O nematoide-de-cisto-da-soja (NCS) figura-se entre os problemas fitossanitários mais importantes da soja. Esse parasita subterrâneo, de dimensões microscópicas, compromete estruturas vitais das raízes da soja, desencadeando efeitos negativos que reverberam em toda a planta. 

A complexidade desse nematoide reside na combinação de adaptabilidade biológica e resistência ambiental. Seu ciclo reprodutivo acelerado e mecanismos de persistência desafiam estratégias convencionais de controle. 

Nesse contexto, o controle biológico do nematoide-de-cisto-da-soja despontou como uma solução promissora que, quando integrada ao manejo, pode trazer resultados duradouros.

Neste conteúdo, aprenda sobre a ecologia e o ciclo de vida do nematoide-de-cisto-da-soja, os sintomas-chave, os desafios no manejo e as soluções sustentáveis para o seu controle. Leia mais a seguir!

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O que é o nematoide-de-cisto-da-soja (NCS)?

O Heterodera glycines, conhecido como nematoide-de-cisto-da-soja (NCS), é um microrganismo (<1 mm) que parasita as raízes da soja, comprometendo severamente a absorção de água e nutrientes das plantas.

Detectado pela primeira vez no Brasil na safra 1991/92, em Minas Gerais e no Centro-Oeste, o nematoide-de-cisto-da-soja disseminou-se por todas as regiões produtoras do país, tornando-se uma das principais ameaças fitossanitárias da cultura. 

Sua presença está confirmada em 109 municípios de dez Estados, incluindo Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul, onde coloniza solos com rapidez e causa problemas graves nas lavouras.

A gravidade do NCS reside em sua capacidade de reduzir drasticamente a produtividade das culturas. 

Estudos estimam que cerca de 2,5 milhões de hectares (14,5% da área plantada) estavam infestados com o nematoide nos estados de Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, na safra 2018/2019. Nos estados Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a área infestada foi de 134,7 mil hectares, ou 3,1% do total cultivado na safra.

As perdas na produtividade da soja causadas pelos nematoides podem chegar a até 21%, dependendo da cultivar e das condições específicas de infestação.

Ciclo de vida do nematoide-de-cisto-da-soja

O ciclo do nematoide-de-cisto-da-soja inicia com a eclosão dos ovos, liberando os juvenis de segundo estágio (J2), a única fase móvel e infectiva. Esses juvenis, com cerca de 0,46 mm, penetram ativamente nas raízes da soja e estabelecem sítios de alimentação no sistema vascular. 

Dentro das raízes, eles diferenciam-se em machos ou fêmeas. Enquanto os machos migram de volta ao solo para fecundação, as fêmeas permanecem fixas, expandindo-se até romperem o tecido radicular e exporem parte do corpo ao ambiente externo.

Após a fecundação, cada fêmea produz cerca de 400 ovos. Parte desses ovos é liberada em uma matriz gelatinosa no solo, enquanto outra porção permanece retida no corpo da fêmea. 

Quando a fêmea morre, seu corpo transforma-se em um cisto, uma estrutura rígida amarronzada que protege os ovos contra condições adversas, como seca, radiação UV e microrganismos. Esse estágio de resistência é crítico para a perpetuação desse nematoide na soja, garantindo viabilidade por até oito anos no solo.

Fêmeas adultas, ovos, juvenis e cistos do nematoide-de-cisto-da-soja (Heterodera glycines).

Nematoide-de-cisto-da-soja (Heterodera glycines): fêmeas adultas (A), ovos e J2 (B) e cistos (C). Fonte: Embrapa

O ciclo de vida completo, da eclosão à formação de novos cistos, ocorre de 20 a 30 dias, dependendo da temperatura do solo.

Em uma única safra de soja, podem ocorrer de quatro a cinco gerações completas do nematoide, permitindo que populações inicialmente baixas atinjam níveis devastadores rapidamente.

Sintomas do nematoide-de-cisto-da-soja

Os sintomas causados pelo nematoide-de-cisto-da-soja manifestam-se tanto no sistema radicular quanto na parte aérea das plantas, frequentemente em padrões de “reboleiras”, manchas irregulares na lavoura onde as plantas exibem crescimento desigual. 

Nas raízes, observam-se pontos brancos ou amarelados, correspondentes às fêmeas adultas aderidas ao sistema radicular. Diferentemente de outros nematoides, como o nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.), o nematoide-de-cisto-da-soja não induz galhas, mas causa deformações que prejudicam a função radicular.

Sintomas do nematoide-de-cisto-da-soja (Heterodera glycines) em raízes de soja.

Sintomas do nematoide-de-cisto-da-soja (Heterodera glycines) nas raízes. Fonte: QUADROS, 2021.

Na parte aérea, as plantas infectadas pelo nematoide-de-cisto-da-soja apresentam nanismo, folhas amareladas (clorose) e manchas “carijós” – padrões de amarelecimento entre as nervuras. Esses sinais resultam da deficiência na absorção de água e nutrientes devido ao comprometimento radicular. 

nematoides de cristo em lavoura de soja


Sintomas do nematoide-de-cisto-da-soja (Heterodera glycines) em cultivares resistentes/tolerantes (ao fundo) e suscetíveis (no canto inferior direito). Fonte: Embrapa

Em infestações severas, ocorre a morte prematura das plantas, especialmente em solos compactados ou com baixa fertilidade, onde o estresse hídrico e nutricional é amplificado.

Desafios no manejo do nematoide-de-cisto-da-soja (Heterodera glycines)

O nematoide-de-cisto-da-soja consolida-se como um dos parasitas mais desafiadores da sojicultura brasileira, não apenas pela magnitude dos danos, mas pela intrincada biologia que dificulta seu controle. Seu impacto vai além das perdas imediatas, comprometendo a sustentabilidade econômica e ambiental das áreas infestadas. 

A combinação de fatores, como sobrevivência prolongada no solo, variabilidade genética e disseminação facilitada, exige abordagens técnicas rigorosas e contínuas.

Sobrevivência prolongada no solo

A primeira dificuldade no controle do nematoide-de-cisto-da-soja reside na resiliência do cisto, uma estrutura capaz de proteger centenas de ovos viáveis por até oito anos no solo, mesmo na ausência de hospedeiros. Essa persistência transforma áreas contaminadas em focos latentes de reinfestação.

Variabilidade genética

Como agravante, o nematoide-de-cisto-da-soja apresenta alta variabilidade genética, com mais de 15 raças identificadas globalmente, 11 delas presentes no Brasil. Essa diversidade dificulta o controle convencional e exige estratégias específicas para cada cenário.

Disseminação facilitada

A disseminação facilitada do nematoide-de-cisto-da-soja constitui outro desafio do manejo, dificultando a contenção das áreas infestadas. O solo contaminado com cistos do nematoide pode se aderir em vários locais, como máquinas agrícolas, implementos, calçados e em sementes de soja mal beneficiadas.

Por isso, a contaminação de áreas próximas é frequente, especialmente em regiões com tráfego intenso de maquinário entre propriedades e talhões.

Por isso, é essencial estabelecer protocolos rígidos de biossegurança, através de práticas do manejo integrado de nematoides.

Manejo integrado de nematoides: 3 práticas de manejo essenciais

O manejo do nematoide-de-cisto-da-soja exige uma abordagem integrada. Não existe uma única resposta, mas sim a combinação estratégica de práticas que, juntas, protegem o potencial produtivo da lavoura.

Três práticas de manejo destacam-se como sendo essenciais: a rotação/sucessão de culturas com plantas não hospedeiras, a utilização de variedades de soja tolerantes ou resistentes e o uso de insumos biológicos.

1. Rotação ou sucessão de culturas

A rotação ou sucessão de culturas com espécies não hospedeiras é a pedra angular do manejo do NCS. Ela consiste em utilizar culturas que não são hospedeiras após a colheita da soja, interrompendo o ciclo de vida do nematoide.

Quanto maior for o tempo sem as culturas hospedeiras do nematoide-de-cisto-da-soja, maior a sua redução populacional no solo. Além do efeito direto, a diversificação de culturas no sistema produtivo também ajuda a melhorar a estrutura física e biológica do solo, favorecendo microrganismos antagonistas.

2. Variedades de soja tolerantes ou resistentes

A segunda prática fundamental é o uso de variedades de soja tolerantes ou resistentes. O plantio dessas cultivares é uma ferramenta poderosa para diminuir a densidade populacional do nematoide-de-cisto-da-soja no solo a cada safra. 

No entanto, o uso contínuo da mesma fonte de resistência pode selecionar raças do nematoide capazes de superá-la, tornando a rotação de cultivares com diferentes genes de resistência uma estratégia complementar indispensável.

3. Insumos biológicos

Por fim, os insumos biológicos também são um importante aliado no produtor na hora de fazer o manejo do nematoide-de-cisto-da-soja. Essa prática envolve a utilização de produtos com ativos naturais capazes de parasitar, predar ou inibir o desenvolvimento do nematoide-de-cisto-da-soja, protegendo a lavoura.

Juntas, essas três práticas do manejo integrado de nematoides, assim como outras estratégias complementares, permitem mitigar as perdas causadas pelo nematoide-de-cisto-da-soja e proteger o potencial produtivo da soja.

Bioinsumos: aliados na proteção da lavoura contra nematoides 

Os bioinsumos são ferramentas biológicas inteligentes que atuam em sinergia com o ecossistema do solo, oferecendo proteção ativa e duradoura contra o nematoide-de-cisto-da-soja

Com um mecanismo de ação multifacetado, os bioinsumos rompem o ciclo de vida do nematoide enquanto fortalecem a resiliência natural das plantas. Eles atuam por meio de estratégias ecológicas complexas, que incluem:

  • colonização rizosférica: formam biofilmes ao redor das raízes, criando uma barreira física e química contra a penetração de nematoides;
  • antibiose natural: produção de lipopeptídeos e enzimas que paralisam, degradam ou inibem a eclosão de ovos de nematoides;
  • competição por nicho: ocupação de sítios de alimentação e consumo de exsudatos radiculares, reduzindo recursos dos nematoides;
  • Indução de resistência sistêmica: ativação de defesas fisiológicas da planta, tornando-a menos vulnerável a infestações secundárias.

Diante dos desafios impostos pelo NCS, soluções biológicas ganham espaço no manejo integrado de pragas da soja.

Produtos biológicos para o controle do nematoide-de-cisto-da-soja 

Os biológicos desenvolvidos pela Syngenta representam avanços significativos no manejo de nematoides, combinando ação biológica direta contra o nematoide-de-cisto-da-soja e proteção contra doenças de solo

Eles incorporam princípios ativos naturais que atuam em sinergia com o ecossistema radicular, oferecendo uma abordagem sustentável para reduzir a pressão do nematoide-de-cisto-da-soja enquanto fortalecem a resiliência das plantas.

ARVATICO®: raiz fortalecida, lavoura protegida

ARVATICO® é o biológico da Syngenta Biologicals destinado ao controle dos principais nematoides, como o nematoide-de-cisto-da-soja, o nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita) e do nematoide-das-lesões (Pratylenchus brachyurus), além dos principais patógenos do solo que comprometem a cultura da soja, incluindo os causadores das doenças fusariose, tombamento e podridão-cinzenta do caule.

Com excelente formulação, facilidade de aplicação e efeito promotor de crescimento, o produto fortalece as raízes e protege as plantas por mais tempo de diferentes formas, incluindo:

  • formação de biofilme;
  • redução da aproximação de nematoides pela produção de compostos e metabólitos secundários tóxicos;
  • competição por espaço e nutrientes;
  • estímulo ao crescimento das plantas.

Além disso, ARVATICO® se destaca por sua versatilidade e compatibilidade com outros produtos biológicos e químicos.

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