O preço do açúcar bruto alcançou nesta quinta-feira, 1º de outubro, o maior nível em 18 meses na bolsa de Nova York. O contrato de referência fechou a 18,94 centavos de dólar por libra-peso, alta de 1,8%, depois de atingir 19,05 centavos durante a sessão. 

O avanço refletiu preocupações com a produção mundial na temporada 2026/27. Ao mesmo tempo, a disponibilidade atual permanece suficiente, o que limita uma leitura de escassez imediata. 

Preço do açúcar sobe com risco para a próxima safra 

O mercado passou a incorporar dúvidas sobre a oferta em países produtores. Tailândia e União Europeia aparecem entre as origens com possibilidade de redução, enquanto as projeções para a Índia ainda variam conforme fonte, clima e destinação de cana. 

Estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos apontam produção mundial próxima de 185 milhões de toneladas em valor bruto. O resultado representa uma leve retração diante da temporada anterior. 

Essas projeções ainda podem mudar. Área plantada, produtividade, chuvas e políticas para etanol influenciam quanto açúcar cada país colocará no mercado. 

Oferta atual segue ampla 

A alta dos futuros ocorre mesmo com boa disponibilidade física no curto prazo. A entrega do contrato de outubro alcançou 1,45 milhão de toneladas, maior volume de 2026. 

Uma entrega elevada costuma indicar que havia produto apto e disponível nos pontos aceitos pela bolsa. Esse movimento funciona como contraponto às preocupações com a safra seguinte. 

Parte desse açúcar poderá seguir para mercados asiáticos. A Indonésia aparece entre os destinos possíveis devido à redução da produção local de cana associada ao El Niño. 

Chuvas reduzem produção no Centro-Sul do Brasil 

No Brasil, o clima trouxe um sinal de menor oferta no curto prazo. A produção de açúcar do Centro-Sul caiu 41,6% na primeira quinzena de setembro, para cerca de 2,12 milhões de toneladas. 

A moagem de cana recuou aproximadamente 34%, para 30,16 milhões de toneladas. As chuvas reduziram o tempo disponível para colheita e interromperam a operação de várias unidades. 

O impacto não significa perda definitiva de todo o volume. Parte da matéria-prima pode ser processada mais tarde, caso o clima permita a retomada das frentes agrícolas. 

Umidade também afeta a qualidade da cana 

Além de atrasar a colheita, a chuva pode reduzir a concentração de açúcar nos colmos. Com mais água disponível, a planta tende a manter crescimento vegetativo e acumular sacarose em ritmo menor. 

A menor qualidade industrial reduz a quantidade de açúcar recuperada por tonelada de cana. Também pode levar as usinas a rever o equilíbrio entre açúcar e etanol. 

Essa decisão depende dos preços dos dois produtos, dos contratos já firmados e da configuração industrial de cada unidade. 

Mercado acompanha Índia, Tailândia e União Europeia 

A Índia tem grande influência sobre o comércio mundial porque pode alternar entre maior produção de açúcar, uso de cana para etanol e restrições às exportações. 

Na Tailândia, área, produtividade e condições climáticas determinam a oferta disponível para os compradores asiáticos. O país é um dos principais exportadores e compete diretamente com o produto brasileiro. 

Na União Europeia, custos de produção e redução da área de beterraba adicionam incerteza. Uma safra menor pode aumentar a necessidade de importações. 

Entre os fatores observados estão: 

  • Chuvas e produtividade nos principais produtores; 
  • Destinação de cana para açúcar ou etanol; 
  • Ritmo das exportações brasileiras; 
  • Estoques e demanda dos países importadores. 

Açúcar branco também registra alta 

Em Londres, o açúcar branco avançou 0,2%, para US$ 507,30 por tonelada. O contrato reflete um produto refinado e possui dinâmica diferente do açúcar bruto negociado em Nova York. 

A diferença entre os dois mercados envolve custos de refino, energia, fretes e disponibilidade regional. Mudanças nesses componentes podem ampliar ou reduzir o prêmio do açúcar branco. 

O que acompanhar nas próximas sessões 

Para o açúcar, os próximos dados de moagem do Centro-Sul indicarão se as usinas recuperaram parte do atraso. O mercado também seguirá atualizações de safra na Ásia e na Europa. 

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