O mercado agrícola brasileiro atravessa um período de relativo equilíbrio: a safra recorde de soja 2025/26 garante farta disponibilidade do grão e sustenta a liquidez nos negócios spot, mas essa mesma abundância impede que os preços avancem de forma mais expressiva. É o que apontam pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. 

Segundo o Cepea, mesmo com a demanda firme por parte dos processadores e exportadores, a perspectiva de colheita recorde atua como um freio natural sobre as cotações. O resultado é um mercado ativo, porém com preços travados em faixas estreitas. 

Colheita avança, mas ritmo varia entre regiões 

De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita brasileira de soja já alcançou 92,1% da área plantada, consolidando um ciclo produtivo que deve encerrar em níveis históricos. O avanço, porém, não é uniforme, pois há diferenças relevantes no ritmo de retirada entre os estados produtores, reflexo de condições climáticas e logísticas distintas. 

O escoamento acelerado da safra tem alimentado diretamente o mercado físico. Com grão disponível em abundância, os vendedores têm conseguido fechar negócios sem dificuldade, o que explica a elevada liquidez no spot, mas sem poder exigir prêmios mais altos. 

Cenário externo: clima e semeadura nos EUA 

No Hemisfério Norte, dois fatores concentram a atenção dos analistas internacionais. O primeiro é a preocupação com a baixa umidade do solo em regiões produtoras, que poderia comprometer o desenvolvimento das lavouras na nova safra americana. O segundo é a perspectiva de chuvas nos próximos dias, que pode aliviar o estresse hídrico e reduzir a pressão sobre as cotações globais. 

Soma-se a isso o avanço acelerado da semeadura nos EUA: 12% da área esperada já foi plantada até 19 de abril, ritmo superior ao do ano passado e à média dos últimos cinco anos, segundo o USDA. Esse desempenho reforça o cenário de ampla oferta global para os próximos meses, o que tende a manter a pressão baixista sobre as cotações, tanto nos mercados futuros de Chicago quanto nas praças brasileiras. 

Perspectiva: equilíbrio frágil 

A junção de oferta farta no Brasil e bom andamento da semeadura nos Estados Unidos desenha um mercado que, ao menos no curto prazo, deverá seguir sem grandes oscilações de preço. Os principais fatores de risco que poderiam alterar esse equilíbrio rapidamente são: 

  • Problemas hídricos no Hemisfério Norte, caso as chuvas esperadas não se confirmem ou cheguem fora do período crítico das lavouras 
  • Demanda chinesa mais robusta do que o esperado, que poderia absorver o excedente global e pressionar as cotações para cima 

Para o produtor brasileiro que ainda tem grão em mãos, o momento exige atenção às janelas de comercialização: a liquidez existe, mas as margens para valorização imediata são estreitas. 

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