O etanol de milho começa a mudar a forma como a oferta de biocombustível se distribui ao longo do ano no Brasil. Segundo Márcio Bittencourt, fundador da Modde.app, o avanço ganha força mesmo diante da expectativa de uma moagem elevada de cana no Centro-Sul na safra 2026/27. 

Na segunda quinzena de junho, o etanol de milho respondeu por 23,4% da produção de etanol do Centro-Sul, a maior participação já registrada para o período. No acumulado da safra 2026/27, a fatia chega a 21,1%, com expectativa de superar 27% ao longo do ciclo. 

Etanol de milho cresce mesmo com safra recorde de cana 

O movimento chama atenção porque ocorre em um cenário de oferta abundante de matéria-prima para o etanol de cana. Ainda assim, o milho segue ampliando espaço na matriz produtiva, impulsionado por: 

  • Produção contínua ao longo do ano, sem depender do calendário de moagem 
  • Entrada de novos projetos e ampliação da capacidade instalada 
  • Maior previsibilidade de custo e disponibilidade da matéria-prima em algumas regiões 

Produção contínua reduz diferença entre safra e entressafra 

Diferente das usinas de cana, que concentram a produção durante o período de moagem, as plantas de etanol de milho operam de forma contínua. Essa característica tem impacto direto sobre a entressafra da cana: com mais volume entrando no sistema o ano todo, a diferença entre a disponibilidade de etanol na safra e na entressafra tende a diminuir à medida que o milho ganha espaço na matriz produtiva. 

Menor volatilidade de preços pode beneficiar o consumidor 

Historicamente, os meses de entressafra da cana concentram maior volatilidade de preços, justamente pela retração na oferta de etanol. Uma oferta mais distribuída ao longo do ano tende a reduzir essa pressão nos períodos de menor produção de cana, o que pode se traduzir em: 

  • Preços menos sujeitos a picos sazonais 
  • Paridades mais competitivas ao consumidor por um período mais longo 
  • Maior estabilidade para o planejamento de distribuidoras e postos 

Expansão da capacidade deve intensificar a tendência 

A tendência deve se fortalecer nos próximos anos com a expansão da produção e a entrada de novos projetos de etanol de milho no país. Mais do que apenas adicionar volume ao mercado, o crescimento do segmento passa a reorganizar a forma como a oferta se comporta ao longo do ano, com possíveis reflexos sobre a dinâmica de preços de todo o setor de biocombustíveis. 

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