geada no Paraná, registrada entre os dias 12 e 18 de maio, provocou impacto direto em duas das principais culturas da segunda safra do estado. O feijão, que atravessava estágio reprodutivo, foi o mais afetado: a queima foliar comprometeu flores e vagens em formação, resultando em perdas expressivas de produtividade em diversas regiões produtoras. 

O milho safrinha também acusou danos. A queima de folhas em plantas ainda em fase vegetativa ou início de enchimento de grãos reduz a capacidade fotossintética e, em casos mais severos, compromete o rendimento final da lavoura. 

Feijão e milho: perdas na lavoura e pressão nos preços 

As perdas registradas no feijão de segunda safra devem se refletir diretamente no mercado. Com menor oferta projetada, analistas e produtores já observam tendência de elevação dos preços do grão nas próximas semanas. 

Os principais impactos identificados até agora incluem: 

  • Queima de folhas e estruturas reprodutivas no feijão em estágio crítico de floração e formação de vagens 
  • Redução estimada na produtividade por hectare nas regiões mais atingidas 
  • Danos foliares no milho safrinha com potencial reflexo no rendimento final 
  • Pressão de alta nos preços do feijão decorrente da queda de oferta 

Trigo segue plantio em condições favoráveis 

Enquanto feijão e milho contabilizam prejuízos, o trigo escapou dos efeitos da geada de maio. O plantio avançou bem: até o momento do evento, 48% da área estimada para a safra já havia sido semeada, com 100% das lavouras em condições favoráveis de desenvolvimento. 

O bom desempenho inicial do trigo, no entanto, não elimina os riscos à frente. 

Junho: nova massa polar e atenção redobrada 

O Simepar projeta a chegada de novas massas de ar polar na segunda quinzena de junho, com risco de geadas pontuais em regiões paranaenses. O timing é crítico para três culturas: 

  • Trigo e cevada, que estarão em fases de espigamento e enchimento de grãos, etapas de alta sensibilidade ao frio 
  • Milho safrinha, que pode estar em pleno enchimento de grãos nas áreas de semeadura mais tardias 

Geadas nesse período costumam provocar danos irreversíveis na formação dos grãos, com impacto direto na qualidade e no peso final da produção. 

Como se preparar para os riscos de junho 

Diante do cenário projetado, produtores e técnicos devem acompanhar com atenção as previsões do Simepar e do sistema de alertas agroclimáticos estadual. Algumas práticas podem reduzir perdas: 

  • Monitorar boletins meteorológicos diariamente a partir da primeira quinzena de junho 
  • Identificar as lavouras de trigo e cevada em estágio de espigamento, que são as mais vulneráveis 
  • Avaliar o estágio do milho safrinha por talhão para priorizar o acompanhamento 

A sazonalidade climática do Paraná exige atenção permanente entre maio e agosto. Com o feijão já penalizado e o trigo ainda em formação, a gestão do risco climático nas próximas semanas será decisiva para o resultado da safra de inverno no estado. 

Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo.  

Mais Agro  

Culturas