Desde sua introdução, o percevejo-bronzeado do eucalipto, Thaumastocoris peregrinus, se tornou um dos desafios fitossanitários da silvicultura, especialmente em regiões de clima mais seco e quente, onde o impacto econômico é mais severo.
A ausência de inimigos naturais específicos e a rápida dispersão do percevejo-bronzeado exigiram a busca soluções.
O controle biológico com o parasitoideCleruchoides noackae, surge como estratégia sustentável e promissora, integrando-se ao manejo florestal moderno.
Neste conteúdo, você encontrará informações detalhadas sobre a biologia do percevejo-bronzeado, os danos causados ao eucalipto, o histórico do parasitoide Cleruchoides noackae no Brasil, o protocolo de liberação em campo e os resultados já observados em áreas comerciais.
Ficha rápida: percevejo-bronzeado e Cleruchoides noackae
| Praga | Percevejo-bronzeado do eucalipto (Thaumastocoris peregrinus; Hemiptera: Thaumastocoridae), origem australiana, registrado no Brasil desde 2008, em São Paulo e no Rio Grande do Sul |
| Agente de controle | Cleruchoides noackae (Hymenoptera: Mymaridae), parasitoide de ovosnativo da Austrália, , introduzido no Brasil em 2012 pela Embrapa Florestas |
| Espécies mais suscetíveis | Eucalyptus camaldulensis, E. tereticornis, E. urophylla, E. viminalis e híbridos de E. grandis × E. urophylla, E. grandis × E. camaldulensis e E. urophylla × E. camaldulensis |
| Ciclo do percevejo | Curto e varia conforme a temperatura |
| Condições favoráveis à praga | Altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar, com maior pressão nos períodos secos |
| Ciclo do parasitoide | De 14 a 43 dias (ovo a adulto), conforme a temperatura; reprodução favorecida entre 18 °C e 27 °C |
| Dispersão do parasitoide | Registrada a até 10 km do ponto de liberação inicial |
| Impacto econômico | Perdas de até 10% a 15% na produtividade de madeira; prejuízo próximo de R$ 280 milhões somente em São Paulo, entre 2010 e 2014 |
Principais pontos
- O percevejo-bronzeado (Thaumastocoris peregrinus) é uma praga exótica, registrado no Brasil desde 2008, com ausência de inimigos naturais específicos.
- O Cleruchoides noackae é um parasitoide específico de ovos do percevejo nativo da Austrália, introduzido no Brasil pela Embrapa Florestas.
- A liberação inoculativa, feita no início da infestação, permite que o parasitoide se estabeleça e se disperse naturalmente por vários quilômetros.
- Taxas de parasitismo próximas de 40% já foram documentadas em áreas com boa liberação e estabelecimento.
- A redução da população do percevejo tende a ser gradual, à medida que o parasitoide se estabelece e se multiplica em campo.
O desafio do percevejo-bronzeado do eucalipto no Brasil
O percevejo-bronzeado do eucalipto, Thaumastocoris peregrinus, é um inseto da ordem Hemiptera, originário da Austrália, mesma região de origem do eucalipto. Identificado pela primeira vez no Brasil em 2008, em São Paulo e no Rio Grande do Sul, o percevejo se dispersou rapidamente, sendo atualmente encontrado em praticamente todos os estados produtores de eucalipto.
Sua condição de praga exótica, sem inimigos naturais específicos estabelecidos no país, favoreceu a multiplicação e o agravamento dos danos. Estimativas do setor florestal Plantios infestados podem registrar perdas de até 10% a 15% na produtividade de madeira. Somente no estado de São Paulo, estimativas de produtores florestais apontam prejuízo próximo de R$ 280 milhões entre 2010 e 2014, considerando apenas perdas diretas.
O percevejo-bronzeado ataca diversas espécies e híbridos de eucalipto, com destaque para Eucalyptus camaldulensis e E. tereticornis, além de híbridos como E. grandis × E. urophylla, cuja suscetibilidade varia conforme o clone.
Os períodos de maior pressão coincidem com estações secas e temperaturas elevadas, quando as populações do inseto se multiplicam rapidamente.
Fatores como baixa umidade relativa, déficit hídrico e ausência de diversidade vegetal no entorno dos plantios favorecem o aumento das infestações. O manejo inadequadoe a ausência de monitoramento podem agravar o problema, dificultando o controle e elevando os custos de produção.
Impactos do percevejo-bronzeado: ameaças à produtividade e à saúde florestal
O percevejo-bronzeado do eucalipto alimenta-se sugando a seiva das folhas, causando bronzeamento foliar, necrose e, em casos severos, desfolha e morte de galhos.
Os sintomas iniciais incluem prateamento ou amarelecimento das folhas, que evoluem para bronzeamento, secamento e queda prematura. A desfolha intensa também eleva o risco de incêndios florestais.
A redução da área foliar ativa limita a fotossíntese, impactando diretamente o crescimento e a produtividade da madeira. Em áreas severamente afetadas, a perda de produtividade pode comprometer a viabilidade econômica do talhão.
Em plantios jovens, infestações intensas podem comprometer o crescimento e até causar a morte de plantas.
O ciclo de vida do percevejo é curto e varia conforme a temperatura. A fase de ninfa, por exemplo, pode durar de 16 a 36 dias, o que permite múltiplas gerações por ano.
Ovos são depositados em agrupamentos sobre folhas e ramos, tornando-se o principal alvo do controle biológico.

Controle biológico: integração sustentável ao manejo florestal
O manejo integrado do percevejo-bronzeado do eucalipto envolve a combinação de monitoramento, escolha de espécies tolerantes, práticas culturais e, principalmente, o controle biológico com parasitoides.
Essa abordagem visa contribuir para a sustentabilidade da produção florestal.
Cleruchoides noackae: parasitoide de ovos como aliado no biocontrole florestal
O parasitoide Cleruchoides noackae, microhimenóptero da família Mymaridae, foi introduzido da Austrália para o Brasil pela Embrapa Florestas em parceria com pesquisadores australianos.
Selecionado pela Embrapa Florestas após anos de pesquisa como agente de controle biológico clássico, o C. noackae tem sido liberado em plantios de eucalipto de diversos estados para fins de pesquisa. O uso comercial depende de registro junto ao MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária).
A fêmea do C. noackae localiza as posturas do percevejo, avalia o ovo hospedeiro e insere o ovipositor para depositar seu ovo em seu interior. A larva do parasitoide consome o embrião do percevejo, impedindo sua eclosão.
O adulto emerge do ovo parasitado e busca novas posturas, promovendo o controle natural da praga. A emergência supera 60% em ovos do percevejo com até três dias e fica abaixo de 10% em ovos mais velhos.
O ciclo do parasitoide é mais curto que o do percevejo e varia com a temperatura, o que permite múltiplas gerações por ano. Temperaturas entre 18 °C e 27 °C favorecem sua reprodução, enquanto temperaturas próximas de 30 °C reduzem significativamente sua ação.
Etapas essenciais para a liberaçãode parasitoides em campo
A liberação do Cleruchoides noackae segue o protocolo de liberação inoculativa, em que pequenas quantidades do parasitoide são introduzidas em pontos estratégicos do talhão, especialmente nos focos de infestação identificados pelo monitoramento.
A densidade de liberação deve ser ajustada conforme o nível de infestação, seguindo recomendações técnicas de especialistas e órgãos de pesquisa.
O momento ideal para a liberação é o início da infestação, antes que a população do percevejo atinja o pico. O parasitoide se estabelece e se dispersa naturalmente, podendo beneficiar áreas adjacentes ao longo do tempo.
O monitoramento do estabelecimento do parasitoide é realizado por meio da coleta de folhas com ovos do percevejo nos pontos de liberação.
A taxa de parasitismo deve ser avaliada após um intervalo correspondente a pelo menos uma geração do parasitoide, conforme orientação técnica, acompanhando a redução gradual da população do percevejo nos meses subsequentes.
A integração do controle biológico com outras práticas de manejo é fundamental para o sucesso da estratégia. O uso de clones tolerantes, o monitoramento contínuo e a manutenção de corredores ecológicos e diversidade vegetal no entorno dos plantios favorecem a persistência dos inimigos naturais.
Em situações de alta infestação, o controle químico pode ser necessário, sempre priorizando produtos compatíveis com o parasitoide.
Controle biológico em ação: resultados e tendências para o setor florestal brasileiro
Estudos de campo em Minas Gerais confirmaram o estabelecimento do C. noackae em plantios comerciais um ano após a liberação, com emergência de 52% dos ovos parasitados coletados. Na Argentina, a taxa média de parasitismo atingiu 40% quatro anos após as liberações.
A redução da população do percevejo tende a ser gradual, à medida que o parasitoide se estabelece e se multiplica em campo, com impacto positivo na recuperação do vigor das árvores e na produtividade da madeira.
Estudos de estabelecimento em campo já registraram o parasitoide a até 10 km do ponto onde foi liberado pela primeira vez, evidenciando sua capacidade de dispersão e de beneficiar áreas vizinhas.
Apesar dos resultados promissores, a produção do parasitoide em escala comercial ainda é limitada, exigindo laboratórios especializados e logística adequada para distribuição, devido ao curto prazo de viabilidade do organismo vivo.
A disponibilidade comercial do parasitoide é restrita, mas a tendência é de crescimento à medida que o mercado de biocontrole florestal se estrutura e novas parcerias são estabelecidas entre empresas e instituições de pesquisa.
Práticas para o controle biológico do percevejo-bronzeado
- Realizar monitoramento regular dos talhões para identificar focos de infestação e determinar o momento ideal para a liberação do parasitoide.
- Seguir as recomendações técnicas de densidade e pontos de liberação, ajustando conforme o nível de infestação observado.
- Integrar o controle biológico ao manejo integrado, utilizando clones tolerantes e promovendo a diversidade vegetal no entorno dos plantios.
- Avaliar a taxa de parasitismo apósum intervalo correspondente a pelo menos uma geração do parasitoide, conforme orientação técnica, coletando folhas com ovos do percevejo para análise laboratorial.
- Em casos de alta infestação, utilizar controle químico , priorizando produtos compatíveis com o parasitoide.
- Buscar orientação de especialistas e instituições de pesquisa, como a Embrapa Florestas, para atualização das recomendações e acesso ao parasitoide.
O controle biológico do percevejo-bronzeado do eucalipto com o parasitoide Cleruchoides noackae representa um avanço significativo para a sustentabilidade da silvicultura brasileira. A integração dessa estratégia ao manejo florestal reduz o impacto ambiental, preserva a produtividade e contribui para a resiliência dos sistemas produtivos frente a pragas exóticas.
O fortalecimento da pesquisa, a ampliação da produção do parasitoide e a capacitação técnica dos profissionais do setor são fundamentais para consolidar o biocontrole como ferramenta central no manejo de pragas florestais.
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Perguntas frequentes
1. O que é o percevejo-bronzeado do eucalipto?
É o Thaumastocoris peregrinus, um inseto sugador de origem australiana, presente no Brasil desde 2008, que causa bronzeamento foliar, desfolha e perdas de produtividade em eucalipto.
2. O que é o Cleruchoides noackae?
É um parasitoide de ovos (microhimenóptero da família Mymaridae), específico para o percevejo-bronzeado, introduzido no Brasil pela Embrapa Florestas e liberado em plantios de eucalipto para fins de pesquisa.
3. Quando liberar o Cleruchoides noackae no eucalipto?
No início da infestação, antes que a população do percevejo atinja o pico, seguindo o protocolo de liberação inoculativa em pontos estratégicos do talhão.
4. Qual a taxa de parasitismo esperada?
Estudos de campo confirmam o estabelecimento do parasitoide em plantios de eucalipto, com taxas de parasitismo que aumentam à medida que a população do inimigo natural se consolida.
5. Em quanto tempo os resultados aparecem?
A redução da população do percevejo tende a ser gradual, à medida que o parasitoide se estabelece e se multiplica em campo.
6. O Cleruchoides noackae substitui o controle químico?
Não necessariamente. Em casos de alta infestação, o controle químico seletivo pode ser necessário, priorizando produtos compatíveis com o parasitoide.


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