A colheita da segunda safra de milho em MT entra em sua fase decisiva. Segundo levantamento divulgado pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o milho já está com praticamente toda a área colhida, enquanto o algodão ainda percorre um caminho mais longo até o fim dos trabalhos de campo. O clima seco das últimas semanas tem sido o principal aliado dos produtores para acelerar as operações antes do fechamento do ciclo.
Milho: colheita quase no fim e produtividade elevada
Os números do milho confirmam o ritmo acelerado da safra. Até a sexta-feira (24), 90,66% da área estimada já havia sido colhida em Mato Grosso, um avanço de 11,74 pontos percentuais em relação à semana anterior. O resultado coloca o estado 0,29 ponto percentual à frente do observado no mesmo período do ano passado.
O tempo firme, sem chuvas relevantes para atrapalhar as operações, tem permitido que as máquinas rodem em ritmo intenso pelos talhões. Com isso, a expectativa de produção do Imea chegou a 57,06 milhões de toneladas, volume 2,92% superior ao registrado no ciclo anterior.
Segundo o instituto, os rendimentos observados nas áreas já colhidas seguem elevados, o que reforça a leitura de uma safra recorde para o cereal. No mercado, dois movimentos têm equilibrado os preços:
- A oferta ampla de milho, típica do fim de colheita, pressiona as cotações para baixo;
- A demanda das usinas de etanol de milho, que seguem comprando com força, ajuda a segurar essa pressão.
Algodão avança, mas ainda está atrás da média dos últimos cinco anos
Enquanto o milho se aproxima do fim, o algodão segue um passo mais devagar. A colheita avançou 4,75 pontos percentuais na semana e atingiu 13,11% da área cultivada no estado. O percentual, no entanto, está 7,86 pontos percentuais abaixo da média verificada nos últimos cinco anos para a mesma época.
O principal motivo do atraso foi o início tardio dos trabalhos em campo, consequência das chuvas registradas em meados de junho de 2026, que atrasaram a maturação e o início da colheita da pluma. Apesar de essas chuvas não terem comprometido de forma relevante a produtividade, técnicos do Imea relatam preocupação entre os cotonicultores com possíveis perdas na qualidade da fibra colhida.
O que esperar para as próximas semanas
Com o clima mais estável, o Imea projeta uma intensificação dos trabalhos no campo de algodão nas próximas duas semanas, movimento que deve reduzir a diferença em relação à média histórica. Já para o milho, a fase final da colheita deve se confirmar nos próximos dias, consolidando o volume recorde estimado para o estado.
O comportamento das duas culturas nas próximas semanas será decisivo tanto para o fechamento oficial dos números da safra quanto para a formação de preços no mercado interno, especialmente diante da demanda aquecida da indústria de etanol de milho e da atenção redobrada do setor têxtil à qualidade da fibra de algodão colhida em Mato Grosso.
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