Produtos biológicos representam uma solução promissora no controle do nematoide-reniforme no algodão, na soja e em outras culturas. Esse parasita subterrâneo, cada vez mais, exige estratégias inovadoras de manejo, visto a sua distribuição crescente e dificuldade de diagnóstico precoce.

Neste texto, conheça a ecologia do nematoide-reniforme e soluções biológicas integradas. Descubra como a ciência está transformando essa batalha oculta em vitórias mensuráveis no campo. Leia mais a seguir!

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Nematoide-reniforme (Rotylenchulus reniformis): um parasita que ataca diversas culturas

O nematoide-reniforme (Rotylenchulus reniformis), originário de regiões subtropicais, consolidou-se como um dos fitoparasitas mais desafiadores da agricultura moderna. Com expansão agressiva na região do Cerrado brasileiro, o nematoide-reniforme causa impactos econômicos significativos a cada safra, reduzindo a produtividade de diversas culturas.

Sua agressividade está diretamente ligada a estratégias biológicas únicas. O nematoide-reniforme é capaz de sobreviver em profundidades de 40 a 120 cm, inclusive durante estiagens prolongadas, e seus ovos podem permanecer viáveis por até dois anos no solo, graças a uma matriz gelatinosa protetora.

A polifagia do nematoide-reniforme agrava significativamente o cenário, pois ele ataca mais de 300 plantas, incluindo culturas-chave, como o algodão, a soja e frutíferas. Sua disseminação ocorre de forma silenciosa por meio de maquinário agrícola, água de irrigação e solo contaminado, formando reboleiras extensas

lavoura de algodão
Lavoura de algodão com reboleira, provocada pelo ataque do nematoide-reniforme (Rotylenchulus reniformis).  Fonte: IMAmt

Sintomas e ciclo de vida do nematoide-reniforme

O nematoide-reniforme destaca-se por sua morfologia única e estratégia de parasitismo especializada. As fêmeas imaturas, de corpo vermiforme, alongado e em formato de rim, constituem o único estágio infectivo, característica marcante e única da espécie. 

Após penetrarem nas raízes das plantas, inserem cerca de um terço do corpo no tecido vegetal, estabelecendo sítios de alimentação. A porção anterior permanece externa, inchando progressivamente até adquirir formato reniforme (semelhante a um rim), característica que define a espécie. Essa adaptação permite fixação permanente e alimentação contínua, enquanto exsudam substâncias que dissolvem paredes celulares, formando sítios de alimentação com até 200 células vegetais integradas.

Fêmeas do nematoide-reniforme (Rotylenchulus reniformis) parasitando a raiz de uma planta. Fonte: IMAmt

O ciclo de vida completo do nematoide-reniforme dura entre 24 e 30 dias, dependendo das condições térmicas do solo. Após a fertilização anfimítica (com participação de machos móveis), as fêmeas depositam até 100 ovos envoltos em uma matriz gelatinosa protetora.

Os ovos eclodem e os juvenis passam por mais duas mudas no solo sem se alimentar, sobrevivendo exclusivamente de reservas energéticas até se tornarem uma fêmea, que parasita as raízes das plantas, ou um macho, que tem vida livre.

Essa fase é crítica para a dispersão e, em sistemas intensivos de produção agrícola sem rotação adequada, a população do nematoide-reniforme multiplica-se exponencialmente e causa danos e sintomas irreversíveis nas culturas.

Sintomas do nematoide-reniforme no algodão, na soja e em outras culturas

Identificar o nematoide-reniforme a campo é um desafio diagnóstico, pois seus sintomas são frequentemente confundidos com outros problemas, como o estresse hídrico ou  deficiências nutricionais.

Nas raízes, não há formação de galhas ou lesões marcantes, como ocorre com o nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.) ou o nematoide-das-lesões (Pratylenchus spp.). Em vez disso, observam-se plantas com um sistema radicular reduzido e com aspecto “sujo” devido à aderência de partículas de solo às massas de ovos gelatinosas que ficam fixas nas raízes. Na parte aérea, plantas infectadas exibem desuniformidade no desenvolvimento, formando reboleiras extensas.

No algodão, condições de altas infestações do nematoide-reniforme fazem com que as folhas desenvolvam um mosqueado amarelado ou avermelhado, conhecido como “carijó”, sinal de translocação de água e nutrientes comprometida. Plantas parasitadas também apresentam menor tolerância ao veranico, murchando precocemente mesmo em solos com umidade residual. 

Folhas de algodão exibindo sintomas do nematoide-reniforme (Rotylenchulus reniformis). Fonte: IMAmt

Em casos graves, a interação com patógenos do solo, como Fusarium spp., intensifica a murcha na lavoura, culminando em perdas totais. A ausência de sintomas específicos em níveis populacionais moderados, no entanto, retarda o diagnóstico e agrava danos econômicos.

Na soja, a manifestação é ainda mais discreta. Lavouras infestadas pelo  nematoide-reniforme mostram nanismo heterogêneo e folhas com clorose marginal. O parasitismo também favorece infecções das plantas por patógenos de solo, reduzindo o estande inicial e comprometendo o estabelecimento da cultura.

Controle biológico de nematoides: a revolução no manejo integrado

O manejo do nematoide-reniforme e de outras espécies exige uma abordagem sistêmica, que inclua o controle biológico como um dos pilares estratégicos nesse ecossistema integrado. 

Agentes microbianos, como fungos nematófagos e bactérias rizosféricas, estão redefinindo o manejo integrado de nematoides ao atuar em diferentes frentes de forma sinérgica: alguns parasitam diretamente os nematoides e comprometem a estrutura dos ovos,  interrompendo o ciclo de vida do nematoide, enquanto outros colonizam a rizosfera e atuam confundindo a quimiotaxia dos nematoides, limitando sua capacidade de localizar raízes

No nível molecular, a batalha é ainda mais sofisticada. Alguns agentes biológicos, como do gênero Bacillus, são capazes de induzir resistência sistêmica nas plantas. Quando ativados, os genes de defesa das plantas produzem fitoalexinas que:

  • bloqueiam a fixação de nematoides nas raízes;
  • inibem a formação de sincícios, estruturas nutritivas essenciais para nematoides sedentários;
  • potencializam respostas hipersensíveis em células atacadas, isolando invasores.

Para o controle biológico de nematoide-reniforme no algodão e em outras culturas, essa abordagem é ainda mais crítica. Como as plantas não exibem sintomas precoces, o controle tradicional muitas vezes é ineficaz. Por isso, a atuação desses agentes biológicos desde o início da safra é muito importante para a proteção das lavouras.

Sendo assim, podemos afirmar que o manejo integrado de nematoides no campo exige, cada vez mais, o uso de bioinsumos. Essa abordagem integrada não só controla o  nematoide-reinforme, mas eleva a saúde do solo e das plantas a um novo patamar

É nesse contexto de inovação que soluções de última geração ganham espaço, abrindo caminho para tecnologias como ARVATICO®, o biológico da Syngenta com ação bionematicida e biofungicida.

ARVATICO®: energia e proteção duradoura para a lavoura contra nematoides e doenças

ARVATICO®, biofungicida e bionematicida da Syngenta, destaca-se pela capacidade de oferecer energia e proteção duradoura às raízes contra nematoides e doenças fúngicas, fortalecendo as plantas desde os estádios iniciais. 

Quando aplicado via tratamento de sementes (TS) ou sulco de plantio, ARVATICO® se mostra como uma ferramenta indispensável no controle de nematoides e doenças fúngicas. Sua ação se fundamenta em quatro mecanismos sinérgicos derivados do seu agente biológico Bacillus velezensis. São eles: 

  • a formação de biofilme;
  • a redução da aproximação dos nematoides;
  • a competição por espaço e nutrientes;
  • o estímulo ao crescimento das plantas.

A formação de biofilme ocorre quando seu agente biológico coloniza as raízes das plantas, criando uma barreira física que impede a penetração do nematoide-reniforme e de fungos do solo. 

Já a redução da aproximação dos nematoides se dá pela produção de metabólitos secundários tóxicos, que não só eliminam os parasitas adultos como também inibem a eclosão de ovos, interrompendo seu ciclo reprodutivo. Além disso, o agente biológico de ARVATICO® compete por espaço e nutrientes, suprimindo a proliferação de fungos e nematoides ao disputar recursos essenciais na rizosfera. 

Esses mecanismos atuam como defesas diretas, bloqueando o acesso desses invasores às raízes das plantas e eliminando sua presença no solo, tendo eficácia comprovada no controle de:

  • nematoide-reniforme (Rotylenchulus reniformis);
  • nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita e M. javanica);
  • nematoide-das-lesões (Pratylenchus brachyurus);
  • nematoide-de-cisto (Heterodera glycines);
  • fusariose (Fusarium solani);
  • tombamento (Rhizoctonia solani);
  • podridão-cinzenta-do-caule (Macrophomina phaseolina);

Complementarmente, ARVATICO® estimula o crescimento das plantas através do estímulo à produção de fitormônios (como auxinas e citocininas), que intensificam o desenvolvimento radicular e a biomassa vegetativa. 

Para culturas, como o algodão e a soja, onde o controle biológico de nematoide-reniforme exige precisão, a aplicação de ARVATICO® oferece segurança desde a germinação. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.

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