A colheita do milho safrinha 2025/26 ganhou ritmo nas últimas semanas de julho, mas ainda caminha abaixo do histórico em boa parte do país. Segundo boletim da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os trabalhos atingiram 49,8% da área até 18 de julho, avanço de 10,9 pontos percentuais em relação à semana anterior. Ainda assim, o ritmo segue 6,6 pontos percentuais atrás do mesmo período da safra passada e também abaixo da média dos últimos cinco anos, de 56,7%. 

Levantamento da consultoria AgRural, com foco na região centro-sul, seguiu na mesma direção: a colheita chegou a 49% da área até 16 de julho, ante 40% na semana anterior e 55% no mesmo período do ciclo passado. 

Colheita do milho safrinha varia entre os Estados 

O panorama regional ajuda a explicar o atraso nacional: 

  • Mato Grosso é o destaque positivo do ciclo. O Estado já tem a colheita finalizada ou muito próxima disso nas áreas do médio-norte, puxando o desempenho do país. 
  • Paraná e Goiás aparecem, segundo a AgRural, logo atrás de Mato Grosso, mas ainda a uma distância considerável. 
  • Goiás também concentra parte da frustração de produtividade do ciclo, já que o Estado enfrentou escassez de chuvas e deve puxar para baixo o desempenho da safra nacional. 
  • Minas Gerais, com problemas semelhantes no Triângulo Mineiro e em Unaí, também deve ter produção menor neste ciclo. 

Produção menor deve pressionar exportações 

Mesmo com a primeira safra em alta, a segunda safra responde pela maior fatia do milho nacional, e sua retração pesa no balanço total. A Conab estimou a segunda safra em 107,87 milhões de toneladas, queda de 0,5% frente ao levantamento anterior e recuo anual de 4,7%, mesmo com a produção total do país em 140,46 milhões de toneladas, alta de 0,2% na comparação mensal. A StoneX, por sua vez, elevou sua projeção para a segunda safra a 107,5 milhões de toneladas, alta de 1,4% frente à estimativa anterior, citando bons resultados da colheita em muitas regiões e chuvas de junho que beneficiaram áreas plantadas mais tarde. 

Do lado comercial, analistas já apontam efeitos sobre os embarques. Com oferta menor no segundo semestre, cresce entre analistas a expectativa de redução das exportações brasileiras na temporada 2025/26, em um cenário que ainda inclui incerteza sobre a capacidade do país de repetir o volume embarcado ao Irã, importante destino do milho brasileiro no ano anterior. 

Clima segue como fator de atenção no fim do ciclo 

Chuvas fora de época e umidade elevada nos grãos têm sido apontadas como os principais entraves ao avanço da colheita em áreas do Sul e Sudeste, retardando a retirada do milho do campo mesmo com o aumento do ritmo diário das operações nas últimas semanas. Para o produtor, o recado é claro: acompanhar de perto a janela de estiagem nas próximas semanas continua sendo decisivo para reduzir perdas de qualidade e destravar o escoamento da safra. 

Com a colheita do milho safrinha ainda em curso e a produção nacional revista para baixo, o mercado deve seguir monitorando de perto os próximos boletins da Conab e das consultorias privadas, que devem confirmar o tamanho real da segunda safra e seus efeitos sobre preços e exportações no segundo semestre de 2026.