Atualizado em 05/12/2024.

As frequentes instabilidades causadas pelas mudanças climáticas, como longos períodos de estiagem, podem acabar provocando o aumento da pressão de tripes. Isso acontece porque a seca prolongada cria um ambiente favorável para o desenvolvimento e a multiplicação desse inseto, favorecendo a sua proliferação.

O tripes é um inseto polífago capaz de se alimentar de diversas plantas de importância econômica, como a soja, o algodão, o feijão e os hortifrútis. Essa praga se destaca tanto pelo dano direto que causa ao se alimentar, quanto pela transmissão de doenças de grande impacto econômico nas lavouras brasileiras.

Dentre as culturas afetadas pelo tripes, a soja enfrenta problemas com as espécies Frankliniella schultzei e Caliothrips phaseoli, que apresentam diferenças morfológicas, mas provocam prejuízos semelhantes à lavoura. Estudos demonstraram que a presença de cerca de 73 tripes por folíolo, no estádio reprodutivo da leguminosa, pode resultar em perdas de 10 a 25% de rendimento.

Dessa forma, para que o controle do tripes seja eficaz, é fundamental conhecer sua biologia e os danos que causa, além de realizar o monitoramento contínuo e a identificação precisa do inseto.

Saiba como o uso de novas tecnologias e inseticidas específicos, em um programa de Manejo Integrado de Pragas (MIP), pode contribuir para um controle sem precedentes do tripes na soja.

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Tripes: o minúsculo invasor que ameaça a soja

O tripes é um pequeno inseto da ordem Thysanoptera, com cerca de 2 mm de comprimento, o que dificulta a sua identificação no campo. É caracterizado por possuir um corpo estreito e alongado. Sua coloração pode variar entre tons amarelados, marrons e pretos, dependendo da espécie.

Adulto de Frankliniella schultzei na soja (próximo à flor).

Esse inseto possui antenas segmentadas e dois pares de asas finas que apresentam franjas nas bordas, o que facilita o voo, embora em curtas distâncias. O aparelho bucal é do tipo raspador-sugador, composto por uma única mandíbula e duas lacíneas que formam estiletes.

Essa estrutura permite que o inseto perfure e raspe a superfície das células vegetais para extrair seu conteúdo. Esse tipo de alimentação é responsável por causar manchas de tons claros e lesões nas folhas, bem como por introduzir patógenos na planta.​

O tripes se reproduz assexuadamente e sexuadamente, com machos originados de ovos não fertilizados e fêmeas de ovos fertilizados. Uma característica importante desse inseto é seu ciclo de vida que, do ovo ao adulto dura cerca de 15 dias, influenciado por fatores ambientais. 

Os adultos são pequenos, com comprimento de 1 a 2 mm, apresentando coloração marrom ou preta e vivem em média 45 dias. Já as fêmeas vivem em média 38 dias ovipositando sob a epiderme das folhas e das estruturas reprodutivas das plantas.

Após a postura, por volta de 7 dias, as ninfas eclodem e passam por quatro estágios de desenvolvimento antes de atingirem a fase adulta, dois larvais e os estágios de pré-pupa e pupa. As ninfas têm a aparência semelhante a dos adultos, porém são menores, mais claras e ápteras, e a sua cor varia de acordo com a espécie, podendo ser branca, amarela, marrom ou preta. 

As ninfas costumam se abrigar em folíolos que ainda não se abriram e na face inferior dasfolhas, onde se alimentam até puparem no solo ou na folha, dependendo da espécie. Isso torna o seu controle mais complexo, dificultando a sua identificação no início da infestação.

Ninfa de Caliothrips phaseoli. Fonte: CropLife

O clima seco é um fator que favorece a proliferação do tripes, pois a ocorrência de chuvas contribui para o controle mecânico desses insetos, além de criar um ambiente propício para o crescimento de microrganismos que são inimigos naturais, auxiliando também no controle biológico deles.

No Brasil, as espécies de tripes mais comuns em lavouras de soja são: Caliothrips phaseoli e Frankliniella schultzei. Estão distribuídas em várias regiões produtoras, especialmente em locais com condições climáticas mais secas. Vamos explorar as principais espécies de tripes da soja, suas particularidades e como impactam as lavouras!

Frankliniella schultzei

No Brasil, aproximadamente 40 espécies do gênero Frankliniella estão registradas e amplamente distribuídas. Entre essas espécies, a F. Schultzei se destaca por sua importância econômica, como principal vetor da virose conhecida como queima-do-broto-da-soja e pelo potencial de causar danos diretos às plantas, impactando a produtividade.

Os adultos dessa espécie exibem o corpo com coloração variável. Nas formas de coloração castanha, o pronoto e as pernas são amarelos e a antena possui os segmentos III a V com base amarelada. Já as formas amarelas apresentam marcas castanhas discretas no abdômen e os segmentos VI a VIII das antenas são castanhos.

Adulto de Frankliniella schultzei. Fonte: Tripes do Brasil

O ciclo de vida da F. schultzei pode variar de 9 a 18 dias, influenciado por fatores ambientais. Quando adultos, esses insetos têm uma expectativa de vida média de 14 dias e se reproduzem por partenogênese. As fêmeas depositam em média 75 ovos no interior da epiderme das folhas e a eclosão ocorre aproximadamente 4 dias após a oviposição. 

Caliothrips phaseoli

A espécie Caliothrips phaseoli é comum no Sul do Brasil, mas apresenta ampla distribuição no país, atacando, além da soja, outras leguminosas, como o feijão e o amendoim. 

A C. phaseoli  apresenta coloração amarelada e atinge cerca de 1 mm de comprimento na fase adulta. Suas asas são franjadas, com manchas castanhas nas asas anteriores. Outro aspecto morfológico característico é que o tarso das pernas é composto por apenas um segmento.

Adulto de Caliothrips phaseoli. Fonte: Tripes do Brasil

As ninfas possuem corpo de coloração amarela e permanecem abrigadas no interior das folhas ou nos folíolos jovens ainda fechados. Elas passam por quatro ínstares, sendo dois móveis, durante os quais se alimentam ativamente, e dois sésseis, em que permanecem inativas.

Tanto as ninfas quanto os adultos tendem a se concentrar nas partes inferiores das plantas, onde encontram um ambiente mais úmido e protegido da radiação solar, favorecendo sua sobrevivência e reprodução.

Os adultos se reproduzem assexuadamente e sexuadamente. Em condições ideais, o ciclo completo pode durar de 16 a 20 dias. Esse ciclo curto e a capacidade de desenvolvimento em diferentes hospedeiros agrícolas são características que tornam o tripes uma praga desafiadora para os produtores de soja.

Pequenos insetos, grandes danos

A preocupação com o controle do tripes deve ser constante, não só porque o clima pode favorecer a sua proliferação, mas também pelo fato desse inseto ser minúsculo e se abrigar no interior das estruturas das plantas, o que dificulta a sua visualização no início da infestação. Assim, quando o produtor detecta os danos, a população já atingiu níveis elevados.

O tripes utiliza suas peças bucais para perfurar as células foliares, alimentando-se do conteúdo celular. Esse processo provoca a perda de água, levando ao murchamento das folhas e ao aparecimento de áreas com coloração prateada, resultantes das lesões nos tecidos.

A necrose celular prejudica a capacidade fotossintética das plantas, comprometendo seu desenvolvimento. Além disso, em infestações severas, o tripes pode atacar botões florais e vagens, afetando o potencial reprodutivo da soja e, consequentemente, reduzindo a produção de grãos.

Não menos importante, o estresse causado pelas lesões também pode favorecer a queda prematura das folhas, das flores e das vagens, além de acelerar a senescência, comprometendo o rendimento final da planta.

Danos foliares na soja causados pelo tripes.

Além dos danos diretos, o tripes também é capaz de transmitir patógenos, como o vírus TSV (Tobacco streak virus), que causa a doença conhecida como queima-do-broto-da-soja. Essa doença manifesta-se por meio de necrose e curvamento dos brotos apicais, acompanhada de necrose da haste e deformação de vagens e folhas. Ocorre também a redução do comprimento dos entrenós, crescimento desordenado de ramos e nanismo da planta, prejudicando a produção.

Sintomas da queima-do-broto-da-soja, causada pelo vírus TSV em vagens e brotos apicais. Fonte: Iowa State University

Como controlar o tripes na lavoura de soja?

O manejo do tripes é complexo devido à alta taxa de reprodução, ao ciclo de vida curto e à capacidade desses insetos de se abrigarem em áreas das plantas de difícil acesso para aplicações de inseticidas.

Por isso, o monitoramento regular é essencial para a detecção precoce, permitindo a implementação de ações antes que as populações atinjam níveis críticos, evitando prejuízos mais sérios.

O controle do tripes pode ser realizado através das seguintes estratégias:

  • Monitoramento contínuo: é essencial inspecionar regularmente as plantas, especialmente durante períodos de seca.
  • Eliminação de plantas hospedeiras: reduzir a quantidade de plantas daninhas que possam servir de refúgio para os tripes, como Ambrosia polystachya (cravorana).
  • Programação da época de semeadura: planejar a semeadura de forma a evitar que as fases mais vulneráveis da cultura coincidam com períodos secos e de baixa umidade.
  • Controle químico seletivo: utilizar inseticidas com ação translaminar ou sistêmica, que consigam atingir ninfas e adultos escondidos nas partes inferiores das folhas.

O controle químico é uma importante ferramenta no manejo do tripes. Pensando nisso, a Syngenta indica POLYTRIN®, um inseticida que permite atingir os tripes escondidos nas folhas, oferecendo proteção prolongada e eficaz, reduzindo o risco de reinfestação e contribuindo para a produtividade das lavouras.

POLYTRIN® é choque e controle de fato

POLYTRIN® é um inseticida polivalente desenvolvido pela Syngenta, destinado ao controle eficaz de pragas nas culturas de soja. Sua formulação combina dois ingredientes ativos:

  • Profenofós: pertencente ao grupo químico dos organofosforados, atua como inibidor da acetilcolinesterase, afetando o sistema nervoso dos insetos.
  • Cipermetrina: um piretroide que modula os canais de sódio, resultando em paralisia e morte das pragas.

Essa combinação proporciona um amplo espectro de ação, permitindo o controle de diversas pragas, incluindo tripes, percevejos e lagartas. POLYTRIN® se destaca por seu efeito de choque imediato e controle prolongado, permitindo uma ótima proteção para a cultura.

Conheça os benefícios de POLYTRIN®:

  • Amplo espectro de controle: tripes, percevejo e todo o complexo de pragas da soja.
  • Maior potência de choque: facilidade e efetividade no manejo.

Outro benefício de POLYTRIN®  é seu posicionamento multiculturas, podendo ser usado em soja, milho e algodão, além de possuir uma formulação que permite tanto aplicação aérea quanto terrestre, oferecendo conveniência e flexibilidade ao produtor.

POLYTRIN® oferece ao produtor uma solução eficiente e de longa duração no controle das principais pragas, destacando-se como uma ferramenta fundamental para proteger a produtividade da soja.

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.

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