O tomate representa uma cultura de grande importância econômica para o agronegócio brasileiro. No entanto, o sucesso na sua produção vai muito além do simples plantio; ele reside na escolha assertiva da variedade e na aplicação de técnicas de manejo adequadas. 

Com a vasta gama de tipos de tomate disponíveis no mercado, entender características, potencial produtivo e resistências da cultura é um passo fundamental para produtores rurais que buscam otimizar suas lavouras e atender às demandas de um mercado cada vez mais exigente.

A seguir, este guia técnico detalhado irá desvendar as principais variedades de tomate cultivadas no Brasil, abordando suas características (sabor, formato e resistência) e oferecendo orientações cruciais para a escolha ideal e o manejo que otimiza a produtividade e a qualidade da safra.

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Principais tipos de tomate cultivados no Brasil

O Brasil é um grande produtor e consumidor de tomate, e a diversidade de climas e mercados regionais impulsiona o cultivo. Cada tipo possui características únicas que o tornam mais adequado para determinados usos culinários, para o transporte, para a industrialização ou para o consumo in natura. 

Conhecer essas particularidades é essencial para o produtor que deseja maximizar sua rentabilidade e atender às expectativas do seu público-alvo, seja ele o consumidor de varejo, o atacadista ou a indústria. A seguir, exploraremos os mais relevantes.

Tomate salada

O tomate tipo salada é, sem dúvida, um dos mais populares e consumidos no Brasil, sendo a variedade mais comum nas gôndolas de supermercados e nas mesas dos brasileiros. Sua principal característica é o formato arredondado e, por vezes, ligeiramente achatado, com tamanho variando de médio a grande. A coloração varia de um vermelho vibrante a tons mais rosados, dependendo da cultivar específica. 

Quanto ao sabor, o tomate salada apresenta uma boa combinação de acidez e doçura, embora varie bastante. Sua polpa é firme, mas suculenta, o que o torna ideal para consumo in natura em saladas e sanduíches.

As variedades de tomate salada são valorizadas pela sua versatilidade e são cultivadas tanto em campo aberto quanto em estufas, com diversas cultivares modernas oferecendo resistência a algumas das principais pragas e doenças do tomateiro, como a virose vira-cabeça (TSWV) e doenças fúngicas do solo.

Close-up de uma planta de tomate salada com frutos vermelhos pendurados no caule, cercados por folhas verdes e saudáveis

Alt text: Close-up de uma planta de tomate salada com frutos vermelhos pendurados no caule, cercados por folhas verdes e saudáveis

Tomate Santa Cruz

O tomate tipo Santa Cruz é um clássico da tomaticultura brasileira, com um formato oblongo, semelhante ao tomate italiano, mas geralmente mais robusto e com ombros mais pronunciados. Sua coloração é um vermelho intenso quando maduro e a polpa é bastante firme (com menos sementes em comparação com o tomate salada).

Embora seja um pouco menos suculento que o tomate salada, seu sabor é equilibrado e levemente adocicado. 

Em termos de produtividade, as cultivares de tomate Santa Cruz modernas são altamente produtivas, apresentando um bom pacote de resistências a doenças como o vira-cabeça, Verticilium e Fusarium, o que o torna uma escolha resiliente para muitos produtores. Sua boa vida de prateleira também é um diferencial importante para o mercado.

Tomate caqui

O tomate caqui é conhecido por seu grande porte e formato irregular, com gomos bem marcados que lembram o fruto caqui, de onde deriva seu nome. A coloração varia do vermelho-alaranjado ao vermelho-escuro, com uma pele mais espessa.

O tomate caqui tem polpa carnuda, firme e com poucas sementes, oferecendo um sabor mais adocicado e uma textura agradável. 

Embora a produtividade por planta possa ser menor em comparação com outros tipos mais produtivos por área, o alto valor de mercado do tomate caqui, especialmente em nichos específicos, compensa o investimento. 

As variedades de tomate caqui mais recentes também têm incorporado resistências a importantes doenças, garantindo maior segurança ao produtor.

Cacho de tomates caqui maduros e vermelhos ainda presos à rama verde.

Tomate uva

O tomate uva, como o nome sugere, é um tipo de tomate pequeno, de formato ovalado e alongado, lembrando uma uva. Sua coloração é tipicamente um vermelho brilhante e intenso, mas existem cultivares com frutos amarelos ou alaranjados.

O grande diferencial do tomate uva é o seu sabor extremamente doce e concentrado, com uma polpa firme e suculenta, e uma casca fina que explode na boca. 

Devido ao tamanho e sabor, é frequentemente vendido em embalagens menores e atende a um mercado que valoriza a conveniência e o paladar diferenciado. 

As cultivares de tomate uva são geralmente muito produtivas e possuem bom pacote de resistências, o que facilita o cultivo de tomate em sistemas protegidos.

Tomate-cereja

O tomate-cereja é outro tipo de tomate pequeno e redondo, com tamanho que varia de uma cereja pequena a uma bolinha de gude. Sua coloração mais comum é o vermelho intenso, mas também há variedades amarelas, laranjas e até pretas. 

O sabor do tomate-cereja é notavelmente doce, suculento e levemente ácido, com uma casca fina e um aroma agradável, o que o torna extremamente popular para consumo in natura, aperitivos, saladas e guarnições.

As cultivares de tomate-cereja são geralmente produtivas, adaptando-se bem a diferentes sistemas de cultivo, incluindo vasos e estufas, e muitas são desenvolvidas com resistências a importantes patógenos, assegurando a sanidade e a produtividade da lavoura.

Cesta cheia de tomates cereja frescos, vermelhos e brilhantes, alguns ainda com hastes verdes.

Tomate italiano

O tomate italiano, também conhecido como tomate tipo perinha ou roma, é facilmente reconhecível pelo seu formato alongado e periforme, com extremidades pontudas. Sua coloração é de um vermelho vibrante e a polpa é densa, carnuda, com poucas sementes e baixo teor de água, características que o tornam o favorito da indústria. 

Seu sabor é mais ácido e intenso, aprofundando-se após o cozimento. Embora também possa ser consumido in natura, sua principal aptidão  é o processamento.

A produtividade do tomate italiano é geralmente alta, e as variedades modernas oferecem boa resistência a doenças, como vira-cabeça, Fusarium e Verticilium. Sua firmeza e boa vida de prateleira também são pontos positivos para o transporte e a comercialização.

Tabela comparativa entre tipos de tomate

Para facilitar a visualização e a tomada de decisão sobre qual dos diferentes tipos de tomate melhor se adapta às necessidades do produtor, preparamos uma tabela comparativa que resume as principais características de cada variedade:

Tipo de tomateFormatoColoraçãoSabor 
SaladaRedondo/achatadoVermelho/rosadoEquilibrado acidez/doçura
Santa CruzOblongo/periformeVermelho intensoEquilibrado, levemente doce
CaquiGrande, gomos irregularesVermelho-alaranjadoDoce, carnudo
UvaOvalado/alongadoVermelho brilhanteMuito doce, concentrado
ItalianoAlongado/periformeVermelho vibranteÁcido, intenso
CerejaPequeno, redondoVermelho, amarelo, laranjaDoce, suculento, leve acidez

Cultivares híbridos de tomate

As cultivares de tomate representam a diversidade genética dentro de cada tipo, resultado de anos de pesquisa e melhoramento genético. Os principais incluem:

  1. BRS Kiara: híbrido do tipo Santa Cruz, desenvolvido pela Embrapa, apresenta alta resistência a doenças e ótima adaptação ao solo brasileiro.​
  2. BRS Zamir: tipo uva, elevado teor de licopeno, focado em cultivo protegido e longa vida pós-colheita.​
  3. BRS Imigrante: tipo salada, alta resistência a doenças e boa durabilidade no transporte.​
  4. BRS Montese: tipo italiano, forte resistência ao míldio e à podridão apical, indicado para o processamento.​
  5. Stony: nova cultivar do tipo determinado, focado em alta produtividade, resistência e adaptação a diferentes regiões.

Como escolher a variedade ideal para cultivo?

A seleção da variedade ideal é uma das decisões mais estratégicas na cultura do tomate, impactando diretamente o sucesso e a rentabilidade da safra. Considere os seguintes fatores ao escolher:

Demanda de mercado

Avalie o mercado consumidor para o qual você pretende destinar sua produção. Há demanda por tomate salada para consumo fresco, tomate italiano para indústria ou tomate-cereja para nichos gourmets? O preço de venda de cada tipo de tomate e a facilidade de comercialização são fatores cruciais.

Condições climáticas e solo

Verifique se a cultivar é adaptada às condições de temperatura, luminosidade e umidade da sua região. 

Considere o tipo de solo da sua propriedade e a necessidade de manejo de irrigação e fertilização para cada variedade. Algumas variedades de tomate são mais tolerantes a estresses específicos.

Resistências a pragas e doenças

A resistências a pragas e doenças é um dos fatores mais críticos. Pesquise o histórico de pragas e doenças na sua área e opte por cultivares com resistência genética a problemas comuns e outras viroses. Essa estratégia reduz a dependência de defensivos e os custos de controle.

Sistema de cultivo

Determine se a produção será em campo aberto, estufa (ambiente protegido), ou em vasos. Algumas cultivares de tomate são mais indicadas para sistemas específicos, como os de crescimento indeterminado para estufas, que exigem condução e desbrota contínua.

Ciclo de produção

Observe o ciclo da cultivar (precoce, média, tardia). Isso é importante para o planejamento da colheita e para o escalonamento da produção, evitando picos ou faltas no abastecimento.

Características agronômicas

Avalie aspectos, como vigor da planta, arquitetura da planta, tamanho e firmeza do fruto, vida de prateleira (shelf life) e facilidade de colheita. Esses atributos impactam diretamente a logística, a pós-colheita e o valor final do produto.

Consultoria técnica

A orientação de um engenheiro-agrônomo é indispensável. Ele poderá analisar o cenário completo, recomendar as variedades de tomate mais adequadas para a sua realidade e auxiliar no planejamento de todo o manejo da lavoura, garantindo um cultivo de tomate mais eficiente e rentável.

Cuidados e boas práticas no manejo de diferentes tipos de tomate

Independentemente dos tipos de tomate escolhidos, um manejo agronômico rigoroso e baseado em boas práticas é fundamental para garantir a alta produtividade, a qualidade dos frutos e a sustentabilidade da lavoura. A cultura do tomate é exigente e sensível a diversos fatores, requerendo atenção constante e a implementação de estratégias integradas para enfrentar desafios, como pragas, doenças, deficiências nutricionais e estresses ambientais.

As principais práticas incluem:

  1. Preparação do solo: realizar uma análise de solo prévia para corrigir acidez e deficiências nutricionais. Um solo bem estruturado, rico em matéria orgânica e com boa drenagem é essencial para o desenvolvimento radicular.
  2. Manejo da irrigação: o tomateiro é sensível tanto à falta quanto ao excesso de água. A irrigação por gotejamento é altamente recomendada, pois fornece água diretamente à zona radicular, minimizando perdas por evaporação e reduzindo a umidade foliar, o que ajuda a prevenir doenças. A quantidade e a frequência devem ser ajustadas ao estágio de desenvolvimento da planta e às condições climáticas.
  3. Manejo Integrado de Pragas (MIP) e Doenças (MID): monitoramento constante (uso de armadilhas, vistorias regulares) para identificar precocemente a presença de pragas, como mosca-branca, broca-do-tomateiro e doenças, como requeima, pinta-preta e viroses. Invista no controle biológico, no uso de cultivares resistentes e na aplicação seletiva e rotacionada de defensivos agrícolas com diferentes modos de ação de defensivos.
  4. Uso de cobertura de solo (mulching): a utilização de plásticos ou material orgânico como cobertura no solo ajuda a controlar plantas daninhas, conservar a umidade, regular a temperatura do solo e reduzir a incidência de doenças.
  5. Rotação de culturas: praticar a rotação de culturas para evitar o acúmulo de patógenos e pragas específicas do tomateiro. Culturas não hospedeiras devem ser alternadas com o tomate.
  6. Higiene e sanitização: manter a área de cultivo limpa, remover restos culturais e plantas doentes e desinfetar ferramentas e equipamentos são medidas preventivas importantes para evitar a disseminação de doenças.

A aplicação consistente dessas práticas, aliada ao conhecimento sobre as particularidades de cada um dos diferentes tipos de tomate, formará a base para uma lavoura produtiva, saudável e economicamente viável.

A diversidade de tomates cultivados no Brasil oferece um leque de oportunidades e desafios para o produtor rural. Garantindo o alinhamento entre conhecimento técnico às mais recentes tecnologias e inovações no agro, o produtor estará apto a enfrentar os desafios e a colher os frutos de um trabalho bem planejado.

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.

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