Os preços do açúcar operam em alta nas principais bolsas internacionais nesta quarta-feira (5), dando continuidade ao movimento positivo observado nas últimas sessões. O mercado segue sustentado pela expectativa de uma oferta global mais apertada na safra 2026/27, enquanto os investidores continuam atentos às condições climáticas na Índia e aos possíveis impactos do El Niño sobre importantes regiões produtoras.
Como estão as cotações hoje
Por volta das 11h50 (horário de Brasília), os contratos futuros registravam:
- Nova Iorque (ICE Futures US): contrato outubro a 15,19 cents de dólar por libra-peso, alta de 15 pontos; contrato março/27 a 16,13 cents, avanço de 15 pontos.
- Londres (ICE Europe): contrato outubro do açúcar branco a US$ 475,90 por tonelada, alta de 320 pontos; contrato dezembro a US$ 475,60 por tonelada, avanço de 330 pontos.
Déficit global ganha força nas projeções
O principal fator de sustentação dos preços do açúcar continua sendo a perspectiva de uma oferta mundial mais restrita. Nesta semana, a Covrig Analytics revisou sua projeção para a safra 2026/27 e passou a estimar um déficit global de 300 mil toneladas, revertendo a previsão anterior de um superávit de 100 mil toneladas.
Outras consultorias reforçaram esse cenário:
- Green Pool Commodity Specialists: elevou a estimativa de déficit global para 3,3 milhões de toneladas, ante 1,76 milhão projetado em junho.
- StoneX: revisou a previsão para um déficit de 1,7 milhão de toneladas, ante 550 mil toneladas estimadas anteriormente.
Clima na Índia segue no foco do mercado
As condições climáticas na Índia permanecem entre os principais fatores monitorados pelos investidores. Na última sexta-feira, o Departamento Meteorológico do país informou que as chuvas de monção previstas para agosto e setembro devem ficar abaixo da média. O Ministério de Ciências da Terra mantém o alerta de que esta poderá ser a temporada de monções mais fraca dos últimos 11 anos.
Apesar disso, dados recentes mostram melhora nas precipitações: até 3 de agosto, o acumulado das chuvas de monção estava 12% abaixo da média histórica, avanço significativo frente ao déficit de 42% registrado no fim de junho. Esse cenário chegou a pressionar as cotações na semana passada, ao elevar as expectativas de uma produção maior de açúcar no país.
El Niño reforça preocupações com a oferta
Além da Índia, o mercado segue atento aos possíveis impactos do El Niño sobre a produção mundial de açúcar. A expectativa é de que o fenômeno reduza as chuvas em regiões produtoras importantes, como Brasil, Índia e Tailândia, elevando os riscos para a oferta global da commodity. As previsões climáticas indicam que o fenômeno poderá ganhar intensidade nos próximos meses, mantendo os agentes de mercado atentos aos efeitos sobre o desenvolvimento das lavouras e a disponibilidade de açúcar ao longo da safra 2026/27.
Mercado interno reflete cautela
No mercado físico brasileiro, as cotações do açúcar cristal branco registraram leve alta nos últimos dias em São Paulo. Segundo pesquisadores do Cepea, o mercado segue com liquidez restrita, enquanto os compradores continuam atuando de forma seletiva.
No cenário climático, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) projeta intensificação do El Niño, com pico previsto entre agosto e outubro de 2026. Para o Centro-Sul do Brasil, as avaliações indicam que:
- Chuvas mais frequentes no segundo semestre tendem a favorecer o desenvolvimento dos canaviais e a produtividade.
- O excesso de precipitações pode atrasar a colheita e limitar o avanço do ATR (Açúcar Total Recuperável).
Esse equilíbrio entre benefícios e riscos climáticos continuará sendo acompanhado de perto pelo mercado nas próximas semanas.
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