A brusone é uma doença altamente agressiva que ataca arroz e trigo, caracterizada por lesões foliares em formato de “olho” e necrose que se espalha rapidamente pelas partes aéreas. Conheça os principais danos e como manejar.

A proteção fitossanitária é um dos pilares da produtividade no agronegócio moderno. Entre as doenças mais agressivas e desafiadoras, a brusone se destaca pelo alto potencial destrutivo e pela rapidez com que pode comprometer lavouras inteiras. Causada pelo fungo Pyricularia grisea (também conhecido como Magnaporthe oryzae), essa doença afeta culturas estratégicas como arroz e trigo, gerando perdas expressivas de rendimento, qualidade e rentabilidade. 

A seguir, entenda o que é a doença, como se desenvolve, quais culturas são mais afetadas, os principais danos econômicos e as estratégias mais eficientes de manejo integrado. 

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Características da brusone (Pyricularia grisea

A brusone é uma doença fúngica altamente destrutiva, causada por Pyricularia grisea (Magnaporthe oryzae), com ampla capacidade de adaptação e infecção de gramíneas. Sua importância agronômica está relacionada não apenas à severidade dos sintomas, mas também à rapidez de disseminação e ao elevado potencial de perda. 

Os sintomas podem ocorrer em todas as partes aéreas da planta, incluindo: 

  • folhas,
  • colar (nó do colmo),
  • panícula ou espiga,
  • colmo e nós.

As lesões foliares são características: formato fusiforme (“olho”), centro acinzentado e bordas marrom-avermelhadas. Quando severas, essas lesões coalescem, levando à necrose de grandes áreas foliares e à redução drástica da fotossíntese. 

O desenvolvimento da brusone é favorecido por: 

  • umidade relativa alta (≥ 90%),
  • temperaturas entre 25 e 30°C,
  • períodos prolongados de molhamento foliar. 

Além disso, fatores como excesso de nitrogênioestresse hídrico e adensamento excessivo da lavoura aumentam a suscetibilidade das plantas à doença. A elevada produção de esporos e a dispersão pelo vento tornam a brusone uma doença de difícil controle quando não manejada de forma preventiva e integrada. 

Ciclo de vida da brusone

O ciclo da brusone é policíclico, o que explica sua rápida evolução dentro da lavoura. O fungo sobrevive entre safras em: 

  • restos culturais infectados,
  • sementes contaminadas,
  • plantas voluntárias e gramíneas hospedeiras. 

A partir dessas fontes, são produzidos conídios (esporos assexuados), que atuam como inóculo primário. Esses esporos são facilmente disseminados pelo vento ou por respingos de chuva. A infecção ocorre quando os conídios: 

  1. alcançam o tecido vegetal,
  1. encontram umidade e temperatura favoráveis,
  1. germinam e penetram diretamente na planta, sem necessidade de ferimentos. 

Em condições ideais, um novo ciclo de infecção pode se completar entre 5 e 7 dias, resultando em rápida escalada da doença. Cada nova lesão gera mais esporos, intensificando a epidemia ao longo da safra. 

Principais culturas afetadas pela brusone

A brusone apresenta ampla gama de hospedeiros, com maior impacto econômico nas seguintes culturas: 

  1. arroz: tanto no irrigado quanto no de sequeiro, é a principal cultura afetada mundialmente, causando perdas totais quanto atinge o colar da panícula;
  1. trigo: altamente agressiva, especialmente na espiga, a brusone no trigo representa uma das maiores ameaças fitossanitárias à triticultura brasileira. 

Cevada (Hordeum vulgare), azevém (Lolium multiflorum), outras gramíneas forrageiras e plantas daninhas atuam como reservatórios de inóculo, dificultando o manejo e favorecendo a continuidade do ciclo da doença entre as safras. 

Danos causados pela brusone

Os prejuízos provocados pela brusone são expressivos e multifatoriais, afetando produtividade, qualidade e viabilidade econômica da lavoura. Os principais impactos incluem: 

  • redução severa no rendimento de grãos;
  • formação de grãos chochos, leves e malformados;
  • comprometimento da qualidade industrial;
  • aumento dos custos com defensivos e risco produtivo. 

Estudos indicam que a brusone reduz a produtividade do arroz de terras altas em até 59,6% sem irrigação, com severidade de 33,6% nas folhas e 49,9% nas panículas. Com irrigação, as perdas reduzem para 5% em espiguetas vazias e massa de grãos. 

Já no trigo, a estimativa é que a infecção na espiga cause redução média de 10-13% na produtividade e até 63% no peso de grãos. A severidade varia de 22-27%, exigindo manejo na antese. 

Além disso, a brusone pode reduzir o falling number no trigo, afetando diretamente a qualidade da farinha e a comercialização do produto. 

Técnicas de manejo para controle da brusone

O controle da brusone exige uma abordagem de Manejo Integrado de Doenças (MID), com atuação em diferentes pontos do ciclo do patógeno. 

A primeira linha de defesa é o uso de cultivares resistentes ou tolerantes, capaz de reduzir a incidência e a severidade da doença. Junto a isso, práticas culturais e químicas incluem: 

  • monitoramento constante;
  • ajuste da época e densidade de semeadura;
  • adubação nitrogenada equilibrada;
  • manejo adequado da irrigação (no arroz);
  • rotação de culturas com espécies não hospedeiras;
  • eliminação de plantas voluntárias e daninhas;
  • aplicação estratégica de fungicidas (baseadas em monitoramento da lavoura, previsão climática e estágio fenológico da cultura). 

A brusone, causada por Pyricularia grisea, é uma das doenças mais destrutivas das culturas de arroz e trigo, com elevado impacto econômico e produtivo. Seu manejo exige conhecimento técnico, planejamento e ações integradas, especialmente diante de sua rápida disseminação e capacidade de adaptação. 

A adoção consistente do Manejo Integrado de Doenças, combinando genética, práticas culturais e controle químico racional, é essencial para reduzir riscos e proteger o potencial produtivo da lavoura. Com monitoramento contínuo e suporte técnico qualificado, o produtor fortalece a sanidade da cultura, preserva a rentabilidade e contribui para a sustentabilidade do agronegócio brasileiro. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.  

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