho, mas devastadora no impacto, essa praga transformou-se na principal ameaça fitossanitária da cultura, responsável por transmitir doenças como os enfezamentos e o vírus do raiado fino, capazes de comprometer até 90% da produtividade da lavoura. E o mais alarmante: sua pressão tem aumentado a cada safra, exigindo novas abordagens de manejo. 

É nesse cenário desafiador que o inseticida biológico para controle da cigarrinha-do-milho surge como uma resposta promissora. Os bioinseticidas apresentam modos de ação inovadores, seletividade e potencial para integrar estratégias de manejo mais sustentáveis. 

Este guia explica por que a cigarrinha-do-milho se tornou uma praga tão preocupante, quais são os impactos reais nas safras recentes, como os bioinseticidas à base de microrganismos atuam no controle da praga e como esse tipo de solução está redefinindo o padrão de controle no campo. 

Ficha rápida: cigarrinha-do-milho 

Nome científico Dalbulus maidis 
Nome popular Cigarrinha-do-milho 
Dano direto Sucção de seiva 
Dano indireto (principal) Transmissão de enfezamentos (mollicutes) e viroses (mosaico estriado, raiado fino) 
Perda de produtividade Até 90% em genótipos suscetíveis (enfezamento); até 30% (viroses); até 50% (mosaico estriado) 
Capacidade reprodutiva Até 600 ovos por fêmea, em média 
Taxa de adoção de bioinseticidas no Brasil De 26% para 30% em uma safra 
Agentes biológicos de controle Pseudomonas chlororaphis e Pseudomonas fluorescens 
Solução Syngenta NETURE™ 

Principais pontos 

  • A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) causa dano principalmente pela transmissão de enfezamentos e viroses, não só pela sucção de seiva. 
  • O enfezamento pode derrubar até 90% da produção em genótipos suscetíveis. 
  • A taxa de adoção de bioinseticidas no Brasil passou de 26% para 30% em apenas uma safra. 
  • Pseudomonas chlororaphis produz HCN, terpenos repelentes e as proteínas FitD/FitE, que paralisam a praga. 
  • Pseudomonas fluorescens produz quitinases e sideróforos, fragilizando o inseto e fortalecendo a planta. 
  • NETURE™, da Syngenta Biologicals, combina as duas bactérias e não exige refrigeração para armazenamento. 

Por que a cigarrinha-do-milho se tornou a principal ameaça da cultura? 

Nos últimos ciclos produtivos, a cigarrinha-do-milho despontou como a principal vilã das lavouras de milho no Brasil. Até poucos anos atrás, esse pequeno inseto sugador era considerado uma praga secundária, mas sua capacidade de transmitir fitopatógenos (molicutes e vírus) que causam o complexo de enfezamentos fez os estragos dispararem desde 2015. 

Nas últimas safras de milho, a incidência da cigarrinha-do-milho aumentou de forma preocupante em várias regiões brasileiras (inclusive no Sul) e nos países vizinhos. Em condições de alta infestação, os prejuízos podem ser devastadores: esse inseto consegue comprometer 70% ou mais da produtividade, podendo até inviabilizar completamente a lavoura se não for controlado. 

O dano da cigarrinha-do-milho decorre não só da sucção de seiva, mas principalmente da transmissão de patógenos. Ao se alimentar, a cigarrinha inocula na planta bactérias fitoplasmáticas e espiroplasmas (mollicutes) que colonizam o floema, desencadeando sintomas de enfezamento vermelho ou pálido, doenças sistêmicas que provocam nanismo, encurtamento de entrenós, emborrachamento e secamento das plantas. 

folha de milho com sintomas de enfezamento por cigarrinha-do-milho
folha de milho com sintomas de enfezamento por cigarrinha-do-milho

Em genótipos suscetíveis, o enfezamento pode derrubar até 90% da produção. Além disso, a cigarrinha também pode transmitir viroses que reduzem a formação de grãos em até 30%, e o mosaico estriado, que causa perdas de 50% e espigas deformadas. 

Para agravar, em altas populações, a cigarrinha excreta honeydew nas folhas do milho, facilitando o crescimento de fumagina, que atrapalha a fotossíntese. 

Com grande capacidade de reprodução (cada fêmea põe até 600 ovos em média) e ciclos rápidos favorecidos por clima quente, esse inseto se tornou o desafio fitossanitário número um na cultura do milho atualmente. 

Quais os benefícios do controle biológico no manejo de pragas do milho? 

Produtores rurais têm aprendido a combinar defensivos químicos e biológicos, explorando o melhor de cada tecnologia para elevar a produtividade com menor impacto ambiental. Essa abordagem integrada resultou em ganhos de produtividade e maior sustentabilidade nas lavouras brasileiras. 

Não por acaso, os bioinseticidas foram o segmento de bioinsumos de maior destaque recente: a taxa de adoção média desses produtos passou de 26% para 30% em apenas uma safra, indicando que quase um terço das áreas cultivadas já utiliza controle biológico de insetos de alguma forma. 

Entre as vantagens reconhecidas do controle biológico, estão: 

  • Potencialização do manejo químico; 
  • Preservação da biodiversidade (pois poupa inimigos naturais benéficos); 
  • Rotação de mecanismos de ação; 
  • Em muitos casos, maior rentabilidade para o produtor. 

Ao manter as pragas em nível de equilíbrio, o agricultor pode economizar em insumos e evitar perdas, resultando em melhor produtividade. 

Outra importante contribuição do controle biológico no milho é retardar a evolução da resistência de pragas aos defensivos químicos. Como os bioinseticidas costumam atuar por modos de ação múltiplos, diferentes dos mecanismos convencionais, seu uso em rotação ou em conjunto com pesticidas sintéticos dificulta que as populações de insetos desenvolvam resistência generalizada. 

Além disso, muitos agentes biológicos têm efeito residual no ambiente e podem atingir fases das pragas que escapam aos químicos, proporcionando um controle mais completo. 

Por fim, vale destacar mais um efeito positivo do controle biológico na lavoura: ao preservar inimigos naturais e equilibrar o ecossistema agrícola, cria-se um ambiente menos favorável a surtos de pragas secundárias. 

Em suma, o manejo biológico de pragas do milho não só contém os insetos nocivos, mas também fortalece a resiliência do agroecossistema, o que reflete em ganhos de produtividade, qualidade e sustentabilidade a médio e longo prazo. 

Como o controle biológico atua contra a cigarrinha-do-milho? 

A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), por sua capacidade de causar danos indiretos gravíssimos (enfezamentos e viroses), é uma praga que demanda estratégias de manejo multifacetadas. No contexto do controle biológico, felizmente, há opções promissoras que vêm sendo exploradas e adotadas pelos produtores para combater esse inseto. 

cigarrinha-do-milho adulta em folha de milho
cigarrinha-do-milho adulta em folha de milho

Além dos microrganismos patogênicos já conhecidos, como os fungos, outra linha de controle biológico da cigarrinha vem se destacando e envolve agentes de controle indireto, como bactérias que estimulam as defesas da planta ou produzem compostos repelentes. 

Essas estratégias visam reduzir a atratividade do milho à cigarrinha ou aumentar a resistência das plantas à infecção. Por exemplo, algumas bactérias benéficas podem induzir respostas de defesa no milho que dificultam a aquisição e a transmissão dos fitopatógenos pela cigarrinha. 

A entrada de bioinseticidas nas aplicações ajuda a manter a população baixa sem sobrecarregar o ambiente. Esse esquema integrado é atualmente o mais recomendado por instituições de pesquisa para enfrentar a cigarrinha-do-milho. 

Em resumo, o controle biológico da cigarrinha-do-milho já é uma realidade e tende a se fortalecer com novas tecnologias biológicas, com destaque para o uso inovador de bactérias Pseudomonas no combate à cigarrinha. 

Como Pseudomonas chlororaphis e P. fluorescens atuam contra a cigarrinha? 

Quando se pensa em controle microbiano de insetos, logo vêm à mente bactérias, como Bacillus thuringiensis (famosa por seus bioinseticidas contra lagartas) ou os fungos. No entanto, pesquisas recentes têm explorado outras bactérias benéficas do solo como agentes de controle de pragas. 

É o caso de determinadas cepas do gênero Pseudomonas, conhecidas por produzirem metabólitos bioativos. Em especial, duas espécies de Pseudomonas, P. chlororaphis e P. fluorescens, vêm chamando atenção pela capacidade de atuar contra insetos sugadores, incluindo a cigarrinha-do-milho. 

A inovação aqui está no modo de ação multifatorial dessas bactérias. As Pseudomonas benéficas produzem um coquetel de substâncias com efeitos diversos sobre as pragas. 

Pseudomonas chlororaphis 

Estudos mostraram que certas cepas de P. chlororaphis sintetizam metabólitos inseticidas potentes, como o ácido cianídrico (HCN) e compostos terpênicos voláteis. O HCN é um gás tóxico de ação respiratória, capaz de intoxicar insetos por contato ou proximidade. 

Já os terpenos voláteis atuam como repelentes naturais, funcionando como uma “fumigação” no campo: ao serem liberados pelas bactérias nas plantas, criam uma barreira olfativa que afasta os insetos. Isso é particularmente útil contra pragas migratórias como a cigarrinha, reduzindo a colonização da lavoura. 

Além desses compostos, P. chlororaphis também produz proteínas inseticidas chamadas FitD e FitE. Essas proteínas têm ação tóxica quando ingeridas pelos insetos: elas atacam o sistema nervoso, causando paralisia muscular, e também prejudicam o trato digestivo das pragas sugadoras. 

Em essência, funcionam de maneira análoga às toxinas Bt, mas com estrutura diferente. Assim, se uma cigarrinha se alimentar de uma planta tratada com essas bactérias ou seus extratos, ela ingere as proteínas FitD/FitE e outros metabólitos, sofrendo paralisia e interrupção da alimentação, o que leva à sua morte em pouco tempo. 

Pseudomonas fluorescens 

Por sua vez, a Pseudomonas fluorescens contribui com outro conjunto de armas: essa bactéria é conhecida por produzir quitinases, enzimas que degradam quitina, o principal componente do exoesqueleto de insetos. Ao romper a barreira de quitina, as quitinases tornam os insetos mais vulneráveis, facilitando a penetração de patógenos ou ampliando os danos intestinais. 

P. fluorescens também libera sideróforos, moléculas quelantes de ferro que, embora visem principalmente promover o crescimento vegetal (ajudando a planta a absorver ferro), podem indiretamente afetar pragas ao estimular a planta a reforçar suas defesas. 

Em resumo, essa combinação de P. chlororaphis + P. fluorescens oferece uma abordagem integrada: ataca diretamente a praga por contato e ingestão, repelindo novos indivíduos, e simultaneamente fortalece a planta hospedeira. 

NETURE™: inseticida biológico no controle da cigarrinha-do-milho e outras pragas sugadoras 

 Banner do inseticida Neture com homem de camisa xadrez em pé em uma plantação verdejante, olhando para o horizonte sob um arco luminoso que simboliza proteção. Texto promocional destaca o produto Neture™ como solução biológica para controle de pragas com alta produtividade.

Os resultados de campo com essas bactérias no controle da cigarrinha-do-milho são animadores. Ensaios indicam redução significativa nas populações de Dalbulus maidis quando o produto biológico à base de Pseudomonas é aplicado preventivamente nas folhas do milho. 

Desenvolvido pela Syngenta Biologicals, NETURE™ é um inseticida microbiológico de alta performance formulado a partir das bactérias Pseudomonas chlororaphis e Pseudomonas fluorescens, atuando de forma sinérgica. Seu foco é o controle eficiente de pragas sugadoras de difícil manejo, com destaque para a cigarrinha-do-milho. 

Um dos grandes diferenciais de NETURE™ é a rapidez de ação. Graças aos metabólitos inseticidas produzidos pelas Pseudomonas (como HCN e compostos nicotínicos), o produto já começa a afetar as pragas imediatamente após a aplicação. 

Os resultados de laboratório e campo indicam mortalidade rápida de ninfas e adultos da cigarrinha, bem como redução na oviposição e na eclosão de ovos, isto é, NETURE™ consegue quebrar o ciclo da praga, atuando inclusive nas fases jovens que antes não eram bem controladas por outros métodos. 

A versatilidade e a conveniência operacional de NETURE™ também merecem destaque. Diferentemente de alguns bioinseticidas que exigem logística refrigerada, NETURE™ não requer armazenamento sob refrigeração, podendo ser estocado na fazenda como um defensivo comum. Além disso, testes de compatibilidade mostraram que ele pode ser misturado aos principais agroquímicos (inseticidas, fungicidas, etc.) sem perda de viabilidade, permitindo aplicações em conjunto. 

Isso significa que um produtor pode inserir NETURE™ em seu programa de pulverizações sem precisar fazer passadas extras, otimizando tempo e custos. Tal flexibilidade de aplicação ao longo de todo o ciclo da cultura facilita muito a adoção da tecnologia no manejo integrado. 

Como age um inseticida biológico no controle da cigarrinha-do-milho? 

Do ponto de vista do modo de ação, NETURE™ se destaca por combinar múltiplas frentes de ataque: contato direto (as bactérias e seus compostos em contato com o inseto causam mortalidade), ação por ingestão (as toxinas e proteínas, como FitD/FitE, atuam no intestino e sistema nervoso da praga) e efeito repelente/fumigante (devido aos terpenos voláteis produzidos, que afastam os insetos da área tratada). 

Adicionalmente, há um efeito benéfico sobre a planta: as Pseudomonas de NETURE™ promovem o crescimento radicular e induzem tolerância a estresses, o que leva a culturas mais vigorosas e resilientes. Em resumo, além de proteger, o produto ajuda a planta a se desenvolver melhor, um bônus agronômico interessante que agrega valor à solução. 

Resultados práticos demonstram que NETURE™ é eficiente desde a primeira aplicação, alcançando níveis de controle comparáveis aos padrões químicos logo de início. Produtores que testaram o produto relataram controle efetivo de cigarrinha e percevejos, com lavouras visivelmente mais sadias em comparação a áreas sem o biológico. 

Com NETURE™, os produtores de milho ganham uma opção inédita para lidar com pragas que vinham escapando do controle. Em suma, NETURE™ inaugura novos horizontes no controle de pragas, unindo o melhor da biologia e da química em prol da produtividade. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável. 

Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo. 

Perguntas frequentes 

1. O que é a cigarrinha-do-milho? 

É a Dalbulus maidis, um pequeno inseto sugador que se tornou a principal praga da cultura do milho no Brasil, por transmitir fitopatógenos que causam enfezamentos e viroses. 

2. Por que a cigarrinha-do-milho é tão prejudicial ao milho? 

Porque o dano não vem só da sucção de seiva, mas principalmente da transmissão de mollicutes e vírus, que causam doenças sistêmicas como o enfezamento vermelho ou pálido e o mosaico estriado. 

3. Quanto a cigarrinha-do-milho pode reduzir a produtividade? 

O enfezamento pode derrubar até 90% da produção em genótipos suscetíveis; viroses reduzem a formação de grãos em até 30%; e o mosaico estriado causa perdas de até 50%. 

4. Como o inseticida biológico controla a cigarrinha-do-milho? 

Bactérias como Pseudomonas chlororaphis e Pseudomonas fluorescens produzem compostos tóxicos, repelentes e enzimas que atacam a praga por contato, ingestão e efeito fumigante. 

5. Como agem as Pseudomonas chlororaphis e fluorescens contra a praga? 

P. chlororaphis produz HCN, terpenos repelentes e as proteínas FitD/FitE, que causam paralisia. P. fluorescens produz quitinases, que fragilizam o exoesqueleto do inseto, e sideróforos, que ajudam a planta a reforçar suas defesas. 

6. O que é o NETURE™? 

É um inseticida microbiológico da Syngenta Biologicals, formulado a partir de Pseudomonas chlororaphis e Pseudomonas fluorescens atuando de forma sinérgica contra pragas sugadoras, com destaque para a cigarrinha-do-milho. 

7. NETURE™ pode ser misturado com defensivos químicos? 

Sim. Testes de compatibilidade mostraram que pode ser misturado aos principais agroquímicos (inseticidas, fungicidas) sem perda de viabilidade, e não exige armazenamento refrigerado. 

8. O controle biológico ajuda a evitar resistência das pragas? 

Sim. Como os bioinseticidas atuam por modos de ação diferentes dos convencionais, seu uso em rotação ou associado a defensivos sintéticos dificulta que as populações de insetos desenvolvam resistência generalizada.