Os preparativos para a próxima safra de trigo estão a mil. Com a finalização da colheita da soja na maior parte das regiões produtoras do cereal de inverno, os manejos necessários para dar início a nova safra tomam conta do cenário e, dadas as mudanças nas previsões com o encerramento do fenômeno La Niña e fortes tendências para o início do fenômeno El Niño na região Sul no início do segundo semestre do ano, perguntas como: “Como esse cenário pode impactar a produção de trigo para a próxima safra?” ou “Como o El Niño pode impactar no aumento das doenças do trigo?” se tornam recorrentes.

Isso porque, para a cultura do trigo, as condições ambientais são fundamentais para que bons resultados sejam obtidos, mas também para a ocorrência de doenças, dado o fato de que as principais regiões produtoras da gramínea encontram-se nas áreas que serão afetadas pelo El Niño – ou seja, a região Sul do Brasil – e que, em anos marcados por esse fenômeno, a ocorrência de chuvas volumosas nessas regiões costuma ser mais frequente. 

Nesse sentido, um alerta faz-se mais do que necessário. É preciso redobrar a atenção para a ocorrência de doenças desde as fases iniciais mas, principalmente, nas fases críticas de desenvolvimento da cultura. Para que isso seja possível, é fundamental que produtores entendam como a dinâmica doenças x condições climáticas funciona, quais as condições ambientais que acendem o alerta e, para além disso, como diagnosticar essas doenças a campo antes que elas reduzam significativamente a produtividade da cultura.

Principais Estados produtores de trigo e o futuro da triticultura no Brasil

Primeiro é importante entender quais são as principais regiões produtoras desse cereal tão importante e presente diariamente na mesa dos brasileiros.

Para a safra 2023/2024, segundo o último levantamento realizado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento, junho de 2023), espera-se que sejam colhidas mais de 9,77 milhões de toneladas de trigo, 7,4% a menos em comparação à safra anterior. Por outro lado, os dados sobre a cultura são promissores para o futuro, apontando que o Brasil será autossuficiente na produção de trigo em menos de 10 anos. E para além – será um dos principais produtores no mundo. 

Os principais Estados produtores são:

  • Rio Grande do Sul – 49,75% da produção;
  • Paraná – 36,7%;
  • Santa Catarina – 4,66%;
  • Os demais Estados como Bahia, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo, juntos, correspondem a 8,89% de toda a produção no país.

A semeadura da safra 2023 está em andamento – até o início de junho quase 50% das áreas produtoras encontravam-se semeadas. No entanto, devido às condições climáticas, com maior volume de chuvas no mês de junho, principalmente para Rio Grande do Sul e Santa Catarina, podem ocorrer atrasos.

Das lavouras já semeadas, 67,3 encontram-se em desenvolvimento vegetativo, enquanto 20,6% em emergência, 7% em enchimento de grãos e 4,4% em fase de floração.

Para consolidar as expectativas sobre a cultura nos próximos anos, é necessário superar ou mitigar um desafio cada vez mais iminente: as mudanças climáticas, que afetam severamente a dinâmica da ocorrência de chuvas e a flutuação das temperaturas diurnas e noturnas, limitando a produtividade e a qualidade dos grãos colhidos.   

Quais as principais doenças da cultura do trigo?

Embora a lista de doenças para a cultura do trigo seja grande – mais de 17 – algumas assumem papel mais importante, especialmente no cenário de mudanças climáticas. Entre as principais doenças que ocorrem na cultura, pode-se mencionar:

  • giberela;
  • mancha-amarela;
  • oídio;
  • ferrugem-da-folha;
  • brusone;
  • mosaico-comum;
  • helmintosporiose;
  • septoriose;
  • fusariose da raiz e da base do colmo;
  • podridão radicular;
  • podridão seca do colmo.

A ocorrência dessas doenças varia, a depender da região e das condições de cultivo do trigo. No entanto, as mais comuns e que apresentam grande relação com as condições ambientais são, principalmente, a giberela, a mancha-amarela e o oídio.

Doenças x condições climáticas

Agora que já entendemos quais são as principais doenças da cultura, fica claro que as condições climáticas têm grande impacto na dinâmica populacional dos patógenos, aumentando sua população. Tanto a ocorrência de longos períodos sem chuvas com altas temperaturas para a estação quanto períodos frequentes de precipitação podem ser prejudiciais para a cultura do trigo.

Por isso, é fundamental estar preparado para enfrentar esses patógenos (em ambos os cenários), visto que eles já podem estar presentes sob a palhada remanescente da cultura da safra anterior (pois no caso do fungo causador de giberela e mancha-amarela, ambos são “patógenos necrotróficos”, capazes de sobreviver nos restos vegetais da cultura no solo por longos períodos). A obtenção de bons resultados depende diretamente da capacidade de lidar com essas doenças, que interferem diretamente no peso e na qualidade final do produto colhido.

Condições ambientais favoráveis ​​para a ocorrência da Giberela (Gibberella zeae)

Devido ao grande potencial de provocar perdas que podem chegar a reduzir o rendimento do trigo em até 50%, é importante estar ciente das condições ambientais que favorecem a ocorrência da giberela no trigo.

Para evitar perdas, é necessário monitorar a lavoura e monitorar as condições climáticas durante o período de maior suscetibilidade da cultura , a fim de tomar as decisões sobre o manejo, especialmente com fungicidas. 

Em termos práticos, para que facilite a giberela, é necessário que os períodos de maior frequência de chuvas coincidam com as fases de florescimento e enchimento de grãos , consideradas as fases críticas e de alerta máximo para a ocorrência da doença.

Além disso, em condições de alta umidade relativa do ar (acima de 90%) durante, pelo menos, 30 horas, e temperatura entre 20 e 25ºC , o patógeno tem plenas condições de infectar a cultura. É importante ressaltar que o molhamento foliar pode ser de uma fina camada de água, muitas vezes imperceptível aos olhos.

Dessa forma, a cultura enfrenta uma janela de pelo menos 30 dias em que há alta probabilidade de ocorrência da doença, sendo a fase de extrusão das anteras o pico de suscetibilidade.

doenças do trigo

Espigueta de trigo na fase de extrusão das anteras, com os órgãos de cores branca/amarelada destacados na imagem. Como aristas, que são os “fios” apresentados em paralelo à espigueta, também estão visíveis. Fonte: Syngenta.

Como identificar os sintomas da giberela no trigo? 

Os sintomas da giberela podem variar, dependendo da cultivar de trigo, do estádio de desenvolvimento da lavoura e das condições climáticas. No entanto, para diagnosticar a doença em campo, é possível observar alguns sintomas bastante característicos: 

  • as folhas podem amarelar e envelhecer precocemente;
  • no estágio inicial da espiga , a doença pode impedir a formação de grãos ou ainda levar a produção de grãos muito leves, que são perdidos no momento da colheita;
  • um sintoma característico e que distingue inclusive a giberela de brusone, causada pelo fungo Pyricularia oryzae, é a posição das aristas das espiguetas infectadas pelo patógeno. Para o caso da giberela, as aristas das espiguetas infectadas desviaram o sentido das aristas não infectadas, adquirindo uma aparência “descabelada”, mais aberta em relação à espigueta. Além disso, as aristas adquirem cores esbranquiçadas ou palha. No caso de brusone, isso não ocorre, por isso, apesar de ambas as doenças apresentarem sintomas que podem ser confundidos, essa característica não deixa dúvidas quanto ao diagnóstico; 
  • as espiguetas adquirem cores branco/palha, despigmentadas;
  • com o avanço da doença, uma camada rosada de esporos pode ser observada nos grãos, deformando-os e produzida em perdas de quantidade e qualidade.

doenças do trigo

Condições ambientais favoráveis ​​para a ocorrência da mancha-amarela (Drechslera tritici-repentis ) no trigo

A mancha-amarela é uma das doenças foliares mais inquietantes e preocupantes para a cultura do trigo, podendo causar danos de até 40% na tristeza. O patógeno libera toxinas que comprometem as folhas da planta.

A mancha-amarela pode incidir no cultivo por meio de sementes infectadas, restos da cultura anterior ou ainda de plantas daninhas hospedeiras, como o azevém. Além disso, possui alta capacidade de dispersão , podendo infectar grande parte da lavoura.

Sintomas da mancha-amarela em trigo

Inicialmente, podem ser observadas manchas amarelas de tamanho pequeno e cores claras, que podem aumentar rapidamente em tamanho, recobrindo grande parte das folhas.

As observações observadas podem apresentar um formato parecido ao de um olho, com a presença de um centro escurecido (necrótico), delimitado por um anel amarelo, seguido de um anel mais escuro. Esses e outros sintomas podem levar à queda prematura da folha, o que pode afetar o rendimento da cultura.

doenças do trigo

Sinais característicos da mancha-amarela na folha de trigo. Fonte: Santana, 2013 .

Condições ambientais para ocorrência do Oídio (Blumeria graminis f. sp. tritici) em trigo

O oídio é uma doença fúngica, considerada uma das mais importantes para a cultura do trigo, especialmente em anos em que as condições climáticas são toleradas. O patógeno é difundido nas principais regiões produtoras, causando prejuízos consideráveis ​​à produtividade e à qualidade do trigo.

As condições climáticas favoráveis ​​ao desenvolvimento da doença incluem temperaturas amenas (entre 15 e 22ºC) , alta umidade relativa do ar, baixa luminosidade e chuvas frequentes. O fungo é considerado um patógeno biotrófico, ou seja, requer hospedeiro vivo. 

Sintomas do oídio em trigo

O patógeno reduz a capacidade fotossintética da planta, tanto em função do desvio de nutrientes que seriam utilizados em seu metabolismo, como também pelo fato das estruturas vegetativas e reprodutivas (massa micelial) do patógeno recobrirem a superfície das folhas. 

Com o avanço da doença, é possível observar uma camada branca e pulverulenta na superfície das folhas, que pode atingir outras partes da planta, como colmos e espiguetas.

doenças do trigo

Folhas de trigo recobertas pela massa pulverulenta do fungo causador do oídio em trigo. Fonte: Costamilan, 2015.

Quais as medidas de controle de doenças no trigo?

O manejo de doenças do trigo não é uma tarefa fácil. Para conter, não somente as doenças causadas principalmente por fungos, mas também reduzir a possibilidade do desenvolvimento da resistência pelos patógenos, especialmente pelo fungo causador da mancha-amarela (que já possui relatos de resistência a diversos fungicidas disponíveis no mercado), o manejo integrado de doenças faz-se mais do que necessário.

As práticas de controle indicadas são:

  • rotação de culturas;
  • controle de plantas daninhas na área de produção e próximo à lavoura;
  • adubação equilibrada, especialmente nitrogenada e potássica;
  • monitoramento constante da área de cultivo. 

O controle com uso de fungicidas para trigo é fundamental para o manejo de ambas as doenças. No entanto, como comentado anteriormente, a problemática da resistência e a dificuldade de controle com as opções disponíveis abrem precedentes para a necessidade de novas opções de manejo de doenças na cultura.

Mas o problema não é só a redução da produtividade do trigo…

Doenças no trigo e um agravante: a produção de micotoxinas

A gravidade da giberela, por exemplo, vai além dos danos causados ​​à produtividade do trigo, uma vez que o patógeno produz micotoxinas, substâncias que representam um risco à saúde de animais e humanos e que podem tornar os grãos impróprios para consumo.

É importante destacar que as micotoxinas são produzidas e permanecem nos grãos mesmo após a inatividade do patógeno (obtida por meio de controle com fungicidas, por exemplo). Além disso, muitas vezes, a presença do fungo não é visível a olho nu, no entanto, as micotoxinas já foram produzidas.

Outro fator agravante é que as micotoxinas são termoestáveis ​​e bioacumuláveis, ou seja, mesmo durante o processamento a altas temperaturas, elas não são inativadas e podem se acumular no organismo, seja humano ou animal, sendo associadas ao longo da cadeia alimentar. Após uma interrupção contínua, pode causar sérios danos à saúde.

A contaminação dos grãos por micotoxinas pode gerar problemas na exportação do produto, uma vez que a legislação brasileira, além das legislações internacionais, dependendo do país para o qual a carga será destinada, impõe limites máximos toleráveis. Dessa forma, uma lavoura com controle inadequado da doença pode representar um problema caso haja exportação dos grãos.

Mas não é só o fungo causador da giberela, as principais micotoxinas produzidas por fungos incluem:

  • Fusarium spp. (fase assexuada de Gibberella zeae ): causada pelas micotoxinas deoxinivalenol (DON), zearalenona (ZEA), ácido fusário, entre outras;
  • Aspergillus spp.: causador da alfatoxina, micotoxina altamente tóxica e carcinogênica;
  • Penicillium spp.: causou a patulina, menos tóxica do que as demais, porém ainda é prejudicial à saúde humana.
  • Alternaria spp.: produz uma micotoxina alternariol, que pode ser tóxica em altas doses para humanos e animais.

A produção de micotoxinas é influenciada por diversos fatores, incluindo as condições em que os grãos são manejados durante o cultivo (controle de doenças inadequadas, principalmente da giberela), mas também o teor de água no momento em que são recolhidos e armazenados, e temperatura e umidade aos quais são permitidos durante o armazenamento.

Dado o potencial altamente tóxico da maioria das micotoxinas, é indispensável que o controle dessas doenças seja realizado de forma adequada ainda em campo. Cabe ressaltar que as micotoxinas podem ser nocivas à saúde humana e animal e, portanto, são certos limites máximos tolerados pela legislação brasileira e também de outros países.

Nesse quesito, outros países têm estreitado os limites de tolerância máxima, muito em função dos efeitos negativos à saúde, podendo inclusive, em um futuro próximo, configurar uma ameaça à exportação de grãos para outros países, como milho, trigo e outros cereais.

Miravis®: poderoso no controle de doenças do trigo

Nesse contexto, MIRAVIS®, um fungicida sistêmico da linha MIRAVIS®, que contém uma molécula chamada ADEPIDYN® , pertencente a um novo grupo químico, é a solução para as principais doenças do trigo, e consequentemente para as micotoxinas. 

Essa solução já é fundamental em qualquer programa de doenças do trigo, pois confere controle superior às principais doenças da cultura, principalmente giberela e mancha-amarela, amplamente distribuídas em todas as regiões produtoras. MIRAVIS® é o parceiro ideal para os produtos à base de triazóis e estrobilurinas, especialmente PRIORI XTRA® . 

Com um modo de ação diferente, MIRAVIS® oferece diversos benefícios no controle de doenças do trigo, incluindo:

  • eficiência em qualquer manejo de fungicidas;
  • revolução no controle de manchas;
  • inovação: produto à base de ADEPIDYN® , molécula de alta eficácia;
  • produção e qualidade: controle de giberela e redução de micotoxinas.

Confira tudo sobre o poder de MIRAVIS® no controle de doenças do trigo assistindo ao vídeo a seguir:

 

Confira o posicionamento técnico do produto abaixo:

doenças do trigo

Pensou em manejo de doenças no trigo? Pensou em MIRAVIS®! 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.

Acesse o portal Syngenta e confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está seguindo no campo.