As lagartas do gênero Spodoptera são pragas altamente polífagas e resistentes que ameaçam a produtividade de diversas culturas ao causar desfolha severa e danos diretos a frutos e vagens. Aprenda a identificar e estratégias de manejo integrado.
As lagartas do gênero Spodoptera representam uma das principais ameaças para a agricultura brasileira, com sua alta capacidade de destruição e adaptação a diferentes culturas. Esse grupo de pragas, notoriamente polifágico, afeta uma ampla gama de cultivos, desde milho e soja até algodão e hortaliças. Conhecer as espécies, seus ciclos de vida e os danos específicos que causam é essencial para adotar estratégias de controle eficazes e proteger a produtividade da lavoura.
Neste artigo, exploramos as principais espécies de Spodoptera, seus danos e as estratégias de Manejo Integrado de Pragas (MIP) que devem ser aplicadas para garantir a sustentabilidade e a rentabilidade da produção agrícola.
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Principais espécies de lagartas do gênero Spodoptera
O gênero Spodoptera inclui diversas espécies de lagartas que causam danos em várias culturas. Elas são caracterizadas pela polifagia, ou seja, têm a capacidade de se alimentar de uma vasta gama de plantas hospedeiras, e pela alta resistência aos métodos tradicionais de controle.
1. Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)
A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) é uma das pragas mais destrutivas no Brasil, especialmente em culturas como milho, algodão e soja. Seu impacto na produtividade pode ser devastador, devido à falta de controle adequado.
A lagarta-do-cartucho tem coloração variável, que pode ir do verde-claro ao quase preto, com listras longitudinais bem visíveis ao longo de seu corpo. Uma característica importante para a identificação em campo é a presença de quatro pontos pretos no oitavo segmento abdominal e um “Y” invertido de cor clara na cápsula cefálica.
As larvas passam por seis estádios de desenvolvimento, e a cor da lagarta muda conforme ela cresce, tornando-se mais escura na fase adulta:
- Ovos: a fêmea deposita até 2.000 ovos em massas sobre as folhas.
- Larvas: as larvas passam por 6 estádios, com o corpo mudando de cor conforme crescem.
- Pupa: a fase de pupa dura 7 a 13 dias, ocorrendo no solo.
- Adulto: a mariposa emerge da pupa, depositando ovos para reiniciar o ciclo.

Principais danos
Os danos causados por Spodoptera frugiperda são devastadores para culturas como milho, soja e algodão.
- Milho: ataque ao cartucho, perfurando as folhas e destruindo o ponto de crescimento, o que pode levar à morte da planta.
- Algodão: perfuração de botões florais, maçãs e caules, comprometendo a qualidade da fibra.
- Soja: desfolha severa, especialmente em plântulas, e danos nas vagens e hastes, prejudicando o rendimento.
2. Lagarta-preta (Spodoptera cosmioides)
Conhecida também como lagarta-das-folhas, a lagarta-preta (Spodoptera cosmioides) é notória por sua capacidade de causar desfolha rápida em culturas como soja e algodão.
A lagarta-preta tem coloração escura, variando de cinza a preto, com faixas amarelas ou alaranjadas ao longo de seu corpo. Também apresenta pontos pretos nas laterais, o que ajuda a identificá-la no campo. Ela é mais robusta do que outras lagartas do gênero Spodoptera e tende a se alimentar em grandes grupos.
O ciclo de vida da lagarta-preta é semelhante ao das demais lagartas do gênero, com a fêmea depositando ovos que dão origem às larvas que se alimentam de uma variedade de plantas hospedeiras. A fase de pupa ocorre no solo, de onde emerge a mariposa adulta.
- Ovos: deposita 50 a 300 ovos em massas nas folhas das plantas.
- Larvas: passa por 6 estádios, mudando de cor conforme o crescimento.
- Pupa: a fase de pupa dura 10 a 14 dias, ocorrendo no solo.
- Adulto: a mariposa adulta emerge para reiniciar o ciclo, com nova deposição de ovos.
Principais danos
A Spodoptera cosmioides causa grandes danos, principalmente em soja, algodão e feijão, sendo responsável por uma desfolha significativa e comprometendo o desenvolvimento das plantas.
- Soja e algodão: desfolha intensa e consumo de brotações.
- Feijão e tomate: ataque às folhas, às flores e frutos em formação.
- Plântulas jovens: as larvas podem cortar plântulas, prejudicando o desenvolvimento inicial.
3. Lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania)
A lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania) é conhecida por sua distribuição ampla e por causar desfolha em diversas culturas, especialmente hortaliças, soja e algodão.
A Spodoptera eridania apresenta uma coloração que varia do verde-claro ao marrom-escuro, com uma faixa amarela ou alaranjada visível nas laterais do corpo. Além disso, ela apresenta pontos pretos e manchas triangulares escuras nas laterais, facilitando sua identificação. As larvas se tornam progressivamente maiores e mais vorazes conforme passam pelos diferentes estádios de desenvolvimento.
O ciclo de vida dessa lagarta é composto por fases bem definidas, e é crucial monitorar o desenvolvimento da praga para aplicar o controle no momento adequado, evitando grandes prejuízos.
- Ovos: a fêmea deposita ovos em massas na parte inferior das folhas.
- Larvas: passam por seis estádios, e a coloração escurece conforme crescem.
- Pupa: a pupa se desenvolve no solo durante 8 a 12 dias.
- Adulto: a mariposa adulta reinicia o ciclo, depositando ovos nas folhas.

Principais danos
Os danos causados pela lagarta-das-folhas são significativos, afetando principalmente culturas como soja e algodão, e podem levar à perda de produtividade se não controlados.
- Soja e algodão: perfurações nas folhas e desfolha intensa.
- Hortaliças: ataque às brotações, podendo levar à morte precoce das plantas.
- Frutos e vagens: em infestações severas, a lagarta pode consumir frutos e vagens em formação, comprometendo o rendimento e a qualidade da produção.
4. Lagarta-das-vagens (Spodoptera albula)
Embora menos conhecida, a lagarta-das-vagens (Spodoptera albula) se destaca pelo impacto direto na produção de grãos em leguminosas, como soja e feijão, causando perdas significativas.
A lagarta-das-vagens possui uma coloração que varia de verde-clara a marrom-clara, com listras longitudinais discretas e uma faixa lateral escura. Ela é relativamente difícil de detectar devido à sua boa camuflagem nas plantas, mas à medida que cresce, torna-se mais visível. Sua alimentação inicial se dá pelas folhas, mas com o crescimento, ela ataca principalmente as vagens e grãos.
O ciclo de vida da Spodoptera albula segue o padrão de outras espécies de Spodoptera, com o estágio de pupa ocorrendo no solo e a mariposa adulta depositando ovos em novas plantas hospedeiras.
- Ovos: a fêmea deposita ovos em massas nas folhas das plantas hospedeiras.
- Larvas: passam por 6 estádios, se alimentando das folhas e, posteriormente, das vagens.
- Pupa: a pupa se forma no solo, e o ciclo de pupação dura 8 a 12 dias.
- Adulto: a mariposa adulta emerge para reiniciar o ciclo.
Principais danos
A Spodoptera albula é responsável pela perfuração das vagens e consumo de grãos em desenvolvimento.
- Leguminosas (soja, feijão, amendoim): perfuração das vagens e consumo direto dos grãos em desenvolvimento, resultando em perda de peso e redução da qualidade.
- Desfolha: embora menos intensa, a desfolha também é observada, prejudicando a fotossíntese e o crescimento das plantas.
- Danos mecânicos: a perfuração das vagens facilita a entrada de patógenos, aumentando o risco de doenças nas plantas.
Técnicas de manejo para controle das lagartas do gênero Spodoptera
O controle eficaz dessas pragas exige um Manejo Integrado de Pragas (MIP), que envolve uma combinação de métodos para reduzir a população das lagartas e minimizar os danos econômicos. Abaixo estão as principais estratégias de controle:
1. Monitoramento constante
A vigilância constante é a chave para detectar infestação no início. Utilize armadilhas luminosas, armadilhas de feromônio e amostragens em campo para avaliar a presença de ovos e larvas. Quanto mais cedo a praga for identificada, mais eficaz será o controle.
2. Controle cultural
Práticas como rotação de culturas, destruição de restos culturais e ajuste de datas de semeadura podem reduzir o hospedeiro e interromper o ciclo da praga.
3. Controle biológico
O controle biológico envolve estimular a presença de predadores naturais como percevejos e aranhas, além do uso de bioinseticidas à base de Bacillus thuringiensis (Bt), que são eficazes contra lagartas.
4. Controle químico
Inseticidas com diferentes modos de ação para evitar resistência complementam o manejo. A escolha dos produtos deve ser feita com responsabilidade e precisão, sempre preservando os inimigos naturais.
A Syngenta conta com um portfólio de inseticidas para você alcançar o máximo potencial produtivo, protegendo a sua cultura de diversas pragas. Para o manejo da lagarta-militar, o produto mais indicado é Proclaim ® e AMPLIGO®.
5. Controle por biotecnologia
Cultivares geneticamente modificadas (Bt) que expressam proteínas inseticidas podem ser uma ferramenta eficaz no controle de Spodoptera. Contudo, deve-se usar áreas de refúgio para evitar resistência.
As lagartas do gênero Spodoptera representam um dos maiores desafios para a agricultura brasileira. Com sua polifagia e alta capacidade reprodutiva, elas exigem um manejo integrado contínuo e eficaz. Ao adotar estratégias como monitoramento constante, controle biológico e o uso de biotecnologia, é possível minimizar os impactos dessas pragas e proteger a produtividade das lavouras.
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