A fixação biológica de nitrogênio (FBN) é responsável porpraticamente toda a demanda de nitrogênio da soja,  com aporte equivalente a cerca de 300 kg de N/ha em condições favoráveis, segundo a Embrapa.  

A escolha do inoculante adequado, especialmente entre as espécies Bradyrhizobium japonicum e Bradyrhizobium elkanii, é um dos fatores mais determinantes para o sucesso desse processo e, consequentemente, para o desempenho produtivo da lavoura. 

No Brasil, a adoção de inoculantes à base de Bradyrhizobium é prática consolidada, mas dúvidas persistem sobre qual espécie ou estirpe utilizar, principalmente em áreas com diferentes históricos de cultivo de soja. A decisão correta pode impactar não apenas a nodulação, mas também a eficiência da FBN e a resposta da cultura em ambientes variados. 

Neste conteúdo, serão detalhadas as diferenças técnicas entre Bradyrhizobium japonicum e B. elkanii, critérios para escolha da estirpe, influência do histórico da área, práticas de coinoculação e recomendações para maximizar a eficiência da inoculação na soja. 

Ficha rápida: Bradyrhizobium japonicum vs. B. elkanii 

Gênero Bradyrhizobium,bactérias fixadoras de nitrogênio (rizóbios) 
 Estirpes autorizadas no Brasil  SEMIA 587 e SEMIA 5019 (B. elkanii); SEMIA 5079 (B. japonicum); SEMIA 5080 (B. diazoefficiens) 
Função Fixação biológica de nitrogênio (FBN) por meio de nódulos radiculares 
Potencial de FBN Pode suprir praticamente toda a necessidade de N da soja, o equivalente a cerca de 300 kg/ha em condições favoráveis (Embrapa) 
Exigência da cultura Mais de 80 kg de N por tonelada de grãos produzida (Embrapa) 
B. japonicum / B. diazoefficiens  Estirpes de referência em capacidade de fixação de nitrogênio 
B. elkanii  Estirpes de maior competitividade na ocupação dos nódulos 
UFC mínima recomendável 1 × 10⁹ UFC/mL ou g (IN SDA nº 13/2011, Mapa) 
Dose de referência Mínimo de 100 mL de inoculante líquido por 50 kg de semente, fornecendo ao menos 1,2 milhão de células viáveis por semente 

Principais pontos 

  • Bradyrhizobium é um gênero de bactérias fixadoras de nitrogênio (rizóbios) que estabelecem simbiose com a soja. 
  • Mesmo em áreas antigas, a reinoculação é indicada: as estirpes selecionadas superam a capacidade de fixação de N das populações nativas. 
  • A coinoculação com Azospirillum brasilense pode elevar o ganho de produtividade na soja. 

O papel do Bradyrhizobium na soja e sua importância agronômica 

O gênero Bradyrhizobium compreende bactérias fixadoras de nitrogênio, também chamadas de rizóbios, essenciais para a simbiose com a soja. As principais espécies utilizadas em inoculantes são Bradyrhizobium japonicum e Bradyrhizobium elkanii, ambas capazes de formar nódulos radiculares e promover a FBN.  

 Quatro estirpes são autorizadas no Brasil para a produção de inoculantes para a soja: SEMIA 587 e SEMIA 5019 (Bradyrhizobium elkanii), SEMIA 5079 (Bradyrhizobium japonicum) e SEMIA 5080, reclassificada como Bradyrhizobium diazoefficiens. Os inoculantes comerciais podem conter uma ou mais dessas estirpes. 

A soja é a principal cultura hospedeira dessas bactérias, com maior demanda por nitrogênio entre as leguminosas cultivadas. Regiões do Cerrado, Sul e Sudeste concentram a maior parte da produção e, consequentemente, da utilização de inoculantes.  

Fatores como pH do solo, temperatura, umidade e práticas de manejo influenciam diretamente a sobrevivência e a competitividade das estirpes inoculadas. Solos ácidos, temperaturas elevadas e baixa umidade podem comprometer a nodulação e a eficiência da FBN, exigindo atenção redobrada na escolha do inoculante e no manejo da semeadura. 

Fixação biológica de nitrogênio: fundamentos técnicos e ganhos em rendimento 

A FBN ocorre quando o Bradyrhizobium penetra nos pelos radiculares da soja, formando nódulos onde a enzima nitrogenase reduz o nitrogênio atmosférico (N₂) a amônia, posteriormente convertida em compostos nitrogenados assimiláveis pela planta. 

A presença de leghemoglobina nos nódulos, conferindo coloração rosada, indica atividade simbiótica eficiente. Em condições ideais, a FBN pode suprir toda a necessidade de nitrogênio da soja, reduzindo ou eliminando a necessidade de aplicação de fertilizantes nitrogenados. 

A eficiência da FBN depende da compatibilidade entre a estirpe do Bradyrhizobium, a cultivar de soja, as condições ambientais e o manejo da inoculação. Falhas nesse processo podem comprometer o crescimento e produção da soja, com menor formação de vagens e queda significativa da produtividade. 

Bradyrhizobium japonicum e B. elkanii: análise comparativa de desempenho agronômico 

A escolha entre Bradyrhizobium japonicum e Bradyrhizobium elkanii deve considerar aspectos biológicos, agronômicos e o histórico da área. Embora ambas as espécies sejam capazes de nodular a soja, apresentam diferenças relevantes em desempenho, competitividade e adaptação ao ambiente. 

Nodulação e desempenho: como as estirpes influenciam o potencial produtivo 

 As estirpes de Bradyrhizobium elkanii (SEMIA 587 e SEMIA 5019) destacam-se pela maior competitividade na ocupação dos nódulos, característica que favorece o estabelecimento da simbiose mesmo sob competição microbiana. 

Já as estirpes de Bradyrhizobium japonicum e Bradyrhizobium diazoefficiens são referência em capacidade de fixação de nitrogênio. Por esse motivo, os inoculantes comerciais frequentemente combinam estirpes de mais de uma espécie, ampliando a adaptação a diferentes condições de solo e clima. 

Parâmetros técnicos para selecionar a estirpe ideal para sua lavoura 

A decisão sobre qual inoculante utilizar deve considerar o histórico da área, as condições do solo e o manejo adotado. 

Influência do histórico da área e da população microbiana na escolha do inoculante 

Em áreas novas, recomenda-se o uso de inoculantes contendo ambas as espécies, conforme as recomendações da Embrapa.  

Em áreas antigas, a inoculação permanece recomendável, pois as estirpes selecionadas mantêm maior eficiência de FBN.  

 A avaliação da nodulação é recomendável entre 20 e 30 dias após a emergência, nos estádios V3 a V4, observando quantidade, distribuição e coloração interna dos nódulos. Menos de 10 nódulos por planta nesse período indica falha no estabelecimento da simbiose. 

Close de um ramo de planta com folhas verdes e pequenas estruturas escuras ao longo do caule, sobre fundo desfocado.

Impacto das características do solo e clima na resposta ao inoculante 

Solos ácidos comprometem a sobrevivência do Bradyrhizobium e a formação de nódulos, o que torna a correção da acidez, por meio da calagem, anterior à semeadura, uma condição básica para a resposta à inoculação. 

A faixa térmica favorável ao Bradyrhizobium situa-se entre 25 °C e 30 °C. Temperaturas de solo acima dessa faixa, associadas à baixa umidade, reduzem a viabilidade das bactérias, o que torna necessário evitar a semeadura em solo seco e armazenar o inoculante abaixo de 30 °C, protegido da luz solar.  

Como avaliar a qualidade e a viabilidade do inoculante 

A qualidade do inoculante deve ser verificada por meio da contagem de unidades formadoras de colônias (UFC), sendo o mínimo recomendável 1 × 10⁹ UFC/mL ou g. O produto deve estar dentro do prazo de validade, armazenado em local fresco e sombreado, e utilizado no mesmo dia após aberto. 

Coinoculação com Azospirillum brasilense: avanços em produtividade e sustentabilidade 

A coinoculação de Bradyrhizobium com Azospirillum brasilense é uma prática complementar que pode potencializar o desenvolvimento radicular e a absorção de nutrientes. O Azospirillum atua estimulando o crescimento das raízes por meio da produção de auxinas e contribui com a fixação associativa de nitrogênio, embora em menor escala que o Bradyrhizobium. 

 De acordo com a Embrapa Soja, a inoculação anual com Bradyrhizobium em áreas tradicionais de cultivo proporciona ganho médio de 8% na produtividade, enquanto a coinoculação com Azospirillum brasilense apresenta ganho médio de 16% em condições experimentais.  

Em unidades de referência conduzidas em lavouras comerciais do Paraná, as respostas médias observadas ao longo de três safras ficaram em torno de 8%, o que evidencia a influência das boas práticas de inoculação sobre o resultado final. 

A aplicação deve ser feita separadamente, para resultados mais consistentes. 

Principais falhas na inoculação e estratégias para  preservar a viabilidade das bactérias 

Fungicidas e inseticidas utilizados no TS (tratamento de sementes) podem reduzir a viabilidade do Bradyrhizobium. Por isso, a compatibilidade deve ser verificada na bula de cada produto antes da mistura. O inoculante deve ser aplicado por último, minimizando o contato com químicos e evitando exposição prolongada ao sol. 

O volume de inoculante líquido aplicado não deve ser inferior a 100 mL, sem diluição em água, por 50 kg de semente, e a dose aplicada deve fornecer no mínimo 1,2 milhão de células viáveis por semente, tendo como base de cálculo a concentração registrada no Mapa que consta da embalagem. 

 A exigência legal também tem norma identificável: os inoculantes com bactérias fixadoras de nitrogênio para simbiose com leguminosas devem apresentar concentração mínima de 1,0 × 10⁹ UFC por grama ou mililitro de produto, mantida até a data de vencimento (IN SDA nº 13/2011, Mapa). 

Para o inoculante turfoso, orienta-se preparar solução açucarada a 10% e usar 200 a 300 mL/50 kg de sementes para umedecer e dar aderência, adicionar o inoculante turfoso, misturar e deixar as sementes secarem à sombra, nunca aplicando o turfoso diretamente na caixa da semeadora. 

A escolha entre Bradyrhizobium japonicum e B. elkanii deve ser baseada no histórico da área, nas condições do solo e na qualidade do inoculante. A adoção de práticas como coinoculação com Azospirillum, correção do pH e manejo adequado do tratamento de sementes são fundamentais para maximizar a eficiência da FBN e a produtividade da soja. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável. 

Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo. 

Perguntas frequentes 

1. Qual a diferença entre Bradyrhizobium japonicum e Bradyrhizobium elkanii? 

B. japonicum (estirpe SEMIA 5079) tem maior capacidade de nodulação do que o B. elkanii (estirpe SEMIA 587), que é mais competitivo em solos com população já estabelecida. 

2. Vale a pena inocular a soja em áreas cultivadas há muitos anos? 

Sim. Mesmo com população já estabelecida, as estirpes selecionadas (SEMIA) apresentam maior eficiência de FBN do que as populações nativas, segundo a Embrapa. 

3. O que é coinoculação e vale a pena usar? 

É o uso combinado de Bradyrhizobium com Azospirillum brasilense. Segundo ensaios da Embrapa Soja, pode elevar o ganho de produtividade da lavoura. 

4. Quais fatores prejudicam o desempenho do inoculante? 

Solos ácidos, temperaturas do solo elevadas, baixa umidade e incompatibilidade com fungicidas e inseticidasusados no tratamento de sementes. 

5. Como avaliar se a inoculação deu certo? 

 A avaliação da nodulação é recomendável entre 20 e 30 dias após a emergência, nos estádios V3 a V4, observando quantidade, distribuição e coloração interna dos nódulos. Menos de 10 nódulos por planta nesse período indica falha no estabelecimento da simbiose. 

6. Qual a dose mínima recomendável de inoculante? 

Mínimo de 100 mL de inoculante líquido por 50 kg de semente, fornecendo ao menos 1,2 milhão de células viáveis por semente.