Mato Grosso segue isolado na liderança nacional e MAPITO acelera com clima seco, enquanto Paraná enfrenta problemas de qualidade no Oeste e demais estados ainda estão em fase inicial
A colheita do milho safrinha 2025/26 avança no Brasil em ritmo aquém do potencial. Segundo levantamento da AgRural divulgado no fim de junho, 22% da área cultivada no Centro-Sul havia sido colhida até 25 de junho, contra 16% na semana anterior e 18% no mesmo período do ciclo passado. O avanço, ainda que superior ao do ano passado, esbarra em uma combinação atípica de baixas temperaturas, chuvas fora de época e ocorrências isoladas de geadas em parte do cinturão produtor.
Colheita do milho safrinha é puxada por Mato Grosso
De acordo com a consultoria, Mato Grosso segue isolado na liderança da colheita, mesmo recebendo chuvas fora de época. Por conta da umidade elevada, há problemas de qualidade e dificuldades logísticas no recebimento de parte das cargas recém-chegadas das lavouras.
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) confirma o cenário. Em meados de junho, a produção estadual da safrinha foi mantida em 7,39 milhões de hectares, com produtividade média estimada em 120,28 sacas por hectare e produção total projetada em 53,35 milhões de toneladas. Mesmo com o ritmo consistente, a umidade acima do ideal tem forçado ajustes na operação e no recebimento nos armazéns.
Paraná enfrenta problemas de qualidade
No segundo maior produtor nacional, o quadro é mais delicado. Nas praças do Centro-Sul fora do MT, a combinação de chuva e frio, inclusive com ocorrências isoladas de geada, mantém a colheita em marcha lenta, além de causar problemas de qualidade, especialmente no oeste paranaense.
O Departamento de Economia Rural (Deral) mantém a projeção paranaense de milho safrinha em 17,54 milhões de toneladas, praticamente estável em relação a fevereiro, o que representa uma redução de 1% na comparação com 2025, quando as produtividades foram mais elevadas.
Panorama por região produtora
O ritmo da retirada do milho no campo varia bastante entre as praças. O quadro atual é o seguinte:
- Mato Grosso: líder isolado da colheita, com umidade elevada dos grãos gerando gargalos logísticos no recebimento
- Paraná: avanço lento e problemas de qualidade concentrados no Oeste, com geadas em lavouras tardias
- Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Minas Gerais: ainda em fase inicial, com colheita puxada para a segunda metade de julho
- MAPITO (Maranhão, Piauí e Tocantins): clima seco e temperaturas mais altas favorecem a dessecação natural e a retirada das lavouras prontas
- Rondônia: operações em aceleração, seguindo o ritmo do restante do Norte
Perspectiva de aceleração após meados de julho
A expectativa do setor é de aceleração no decorrer do mês. Análise da revista Cultivar aponta que, no Paraná, o retorno do sol pode permitir a retomada dos trabalhos após período com chuva, nebulosidade e umidade elevada nos grãos. A colheita nacional deve ganhar ritmo mais forte após a primeira dezena de julho, com avanço mais intenso a partir de 15 de julho.
Cenário macro e alerta para 2026/27
No panorama macro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou no seu 9º Levantamento, divulgado em junho, uma produção nacional de segunda safra de 107,9 milhões de toneladas, dentro de uma produção total de milho estimada em 140,5 milhões de toneladas somando as três safras do ano. O número reflete o impacto climático sentido no enchimento de grãos: no levantamento anterior, a Conab havia registrado recuo de 4,2% na estimativa do milho safrinha, ligado à restrição hídrica de abril no Centro-Oeste e no Sudeste, com produtividade caindo 6,2% para 6.096 kg/ha.
Para o produtor, o alerta se estende à próxima temporada. O Imea estimou o custeio da safra 2026/27 em R$ 3.799,42 por hectare, alta de 14,46% sobre o ciclo 2025/26, com o produtor mato-grossense precisando comercializar o milho a no mínimo R$ 45,96 por saca apenas para cobrir o Custo Operacional Efetivo. Some-se a isso a confirmação do El Niño pelo NOAA, com 88% de probabilidade entre maio e julho de 2026 segundo o IRI, fenômeno que historicamente traz mais chuva ao Sul e reduz precipitação no Norte e Nordeste, e o setor entra no segundo semestre com atenção redobrada ao calendário e ao manejo.
Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo.


Deixe um comentário