Quando uma lavoura começa a mostrar reboleiras com plantas menores, amarelecimento ou murcha nas horas mais quentes do dia, boa parte do dano já aconteceu. Isso porque nematoides e patógenos de solo iniciam o ataque pelo sistema radicular, um ambiente que o produtor não enxerga no dia a dia da propriedade. 

O impacto desse “inimigo oculto” é expressivo. Estimativas da Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN) apontam prejuízos de cerca de R$ 35 bilhões por ano ao agronegócio brasileiro causados apenas pelos nematoides.  

Na cana-de-açúcar, no café e nas culturas de hortifrúti (HF), cada sistema de produção tem suas próprias espécies-problema, épocas críticas e particularidades de manejo. Em comum, todos dependem de raízes saudáveis para estabelecer bem as plantas e sustentar o potencial produtivo ao longo do ciclo, inclusive em um cenário de maior variabilidade climática. 

Neste conteúdo, você vai entender o que acontece no solo quando nematoides e doenças atacam as raízes, como o clima interfere nesse processo, quais são os desafios específicos de cana, café e HF e por que diagnóstico, monitoramento e manejo integrado precisam caminhar juntos.  

Leia também: 

O que acontece abaixo da superfície do solo antes de o problema aparecer na lavoura 

O sistema radicular responde pela absorção de água e nutrientes, pela ancoragem da planta e por boa parte da sua capacidade de enfrentar períodos de estresse. Quando as raízes são danificadas por nematoides e patógenos de solo, a cultura perde a base que sustenta seu crescimento e sua produção. 

Essa perda pesa ainda mais em um cenário de variabilidade climática. Veranicos, ondas de calor e chuvas irregulares exigem mais do sistema radicular justamente quando ele precisa explorar um volume maior de solo em busca de água.  

Nessas condições, raízes já danificadas por nematoides e patógenos de solo ficam ainda mais expostas, e o problema costuma avançar de forma silenciosa. 

Dentre eles, dois grupos se destacam: 

Nematoides-das-galhas (Meloidogyne spp.) 

Induzem a formação de células gigantes e galhas, que desviam nutrientes da planta para o parasita e dificultam o transporte de água. 

Como identificar nas raízes: engrossamentos e nódulos aderidos ao próprio tecido da raiz, que não se soltam ao serem esfregados. 

Fotografia macro em fundo branco de raízes infestadas por nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.), exibindo deformações, espessamentos e nós arredondados ao longo das ramificações radiculares.

Nematoides-das-lesões (Pratylenchus spp.) 

Migram pelo interior das raízes, provocando necroses, escurecimento e redução do volume radicular. 

Como identificar nas raízes: lesões escuras, de coloração marrom a preta, distribuídas ao longo das raízes; sistema radicular escurecido, com poucas raízes secundárias e aspecto “podre” ou “chamuscado”. 

Como os sinais de Pratylenchus podem ser confundidos com podridões causadas por fungos, e diferentes espécies de Meloidogyne exigem estratégias distintas, a observação no campo serve como alerta. A confirmação da espécie e do nível populacional depende de análise laboratorial. 

Doenças de solo: o outro lado da equação 

Fungos habitantes do solo também atacam o sistema radicular e o colo das plantas, muitas vezes em aproveitando das lesões criadas pelos nematoides. Entre os mais relevantes estão: 

  • Fusarium solani, associado a podridões radiculares e murchas; 
  • Rhizoctonia solani, causador de tombamento e podridão-radicular, com impacto especial no estabelecimento das plantas; 
  • Macrophomina phaseolina, agente da podridão-cinzenta, que sobrevive no solo por longos períodos por meio de estruturas de resistência. 

Quando nematoides e patógenos de solo atuam juntos, o efeito sobre as raízes tende a ser maior do que o de cada um isoladamente. 

Desafios do sistema radicular em cada cultura 

Embora o mecanismo de dano seja semelhante, cada cultura apresenta espécies-problema, ciclos e janelas de manejo diferentes. 

Cana-de-açúcar: perdas que se acumulam a cada corte 

Por ser uma cultura semiperene, a cana convive com os nematoides por vários ciclos. As espécies de maior destaque nos canaviais brasileiros são Pratylenchus zeae, o mais comum, Meloidogyne javanica e Meloidogyne incognita. 

Segundo a Embrapa, M. javanica pode reduzir a produtividade em 30% no primeiro corte em algumas variedades. Já M. incognita causa danos mais severos, com redução que pode chegar a 50% no primeiro corte e 10% nas soqueiras seguintes. 

Os efeitos também se acumulam ao longo do tempo. Um estudo da Syngenta em parceria com a Agroconsult e a SBN indica que, a cada 10 safras, os nematoides podem gerar perda equivalente a 1,7 safra na cana.  

Vista aproximada de colmos de cana-de-açúcar colhidos e empilhados, destacando a base das touceiras e a presença de raízes aderidas ao solo.

Na prática, o canavicultor costuma observar: 

  • touceiras menores, com menos perfilhos e colmos mais finos; 
  • canavial irregular, com reboleiras; 
  • menor longevidade das soqueiras e antecipação da reforma. 

Café: raízes que sustentam muitas safras 

No cafeeiro, o sistema radicular precisa sustentar a planta por muitos anos, o que torna qualquer dano radicular um problema de longo prazo. As espécies de nematoides-das-galhas mais relevantes são Meloidogyne exigua, M. incognita e M. paranaensis, além de espécies do gênero Pratylenchus. 

  • M. exigua é a espécie mais disseminada nas regiões cafeeiras e pode causar quedas de produção de até 45% em cultivos altamente tecnificados.. 
  • M. incognita e M. paranaensis destroem o sistema radicular, especialmente em solos arenosos, e podem levar à morte das plantas. 

Como a cultura é perene, a prevenção ganha ainda mais peso: o uso de mudas sadias e o monitoramento das áreas evitam que o problema se instale e se espalhe pelo talhão. 

Vista de um cafezal em solo avermelhado com mudas jovens que apresentam folhas murchas, secas e amareladas, evidenciando sintomas de estresse hídrico ou danos no sistema radicular provocados por patógenos de solo.

Hortifrúti: produção e qualidade em risco 

No HF, o ciclo curto, o cultivo intensivo e a sucessão de culturas na mesma área favorecem a multiplicação dos nematoides. Meloidogyne incognita e M. javanica são as espécies de maior distribuição, ao lado do gênero Pratylenchus. 

Os danos atingem tanto a produtividade quanto o padrão comercial. Na cenoura, a Embrapa Hortaliças registra perdas que variam de 20% até 100%, conforme a densidade populacional, a cultivar, o tipo de solo e as condições ambientais. Em solanáceas, como tomate, pimentão e berinjela, também há registros de perdas totais em áreas muito infestadas. 

Raízes deformadas, tubérculos depreciados e plantas com menor vigor reduzem o valor do produto colhido, especialmente em hortaliças destinadas ao consumo in natura. 

Visão detalhada em fundo claro de dois tubérculos com rugosidades severas e deformações na casca provocadas pelo ataque de nematoides no solo.

Panorama comparativo 

 Cana-de-açúcar Café Hortifrúti 
Nematoides de destaque P. zeae, M. javanica, M. incognita M. exigua, M. incognita, M. paranaensis, Pratylenchus spp. M. incognita, M. javanica, Pratylenchus spp. 
Principal impacto Menor perfilhamento e longevidade das soqueiras Declínio das plantas e perdas acumuladas em várias safras Perdas de produtividade e de qualidade comercial 

Diagnóstico e monitoramento: enxergar o que o solo esconde 

O diagnóstico laboratorial é o caminho mais seguro para identificar quais espécies de nematoides estão presentes e em qual nível populacional. Essa informação orienta desde a escolha de variedades e cultivares até o posicionamento das ferramentas de controle. 

Segunda a Embrapa, uma boa análise nematológica segue alguns passos: 

  1. Escolher a época certa: coletar quando as plantas estiverem bem desenvolvidas e com raízes vivas, fase em que as populações de nematoides tendem a ser mais elevadas. Nas culturas anuais e no HF, o florescimento é a referência. Evite colheita, pós-colheita e entressafra, quando as raízes estão em deterioração. 
  1. Dividir a área: separar áreas com sintomas das áreas de bom desenvolvimento e, em talhões grandes, trabalhar com glebas de até 2 hectares, cada uma com sua própria amostra composta. 
  1. Percorrer a gleba em zigue-zague: reunir no mínimo 20 a 30 pontos de coleta para cada 1 a 2 hectares. Em reboleiras, priorize as margens, onde as plantas ainda têm raízes vivas, evitando plantas mortas ou muito debilitadas. 
  1. Coletar solo e raízes juntos: amostrar a camada de 0 a 20 cm ou 0 a 30 cm, na região de maior concentração de raízes. A amostra composta deve ter cerca de 1 kg de solo e pelo menos 200 g de raízes finas (radicelas). 
  1. Acondicionar e conservar: usar sacos plásticos resistentes e bem fechados, transportados em caixa térmica, idealmente entre 10 °C e 15 °C. Não deixe as amostras ao sol nem no congelador. Se o envio não for imediato, mantenha-as em geladeira por, no máximo, 3 a 4 dias. 
  1. Identificar e enviar: acompanhar cada amostra de uma ficha com cultura, variedade, idade das plantas, sintomas observados, histórico da área, tipo de solo e data da coleta, e enviá-la ao laboratório o quanto antes. 

Feito com regularidade, ao longo das safras, esse monitoramento permite acompanhar a evolução das populações e a resposta da área ao manejo adotado. 

Manejo integrado: camadas de proteção para o sistema radicular 

Já quando olhamos para o manejo, não existe uma ferramenta única capaz de controlar nematoides e doenças de solo. Os melhores resultados vêm da combinação de práticas, ajustadas à realidade de cada cultura: 

  • Mudas e material propagativo sadio. Mudas livres de nematoides evitam a introdução do problema em áreas limpas. 
  • Variedades e cultivares tolerantes ou resistentes, quando disponíveis para as espécies presentes na área. 
  • Rotação e sucessão com plantas não hospedeiras ou antagonistas, como algumas crotalárias. 
  • Manejo do solo e da matéria orgânica, que favorece a vida microbiana e o crescimento das raízes. 
  • Nutrição equilibrada e manejo da irrigação, que reduzem o estresse das plantas. 
  • Controle químico e biológico, posicionados de forma complementar e conforme recomendação técnica. 

Nesse conjunto, os biológicos ganham espaço por atuarem diretamente no ambiente radicular, ajudando a proteger as raízes e a estimular seu desenvolvimento. 

CERTANO®: o biológico para quem valoriza suas raízes 

CERTANO® é o biológico desenvolvido pela Syngenta Biologicals que proporciona resultados consistentes no controle de nematoides da cana e doenças em cana, café e hortífruti.  

O produto reúne diferentes modos de ação que se conectam diretamente aos desafios apresentados ao longo deste conteúdo: 

  1. Ação bionematicida: forma uma barreira física e química contra os nematoides, reduzindo a atração e a penetração dos juvenis nas raízes, além de produzir compostos e metabólitos que atuam na morte dos nematoides e inibem a eclosão de ovos. 
  1. Ação biofungicida: inibe o desenvolvimento de patógenos de solo, conforme os alvos registrados em bula. 
  1. Indução de resistência sistêmica: ativa as defesas naturais da planta. 
  1. Promoção de crescimento: estimula a produção de fitormônios que favorecem o desenvolvimento radicular e vegetativo. 

A ação de CERTANO® ocorre em duas frentes: um efeito imediato, logo após a aplicação, e um efeito prolongado, sustentado pela formação de biofilme ao redor das raízes e pela colonização do ambiente radicular.  

Infográfico destacando os diferenciais de CERTANO: ação bionematicida, ação biofungicida, colonização radicular e promoção de crescimento.

CERTANO® tem registro para nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.), nematoide-das-lesões (Pratylenchus spp.), nematoide-de-cisto (Heterodera spp.), além de doenças como podridão-cinzenta-do-caule (Macrophomina phaseolina), tombamento (Rhizoctonia solani) e murcha-de-fusarium (Fusarium solani).  

Compatível com defensivos e com excelente shelf life (tempo de armazenamento), CERTANO® pode ser armazenado por até 3 anos sem a necessidade de refrigeração, sendo a solução ideal para o produtor que valoriza suas raízes e a saúde do solo. 

CERTANO®. Resultado na certa. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável. 

Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo. 

Perguntas frequentes sobre nematoides e patógenos de solo 

1. Por que o sistema radicular é tão importante para o potencial produtivo?  

As raízes respondem pela absorção de água e nutrientes, pela ancoragem e por boa parte da capacidade da planta de enfrentar estresses. Quando são danificadas, o estabelecimento, desenvolvimento e produção da lavoura ficam comprometidos. 

2. Como saber se a lavoura tem problemas com nematoides?  

Reboleiras com plantas menores, amarelecidas e que murcham nas horas mais quentes são sinais de alerta. Arrancar plantas dessas áreas e observar as raízes ajuda: galhas indicam Meloidogyne spp., e lesões escuras com poucas radicelas sugerem Pratylenchus spp. Como esses sintomas podem ser confundidos com compactação ou deficiência nutricional, a confirmação depende de análise de solo e raízes em laboratório. 

3. Qual a relação entre nematoides e doenças de solo?  

As lesões provocadas pelos nematoides abrem portas de entrada para fungos como Fusarium, Rhizoctonia e Macrophomina. Quando atuam juntos, os danos ao sistema radicular tendem a ser maiores. 

4. A variabilidade climática aumenta o risco de perdas?  

Sim. Plantas com raízes danificadas pela ação de nematoides e patógenos de solo tem menor capacidade para lidar com estresses, como o déficit hídrico e o calor. Um sistema radicular protegido e bem desenvolvido ajuda a planta a atravessar melhor esses períodos. 

5. Quais nematoides mais preocupam na cana-de-açúcar? 

 Os mais relevantes são Pratylenchus zeae, Meloidogyne javanica e Meloidogyne incognita.  

6. Quais nematoides mais preocupam no café?  

Os mais relevantes são Meloidogyne exigua, Meloidogyne incognita e Meloidogyne paranaensis.  

7. Quais nematoides mais preocupam no hortifrúti?  

Os mais relevantes são Meloidogyne incognita, Meloidogyne javanica e espécies de Pratylenchus.  

8. Como fazer a amostragem para diagnóstico de nematoides?  

Segundo a Embrapa Cerrados, o ideal é coletar com as plantas bem desenvolvidas e raízes vivas, em glebas de até 2 hectares, reunindo de 20 a 30 pontos em zigue-zague na camada de 0 a 20 ou 0 a 30 cm. A amostra composta deve ter cerca de 1 kg de solo e 200 g de radicelas, ser conservada entre 10 °C e 15 °C e seguir rapidamente para o laboratório. 

9. O que é manejo integrado de nematoides e doenças de solo?  

É a combinação de práticas como uso de material propagativo sadio, variedades tolerantes, rotação com plantas não hospedeiras, manejo do solo, nutrição equilibrada e controle químico e biológico, ajustada à realidade de cada cultura. 

10. Como CERTANO® protege o sistema radicular de nematoides e patógenos de solo? 

CERTANO®, da Syngenta Biologicals, é formulado com Bacillus velezensis e reúne ação bionematicida, ação biofungicida, indução de resistência sistêmica e promoção de crescimento radicular e vegetativo, com efeito imediato e prolongado. É indicado para cana-de-açúcar, café, HF e todas as culturas com ocorrência dos alvos registrados em bula.