Uma comitiva ligada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) deve viajar para a China entre os dias 20 e 29 de março para reuniões bilaterais com representantes do governo chinês. Durante o encontro, as autoridades brasileiras e asiáticas discutirão temas sanitários e fitossanitários relacionados ao comércio agropecuário, tendo como um dos principais temas a fiscalização de produtos exportados pelo Brasil, como a soja.

A delegação brasileira integrará a X Reunião da Subcomissão de Temas Sanitários e Fitossanitários e da VII Reunião da Subcomissão de Agricultura da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação.

Entenda a crise recente

A crise fitossanitária teve início quando a China endureceu as normas de inspeção sanitária para a exportação brasileira de soja. As novas exigências do país asiático têm enfoque em um controle mais rigoroso de impurezas e de sementes de plantas daninhas, o que provocou uma incerteza operacional e regulatória para as grandes empresas do setor agrícola.

Diante deste cenário, grandes tradings que atuam no Brasil reagiram com uma suspenção temporária de compras e embarques destinados à China. A interrupção aconteceu porque o setor considerou os novos protocolos difíceis de serem cumpridos de imediato, evidenciando a vulnerabilidade do fluxo comercial brasileiro e a sensibilidade da cadeia produtiva a mudanças repentinas nas regras de fiscalização.

O episódio em questão tem destacado ainda a aceleração da necessidade de manejos agrícolas mais firmes na redução de impurezas, alinhando o setor agro brasileiro às exigências internacionais por produtos de alta qualidade sanitária e fitossanitária. A China, vale lembrar, é o principal comprador de soja do Brasil, adquirindo cerca de 80% dos grãos plantados em território nacional.

Reação do setor e do governo

Conforme já mencionado, as mudanças na fiscalização promovidas pelo MAPA a pedido do governo chinês geraram a suspenção temporária do fluxo comercial. O setor relata que existem pelo menos 20 navios carregados com soja que aguardam liberação para seguir viagem para a China.

Em entrevista à CNN, o ministro da Agricultura e Pecuária Carlos Fávaro declarou que a agenda internacional deve alinhar os procedimentos de fiscalização para promover segurança sanitária sem comprometer o fluxo das exportações brasileiras para o principal comprador externo da soja brasileira.

O Planalto aposta na estratégia de mostrar às autoridades chinesas quais são as plantas daninhas presentes no Brasil, como forma de convencer o governo Xi Jinping de que a presença destes resíduos nos carregamentos é baixíssima, sem risco sanitário aos importadores.

A medida reprisaria a compreensão que a China tem com os Estados Unidos em caso de impureza do grão. Alguns dos itens recentemente identificados nas cargas brasileiras foram carrapicho e sorgo, apontados como possíveis vilões do início da crise.

Saiba mais sobre as plantas daninhas

O capim-carrapicho (Cenchrus echinatus) e o sorgo (especialmente o sorgo de rebrota ou tiguera) são considerados dois problemas críticos para a cultura de soja, pois reduzem a produtividade e afetam a qualidade do grão colhido.

Capim-carrapicho na Soja

O carrapicho é uma das plantas daninhas mais problemáticas devido à sua capacidade de contaminação física e química dos grãos. Altamente tóxica e com presença proibida pela normativa do MAPA em cargas de exportação, essa praga se desenvolve rapidamente, competindo agressivamente por água, luz e nutrientes.

Seu manejo recomendado deve seguir os seguintes fluxos:

  • Monitoramento: deve ser feito desde o pré-plantio até a colheita.
  • Controle químico: herbicidas comoDual Gold; Fusilade; Primestra Gold; Zapp QI, todos comercializados pela Syngenta, são opções para o manejo.
  • Ação na colheita: quando identificado na lavoura, deve-se remover as plantas manualmente ou colher a área infestada separadamente para evitar a contaminação de todo o lote.

Sorgo na Soja (Sorgo-aleppo ou Voluntário)

O sorgo atua como daninha na soja principalmente como planta voluntária (sobras da safra anterior) ou através da espécie invasora Sorghum halepense (sorgo-aleppo). 

Considerado uma gramínea robusta que compartilha sensibilidades químicas com outras culturas, o sogro dificulta a utilização de determinados herbicidas seletivos, principalmente quando não há um planejamento apropriado. O manejo recomendado é descrito abaixo:

  • Dessecação pré-plantio: ação indispensável para iniciar a safra de soja “no limpo”.
  • Controle de gramíneas: uso de graminicidas específicos na pós-emergência da soja para eliminar o sorgo sem afetar a cultura principal.
  • Atenção à resistência: o manejo integrado, aliado aos controles químico e cultural (como rotação de culturas), deve ser feito para evitar o surgimento de plantas resistentes.

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